sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

-A Bruxaria e os 22 Arcanos Maiores do Tarô

No período da antiguidade, algumas Bruxas e Iniciados do Clã Amonita, da Bruxaria Clássica, deram origem, em 2.170 a.e.c., aos 22 Arcanos Maiores do Tarô [1], chamados na época de "Vinte e Duas Lâminas" ou "Vinte e Duas Placas" (pois, estas simbologias eram gravadas em placas metálicas ou lâminas de papiro), com o intento de que fosse possível, durante o tradicional período bruxesco de vinte e dois anos de Iniciação (um ano e um dia de estudo ante-conventicular e mais sete anos iniciáticos em cada um dos Três Graus da Bruxaria, totalizando vinte e dois anos), acessar o antigo conhecimento dos Anjos Vigilantes ou Guardiães da Bruxaria e, portanto, através de um cálculo operacional geométrico-astrológico realizado em Quadrados Mágicos; assim como a dosagem necessária das panaceias herbológicas ou poções de cura a serem ministradas às pessoas que se buscava sacerdotalmente ajudar ou curar, tal como se realizava também na idade média e que relata o manuscrito anglo-latino, "Petosiris to Nechepso", o qual fora marcado com a Cruz Templária. (A Cruz Templária, em si, trata-se dos contornos da Cruz Carolíngia, a qual fora utilizada pela Bruxaria Medieval na França, variação da antiga Cruz Grega, que representa a roda sazonal e os Sabás com o circuito de oito pontos ou símbolo do infinito, comum entre os Clãs da Bruxaria na antiguidade). Neste uso bruxesco dos 22 Arcanos Maiores do Tarô, a tiragem de Lâminas ou Placas era chamada, entre as Bruxas, de "Salto de Hecate" ou "Salto do Sapo". É importante lembrar aqui, que a designação "Salto do Sapo" ou "Salto de Hecate" à tiragem dos Vinte e Dois Arcanos Maiores do Tarô, está intimamente ligado à donzela turco-tessaliana Soteira ou Dama Salvadora amante de Thoth/Hermes Trismegistos e "primeira bruxa", chamada Hecate/Heket a Erodia ou, na grafia medieval, "Herodias" ou Aradia, a Bela Peregrina ou Bruxa Sagrada cujo seu símbolo era o Sapo [2].

Por outro lado, as Bruxas e Inciados nunca utilizaram os 22 Arcanos Maiores do Tarô para finalidades de Cartomancia ou Sortilégio e evitam o máximo utilizá-los para tais fins, por considerarem a Cartomancia ou Sortilégio Mante como uma prática maléfica. Pois, uma vez que realizada qualquer consulta Mântica ao futuro, aproximará, ocultístico-espiritualmente, a fatalidade penosa que é distribuída no decorrer do tempo de existência do consulente para um único momento do período presente, de modo que a Cartomancia ou Sortilégio Mante se constitui uma prática maléfica que, não apenas diminui o tempo terreno de aprendizado do consulente, mas, também, acarreta, ocultístico-espiritualmente, ao esgotamento de suas potencialidades e capacidades precedentes ao fado ou futuro. Tal característica da Cartomancia ou Sortilégio Mante é expressamente notável, reativamente, na própria vida existencial arruinada e decadente que colhem os chamados Cartomantes ou Sortílegos Mantes, devido ao uso inapropriado e prejudicial que ocasiona esta prática. Além disso, é importante lembrar que os 22 Arcanos Maiores do Tarô, embora tenha sido inventado por algumas Bruxas e Iniciados, não faz parte da estrutura litúrgica da Bruxaria em si, haja visto que nem todas as Bruxas faziam uso dos 22 Arcanos Maiores do Tarô no passado. Ao passo que, as Bruxas para obter visões, utilizaram sempre técnicas propriamente mágico-espirituais, como a divinação ou adivinhação com os próprios Deuses e Daimones, ou seja, as Bruxas utilizavam a conversa espiritual direta, o que, por sua vez, exige que o operador desenvolva seus poderes de sensibilidade espiritual aguçada. Desta forma, não há necessidade de ferramentas ineficazes de religiosidade popular ou de sortilégio ou mântica, como cartomancia, quiromancia, interpretação de presságios ou uso do Tarô Medievalista para conversar com os Deuses e Daimones, haja visto que tais ferramentas comuns citadas, além de imprecisas e malévolas, são passíveis de fraude, especulação subjetiva e enganos de interpretação que, tanto situações de perigo ou urgência quanto em situações comuns, causam fatalidades e catástrofes, devido, ocultístico-espiritualmente, à finalidade contrária, da Cartomancia ou Sortilégio Mante, à lei terrena do aprendizado evolutivo. 

