sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

-Reflexões Etimológicas do Termo "Bruxa"

Retrato medieval carolíngio de Sophia/Atena a Rhode por Remigius de Auxerre (841-908), 
frade que descreveu Sophia descendo dos céus com sua armadura, a Égide ou Paládio,
em seu Comentário ao escritor Martianus Minneus Felix Capella:
"Virgo Armata Descens, Rerum Sapientia, Pallas" 
[Desce a Virgem Armada, a Sabedoria das coisas, Atena Pallas!]


Descrição dos discípulos pré-calvinistas do bruxo Pierre Valdès (1140-1205), 
saltando o extasiante Sabá Bruxesco e/ou o Masque ou Missa das Bruxas.



As palavras “bruxa” e principalmente “bruxaria” não estão presentes em todas as línguas, no entanto, maior parte das línguas europeias conhecidas ou das línguas de origem europeia, utilizam-se de um termo comumente presente no vocábulo do dialeto ou língua para referir-se às mulheres "Sábias", bem como àquelas pessoas que participavam dos Sabás, os festivais bruxescos, às vezes chamados de "Bacanálias" ou "Sabázias", cujos participantes foram, equivocadamente, estereotipados nas lendas e superstições populares de que se entregariam “de corpo e alma à adoração do Demônio (a deturpação do Deus Cornífero Dionysos, que possuía o título pagão de "Daemon", o Espírito, também chamado de "Agathos Daimon", o Bom Espírito) ou de que, sob o comando da “Senhora das Fadas e do Jogo” (a alta-sacerdotisa ou Mestra), realizavam o distorcido “pacto com o Diabo” (o Magus ou Majestade de Bruxas que, como os imperadores romanos santificados, recebia honrarias de "Divus" ou "Daeva" ou Deva, entre os adeptos de seu clã ou de sua confraria que o eram devotos). Esta lenda folclórica europeia ou eurodescendente é derivada das perseguições aos hereges e adeptos de religiões pagãs na idade média que, com a consolidação do Cristianismo petrino na Europa, deu início à destruição de templos pagão-bruxescos. Existem diversos termos, nas línguas e dialetos europeus, que são exônimos para “bruxa” em cada nação e/ou região geográfica; Porém, existem determinados termos que são, graficamente, repetentes ou variantes em demais línguas e dialetos, o que torna-se possível pressupor a existência arcaica de certas etimologias-raízes desses termos e com uma origem comum. Neste sentido, realizando um compêndio dos termos aplicados como traduções em cada língua e/ou dialeto, facilita o entendimento do significado atribuído primordialmente à palavra “bruxa”. 

Precisamos, antes, ter claro para nós, adeptos de uma religião esotérica e sacerdotal, que, se realizarmos uma investigação não exatamente física ou científica em tempos remotos da antiguidade e da idade média, notar-se-á que nas antigas liturgias dos Clãs da Bruxaria, esta era designada por metáforas como “Arte”“Arte Sacerdotal e Régia”“Arte dos Sábios” ou, simplesmente, “Mistérios”. Deve-se considerar, também, que a Bruxaria sempre deu liberdade para adaptação conforme os fluxos da natureza local para, como religião de segredos da natureza, encorajar o bicho homem a sentir a energia sutil da vida, ao invés de realizar os ritos de maneira mecânica rumo ao atrofiamento das habilidades mágico-espirituais latentes. A origem do termo “bruxa” no português, assim como suas variantes no espanhol, no catalão, no ocitano, no galês e no romeno, desenvolveu-se na antiguidade tardia na língua galo-romana, a partir de uma etimologia, "brixta" "brictom", com o significado de 'encantadora' e 'encantamento ou encantos', proveniente da palavra galo-romana "Brixia" — um "Parta" ou "Bardiya" ou "Herbods" ou "Bardo" (sobrevivendo, ao norte da Índia, como um termo de inferência ao estado iniciático-intermediário entre a morte e o renascimento)
 —, enquanto exônimo às mulheres, designadas na língua francesa por "uidluias", que 'conheciam os Mistérios', isto é, as sacerdotisas iniciadas na Arte dos Sábios ou "Mysteria", magas presentes em todo o mundo greco-romano e na Inglaterra, França, Alemanha e Península Ibérica, as quais, mais tarde, viriam a ser acusadas de lançar feitiços ou pestilências para arruinar as colheitas ou plantações e transformarem-se de forma para voos noturnos ao extasiante Sabá bruxesco, em uma conspiração "diabólica" contra a Igreja. 

Entretanto, nos termos semânticos em cada língua ou dileto europeu pelos quais a palavra “bruxa” se traduz, há determinada quantidade aparente de etimologias repetentes. Isso indica que, possivelmente, houve a presença de algumas etimologias-raízes que sub-desenvolveram-se variantes, provavelmente de acordo com as mudanças de grafia e de sotaque, específicos de cada língua e de cada dileto em uso. Os termos em análise aqui, não necessariamente são os mesmos daqueles utilizados em outros tempos no passado obscuro, medieval ou clássico, pois entende-se que a língua de diversas nações e a sua cultura letrada, também, se transformam ao longo do tempo. Assim, considerando as implicações citadas referentes ao termo “bruxa”, em suas diversas línguas e dialetos, é interessante observar alguns dos subgrupos de palavras utilizadas à  “bruxaria” e à “bruxa” e o seu significado etimológico. Contanto, é importante que o leitor atente-se que, quando houverem duas palavras relacionadas ao significado etimológico em um mesmo quadro da tabela, após o sinal de igual (“=”) os significados de cada palavra estão divididos pelo ponto e vírgula (“;”), assim como, também, entre os nomes indicativos de praticante que, em uma mesma língua, há uso de mais de um termo de etimologia diferente, fora separado por travessão (“–”) e, ao contrário, por barra linguística (“/”). As palavras em uso para bruxaria” e para bruxa foram classificadas, primeiramente à prática e, em segundo, ao praticante, como veremos na tabela a seguir: 

Língua
Tradução de “Bruxaria”
Tradução de “Bruxa(o)”
Significado Etimológico
 Português
Bruxaria 
Bruxa / Bruxo
(do Galo-romano, “Brixta” “Brictom” = encantadora ou bardo ou aedo, encantamento ou encantos).
Espanhol
Brujeria / Brujaria – Sorginkeria
Bruja / Brujo – Sorgina /Sorginak

Catalão
Bruixeria
Bruixa / Bruixot 
Galês
Wrach
Bósnio
 Vjestica
Escocês Gaélico
Draoidheachd – Buidseachd
Draoidh – 
Bhuidseach
(do Céltico “Druides” ou “Derwydd”, e do Grego, “Dryades” = druida ou druidesa; dríade ou dríadas);




Turco




Cadilik




Cadi 
(do Árabe “Qedesa” (“Qadesh”, o masculino) = santa ou sacerdotisa companheira do Templo da Mystíria, conjunto de clãs ou confrarias de aprendizado dos segredos da natureza e do cosmos e de culto aos deuses greco-egípcio-caldaicos, e que as mulheres praticantes, entre os povos bascos ou franco-espanhóis medievais, ficaram célebres como sacerdotisas do Deus Dionysos/Osiris Bakha o Sokar/Shachar/Zagreus ou Aker e sua Consorte, a Deusa Demeter Sito/Aset/Isis dita Myrionymos ou Rhea Cynthia a Myrrha).
Dinamarquês
Hekseri
Heks  Wizard 
Norueguês
Heksekunst 
Heks 


Alemão


Hexerei  Braucherei


Hexe / Hex / Hexsen
(do Inglês Antigo “Haegtesse”, do Alemão “Hagzissa”, do Árabe “Hakeen” ou “Hakīm”, do Caldaico-hebreu “Hakham”, e do Greco-egípcio “Hike” e “Heka” = bruxa, ser entusiasmado; bruxa; sábio ou mago; sábios; ritos mágicos ou cerimônias mágicas). 
Holandês
Heks 
Africâner
Heks 
Letão
Raganavimas
Ragana 
(do Húngaro “Regösének ou “Regölés = encantador, bardo ou aedo).
Lituânio
Raganavimas
Raganiais / Ragaina / Raganu  Burtininkas

Francês
Brixtia – Vauderie / Veuderie – Sorginkeria
Sorgin – Uidluias / Vates / Ovados 
Italiano
Brúscias
Sueco
Haxa
Greco-Arábico
Vechtitza / Vjestica 
Macedônico
Vesterstvo
Vesterka 
Búlgaro
Veshterstvoto
Veshtitsa 

Croata
Vesticarenje /
Vestina/ Vjestina – Vracanje

Vjestica
(do Búlgaro “Вещ” ou “Vещ” = saber, conhecer, habilidade ou engenho).
Romeno
Vrajitorie
Vrajitoare / Vrajitor
Sérvio
Vracanje
Vestica
Russo
Vedovstvo
Ved’ma
(do Russo “Ved’ma”= sábia, conhecedora, maga).
Ucraniano
Vid’ma / Vid’om

Irlandês

Witchcraft – Draíochta

Witch – Draoi
(do Inglês Antigo e do Germânico, “Wicche”“Wiccan”“Wis” e “Vitki” ou “Wit-” = bruxas; bruxos; mago ou saber).
Inglês
Witchcraft 
Witch / Wizard
Cebuano
Witchcraft 
Witch / Wizard
Georgiano
Witchcraft 
Witch 
Javanês
Witchcraft 
Witch
Khmer
Witchcraft
Witch
Laosiano
Witchcraft 
Witch
Marathi
Witchcraft 
Witch/ Vijharda  Vica
Inglês Antigo
Wiccecraeft / Wiccian
Wicce / Wicca / Wiccan
Maltês
Witch / Wizard
Islandês
Vitki 
Malaio
Wizard / Vizard

Cazaque

Mistan (мыстан) – Wizards  Vedm
(do Grego “Mystikos” e “Mystai” = místico ou iniciado na Mystíria, conjunto de clãs ou confrarias de aprendizado dos segredos da natureza e do cosmos e de culto aos deuses greco-egípcio-caldaicos).



