sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

-Ordem Rosacruz Irmandade de Crotona e seu Conventículo de Nova Floresta

Muito debatido, na contemporaneidade, é a origem do Conventículo de Nova Floresta ("Coven of New Forest"), grupo secreto de treze membros de prática da Bruxaria presente em Nova Floresta, no condado de Hampshire na Inglaterra, em que Gerald Brosseau Gardner foi iniciado e que, mais tarde, tornou-se a base do clã de Bruxas modernas que ficou conhecido como "Tradição Gardneriana". Todavia, supostos "estudiosos", ao debater sobre tal conventículo inglês, atribuem equivocadamente a origem da Bruxaria Gardneriana à uma hipotética criação ou invenção do próprio Gerald Brosseau Gardner em decorrência de não possuírem conhecimento da Bruxaria enquanto organização religiosa secreta do passado, mas, distorcidamente, enquanto fenômeno de Bruxomania em "caça-às-Bruxas" promovida pela Inquisição Cristã medieval. Observa-se que estudiosos do cientificismo contemporâneo, ao tratar da "história da Bruxaria", abordam com frequência, não a história da Bruxaria em si, mas, sim, a história do fenômeno de Bruxomania em "caça-às-Bruxas" promovida pela Inquisição Cristã medieval: isto é, trata-se de uma "astúcia científica" tão ignóbil e fantasiosa quanto afirmar que as perseguições nazistas contra os Judeus na Alemanha integra a "história do Judaísmo", quando, de fato, não constitui parte do Judaísmo em si, mas, sim, de um fenômeno de xenofobia racial, externo aos Judeus, contra uma parcela destes; ou seja, estudiosos do cientificismo contemporâneo que possuem a pretensão de falar sobre Bruxaria, em sua maioria, não conhecem nem mesmo a história da Bruxomania medieval, o que, em consequência, reflete o baixo nível cultural e intelectual que possuem. Na realidade, a Bruxaria não é, e nunca foi, religião de massa ou de ostentação e pregação pública, mas, sim, uma religião de segredos e, portanto, secreta e fechada aos olhos do povo comum: as pessoas poderão ouvir muitas coisas a respeito da Bruxaria, mas somente irão conhecê-la, de fato, caso forem iniciadas em um conventículo genuíno, composto por pessoas confiáveis e cuja maestria ou alto-sacerdócio seja liderado por pessoas confiáveis, de grande conhecimento mágico-espiritual e de humildade.

Em meados de 1911, ficou conhecido, na Inglaterra, um grupo secreto denominado inicialmente por Ordem dos Doze ("Order of Twelve"), liderado por George Alexander Sullivan (1890-1942) — profissionalmente chamado de "Alex Matthews" e, religiosamente, referido por "Fráter Aureolis", que era reencarnação de Pythagoras, o "Filósofo feminista" e Bruxo que possuía o encargo de Magus ou Majestade de uma linhagem de Bruxas antigas, o Clã Crotoniense ou Pitagórico, cuja sua sede estava fixada em Crotona, no sul da Itália (vide o tópico da galeria: "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade") que, mais tarde, centrou-se na secreta Basílica de Porta Maggiore —, tornou-se conhecido, em cerca de 1924, como Ordem Rosacruz Irmandade de Crotona ("Rosicrucian Order Crotona Fellowship") que, segundo seu próprio Magister, havia existência ininterrupta pelo menos há cem anos antes desta data. Esse grupo era constituído por dois círculos: o "círculo esotérico", que constituía-se a Irmandade, um grupo interno formado por Bruxas e Iniciados; e o "círculo exotérico", que consistia na Ordem, um círculo externo formado de co-maçons e aprendizes em Filosofia ou Misticismo Rosacruz, isto é, estudo dos segredos do cosmos (que Gerald Brosseau Gardner chama de "ocultismo"), as leis da natureza e o modo de progresso mágico-espiritual calcado na afrodisíaca Rosa ou Pomo do Coração, chamado entre os povos orientais de "caminho do meio" ou "nobre caminho óctuplo" 
(haja visto que a Filosofia em si trata-se, não de especulações cientificistas, mas, da "afeição à sabedoria" obtida por meio da admiração da natureza e do cosmos que conduz à interrogação ou busca interior, como diz Platon: "A admiração é a verdadeira característica do Filósofo. Não tem outra origem a Filosofia"). Também, as atividades ritualísticas da Ordem Rosacruz Irmandade de Crotona eram realizadas, primeiramente, em uma área de Birkenhead e Liverpool e, depois, no município de Christchurch em Dorset, próximo à Nova Floresta, em um edifício de peregrinos e iniciantes chamado "Salão Ermo"
 ou "Salão da Ermida" ("Ashrama Hall", na língua hindi; "Hermitage", na língua inglesa; "Ermitas", no grego bizantino; ambos derivados de "Hermae", antigas edículas ou pequenos santuários de pedras e/ou na rocha em caminhos silvestres ou desérticos, próprios dos pagãos ou peregrinos ou viajantes devotos [utilizado
, mais tarde, entre os monges cristãos para a adoração aos santos cristãos], tal como para obter a Iniciação na Bruxaria nas antigas províncias ou, simplesmente, para pedir pela guarda ou condução e proteção contra ladrões e perigos no caminho)  onde ocorreu, em 1937, uma mega convenção anual de trinta e seis membros ou resumidamente três conventículos reunidos, que se incluíam advogados, professores, solicitadores, empresários e trabalhadores assistentes —, ou na vila rural de um dos membros, como de Catherine (vide o tópico da galeria: "A Bruxaria Moderna: abordando o culto das bruxas"). Segundo a bruxa Sybil Leek, residente de Nova Floresta: 