Assim, a Cartomancia ou Sortilégio Mante atrai a pestilência ou catástrofe que, em decorrência da aceleração maior do tempo e da diminuição da ação no espaço, pode levar à tempos de crise, sendo uma prática maleficamente punitiva similar em perigo à goétia ou prática de feiticeiro. No início da idade média, surgiram as 72 Cartas do Tarô entre os árabes e que se espalharam pela Europa, como na França e na Alemanha em que o Tarô Árabe ficou famoso não apenas entre os Cartomantes e Sortílegos Mantes, mas, também, entre malfeitores e feiticeiros, que transformaram sua simbologia e desenvolvendo uma gama de versões Medievalistas popularesNo caso da divinação ou adivinhação com os Deuses e Daimones, entre as Bruxas, trata-se de uma prática em que, tradicionalmente, é realizada em florestas e matas, em função de serem lugares distantes das aglomerações e vilas e possuir uma energia local concentradamente apropriada, não apenas para divinação ou conversa com os Deuses, mas, também, para a prática das cerimonias e ritos sazonais. De acordo com o sistema bruxesco da Filosofia, bem como a "Árvore da Lua" e sua Linguagem Prateada, um dos saberes quadrívios é a gramática ou divinação, o que conhecemos hoje por espiritualidade. Por fim, também é preciso lembrar que o Tarô Medievalista popular é impróprio e indevido para ser utilizado na Bruxaria; pois, além de ter sido Cristianizado de modo fundamentalista, o verdadeiro significado do Tarô fora deturpado e distorcido (com "papa", "diabo", etc.) para alinhar-se às finalidades maléficas de que usam os Cartomantes ou Sortílegos Mantes de base Cristã ignara. Por outro lado, há, atualmente, algumas versões mais tradicionalistas  baseando-se no conhecimento antigo do Tarô Clássico, de vinte e duas lâminas, que podem ser usadas na modernidade entre as Bruxas. Pois, as versões Tradicionalistas do Tarô são mais confiáveis do que as Medievalistas, cujo significado antigo fora modificado e a riqueza da simbologia antiga tradicional se perdeu em prol de uma linguagem distorcida promovida pelas religiões amarnianas.




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[1] A etimológica do termo Tarô, aportuguesamento de "Tarot" ou "Tarock" ou "Tarocchi", advém da palavra árabe "Turuq", com o significado de "caminhos" (que compartilha da mesma origem etimológica da palavra "Tariqah", em referência às congregações da religião Islâmica Sufi que atuam como "caminhos", geralmente ascéticos, que levam à verdade); sendo que sua semântica fora associada à palavra árabe "Taraka", cujo significado é "deixar para trás ou abandonar". Compreende-se que a origem desta palavra é arábico-egípcia, cujo significado árabe apontado é uma clara associação ao ato de consulta adivinhatória para conhecer o "caminho" e, assim, ter presciência das escolhas que precisamos realizar na vida: o rumo que nos é mais adequado tomar versus aquilo que deve ser deixado de lado ou para trás, no "caminho" iniciático e/ou espiritual.

[2] O Sapo fora associado às Bruxas nas superstições populares europeias, pelo fato de o Sapo Bufo ser portador de uma das maiores substâncias enteógenas utilizada na Iniciação da Bruxaria clássica e medieval, incluindo na cura mágica de doenças, e que é conhecida tecnicamente como Dimetiltriptamina ou DMT, mas que, no entanto, nunca deve ser extraída ou tirada do próprio Sapo, uma vez que o sapo libera conjuntamente outras substâncias que são tóxicas e que contrariam em parte às propriedades enteogênicas, causando efeitos narcóticos e prejudiciais à saúde, o que, por outro lado, o princípio ativo da Dimetiltriptamina é encontrado em sua forma mais pura e não-tóxica em folhas e raízes dos gêneros de plantas, como acácia, mimosa, anadenanthera, chrysantheum, psychotria, desmanthus, pilocarpus, virola, prestonia, diploterys, arundo e phalaris, porém, a substância DMT, infelizmente, contribui na desmaterialização do sistema nervoso, sendo, assim, imprópria para ser consumida por homens varões senão por mulheres.


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Ao benemérito St. Prior J.'.E.'.C.'.S.'.
Pela divindade do Uno, do Deus e da Deusa,
Ao Filho Divino, Vida, Saúde, Força e União!

Três Vezes Abençoado.