Percebe-se que os termos de tradução para a palavra “bruxaria” em cada língua ou dialeto possui, evidentemente, várias origens etimológicas. Porém, nota-se que, a partir da repetência de termos iguais ou semelhantes utilizados para tradução da palavra “bruxaria” em cada língua ou dialeto, aparentam-se haver algumas etimologias de origem comum para esses termos empregados. Com isso, para explicitar tal fator destacado, buscou-se agrupar em itens, a seguir, cada termo empregado para as palavras “bruxaria” e “bruxa”, as etimologias-raízes encontradas e o significado etimológico atribuído:

·  Línguas portuguesa, italiana, espanhola, galesa, ocitana, romena, croata, sérvia, lituânia, escocesa gaélica, alemã e catalã: etimologia-raiz galo romana, “Brixta” “Brictom” = encantadora ou bardo ou aedo e encantamento ou encantos;

·  Línguas letã e lituânia: etimologia-raiz húngara “Regösének” ou “Regölés” = encantador, bardo ou aedo;

·  Línguas sérvia, bósnia, búlgara, macedônica, croata e greco-arábica: etimologia-raiz búlgara, “Beщ” ou “Veщ” = saber, conhecer, habilidade ou engenho;

·  Línguas bielo-russa, russa, francesa antiga, cazaque e ucraniana: etimologia-raiz russa, “Ved'ma” = sábia, conhecedora;

·  Línguas irlandesa, inglesa, cebuana, hindi, khmer, malaia, francesa, céltico-francesa, cebuana, dinamarquesa, georgiana, cazaque, hmong, javanesa, laosiana, marathi, inglesa antiga, islandesa e maltesa: etimologia-raiz inglesa e germânica, “Wicche”,  “Wiccan” *“Wis” e “Vitki” ou “Wit-” = bruxas; bruxos; sábio; mago; saber, conhecer;


·  Línguas dinamarquesa, norueguesa, alemã, holandesa e africâner: etimologia-raiz inglesa, germânica, árabe, caldaico-hebraica e greco-egípcia, “Haegtsse”,“Hagzissa”“Hakeen” ou “Hakīm”“Hakham” “Hike” ou "Heka” = bruxa, ser furioso; bruxa; sábio, mago; sábios; ritos mágicos, cerimonias mágicas;


·  Língua turca, francesa e espanhola: etimologia-raiz árabe “Qedesa” (“Qadesh”, o masculino), a “Sheela-na-gig” = santa ou sacerdotisa companheira do Templo da Mystíria, conjunto de clãs ou confrarias de aprendizado dos segredos da natureza e do cosmos e de culto aos deuses greco-egípcio-caldaicos, e que as mulheres praticantes, entre os povos bascos ou franco-espanhóis medievais, ficaram célebres por atuarem como sacerdotisas do Deus Dionysos/Osiris Bakha o Sokar/Shachar/Zagreus ou Aker e sua Consorte, a Deusa Demeter Sito/Aset/Isis dita Myrionymos ou Rhea Cynthia a Myrrha;

·  Línguas escocesa gaélica e irlandesa: etimologia-raiz céltica e grega, 
“Druides” ou “Derwydd” “Dryades” = druida ou druidesa; dríade ou dríadas;

·  Língua cazaque: etimologia-raiz grega, “Mystikos” “Mystai” = místico ou iniciado na Mystíria, conjunto de clãs ou confrarias de aprendizado dos segredos da natureza e do cosmos e de culto aos deuses greco-egípcio-caldaicos.


Entretanto, nas línguas yiddish, vietnamita, telugo, tâmil, tailandesa, tagala, suaíle, canaresa, gujarate, coreana, chinesa, japonesa, indonésia, haitiana, bengali e azerbaidjana não existiram, originalmente, termos linguísticos para as palavras “bruxa” e “bruxaria”. Devemos considerar que estas línguas estão, majoritariamente, localizadas em contextos distantes dos territórios tradicionalmente demarcados por Têmenos ou Nematons, local pelo qual esteve sob domínio de um Clã de Bruxas e onde este domínio sociopolítico bruxesco trouxe, em consequência, influências no desenvolvimento da cultura nacional ou regional. O Temenos ou Nematon compreende a demarcação geográfico-territorial de um espaço sagrado de Três Milhas de diâmetro (diferentemente dos cálculos reduzidos de Gerald Brosseau Gardner) a cada conventículo, o qual é ligado por "cordão umbilical" ao seu conventículo-mãe ou conventículo-matriz e possui total compromisso com o Clã que faz parte, na velha Bruxaria. Além disso, verifica-se que, nas línguas eslovena, eslovaca, tcheca e polonesa, não possui, em seus idiomas oficiais, tradução nacional para a palavra “bruxa” ou “bruxaria”. Deste modo, as etimologias-raízes evidenciadas acima foram destacadas apenas àqueles termos linguísticos que, significativamente, estiveram em uso em regiões e localidades que possuíam Têmenos ou Nematons de Bruxas. Neste sentido, diversas outras línguas apresentam também em uso alguns dos termos que possuem as mesmas etimologias-raízes citadas acima, porém, destaca-se que era irrelevante e desnecessário citá-los. 

Observando as origens da palavra “bruxa” (e “bruxaria”) em cada língua e dialeto descritos acima, pode-se notar determinada similitude nos significados semânticos. Uma semântica fortemente associada à 
palavra bruxa ou bruxaria” consistem "as fadas". Deve levar em consideração que a terminologia "fada" também foi usada para descrever os membros da "Tuatha-Dé-Danannou "Tribo de Danaans", os Povos Egípcio-danaides ou Hicsos, que ficaram conhecidos lendariamente como Povo de Bruxas, bem como na Escócia picta, na Irlanda e na Ilha de Man, cuja sua origem é pré-helênica danaide na região oriental onde se conhecia antigamente por Anatólia e que, atualmente, constitui a Turquia e parte da região do Mar Egeu, onde fora, originalmente, fundada a Bruxaria por meio do hierofante Hormazd/Hermes Trismegistos e, desta região, fora levada para o Monte Sinai, no Egito, onde fora instaurada com a recepção hermética do próprio Deus Cornífero (Osiris/Dionysos), conforme os próprios mitos da Bruxaria Medieval. Ademais, segundo mitos bruxescos, as bruxas possuem familiaridade com as “fadas” propriamente ditas, isto é, às “fatas”, também chamadas de “moiras” ou “nereidas”, a raça das Três Fadas ou Moiras ou Nornas (as três filhas da "primeira bruxa" Heket/Hecate, a Erodia/Aradia, com Hermes Trismegistos, filho-irmão de Tubalcain/Hephaistos e Fundador da Bruxaria). 


A princípio, o primeiro subgrupo de significados semânticos (que, caracteristicamente, assemelha-se às "fadas"), trata-se da etimologia-raiz “Qedesa” (“Qadesh”, o masculino), do árabe, para nominar 'uma santa ou sacerdotisa companheira do Templo da Mystíria, conjunto de clãs ou confrarias de aprendizado dos segredos da natureza e do cosmos e de culto aos deuses greco-egípcio-caldaicos', que, por sua vez, possui relação com o termo “Ishtaritu”, do acadiano (que perdurou no iraniano como "athrauuan" ou "athaurun", sacerdotes do fogo sagrado do pré-zoroástrico Clã Zurvanita/Mitraico), para designar, não obstante, à 'uma sacerdotisa do Templo da Mystíria, conjunto de clãs ou confrarias de aprendizado dos segredos da natureza e do cosmos e de culto aos deuses greco-egípcio-caldaicos, que era versada em artes mágicas femininas, bem como do Clã Adonista em que a Deusa era cultuada sob o nome de Ishtar/Astarte'Nos antigos Templos do Clã Adonista (vide: "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade"), as sacerdotisas eram denominadas de “Qedesa” ou “Quadishtu”, também chamadas, nas línguas céltica, sumeriana e turca ou túrquico-europeia, de “Nu Gig”“Nin Sigsig” e “Sargin” ou “Sheela-na-gig” ou “Sheela-gig-na” (literalmente "Aquela [que está] em Silêncio" ou "Aquela [que conhece] dos Mistérios") – as "Sheelas" ou mulheres de "Syria/Kale" retratadas nas catedrais e nos castelos europeus medievais, atualmente deturpadas pelos padres e autores cristãos –, serviam à Deusa Estelar, também chamada Qetesh (que, entre os Judeus, tornou-se conhecida como "Ruach ha-Qodeshou "Alma Santaque, equivocadamente, fora traduzido pela Igreja como "Espírito Santo"), cujo seu antigo sacerdócio, comum na antiguidade, envolvia a prática de Magia Sexual em que as mulheres praticantes, entre os povos bascos ou franco-espanhóis medievais, ficaram célebres por atuarem como sacerdotisas do Deus Dionysos/Osiris Bakha o Sokar/Shachar/Zagreus ou Aker ou, como ficou conhecido nas lendas populares da região franco-espanhola da Aquitânia e do País Basco, "Sugaar" ou "Akerbeltz" ou "Suarra do Akelarre", cuja sua Consorte era a Deusa Demeter Sito/Aset/Isis dita Myrionymos ou Rhea Cynthia a Myrrha, vulgarmente distorcida nas lendas populares como "Mari" e da qual surgiu a lenda templária no português Monte "Sintra" (revide: Cynthia).




Carlo Ginzburg, em suas obras relacionados à bruxaria, já têm apontado que as Bruxas realizavam orgias e que, as lendas e contos medievais sobre as Bruxas, acusavam-nas de sensualidade, luxuria, atos de ‘orgia’ e beijos ‘obscenos’ (quanto à moralidade Cristã celibatária em que o sexo, visto como algo sagrado pelos pagãos, aos olhos de um Cristão era um "pecado" ou o "pecado original"). Essas práticas referidas como orgia, visto que etimologicamente está relacionada à "Arte", era nada mais que a própria Magia Sexual. A Magia Sexual é a mais poderosa fonte de poder do cosmos e, é por meio dessa relação íntima entre duas forças que se atraem, que todas as coisas são criadas no universo: esse conceito permeia todas as coisas e, sem ele, nada pode ser concebido como manifesto. Nesta perspectiva, Mircea Eliade, em seu ensaio de religiões comparadas, "Ocultismo, Bruxaria e Correntes Culturais", afirma a existência comum, em várias regiões da Europa Medieval, de uma cerimônia religiosa atribuída às Bruxas, a qual segue adiante:

“[...] Um dos primeiros testemunhos foi obtido por Stephen de Bourbon, Inquisidor no norte da França a partir de 1235. Uma mulher confessou-lhe a seguinte história: ‘Sua patroa frequentemente a levava para um lugar subterrâneo onde uma multidão de homens e mulheres se reunia à luz de tochas e velas, em redor de um grande vaso onde se havia colocado um bastão [um rito de fertilidade?]. O líder, então, invocava Lúcifer a vir até eles. Nesse momento, um gato de aparência horrível aparecia no quarto. Depois de mergulhar sua cauda na água, ele aspergia os presentes. Então, apagavam-se as luzes e as pessoas se entregavam a práticas sexuais.’ Com poucas variações, essa é a descrição do Sabá das Bruxas que se registra com grande freqüência nos séculos seguintes. Os elementos característicos são: o encontro num local subterrâneo, a evocação e o aparecimento de Satã, a extinção das luzes seguida de práticas sexuais indiscriminadas. Essa monotonia torna-se inesperadamente significativa quando se constata que, a partir do começo do século XI, exatamente a mesma acusação foi levantada contra os diversos movimentos reformistas considerados heréticos. Dessa forma, em 1022, na cidade de Orleães, um grupo de reformistas foi acusado de praticar orgias sexuais em cavernas subterrâneas [conventículos?] e casas abandonadas. De acordo com a denúncia feita, os devotos entoavam os nomes dos demônios; e, quando um espírito mau aparecia, as luzes eram extintas e cada membro do grupo se entregava a quem estivesse mais próximo, fosse mãe, irmã ou freira. 'As crianças concebidas por ocasião dessas orgias eram queimadas oito dias após o nascimento... e de suas cinzas fazia-se uma substância usada numa imitação sacrílega da comunhão cristã'. Tais acusações tornaram-se costume e eram repetidas a respeito de cada indivíduo ou grupo acusado de heresia. 