"Há quatro conventículos antigos que operam na área de Nova Floresta: o Conventículo Horsa [relacionado à bruxa Rowena e o implantamento picto-romano da dinastia real de Camelot, sendo a palavra anglo-saxã para cavalo], perto de Burley [o distrito de Burley fica à 9,6 milhas do município de Christchurch-Dorset, onde fora instalado o ] e do qual ela [Dorothy Clutterbuck/Fordham] era a Alta-sacerdotisa, sendo que os outros estão localizados em Lymington, Lyndhurst [onde residia Sybil Leek] e Brook [sendo que tais conventículos, nas palavras de Sybil Leek, possuíam mais de setecentos anos]". 


A Ordem Rosacruz Irmandade de Crotona afirmava preservar o Santo Graal dos mitos arthurianos, manifestado por meio de uma lamparina erguida no teto, uma versão da "Tocha de Bruxa"; Pois, o Santo Graal ou Caldeirão (chamado também de "Krater") em sua essência, enquanto forma divina do "Omphalos" ou "Umbigo do Mundo", é símbolo inigualável do Renascimento, da Inspiração Divinatória e da Prosperidade Abundante que alimenta os Poetas, Sacerdotes, Santos, Bruxas ou Iniciados e Sábios: isto é, tal prosperidade é, não exatamente a material, mas, sim, o Néctar dos Deuses ou Ambrosia, que a conhecemos como Luz ou Luz Oculta que, por sua característica sobrenatural ou sutil, somente é possível ser captada pelas Bruxas e Iniciados ou por quem desenvolva um considerável nível de sensibilidade e vidência; assim como, também, o Graal, em consequência de sua capacidade de gerar vida, comporta a genética bruxesca de origem arcangélica e divina, o chamado "Sangue Bruxesco" ou 
"Sangue Real" até os Anjos ou Guardiães da Bruxaria; cuja descendência apenas é possível ser propagada por meio da comunhão teorética do vinho (a substância de vida ou sêmen) e do bolo (o corpo), depois do processo primário de transformação catártico-dionisíaca da água em vinho, para então, apenas no processo terciário, chegar à contemplação mística ou teose, henose, frenesi divino, êxtase ou euforia (que não é a mesma coisa que o entorpecimento ou delírio e a "possessão demoníaca", que cometem os feiticeiros ou malfeitores); afinal, é somente através da Catarse e, posteriormente, da 
Teoria (que não é especulação, mas, etimologicamente, denota a "visão do divino"), que se pode chegar ao Teatro ("Theo-auctor", os "atos divinos" ou "imitações dos Deuses" que, na língua oriental, fora chamado de "Tantra" e cuja origem não é indiana, mas, advém dos antigos conhecimentos mediterrânicos da Bruxaria)Os membros da Ordem Rosacruz Irmandade de Crotona reverenciavam o seu Mestre ou Alto-sacerdote George Alexander Sullivan como um ser imortal que era, haja visto que havia se tornado, não apenas um desperto e Bruxo, quanto também, em questões de iniciação, um Santo ou Herói e, no alto-sacerdócio, um Magus ou Majestade de Bruxas (título que, descabivelmente, foi autoatribuído à Alex Sanders, sem sequer o ser). Além disso, o grupo encenava temas ocultistas ou rosacruzes e co-maçônicos ao público da época, no Jardim Teatro ("Garden Theatre"), uma vez que o próprio Mestre era ator e dramaturgo por profissão. Gerald Brosseau Gardner, não apenas se tornou aprendiz da Ordem (círculo exotérico), quanto também foi Iniciado na Irmandade (círculo esotérico), isto é, no "Conventículo de Nova Floresta". 