Um relato, datado de 1175, diz que os hereges de Verona se reuniam num local subterrâneo e, depois de ouvir um sermão sacrílego, apagavam as luzes e se entregavam à orgia. Exatamente as mesmas acusações foram feitas contra os Patarinos 
[derivado do termo francês "Patoier", uma gesticulação crioula ou caipira, fora uma designação taxativa ao movimento político de padres pobres da Igreja Cristã que desacataram o controle do Arcebispado milanês], hereges alemães, e os Cátaros [Linhagem Cátara ou Maniqueia do Clã Mitraico, da Bruxaria Clássica]. No século XIII, os Irmãos do Espírito Livre [os disfarçados integrantes do Clã Guglielmita ou Joaquimita, da Bruxaria Medieval Reformada], do Reno, os Apostólicos [membros de uma Companhia de Justos e Foliões, que roubavam dos ricos para distribuir aos pobres, mais tarde chamados Dolcinianos], da Itália setentrional, os veneradores de Lucífer, que apareceram na Alemanha a partir de 1227 [as Bruxas de três eleitorados do Sacro Império Romano, como de Trier, de Mainz e de Colonia, que declararam, nas perseguições de bruxomanias ou "caça-às-bruxas", que o anjo Tubalcain/Davul, estereotipado como "Diabo" e seu mito distorcido pelos cristãos, fora expulso dos céus pela deidade dos judeus e cristãos, o "Altíssimo", mas que, em contraposição, o imperialista "Altíssimo" seria destituído dos céus e, extinguindo a injusta lei opressiva deste, o anjo lucífero restauraria sua lei à terra; o que, na modernidade, o próprio "Altíssimo", como citado por Helena Petrovna Blavatsky, foi derrubado pelo Filho Divino Prometheus ou encarnou na terra por sua ira com a humanidade, ao passo que a lei de justiça, comunitarismo, pacifismo e liberdade, ensinada por Tubalcain, retornou à terra], e os Adamitas Boêmios [vide: Clã Turlupin ou Amauriciano/Proto-valdense, da Bruxaria Medieval Reformada que, através do movimento de Jan Huss e Lutero, buscou-se transformar em Igreja Evangélica Pós-Calvinista], nos séculos XIV e XV, foram acusados de se entregar à orgias sexuais em lugares subterrâneos. De acordo com Konrad de Marburg, o primeiro inquisidor papal na Alemanha, os membros das seitas (do século XIII) costumavam se reunir num local secreto; o demônio aparecia sob forma de um animal e, depois de cânticos e uma breve liturgia, apagavam-se as luzes e tinha lugar uma orgia heterosexual. Nos séculos XIV e XV, tanto os Valdenses quanto os Cátaros foram associados com mais intensidade às Bruxas ou vice-versa. Dizia-se que os Cátaros se reuniam à noite e, depois de ouvir sermões e receber sacramentos sacrílegos, festejavam e bebiam, após o que as luzes eram apagadas. A mesma acusação fora feita contra os Irmãos do Espírito Livre e mesmo contra os Fraticelos (ou seja, os reformistas franciscanos) [...]” (apud ELIADE, Mircea. In: "Ocultismo, Bruxaria e Correntes Culturais").


Inicialmente precisamos compreender que, no passado, cada Clã da velha Bruxaria foi governado por uma "Rainha das Bruxas", a qual, além de deter a autoridade soberana da Bruxaria na terra, possuía um companheiro chamado de Magus ou Majestade das Bruxas que, após a morte deste, era honrado — assim como os imperadores romanos — como "Divus" ou "Dibus", isto é, um rei santificado à descendência do anjo Tubalcain/Typhoeus/Davul/Divel. Isso levou ao surgimento de superstições entre os Cristãos e Inquisidores sobre o "Diabo", já que Jesus Cristo havia sido morto por ordem de um imperador romano ou "Divus" e, portanto, foi visto como sendo o símbolo do mal ou inimigo do Altíssimo Jave, associando-se às concepções Judaicas de “Satã”. Porém, o "Divus" ou "Dibus", para as Bruxas, era um Magus ou Majestade de bruxas e iniciados que, por sua autoridade espiritual e elevação em direção à divindade e ao bem comum da sua irmandade, havia se tornado possuidor do mérito de receber honrarias (as quais diferem-se propriamente de adoração ou culto aos Deuses). Portanto, as Bruxas, enquanto pagãos que prestavam honrarias à autoridade do “Divus” e que haviam compactuado com o “Divus Iulianus” ou “Divus Iulius” — Flavius Claudius Iulianus (Iniciado dos Clãs Eleusino e Platônico) que, com a oficialização do Cristianismo como religião do Império Romano e sua proibição dos antigos templos pagãos e perseguição às Bruxas e Iniciados da "Mysteria" ou Arte dos Sábios, reuniu junto com o filósofo e bruxo Flavius Sallustius todos os Clãs da Bruxaria que sobreviviam e instituiu a organização secreta da Bruxaria Medieval Pentárquica por toda a Europa —, foram declaradas nas superstições como "pactuadoras com o Diabo". Na língua latina, “Divus” é um termo pagão descendente do sânscrito "Deva" ou "Devi" que era designado à quem era imortal que, por sua autoridade espiritual, havia se elevado em direção à divindade e ao bem comum e que, na antiguidade, em decorrência de alguns reis persas corruptos que usavam tal título ostentadamente, o Zoroastrismo, para condenar a corrupção real, passou a distorcer como "Daeva" ou "Daebaaman" (literalmente "o pensamento de Daeva") e, mais tarde, os Cristãos deturparam definitivamente como "Diabo"; todavia, o uso entre os imperadores pagãos da Antiga Roma era notavelmente comum. 

Além destes assuntos tratados, entende-se que o termo “Satã”, utilizado na citação acima, é nada mais que um equívoco dos padres e teólogos Cristãos para satanizar o Deus Cornífero das Bruxas, o "Daimonos" ou "Agathos Daimon", título pagão do próprio Deus Dionysos, o que levou os Cristãos a afirmar que todos os Deuses pagãos eram "demônios" ou "espíritos malévolos", todavia, as Bruxas, por sua vez, possuem consciência de que "Satã" ou "Satanás" ou "Ha-Shaitan" constitui uma corruptela de Seth/Ares/Ahriman que, traindo ao demiurgos Tubalcain com sua esposa Naamah/Ninmah/Niamh/Nemesis a Aphrodite Pandemos/Syria Kale/Sarah Kali, deu início à guerra atlante contra Tubalcain, o pai-irmão de Hermes Trismegistos/Hormazd (Fundador da Bruxaria). Entretanto, algo descrito erroneamente, também, trata-se da prática de matança de crianças, atividade ignóbil jamais praticada pela Bruxaria Medieval. Diferentemente do que afirmam as lendas difamatórias, a Bruxaria jamais ensinou o ilícito sacrifício de crianças. As Bruxas não sacrificam (e nunca sacrificaram ou mataram) crianças, na prática da Bruxaria. Na idade média tardia, havia algumas superstições presentes entre os Cristãos acerca das façanhas que realizavam as Bruxas e, dentre elas, está a crendice de que as Bruxas e Iniciados sacrificavam ou matavam crianças. Para compreendermos isso, precisamos nos recordar que a acusação de sacrifício ou matança de crianças foi levantada, originalmente, pelos antigos pagãos do Império Romano em relação às práticas em que realizavam os primeiros sacerdotes Cristãos e suas Igrejaspois, as Leis bíblicas Judaicas e Cristãs, prescrevem que: “Bravo o que tomar os seus filhinhos e os esmagar contra uma pedra!” (LIVRO DOS SALMOS, 137:9); “Cozemos pois o meu filho e o comemos. Mas dizendo-lhe eu ao outro dia: Dá cá o teu filho, para que o comamos; escondeu o seu filho” (LIVRO DOS REIS II, 6:29); “E comerás um biscoito de cevada, a qual cozerás, à vista deles, com excrementos humanos.” (LIVRO DE EZEQUIEL, 4:12)

Particularmente, a Bruxaria, no passado, jamais ensinou ou aconselhou aos seus iniciados e sacerdotes ao sacrifício ou matança de crianças e que, como sabe-se por investigações ocultas, tais calúnias visavam perder o prestígio do culto das Bruxas; pois, com o nascimento de crianças de pais bruxos, havia a cerimônia de apresentação dos bebês chamada "Rito de Sindicação ou Lustração" (vide: "Dies Lustricus") em que, no Sabá de final de outono ou Halloween, ocorria o Batismo de Água-Ar-e-Fogo, relatado pelos teólogos da Igreja Católica. Contudo, por outro lado, se os Cristãos primitivos praticavam de fato ou se era apenas difamação a acusação de sacrifício ou matança de crianças permance sem resposta tal questionamento; porém, é inegável o fato de que os sacerdotes Cristãos medievais realizaram inúmeras torturas e matanças ritualísticas nas fogueiras da "Inquisição do Santo Ofício" (um ofício definitivamente de Ares/Ahriman/Seth o Satanás e sem nenhuma santidade, senão a falsa da Igreja profana!), não apenas de pessoas adultas, mas, também, de crianças e infantes, principalmente no caso de quando estes eram filhos de mulheres adeptas da Bruxaria, o que, por sua vez, são lamentáveis tais atitudes psicopatológicas causadas pelo patriarcalismo ao longo da história cristã revestida sob a falsa bondade. 



Também, como sabe-se, por meios ocultos, as Bruxas possuíam como prática principal em sua religião de segredos a prática da Magia Sexual, o que, por sua vez, fica claro que, acrescentando todos esses ingredientes citados dentro de um contexto sociocultural repressor, fanático e que, além de supersticioso e puritanista, era ignorante e formador de uma "fé cega", obviamente que iria produzir diversos relatos obscuros, marginalizadores e imaginariamente fantástico. Desta forma, fica um tanto mais clara a origem semântica dessas etimologias-raízes da palavra “bruxa” (e “bruxaria”), neste caso relacionado às folias (festim sob o toque da gaita de fole) e à magia sexual ou "orgia" (que, por sua vez, não deve ser confundida com a contraposição da magia sexual e o oposto da verdadeira liberdade: a libertinagem sexual que, caracteristicamente, constitui uma prática vã ou profana). Na Bruxaria, sabemos que, antes da Magia Sexual propriamente dita, ocorriam as folias ou toques de Gaitas de Fole, instrumento utilizado por um bruxo que possui o cargo de Bardo ou Aedos, no Círculo Mágico de um conventículo da Bruxaria, para criar a egrégora ritualística a partir da música e dos sons que possuem virtudes ocultas (bem como o poder dos chifres, que proporciona um alto nível do estado de desenvolvimento mágico-espiritual da Bruxa ou Iniciado). As etimologias presentes nas línguas dinamarquesa, norueguesa, alemã, holandesa, africâner, inglesa, cebuana, georgiana, mong, khmer, laosiana, marati, inglesa antiga, islandesa e maltesa aparentam-se, também, estarem ligadas à palavra "Vicia" (também citada na moderna "Tradição Feri"), que trata-se de uma tradução greco-latina para o termo grego "Mania" que, por sua vez, era aplicado com determinada ênfase à uma espécie de euforia ou frenesi entusiasmado em que celebravam as Mênades (Iniciados da Bruxaria ou Arte dos Sábios, com o sentido de "preenchido com a ambrosia dos Deuses" ou "preenchido com a luz divina") em seus ritos contemplativos e enteógenos, bem como com a ingestão de filtros e poções com virtudes místicas. 

Os ensinamentos do Clã Platônico (vide o tópico da galeria: "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade") afirmavam que é através das inspirações da "Euforia Divinaou "Frenesi Divino("Theia Mania") que poderiam levar o Iniciado da "Mysteria" ou Arte dos Sábios até as "Ideias", isto é, as associações intuitivas inatas e ante-pessoais ou formas divinas (portanto, eternas e superiores aos instintos), chamadas na Bruxaria Medieval por "Associações Encadeadas" ou "Associações Correntes de Memória" ("Memory Chain Associations"), tal como o axioma: "uma Bruxa nasce Bruxa"Contudo, tal relação com uma etimologia pan-europeia mais antiga pode ser provável, como atestam as inscrições tessalônias descobertas em que refere-se às sacerdotisas dos Clãs Eleusino, Metragirta e Dionisíaco, em suas celebrações dos Sabás ou festivais sazonais, como "Thiasos" ou reuniões dos "Viciani", ou seja, àqueles que eram possuídos pela "mania" ou euforia divina, isto é, os Vates ou Ovados (quem possui os Dois Graus Iniciáticos da Bruxaria). Neste aspecto emergente, articula-se com um subgrupo seguinte de significados semânticos, que consiste na etimologia-raiz “Druides” ou “Derwydd” “Dryades”, do céltico e do grego, para referir-se à 'um druida ou druidesa; dríade ou dríadas'. Não obstante, os "Viciani" (os Vates ou Ovados) ou participantes da "Thiasos" — como atestam inscrições greco-macedônicas e tessalônias descobertas (RICHARD S. ASCOUGH. "Paul's Apocolypticism' and the Jesus Associations at Thessalonica and Corinth". In: Redescribing Paul and the Corinthians, Inscriptiones Graecae, 2011, p. 164; KLOPPENBORG & ASCOUGH. Greco-Roman Associations, p. 373) — fazem referência à conventículos (geralmente dos antigos Clãs Dionisíaco e Metragirta/Gálico) que celebravam os Sabás, como o Rosalia (o atual Beltane), e estavam subordinadas aos "Dryophoroi" ou Dríades ('bruxas ou bardos do carvalho', do Grego "Dry", carvalho, "Aedos", Bardos ou Bruxas), mais tarde chamados de Druidas, os quais, estes últimos, constituíam-se, na Bruxaria Medieval Pentárquica, títulos às Bruxas que já haviam conquistado o último grau da Bruxaria (chamado de "Primeiro Grau", em lógica decrescente, pois, o "Terceiro Grau" era a primeira Iniciação e, o "Primeiro Grau", a última; ao passo que, quem havia apenas um Grau Iniciático na Bruxaria, recebia o nome de Bruxa ou Bardo/Aedo), cuja característica do grau é a contemplação entusiástica e a santidade ou heroísmo (que está associado intimamente ao significado de “Qedesa”)

O Clã Telquino da Bruxaria Clássica, por exemplo, fora instituído pelo alto sacerdote e rei egípcio-danaide ou hicso (da região pré-helênica do Mar Egeu, incluindo Peloponeso, Rodes, Creta, Corfu e Floresta de Carvalho de Foloi, o Pequeno Egito) chamado Teucros ou Tarchunus ou Telchis/Telchin (ou Telos Khyan o Souser-En-Re, na língua egípcio-danaide; que reencarnou, depois, como Romulus, instituidor dos Clãs Vestal e Arval em Alba Longa"") e seu companheiro real Tarchies/Thelxion o Mágico ou Kandy (o qual, segundo Isaac Newton, sucedeu o reinado de seu próprio pai A-User-Re Apis ou Serapis ou "Sorapiss", o instituidor do Clã Serápico e sucessor de Telchin), sendo que, recebia-se iniciação neste Clã, apenas as pessoas com descendência direta até os antigos Egípcio-danaides ou membros da Tuatha-Dé-Danann. Neste Clã, Atena, sob o título de Rhodos ou Rhode, era tida como a Virgem das Oliveiras ou Madonna Oriente pela qual a Arte dos Sábios ou Bruxaria fora fundada. O Clã Telquino constituía-se de uma raça anã ou pigmeia, descendente da pré-helênica "Tribo de Danaans" que, dentre suas linhagens, estavam: a Halíade ou Melíade ou Epimelíade, a Haliaruna ou Hiléora, a Heftalita ou Cidarita, e a Caledônia ou Picto-manesa. Todavia, as Bruxas da Linhagem Haliaruna, que foram expulsas de Rodes — após impedir a entrada do Clã Adonista em terras rodienses —, passaram a viver com os povos estrangeiros por toda a região da Turquia e da Caldeia, Irã, Paquistão e norte da Índia, assim como também por todos os países da Europa, na antiguidade tardia e início da idade média. O "Casamento Bruxesco" ou "Casamento Misterioso" das Bruxas, era realizado através do velho costume de "atar das mãos" ("handfasting", em inglês) e que, por sua vez, durava por um período de um ano. Neste Clã, assim como no Clã Panatenaico e no Clã Artemisiano, as Bruxas costumavam fazer o uso do Bastão Priápico ou Licnites Dionisíaco (também chamado de Báculo ou Tirso), na prática da Magia Sexual, sendo que a maior característica do Clã Telquino era o uso comum da Magia Manual, da Magia Onírica e da Alquimia. Também, o Filho Divino Attis/Adonis/Dumuzi era tido como a luz enviada pelo Deus Cornífero de Sirius à terra e tinha o javali ou porco como um animal impuro, em decorrência de que Ares/Ahriman havia mandado como uma praga este animal, símbolo de impureza, para destruí-lo e, portanto, na Europa antiga e medieval mantinha-se o velho costume turco-calidônio de caça de um javali no período do Sabá invernal ou natalino, o "Sacrifício do Porco ou Javali"; assim, a Árvore do Abeto ou Pinheiro que produz a pinha ou "Pinus" era sagrada para Attis/Adonis. 


Deste modo, os praticantes masculinos de Linhagem Haliaruna do Clã Telquino eram socialmente vistos como efeminados pelos patriarcais Povos Germânicos, da mesma forma que os praticantes masculinos do Clã Metragirta ou Gálico que, muitas vezes, castravam-se, como precaução para não gerar filhos há cada lunação em que ocorria a Missa (pois, 
o uso de ervas abortivas era proibido entre as Bruxas por subentendê-las que seria um ato contra a fertilidade que tanto almejavam; caso soubessem dos métodos egípcios de tripas de elefantes, talvez não houvesse necessidade da castração, embora atualmente haja métodos mais eficazes). Os Iniciados deste Clã viviam por toda a Europa, na transição da antiguidade tardia ao início da idade média e, com a colonização étnica da região do Reno e do norte da Itália, integraram o reino da Récia (que incluíam: região do Tirol, sul da Baviera e de Baden-Wurttemberg ou Floresta Negra, Suíça Central e Oriental, Vorarlberg, Vêneto e norte do Friul) acima das Colinas Brancas/Alpes ao Monte Kandel, onde — com o enfraquecimento medieval tardio do Sacro Império Romano e da sede franco-alemã no "Domo/Catedral Aquisgrana" e sua "Santa Capela" — formou-se a nova sede-oculta real da Bruxaria, a partir do templo dito "Domo/Ermida da Alma Santa" (vide: "Benandanti"), surgindo lendas populares de que a Floresta Negra ou o Monte Kandel seria um local habitado por bruxas, magos e duendes; sendo que a maioria fora expelida do Clã Turlupin ou Amauriciano/Proto-valdense (com a reconfiguração em Igreja Evangélica Pós-Calvinista, no Sínodo Valdense de Chanforan em 1532) e, ganhando a vida como construtor, ferreiro e/ou camponês até o ápice da crise italiana, tal descendência migrou, entre 1880 e 1930, ao sul do Brasil, como Santa Catarina, bem como Água Doce e Treze Tílias (vide o tópico da galeria: "Lenda Tirolesa de Treze Tílias"), e Sudoeste Paranaense. Na província de Cadore, ao norte da Itália, há o "Lagole de Calalzo" em que as Bruxas e Iniciados deste Clã prestavam honrarias à donzela turco-tessaliana Hecate/Heket, a amante de Hermes Trismegistos entitulada de Erodia que, na grafia medieval, fora chamada de "Herodias" ou Aradia, a "primeira bruxa" que propiciava as curas e o parto das mulheres no lago. 
Em 1575, durante os julgamentos das Bruxas pela Inquisição na Itália, os bruxos Gasparotto e Battista Moduco, habitantes do Friul que, em contraposição à feiticeiros e estriges ou malfeitores, relataram: 

"Às vezes, eles [os Feiticeiros e Estriges ou Malfeitores] saem para uma região do país e, às vezes, para outras [regiões], talvez para Gradisca [Gradisca d'Isonzo] ou mesmo tão distante como Verona; e eles [os Feiticeiros e Estriges ou Malfeitores] aparecem juntos [às Bruxas e Iniciados] nas Batalhas [as "Batalhas-de-Bruxas", popularmente conhecidas como "Caçada Selvagem" ou "Caçada de Qayn/Kadmon", a Procissão da "Santa Compaña" ou "Santa Veeme" ou "Liga da Corte Sagrada" contra feiticeiros ou malfeitores e espíritos de vampiros e lâmias, geralmente realizada ao redor do perímetro do Têmenos] e Jogos [os pré-iniciático-provatórios "Jogos Tailteanos ou dos Tálti/Táltos" ou "Meditação dos Hermetistas ou Masdeístas", a versão bruxesco-danaide dos Jogos Olímpicos em que acendia-se a Fogueira de Tubalcain/Hephaistos, ministrava-se os Ensinamentos Secretos de Hermes Trismegistos/Taautus e realizava-se a Provação Mágica de Heket/Hecate a Erodia/Aradia, que iniciava-se no Sabá de fim do verão por Um Ano e Um Dia], e... os homens e mulheres que são os Malfeitores [ou Feiticeiros] transportam e usam talos de sorgo que crescem nos campos; e os homens e mulheres que são Caminhantes do Bem ["Benandanti"] usam feixes de erva-doce, e vão agora um dia e agora o outro, mas sempre às quintas-feiras e... quando fazem seus grandes festejos, [as Bruxas e Iniciados] vão para as fazendas maiores, e possuem dias fixos para isso; e, quando as Estriges e Feiticeiros planejam fazer o mal, eles [os Feiticeiros e Estriges ou Malfeitores] devem ser prosseguidos pelos Caminhantes do Bem para frustrá-los e, também, para impedi-los de entrar nas casas, porque, caso eles [os Feiticeiros e Estriges ou Malfeitores] não encontrar água limpa nos baldes, vão para os porões e estragam o vinho com certas coisas, jogando sujeira [estragando com venenos ou mijando] nos baris." (GASPAROTTO). 
"Eu sou Caminhante do Bem ["Benandanti"] porque eu vou com os outros [as Bruxas e Iniciados] para lutar quatro vezes por ano, ou seja, durante as Quatro Têmporas à noite, eu vou invisivelmente em espírito e o corpo fica para trás; nós saímos no Serviço de Cristo [isto é, Jesus Cristo também foi adepto da Bruxaria: vide o Clã Mitraico] e com as Estriges do Diabo; nós lutamos uns contra os outros, com os feixes de erva-doce e os talos de sorgo." (BATTISTA MODUCO).

[Assim como, também, houve alguns relatos inquisitoriais anônimos ou sem descrição precisa de nome dos relatantes em que, ao ser interrogados acerca das Bruxas e da prática ilegal da Bruxaria ao norte da Itália, afirmaram que:] 

"[...] seu marido, várias vezes durante à noite, chamava e com remédios o ministrava, e ela [a Bruxa] estava como morta, porque disse que o espírito tinha ido à sua viagem e o corpo ficava para traz como morto..." (RELATO INQUISITORIAL ANÔNIMO).
"Nós não vamos fazer o contrário do que combater... Vamos todos [as Bruxas e Iniciados] juntos combater contra todos os Feiticeiros; e possuímos nossos líderes ou capitães, e quando nós portamos bem os Estriges ou Feiticeiros, eles nos dão um bom fim: quando as plantações crescem boas, que são coisas puras e belas, que este ano os Caminhantes do Bem ["Benandati"] tiveram a vitória! (RELATO INQUISITORIAL ANÔNIMO).
"Senhor, eu vou dizer a verdade: eu estive em três temporadas, ou seja, três vezes durante o ano em um prado... o que eu quis dizer para aqueles de meus companheiros, que não sabem (porque você não sabe, porque é o sopro que vai, e o corpo ainda permanece na cama) que é o Prado de Jehosaphat [o Vale que divide os Montes Sião e das Oliveiras onde se realizou o Julgamento profetizado pela bruxa e sibila Albunea e que outrora fora promovido pelo trineto do bruxo e rei Salomon dito Jehosaphat, cuja região, em conjunto com a Arábia, operava o Clã do Bode da Bruxaria Medieval Pentárquica], como esses companheiros me disseram [neste Prado] pelo tempo de São Johannes [o Solstício de Verão], do corpo de Nosso Senhor para São Mattiyahu, e à noite" (RELATO INQUISITORIAL ANÔNIMO).
[Ao passo que, em 1599, o filósofo italiano e bruxo Domenico Scandella o Menocchio, também habitante do Friul, fora torturado pela Inquisição Cristã, o que, em consequência, antes de a Igreja ordenar a queima de tal bruxo, este declarou suas crenças diante da Inquisição:]


"Eu disse que, segundo meu pensamento e minha crença, tudo [o que pertence ao mundo em condensação] era um caos, ou seja, terra, ar, água e fogo foram misturados, e de todo aquele volume, em movimento, formou-se uma massa [o éter], da mesma forma que o queijo [a terra] é feito do leite [o astral], e do qual surgem os vermes [os anjos e os daimones], e estes formam os Anjos. A santíssima majestade [o Padre inquisidor] quis que aquilo [o leite ou caos] fosse Deus e os outros [o éter e os vermes], Anjos; [mas,] dentre todos aqueles Anjos estava Deus, Ele também desenvolvido daquela massa [o éter], naquele mesmo momento e, assim, foi nomeado Senhor com os Quatro Vigilantes: Lucífero [título geralmente dado ao demiurgos ou arquiteto do mundo Tubalcain/Hephaistos, entretanto, com as sete chagas e uma perturbação lançadas à Tubalcain pelo corrupto Ares/Ahriman/Seth que aliciou a esposa do demiurgos chamada Naamah/Ninmah/Niamh/Nemesis a Aphrodite Pandemos/Zerynthia Kale/Sarah Kali, Tubalcain, com seu corpo ferido, recusou o auto-sacrifício à Divindade Suprema em prol da reparação física de seu sofrimento, o que levou a ser expulso dos céus e, por fim, reaproximou-se parcialmente do Olimpos com o auxílio do Deus Dionysos/Osiris Bakha, a manifestação terrena do Uno, isto é, Zeus/Jove e Tubalcain constituem dois princípios herméticos opostos: o da essencial unidade não-autônoma e da perfeição sutil/sobrenatural e desmaterializadora/assexuada versus o da posterior multiplicidade voluntária e da criação condensada/natural e materializadora/sexual; pois, a unidade original, sendo perfeita, não cria nada, e é por este motivo que existe o Deus, a díade, e a Deusa, a tríade que, unidos, criam o quarteto Filho Divino Lucifer/Mitras e sua contraparte inferior ao ser enviado ao mundo como pontífice, Vesper; Tubalcain, com os ferimentos atlantes causados por Ares/Ahriman/Seth, tornou-se um anjo vigilante ao descer, como Dragão, até a terra ou mundo em que criou, convertendo-se em Esfinge do Mundo, por isso foi chamado Tubal/Typhoeus/Duval, o anjo Daeva-el], Michael [Mitras/Mica, o verdadeiro Lucifer], Gabriel [Zephyros, o Geburah-el] e Raphael [Resheph/Euros, com a adição El]. Assim, Lucífero [Tubalcain] buscou se tornar rei igual ao Senhor, como se fosse majestade de Deus, e por esta ousadia, Deus expulsou dos céus com todo o seu exército e sua companhia, e esta deidade, mais tarde, criou Adam [isto é, Atum/Aton/Prometheus] e, grande multidão de pessoas, ocupou o lugar [terreno] destes Anjos conjuntamente expulsos não seguindo os ensinamentos de Deus [Zeus/Jove, o Vigésimo Quarto Arcano da Divindade Suprema ou Altíssimo Uno Agnostos Theos]; Este, então, enviou seu Filho [o novo Prometheus/Atum/Aton/Adam/Eetion que, após o hierofante Kheíron libertar o Ego Superior daquele e em Chariclo 'a Graça Circundante' dar vida à Carystos, ressurgira em Electra 'a Ilustre' como Iasus ou, na língua hebraica, Joshua/Yehoshua 'o Salvador de Yah', ou seja, o exterminador de bárbaros e de muitos povos não hebreus e que, mais tarde, fora esperado e ensinado pelos Reis Magos como 'Saoshyant' em que baniria a si mesmo em justiça, isto é, Yeshua Ben Panthera/Jesus Cristos, o Aberamentho dos Templários ou "descendente de Hyperion/Hiram Abiff"] que, capturado pelos Judeus [os traidores adeptos do Judaísmo taxados por "Sicarii" ou feiticeiros, expiados nos tempos gauleses e carolíngios como "Sorciere", ditos na linguagem bruxesca e maçônica por "Juwes", que seguiam as leis bárbaras e mosaicas incitadoras do pecado], fora crucificado" (DOMENICO SCANDELLA).

Deste modo, os praticantes masculinos do Clã Telquino eram socialmente vistos como efeminados pelos patriarcais e opressores Povos Germânicos, da mesma forma que os praticantes masculinos do Clã Metragirta ou Gálico que, muitas vezes, castravam-se, como precaução para não gerar crianças há cada fase lunar em que ocorria a prática da Magia Sexual (por não ter conhecimento de métodos anticoncepcionais). Também, entre os membros deste Clã, assim como também na Bruxaria Medieval Pentárquica, acreditava-se que uma Bruxa nascia com o "Caput Galeatum" ou "Chrysómallon Deras", isto é, um halo áurico ou auréola de magia na gálea (tido, nas superstições populares, como uma capa física, como "camisa" ou "membrana do saco amniótico") que envolve a cabeça da Bruxa, em decorrência do Selo da Bruxaria, o qual se faz presente na aura e/ou na contraparte etérica do sangue, que faz conexão com o poder angélico e divino de Hermes Trismegistos e dos Deuses. Em 1839, o erudito Franz Josef Mone afirmou que as Bruxas da Alemanha — cujo culto na Alemanha medieval estava presente na caverna secreta de "Venusberg", onde a Deusa das Bruxas também era adorada sob o nome de "Habondiaou "Abundia" — eram integrantes de uma religião pagã pré-cristã, que não havia origem germânica ou entre hunos, mas, sim, fora trazida no início da era cristã por camponeses gregos na costa norte do Mar Negro, que adoravam Deuses helênicos, como Hecate e Dionysos que, mais tarde, instituiu-se em secretíssima organização para celebrar o culto e magia do Deus Cornífero  e, ao mesmo tempo, sobreviver às perseguições da Igreja Católica. Não obstante, o alquimista, professor de física e dialética e médico psiquiátra suíço-germânico Heinrich Pantaleon (1522-1595), cuja sua descendência familiar adivinha do rei peloponense Pantaleon de Pisa (600 a.e.c.) e seus "Panthialaei" ou "Panthialaioi" que tornaram difusa no Friul, era membro deste Clã de linhagem haliaruna. O Triângulo de Manifestação ou Tétrade (do Clã Pitagórico) era usado pelas Bruxas e Iniciados do Clã Telquino ainda na antiguidade, assim como outros conhecimentos e instrumentos bruxescos de magia ritualística, como atestam descobertas arqueológicas que, apesar de os "cientificistas" ter descoberto, não o reconheceram. O uso de caldeirões de cobre e sítulas ou santos graais, eram comuns no Clã Telquino. No Clã Telquino, a Deusa Mãe e o Deus Cornífero eram adorados sob os nomes de Demeter Thalassa ou Reitia/Rhea ou Ishtar/Isis e Apollon Karneios ou Poseidon, sendo que a adoração pendia mais para a Deusa

Quando os celtas/cito-cimérios venceram a guerra contra os integrantes medas da "Tuatha-Dé-Danann", submeteram tais povos às leis célticas e estes compartilharam com os celtas os Quatro Tesouros Danaides: a Lança de Lugh (a "Areadbhair" que, nas lendas célticas, pertencia ao rei pérsico Pisear), o Caldeirão de Dagda (o "Undry"), a Pedra do Destino "Lia Fáil" (replicada, na idade média, pelo bruxo e rei inglês Edward I Longshanks), que passou a residir um templo céltico no topo da colina conhecida como "Monte de Tara" ("Tara" era o Grifo, motivo pelo qual se coroavam os reis neste templo através deste oráculo), e a Espada de Nuada referida como "Claidheamh Soluis" (o "Athame", a Égide de Defesa ou Gládio de Luz usada originalmente por Tubalcain/Hephaistos contra as forças arcônticas do imperialista Vigésimo Quarto Arcano e sua titânica Troia do maligno Ares/Ahriman/Seth), a qual, incrustada na Pedra do Destino, foi removida pelo bruxo e rei britânico Aurelius Ambrosius ou Arthur Emrys, na idade média, antes de ser ordenado rei. Com a chegada dos Povos Celtas na Irlanda, Escócia e Ilha de Man, muitos destes prestavam culto ao Deus Apollon Karneios, o Carnonos/Kernunnos ou Karabazmos cita/céltico ou Kumbha-Karna Pashupati dravídico (também chamado de "Zibelthiurdos" ou "Zibelthurdos" em Dácio ou "Belatu-cadros" ou "Balatucauro" no Britânico), também representado como Akerbeltz em um prendedor húngaro do século nove depois da era cristã; porém, com o infiltramento de feiticeiros ou malfeitores no Clã Órfico, estes passaram a realizar, através da divinatória Cabeça Órfica chamada por são Patrick de "Cenncroithi", sacrifícios de matança ritualística humana, sendo que, assim como o bruxo e rei Caius Iulius Caesar e o Antigo Senado Romano em que proibiram a presença de tais feiticeiros ou malfeitores em Roma, são Patrick tentou de todas as formas extinguir tal prática maléfica e ilícita (que, por sua condição corrupta, contraria a bruxesca Lei de Hermes Trismegistos). O Deus Poseidon havia como título "Nuada" ou "Nauta" e, em função das fonéticas linguísticas, ficou conhecido, nas lendas populares e superstições, como "Nuadu" entre os integrantes da "Tuatha-Dé-Danann" na Irlanda, Escócia e Ilha de Man, e como "Noden" ou "Neptunus" entre os romanos de Roma e da Grã-Bretanha. Particularmente, os membros da "Tuatha-Dé-Danann" na Irlanda e na Escócia, os quais, como mencionado, eram integrantes do Clã Telquino, possuíam a crença de que eram "Filhos de Lir" ou "Filhos do Mar", como também cita a medieval Canção de Amergin



“Sou um vento do mar; Sou uma onda do mar; Sou um veado de sete pontas; Sou um falcão num penhasco; Sou uma lágrima da Luz; Sou a beleza entre as flores; Sou um javali; Sou um salmão num lago; Sou um lago numa planície; Sou uma colina de poesia; Sou uma lança combatente; Sou um deus criador do fogo sagrado. Quem senão eu conhece as reuniões da casa do dólmen na colina? Quem senão eu sabe onde o anoitecer ocorre? Quem prediz as fases da Lua? Quem traz o gado da casa de Tethra e o separa? Quem senão eu dá as boas-vindas ao gado de Tethra? Quem dá formas às colinas? Invocai, Povo do Mar, invocai o poeta, para que possa fazer-vos um encanto. Pois eu, o Druida, que pus as letras no Ogham; Eu, que separo os combatentes; Hei de abordar a Fortaleza ou Corte das Bruxas em busca de um poeta hábil, para que juntos possamos fazer encantamentos. Eu sou um vento do mar”.  

Além disso, os Iniciados ao último Grau da Bruxaria, tanto no Clã Telquino como no Clã Cábiro e em outros afins, recebiam o título de "Dríade" (às vezes, também grafado como "Drude" ou "Druad" ou "Dryophoroi") — ou Druidas — que, conforme tal titulação iniciática, os Bruxos deste grau ficaram famosos, na Alemanha medieval, ao participarem de "Batalhas de Bruxas" (prática de expiação aos feiticeiros mantida, pelas Bruxas, em determinados tempos), onde a Marca da Bruxa ou pentagrama, sob o nome de "Pé da Dríade" ("Drudenfuss") ou "Símbolo Élfico", também fazia-se uso (vide o tópico da galeria: "Os Principais Símbolos da Bruxaria"). Em Rodes, a Linhagem Haliaruna de Bruxas era chamada de "Hiléora" ("Hyleoroi") que, após se aliar aos estrangeiros, recebeu a terminologia linguística étnica destes últimos. O historiador romano Jordanes, equivocadamente, afirmou que um grupo de Bruxas que "haviam dado origem" aos Povos Hunos, referidas como "Haliarunas" ou "Haliurunas" (perdurando "Hellrúna" no Inglês Antigo e "Volur" ou "Vila" no Antigo Islandês, Nórdico, Estoniano e Eslavo, assim como legou a palavra indiana "Ullurai" em referência à metáfora), as quais infiltraram-se em um exército germânico e que, pela opressão patriarcal dos Povos Germânicos, foram rejeitadas por ser mulheres pigmeias, expulsando-as para retornarem ao seu povo que, na época, havia parcialmente se aliado aos Povos Hunos; pois, as Bruxas deste Clã — de origem Hicsa ou Egípcio-danaide, de dinastia Síntio-vêneda ou Vêneta (que significa "Reverente de Devas" ou "Devoto" ou "Fanático" ou "Venostes", ou seja, um compactuador dos "Wanassa" ou "Wanax" ou "Enarei" ou "Anazzah" de que cita Lois Bourne, título greco-cita e árabe que significa "Senhora" ou "Senhor" e que, respeitosamente, dirige-se à Rainha das Bruxas, ao Magus, à Magistra e ao Magister), co-aliado também aos Povos Celtas e Etruscos — existiam antes de seus semi-aliados Povos Hunos, os quais, estes últimos, conviviam na Caldeia, no Irã, no Paquistão, no Afeganistão e no norte da Índia, cujo centro estava na Báctria (o Pilar Central das Viagens Dionisíacas) do Império Heftalita e que, uma parcela, fora para a Europa ocidental ítalo-balcânica. As Bruxas do Clã Telquino, bem como as de Linhagem Haliaruna, utilizavam um alfabeto turco-danaide, cujos símbolos possuem similitude inigualável com os símbolos do Alfabeto Angelical ou "Malachim", o qual fora publicado pelo mago e bruxo Heinrich Cornelius Agrippa.


Enquanto isso, os Iniciados deste Clã ficaram famosos por presidirem os secretos tribunais dicastérios tripartidos, chamados de "Liga da Corte Sagradaou "Santa Veeme", também chamada de "Helieia", onde os acusados de injustiças passavam pelo ritual do "Julgamento da Espadapor sentenças dos "Franco-Juízesou "Juízes-Livres(chamados de "Dicastas" as Dirae/Fúrias ou "Prítanes" no Clã Dodônide) em que formavam o Concelho de Anciãos ou Conciliábulo Druídico da Santa Veeme, para punir os crimes cometidos socialmente e como uma extensão dos ideais de Justiça de Hermes, segundo as ordens da Magistra e/ou do Magister de cada conventículo e subordinados à Rainha das Bruxas e/ou ao Magus de seu Clã da Bruxaria, acompanhado de Sacerdotes Vermelhos, Sacerdotes Negros e Escribas. Todos os membros da Santa Veeme eram, antes disso, Bruxas e Iniciados da Bruxaria e, portanto, portadores da Bolline ou Athame com o código bruxesco "SSGG", sendo que os julgamentos das Santas Veemes se pautavam nas antigas Leis da Bruxaria (cuja base é as Quarenta e Duas Confissões de Justiça e a Lei dos Gentios ou Gregos do Sacro Império Romano), calcadas na Justiça, preceito defendido por Hermes Trismegistos. Quando a Santa Veeme tomava nota de criminosos e feiticeiros ou malfeitores de uma província ou condado, os Heliastas ou Justiceiros do(s) Sacerdote(s) Negro(s), por meio da espionagem, pregavam secretamente a temível placa da sentença na casa do acusado e, dentro de três dias, os Praxídicas ou Presidentes mascarados do(s) Sacerdote(s) Vermelho(s) eram enviados à meia noite para raptar secretamente o acusado, de modo a levá-lo para o Dicastério secreto onde ocorria a sentença, geralmente nas terças-feiras ou Dias de Marte (para as "Batalhas de Bruxas" contra feiticeiros e forças caóticas de Ares/Ahriman) e nas quintas-feiras ou Dias de Jupiter (para a restauração da Lei das Leis), ao passo que, na transição entre o sábado ou Dia de Saturno e o domingo ou Dia do Senhor/Sirius, era dedicado ao lunar Masque ou Missa das Bruxas (ou, quando em temporada, ao Sabá). Assim, caso o acusado fosse declarado como parcialmente culpado e merecedor de expulsão, o cálice era quebrado; ao passo que se fosse declarado totalmente culpado e merecedor de castigo, a espada era quebrada (atos derivados do velho costume grego de quebrar pratos). Entretanto, como as Santas Veemes eram Ordens da "Colmeia de Rainhasda Bruxaria, as damas, com tal poderio, passaram a negligenciar a sentença dos Franco-juízes, o que levou ao ódio entre os Cristãos e, em consequência, motivou a criação da Inquisição. 



Em cerca de 800 d.e.c., o bruxo Carlos Magno (reencarnação de Salomon o Azazel/Azizos, Iniciado dos Clãs Adonista e Amonita e que recebia honrarias entre os povos hebreus; de Alexandre o Magno, Iniciado do Clã Amonita; de Caius Iulius Caesar, Iniciado do Clã Lupercal; de Flavius Claudius Iulianus, Iniciado dos Clãs Platônico e Eleusino e que instituiu os Cinco Clãs Medievais Pentárquicos; e que reencarnaria, depois, como São Louis o Magnus Lyon Christianissimus, Iniciado da Bruxaria Medieval Pentárquica e aliado da Ordem do Templo; e como Napoléon Bonaparte, co-instituidor da co-Maçônica Bruxaria de Mênfis-Misraim, formalizador de base da neotemplária Ordem Militar Suprema do Templo de Jerusalém e que aboliu a Inquisição Espanhola), rei franco que instituiu privilégios às Santas Veemes, depois de abolir, em 797, a lei Cristã de pena de morte aos adeptos de religiões pagãs (apesar de condenar pagãos bárbaros e hereges do ponto de vista bruxesco; em conjunção com a punição à feiticeiros ou malfeitores). Neste aspecto, a Ordem Rosacruz original renunciava a autoridade do Papado da Igreja Católica e de qualquer outro rei sob a terra que não fosse o soberano do trono cesarista ou "sella curulis/karalius" do Sacro Império Romano, o qual havia sido restaurado pelo próprio instituidor da Bruxaria Medieval Pentárquica: o misterioso Carlos Magno, "Pai da Europa" e "Christus Domini" (o "Divus Iulianus" ou "Divus Iulius", profetizado pela bruxa e sibila Albunea como descendente Danaide ou da "Tribo de Dan", cujo seu filho e amante homossexual, dito "Divi Filius" ou Augustus, fora o primeiro a prestar honraria no Mausoléu em frente à Régia que, através do seu enteado Nero Claudius Drusus Germanicus o Ancião Decimus com o celta Vercondaridubnus, instituiu-se as Três Gálias em Lyon), um Magus ou Majestade de Bruxas (aconselhado pelo bruxo Santo Alcuinus Nemias ou Naymus Flaccus, o Zorobabel amante de Delia e, sendo correligionário de Santo Wigbert da bruxesca Abadia de Glastonbury ou Avalon, tornou-se filósofo da Academia Palatina) que deu origem aos doze Paladinos do mestre Hruodland/Robilant o Robin (esposo de Aude, da qual surgiu o "Condado Cátaro") e à dinastia carolíngia ao receber a coroa do antigo Império Romano na véspera do Sabá natalino — data em que também o rei britânico Aurelius Ambrosius ou Arthur Emrys fora coroado em Camelot — pelo próprio Papado iludido e que, após se reconciliar com seu servo Huon/Holger/Hu-Gadarn, co-peregrinou até o reino do profeta das amazonas/amazigues Ishaq-Ismail L'Atahiyya no Oriente; resultando na tentativa de reconstruir o "Templo de Salomon" (isto é, a forma real dos Templos Egípcios) sob o nome de Domo/Catedral Aquisgrana, onde guardou-se em segredo as relíquias pagãs "Sarcófago de Proserpina" e "Lupa Capitolina" (dos antigos Clãs Vestal, Arval, Lupercal e Sálio), e partia a peregrinação da Via Régia do Sacro Império Romano até Santiago de Compostela ou Costa da Morte, a diocese do oeste céltico-romano da Torre de Hercules, o Farol Prítane; porém, dois anos após Napoléon Bonaparte se tornar imperador, seu futuro sogro Francisco I e II da Áustria (da Ordem Antiga e Iluminata dos Profetas ou Perfeccionistas da Baviera) dissolveu, em 1806, o Sacro Império Romano, em função das guerras napoleônicas na Europa em nome do arconte Helios que ocasionaram as crises financeiras e as imigrações alemã e italiana para a América e, assim, à anulação do título de Deva pelo Velho Donzel ou Paráclito da Bruxaria.

Um manuscrito descoberto na Alemanha, datando a idade média, entre o século 9 ou 10, chamado "Encantamentos de Merseburg", em um canto denominado "Libertação dos Prisioneiros", descreve brevemente os julgamentos realizados pela Santa Veeme ao povo: "Uma vez que as 'Idisi' [as Praxídicas ou Presidentes que, por meio dos Heliastas ou Justiceiros enviados, arquitetavam o rapto dos criminosos até os Dicastas ou Juízes-Livres da Liga da Corte Sagrada ou Santa Veeme ou Helieia e aplicavam o decreto: isto é, o sistema oculto de executivo, judiciário e legislativo na concretização da Lei Hermética] pousaram aqui, resolveram aqui e lá. Algumas prender grilhões, Algumas obstruir os grupos na guerra, Algumas afrouxar os vínculos dos bravos: Saltem por adiante dos grilhões, escapem dos grilhões".  Na idade média, a Santa Veeme fora reconfigurada pelos Bruxos do "Templo Negro/Azul", isto é, os Templários, cujo ideal foi imortalizado no anglo-londrino "Templo Médio("Middle Temple") e o "Templo Interior" ("Inner Temple") e sua "Igreja do Templo" ("Temple Church"). Todavia, como forma de revolta das Santas Veemes à "caça-às-Bruxas", passou-se a dar sentenças rígidas aos culpados de crimes sociais (a corda ritualística envolta do pescoço do iniciante na Maçonaria advém da sentença das Santas Veemes), como ocorreu séculos depois, por exemplo, com o inquisidor e feiticeiro Konrad von Marburg, ao ser enviado pelo Papado Cristão (1227-1233) à Alemanha para eliminar as heresias pagãs e a bruxaria na Turíngia. Contudo, com a degradação da Santa Veeme franco-alemã e a dissolução do Sacro Império Romano, Jérônime-Napoléon Bonaparte, o irmão de Napoléon Bonaparte que governava Vestfália, aboliu a Santa Veeme na Alemanha; apesar de que a Liga da Corte Sagrada ou Santa Veeme continuou a existir, seja como Santa Companhia ("Santa Hermandad") seja sob outros nomes. 

Contanto, o subgrupo seguinte de significados semânticos, são: a etimologia-raiz “Ved'ma”, do russo, para designar ‘uma sábia, conhecedora ou maga’; a etimologia-raiz “Wicche”“Wiccan” *“Vitki” e “Wit-”, do inglês e do germânico, significando ‘bruxas; bruxos; sábio; mago; saber ou conhecer’, sendo que o próprio Fundador da Bruxaria, Hermes Trismegistos, entre os celtas possuía o título de "Gwydion" ou, na língua romana, de "Viducus" ou "Visucius";  a etimologia-raiz “Beщ” ou “Veщ”, do búlgaro, que significa ‘saber, conhecer, habilidade ou engenho’; e a etimologia-raiz “Haegtsse” ,“Hagzissa”“Hakeen” ou “Hakīm”“Hakham” “Hike” ou “Heka”, do inglês, germânico, árabe, caldaico-hebreu e greco-egípcio, para designar ‘uma bruxa, um hágios ou ser entusiasmado; bruxa; sábio, mago; sábios; ritos mágicos, cerimonias mágicas’ (isto é, o "Wab" ou sacerdote da Arte dos Sábios, "Hekau" ou "Heka", no Egito Antigo que, caracteristicamente, prestava culto aos Deuses e fazia uso das fórmulas do "Livro do Ir à Luz" ou Folhas da Serenidade, cujo seu Sacerdócio ou Culto, os Divinos Mistérios ou Arte dos Sábios, adivinha do hierofante Thoth o Heka/Enoch do Monte Hermon/Hermes Trismegistos, cuja sua amante e "primeira iniciada" fora Hecate/Heket, a Eurudice ou Erodia que, na grafia medieval, fora chamada de Heurodis ou Aradia, a primeira bruxa). Não obstante, descobriu-se, na França, o Tablete de Larzac, uma placa de chumbo onde descreve uma punição execrativa gravada em 100 d.e.c. entre dois conventículos de doze Bruxas e uma líder feminina ou alta-sacerdotisa que adoravam a Deusa Demeter/Abundia sob o título de "Adgagsona" (uma corruptela céltico-gaulesa de Angerona, a "Sheela-Na-Gig", adorada pelas sacerdotisas do Clã Dionisíaco) e que, os adeptos da Bruxaria, também se chamavam pelo termo "Uidluias", ou seja, uma grafia alternativa para "Vates" ou "Ovades" ou "Weled" (dito "Veleda" na língua brúctera e "Voudica" ou "Boudica" [revide o termo gaélico-escocês "Bhuidseach"] na língua céltica), cujo significado conotativo é vidente ou adivinho, isto é, aqueles que haviam conquistado o Segundo Grau da Bruxaria (também dito Sibilaria) que, mais tarde, com o bruxo e profeta francês Pierre Valdès (do Clã Turlupin ou Amauriciano/Proto-valdense, da Bruxaria Medieval Reformada), ficara conhecido popularmente como "Vauderie" ou "Veuderie" ou, na língua espanhola, "Valdería" ou "Vaulderie".



Pois, nos significados semânticos, deste subgrupo de etimologias-raízes, verificamos a presença comum e constante de alusões e referências à sabedoria (conhecer, descobrir, saber, ver) e à magia (fazer rituais mágicos, encantar, entoar encantamentos, engenhar, habilitar, entusiasmar ou entrar em estado eufórico, fazer magia), o que, em consequência, nota-se a presença comum do verbo ‘saber’ ou ‘conhecer’ e da denotação etimológica de ‘sábia’ ou ‘conhecedora’ atribuída ao termo “bruxa” que, apesar de este significado ser o mais ressaltado na contemporaneidade, consiste, igualmente, no menos compreendido. Além disso, um subgrupo posterior de significados semânticos, trata-se das etimologias-raízes “Brixta” “Brictom”, do galo-romano, para designar ‘uma encantadora ou bardo ou aedo’ e a prática de ‘encantamento ou encantos’, proveniente da palavra galo-romana "Brixia"   um "Parta" ou "Bardiya" ou "Herbods" ou "Bardo" (sobrevivendo, ao norte da Índia, como um termo de inferência ao estado iniciático-intermediário entre a morte e o renascimento), geralmente adorador do Deus Apollon Karneios/Parrhasius/Parrastos o Perses, chamado na língua pérsico-indiana de Bharata/Baradan (a contraparte do Deus Dionysos/Osiris Bakha em designação ao lugarejo de Parrhasia na Arcádia de Hermes e à Báctria, o Reino dos Bardos ou Bruxas e Iniciados e o Pilar Central das Viagens Dionisíacas de Triênias: Monte Nysa/Sinai dos egípcios, Índia indochina, e Céltica/Cítia dos trácios), cujo significado etimológico refere-se à "um assistente ou buscador da Sabedoria"  ou seja, um Iniciado ou adepto da Bruxaria; e “Regösének” ou “Regölés”, do húngaro, para designar 'um encantador, bardo ou aedo'. Na região da Península Balcânica em que inclui a Grécia, e mais especificamente na Húngria, os Bardos ou Aedos foram chamados, na língua local, como "Regösének" ou "Regölés", cuja origem etimológica deriva de um termo da língua húngara antiga "Rego", para designar à prática de encantamentos ou encantações realizadas pelo Aedos ou Bardo (que, por sua vez, tem origem no latim antigo "Rogo" ou "Rogassint", para referir-se ao “rogo, súplica, rogativa, prece, rogação ou rogatório”)

No passado céltico, os adeptos da Bruxaria, ainda no caso do Tablete de Larzac, denominavam o termo "bruxaria", no português (como descrito acima), por "Brixtia" [isto é, Bardaria], na língua céltico-francesa antiga. Conquanto, São Patrick, membro da Igreja Católica Céltica (ou 'Culdee'), da Irlanda medieval, ensinou uma oração Cristã, de caráter anti-pagão e anti-bruxesco, chamada "Eu Me Levanto Hoje: o escudo de são Patrick" (descrita no tópico da galeria: "A Bruxaria e o Glastonbury Tor"), onde Patrick fala em [1] "Leis negras dos pagãos" em uma língua céltica como "Dubrechtu gentliuchtae", [2] "Leis falsas dos hereges" em céltico como "Saebrechtu eretecdae", e [3] "Encantamentos de bruxas e alquimistas ou ferreiros, e dríades ou druidas" em céltico como "Brichtu ban ocus gobann ocus druad"; isto é, a grafia céltica de "leis negras" e de "leis falsas" contém a palavra "brechtu", o que atesta que "brechtu" possui a denotação de lei ou doutrina, ao passo que, para referir-se às Bruxas em si, a palavra utilizada em céltico é "Brichtu", uma variação etimológica, de modo equivalente ao Tablete de Larzac ("Brictom" ou "Brixtia") e ao Tablete de Chamalières ("Brixtia"), levando em consideração que, no irlandês antigo, a palavra "bricht" significa "encantamento ou fórmula mágica" e, no bretão antigo, a palavra "brith" significa "bruxaria ou magia", isso atesta que tais grafias, presentes em línguas célticas, constituíam-se a etimologia comum para os termos "bruxa" e "bruxaria" que, no caso desta etimologia-raiz, como já apontado anteriormente, sua origem está em "brixia", para referir-se aos "Bryxsou "Bardosou "Aedos", isto é, as damas de raça danaides briges ou integrantes da "Tribo de Danaans" ou "Tuatha-Dé-Danann" (que, na antiguidade, foram dominados pelos Povos Celtas ou Cimérios na região da Turquia e, na transição entre antiguidade e idade média, novamente na Escócia, na Irlanda e na Ilha de Man) que haviam conquistado um Grau Iniciático ou que possuíam Iniciação na Bruxaria, cuja Lei Hermética era aprendida através da memorização dos ensinamentos mágico-espirituais de forma poético-encantatória, para a rememoração atávica destes. 

Também, o Tablete de Larzac expõe outros nomes descritivos e referências de denominações entre as Bruxas de Linhagem Galesa, do Clã Dionisíaco. 
Porém, é importante ressaltar que os termos "Liciati" "Licina", também presentes no Tablete, não designam aos termos "bruxa" ou "bruxaria", mas, sim, aos 'lecionados' ou 'libertos', isto é, os discípulos ou pessoas que, libertos da servidão à alta sociedade, a partir do Latim "Licuit" ou "Licitum" "Licinus", haviam se dedicado à Lei de Justiça, das bruxas; o que, por sua vez, é pertinente lembrarmos que o rei Romulus, conforme os mitos da Bruxaria Clássica, possuía descendência bruxesca até os reis de Troia dentro do reino de Alba Longa, onde havia doze companheiros combatentes ou batalhadores de guarda, chamados "Lictores", que atuavam como duques ou justiceiros reais (tal como os doze cavaleiros da Ordem da Távola Redonda do rei céltico-romano e bruxo Arthur Emrys ou Aurelius Ambrosius e, também, os doze cavaleiros do rei franco-romano e bruxo Carlos Magno ou Charlemagne) e que, posteriormente, levou os romanos a chamar uma cidade ou vilarejo fenício-ibérico, não muito distante do sul da França, na região do sudeste da Espanha, como "Ilice" ou "Ilici" ou atual Elche, onde o Culto à Deusa Tanit/Tana, a Diana adorada pelas célticas ou citas damas Amazonas/Amazigues, era predominante na antiguidade clássica tardia. 


Todavia, apenas passamos a compreender, de fato, o significado etimológico denotativo do termo “bruxa” e, bem como, deste subgrupo de etimologias-raízes, quando entendemos que ‘sábia’ ou ‘conhecedora’ designa a uma mulher ou pessoa que ‘conhece os Mistérios’, ao passo que, por outro lado, é evidente determinada fusão entre a denominação ‘Arte dos Sábios’ em suas variadas grafias e os nomes dados à cada um dos Graus Iniciáticos. Para concluir, a etimologia-raiz deste último subgrupo de significados semânticos decorrentes da língua cazaque em que se desenvolveu a partir do centro da antiga Céltica/Cítia, é “Mystikos” “Mystai”, do grego antigo, que era aplicado à 'um místico ou iniciado na Mystíria, conjunto de clãs ou confrarias de aprendizado dos segredos da natureza e do cosmos e de culto aos deuses greco-egípcio-caldaicos' e, não erroneamente, fora devidamente aplicado às “bruxas”, já que estas últimas em sua origem eram as mesmas que as antigas Sacerdotisas e Iniciados da "Mystíria" ou Arte dos Sábios. É exatamente nesta última etimologia-raiz, cujo termo é ainda sobrevivente na língua cazaque em que fora derivada da língua cita ou céltica clássica, que encerra o significado denotativo acerca da semântica de ‘sábia’ evidenciado acima e, por total, a respeito do termo “bruxa”, o qual perpassa entre maga e sacerdotisa de uma antiga religião pagã de gnose (que não deve ser confundida com o aspecto contrário e supersticiosamente distorcido: a estereotipia ou heresia do ego inferior), cujo foco substancial estava calcado nos segredos da fertilidade e na capacidade da natureza manifestar vida e força verdadeiramente criativa. É interessante lembrar que, nas lendas europeias, as bruxas foram vistas como aquelas mulheres que praticavam magia e que, também, "voavam pelos ares" durante a noite, sendo com frequência associadas aos “Viajantes da Noite”. Em 500 a.e.c., o escritor Heraclitos, na obra "Os Pré-socráticos", afirmou que a magia antiga era praticada pelos: “Viajantes da Noite, os magos, os Bacantes, as Mênades, os Iniciados”. Ou seja, os “Viajantes da Noite” ou “Donas de Fora” eram ninguém mais que companhias de magos e mulheres sábias denominados por "Místicos" ou "Iniciados"

Também, deve lembrar que, as Iniciadas ou Bruxas do antigo Clã Dionisíaco (vide o Clã Dionisíaco no tópico da galeria: "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade"), faziam uso de um grande vaso em seus rituais, o "Krater" que, mais tarde, ficou conhecido como "Graalou "Caldeirão", onde se podia misturar a água ou sêmen e o vinho ou sangue menstrual para, posteriormente, fermentar ou queimar as substâncias alquímicas; da mesma forma que faziam as Bruxas Medievais. Se nos reportarmos aos livros, “História Noturna: decifrando o sabá” e “Os Caminhantes do Bem: bruxaria e cultos agrários dos séculos XVI e XVII”, notaremos que os chamados “viajantes da noite”, assim como também chamados de “mulheres de fora” ("Donni di Fuora"), saíam às celebrações mágico-religiosas à meia-noite e, segundo lendas italianas, alimentavam-se sem a presença do sal, adoravam uma Deusa e chamavam-na de “Matrona”, “Senhora Grega”, “Madonna Oriente”, “Richella”, “Abundia” ou “Diana” e muitos outros nomes e, seus adoradores, eram acusados com frequência pelo clero Cristão de heresia. Isto é, tais “viajantes da noite” ou “caminhantes do bem e os “místicos, predominantemente mulheres, eram ninguém mais que as próprias Bruxas. (Quanto ao Sal, embora também possua virtudes mágico-espirituais, na Missa das Bruxas em que ocorre em toda lua cheia, geralmente entre a noite de Sábado ou Dia de Saturnus e amanhecer do Domingo ou Dia do Senhor/Sirius, era um velho costume jejuar no dia de sábado e, a refeição, realizava-se durante a Missa noturna e sem ingestão de sal, em decorrência do estado alquímico espagírico que se almeja, isto é, o "coagule" ou coagulação que, em contraposição ao sal e à matéria que dissolvem, favorece a prática de simpatia ou atração, o oposto da antipatia e, assim, na busca pela potência de fertilidade e da capacidade de prosperar, agrega poderes mágico-anímicos às Bruxas e Iniciados). Em 
“Os Caminhantes do Bem: bruxaria e cultos agrários nos séculos XVI e XVII”, Carlo Ginzburg reproduz a fala de Maria Panzona, uma mulher acusada de prática ilegal da Bruxaria no século 16 ou 17, em Verona na Itália, afirma: 


“Nós nos conhecemos quando pertencemos ao mesmo colégio, isto é, quando nascemos sob aquela estrela que faz com que a alma saia inicialmente em forma de borboleta [psiquê ou alma] [...], só reconhecemos os da mesma companhia [clã] [...], embora se possa ver enorme quantidade de borboletas [psiquês ou almas] naquele prado, porque todas as que fazem parte de uma companhia permanecem separadas das outras companhias” (GINZBURG, p. 133). 





As Bruxas e Iniciados da Bruxaria ou Arte dos Sábios, principalmente do norte da Itália e da Grécia Antiga, utilizavam o instrumento dionisíaco chamado "Thyrsos" ou "Thyrsus", mais conhecido como Báculo, Baqueta ou Liknites (uma imitação alegórica da "Égide" ou "Paládio" de Sophia/Atena), que era composto por Caules de Funcho Gigante ou Ramos de Salgueiro ou Oliveira ou Bétula (com Trigo e Louro), acompanhado de uma Pinha na ponta com enfeites de Folhas de Videiras e, às vezes, uma Coroa de Hera, no intento de trazer a fertilidade e a prosperidade na prática sacramental de Magia Sexual (que, por sua vez, tal utilização contrapõem-se ao uso de ramos de Joio ou de Sorgo, o "trigo negro" próprio de magia negra ou goétia e de feiticeiros ou malfeitores e criaturas que visam destruir a prosperidade alheia e as boas colheitas por meio de "mau olhado" ou inveja). Ao passo que, por outro lado, a imagem irreal de que as Bruxas voavam sob a vassoura, constitui uma confusão supersticiosa entre o uso do Báculo e o rito do Sabá de final da primavera que, para pular a grande fogueira (momento típico em que ocorria o "Casamento Misterioso" ou "Casamento Bruxesco"), fazia-se uso do Liknites da Fênix/Bennu/Íbis (em alusão ao nascimento de Hermes/Thoth) que, sob a luz do fogo, colocava-se os Ovos Primaveris de Renascimento e a Bruxa eufórica saltava-o recitando encantamentos aos Deuses, o que, em consequência de tais práticas entre os gregos, egípcios e celtas, surgiram as lendas populares de que havia uma maneira de casamento em que "saltava-se a vassoura", tornando-se, neste aspecto, uma superstição entre os ciganos e demais povos incultos que, por sua aculturação popular, fizeram sua leitura de como deveria ser esta prática e, passando por cima de uma vassoura por um pulo, sequer saltam com esta nem mesmo fazem uso de qualquer botânica oculta em que se fundamenta esta prática mágico-espiritual, empregando-na, assim, de forma ilógica e como um mero ato mecânico e desprovido de valor bruxesco ou místico.

Assim, pode-se concluir que o termo “bruxa”, nas diversas línguas e dialetos europeus cuja tradução é possível, recebeu ao longo do tempo variados arquétipos populares (muitas vezes, ignobilmente, deturpados e distorcidos pelas superstições das pessoas comuns ou profanas), dentre os quais aqui evidenciados, foram quatro principais:
 Encantadorasou Bardosou Aedosou Entoadoras de Encantamentos
Noivas-companheiras” ou Videntes” ou Adivinhos; Druidas” ou Dríadas” e, por fim, Sábiasou Iniciadosou Conhecedores dos Mistérios; isto é, nota-se semânticas atribuídas à Bruxaria, como o sentido primordial de Arte dos Sábios ou Mistérios (aspecto definidor), o sentido de Bardaria ou de Iniciado (a Iniciação menor ou Grau inicial, dito Terceiro Grau), o sentido prático ou de Sibilaria (a Iniciação intermediária ou Segundo Grau) e o sentido de Druidaria ou Santidade/Heroísmo (a Iniciação maior ou Grau final, dito Primeiro Grau). Esses arquétipos atribuídos não se constituem isolada ou separadamente neste contexto, mas, sim, formam-se a partir de um conjunto de características substanciais através das quais o termo “bruxa”, bem como a conotação deste, está intimamente associado. Tal fragmentação etimológica se dá em função de que o surgimento da Bruxaria, a Arte dos Sábios ou Mistérios, ocorreu no período magdaleniano, em cerca de 10.500 a.e.c. quando a Constelação de Leão se alinhou à visão simétrica da Esfinge de Gizé dita Abu-Al-Haul/Tubalcain para a Vinda de Hormazd/Hermes, o que, tal acontecimento desencadeador da Régia Fundação, antecede tanto o aparecimento de registros linguísticos como o uso de quaisquer etimologias baseadas em padrões lineares, como os atuais. Neste aspecto, algumas línguas atuais, principalmente àquelas mais distantes do continente europeu e/ou de baixa influência cultural europeia, fazem uso de palavras eurodescendentes ou eurocêntricas para referir-se à “bruxaria” e à “bruxa”, de modo que as concepções da cultura local, no caso de envolver superstições de goétia ou práticas de feiticeiro ou malfeitor (como comumente ocorre na convivência entre as culturas pagãs e o fundamentalismo cristão), não sejam jamais — pela ignorância popular — confundidas entre si.

Em síntese, o significado denotativo ao termo “bruxa”, tanto no português quanto nas diversas outras línguas e dialetos europeus ou não, constitui-se em ‘uma iniciada nos Mistérios’ ou ‘adepta da Arte dos Sábios’, cuja etimologia "místico" descende da língua pérsica "Mazda", que significa "Sábio", em referência à Hormazd/Hermes, o Fundador da Bruxaria ou Mistérios que, na língua grega, recebia o título helenizado de "Mastêrios", cuja etimologia também se fazia presente no centro da antiga Céltica/Cítia ou atual Cazaquistão. Não obstante, essa religião de segredos — que possuía adeptos na Grécia Danaide e Roma Antiga, por toda a Europa e o Oriente Médio e que envolvia os "Magos" pré-Zoroástricos da Caldeia ou Pérsia Celticizada e da Índia Dravídica — era conhecida, no passado, como Bruxaria e seus membros utilizavam, por exemplo, poções enteógenas e unguentos com virtudes mágicas, em celebrações festivas, durante à noite, aos antigos Deuses pagãos mediterrânicos, tornando-se, mais tarde, uma religião de gnose vista como a principal rival pelos padres Cristãos. Esta religião de segredos que, por característica jamais se manifesta, possui sua Égide na profundidade da qual os puros de coração conseguem se aproximar, pois, como diz a alto-sacerdotisa Lois Bourne "[...] a verdade do fato de que, entre aqueles que vêem e sabem e aqueles que ignoram, há um abismo profundo, que não pode ser transposto com palavras" (BOURNE, Lois; In: Dançando com as Bruxas, p. 113); ou seja, muitos são os convidados a ver, mas, poucos são aqueles dotados de visão. Na antiguidade tardia, com a oficialização do Cristianismo pela Igreja Católica enquanto religião imposta no Ocidente, os padres e teólogos passaram a proibir os templos pagão-bruxescos, atacar os membros de tal culto secreto e chamar às suas práticas de “abominações demoníacas” a ser exterminadas, como vemos nos escritos teológicos eclesiásticos, de Flavius Iustinus à Titus Flavius Clemens, em suas acusações de heresia, gnose e paganismo. Mesmo assim, se a Bruxaria resistiu até este estágio da humanidade é porque, de alguma forma, ainda têm algo a contribuir, a partir do legado dos Anjos e dos Deuses, com o aprendizado e a virtude do Diáctoro na experiência humana, no âmago mais profundo do ser.



_________________________________________________________

* = O termo “wiccan” (assim como o verbo "wicciane o denominativo de prática, "wiccecraeft") já era utilizado no Inglês Arcaico em épocas medievais para referir-se às Bruxas, no plural. Consulte o documento Cristão latino da idade média, "Paenitentia", de Halitgar, e os escritos do monge cristão Alfricus, da Ordem Beneditina, e do rei Alfred de Wessex (cujo seu reinado, no século nove, equivale ao período em que a Bruxaria Medieval Pentárquica fora levada, da França para às Ilhas Britânicas; apesar de que, em períodos antecedentes, também haviam Bruxas e Clãs da Bruxaria nas Ilhas Britânicas ou entre os povos celtas, no entanto, estes últimos se encontravam em extinção, devido às Leis Cristãs Católicas e Ariano-saxônicas instituídas em séculos anteriores contra a Antiga Religião, por parte dos padres missionários, como São Patrick e afins).




_____________________________
Ao benemérito St. Prior J.'.E.'.C.'.S.'.
Pela divindade do Uno, do Deus e da Deusa,
Ao Filho Divino, Vida, Saúde, Força e União!


Três Vezes Abençoado.