Além de Gerald Brosseau Gardner e George Alexander Sullivan, outras pessoas como Peter Caddy, Mabel Emily Besant-Scott (reencarnação de Elizabeth I a Gloriana, "Rainha das Fadas" e da Inglaterra e Irlanda), Dorothy Clutterbuck Fordham (
reencarnação de Mary, a "Rainha Branca" dos Escoceses), Edith Rose Woodford-Grimes (a Magistra ou Alto-sacerdotisa do conventículo, também referida pelo apelido de "Dafo"), Katharine Louise Oldmeadow, Ernest Mason, Susie Mason e Rosamund Isabella Charlotte Sabine também eram membros deste grupo secreto. Neste sentido, a alta-sacerdotisa Edith Rose Woodford-Grimes (que havia o apelido de "Dafo") introduziu Gerald Brosseau Gardner na Bruxaria, através da inciadora Dorothy Clutterbuck (que presidia o círculo co-maçônico ou exotérico). Entretanto, Edith Rose Woodford Grimes (vide imagem abaixo) havia o nome conventicular ou nome de bruxa como "Theano", que era o nome pelo qual era conhecida a antiga companheira e co-sacerdotisa de Pythagoras nos tempos antigos, o que, em consequência, significa que, obviamente, George Alexander Sullivan era o Mestre ou Alto-sacerdote e Edith Rose Woodford-Grimes era a líder feminina ou Alto-sacerdotisa do grupo composto por doze membros e, ademais, não eram apenas Magister e Magistra quanto, também, Magus ou Majestade e Rainha das Bruxas. Todavia, Pythagoras ensinava uma filosofia semi-libertária, que declarava que: "Enquanto Leis forem necessárias, os mortais não estarão capacitados para a liberdade", o que significa que a liberdade apenas passa a existir quando aprendemos a agir conforme à Justiça, preceito de Hermes Poimandres referido como "Conselho das Bruxas" e que Pythagoras, ao ensinar o pitagórico Juramento de Segredo, este ficou publicamente conhecido, mais tarde, como "Juramento de Hippocrates", em que declarava "[...] nenhum mal fazer [Non Nocere]" e que Gerald Brosseau Gardner, para ocultar tal ensinamento, mencionou a citação do folclórico "Rei Pausole": "Sem a ninguém prejudicar, realize o que desejar". Não obstante, se averiguarmos o símbolo em que Gerald Brosseau Gardner gravou em seu altar ritualístico, notaremos claramente que trata-se de uma versão da "Tétrade" de Pythagoras, também chamado na Bruxaria Medieval de "Triângulo de Manifestação(mais detalhes podem ser vistos no tópico da galeria: "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade"), utilizado para a manifestação dos Deuses no corpo do alto-sacerdote e da alta-sacerdotisa.  




Lois Bourne atesta que: "Gerald sempre se referia à Sra. Woodford-Grimes como 'Dafo'. Segundo ele, haviam se tornado amigos no Novo Teatro Rosacruz, em [município de] Christchurch, em dezembro de 1939. Fora ela quem apresentara a uma mulher chamada 'Old Dorothy', que presidia a loja [co-]maçônica [ou seja, o círculo exotérico da] Irmandade de Crotona, com seu núcleo interno de Bruxaria, o conventículo de Nova Floresta. Gerald contou ainda que ela fora sua patrocinadora quando ele fora iniciado por Old Dorothy, e depois se tornara seu companheiro de trabalho no conventículo ('Old Dorothy' era a Sra. Dorothy Fordham, nascida Clutterbuck). A Sra. Woodford-Grimes era professora de música por profissão, e não tinha o menor desejo de se tornar publicamente conhecida como Bruxa. [...] a Sra. Woodford-Grimes foi não apenas patrocinadora de Gerald e sua parceira de trabalho, mas também era a líder do conventículo em que ele foi iniciado. Seria esse o motivo para a carta indignada que li na Ilha de Man e a forte objeção da Sra. Woodford-Grimes às tendências de Gerald para a publicidade" (In: Dançando com as Bruxas; p. 65-66)Os membros deste grupo secreto disseram à Gerald Brosseau Gardner: "Você pertencia a nós no passado, porque você não volta para nós?", foi somente aí que o conheceu melhor os membros do grupo em uma ocasião no Jardim Teatro, onde ouviu falar, poeticamente, dos "Wicas, os Sábios", no período entre aprendiz do grupo externo da Ordem e sua passagem, que ocorreu mais tarde, para a posição de Iniciado. Em determinada peça teatral pública no Jardim Teatro, George Alexander Sullivan realizou a seguinte invocação dramática: "Hereon, lancemos o milho, símbolo da Ressurreição, para marcar o [ponto do] Leste, de onde toda Luz advém. E ao Oeste, arremesso o Sal sobre o limiar: Sal, a representação da hospitalidade e da amizade e da fidelidade, lancei neste lugar do Ocidente para marcar o pôr do Sol, que Ele possa preservar este Templo para aprender com a degeneração prematura. Ao Sul, com o polvilhar do Vinho: Ele traz consigo as Ervas para o gado e as Ervas para o serviço do homem, que Ele possa trazer Comida para fora da terra e Vinho para fazer feliz o coração do homem. Finalmente, o Óleo, ao Norte, para fazer resplandecer o seu rosto, o símbolo da mortalidade" (SULLIVAN, George A.).

Conquanto, anos depois, Gerald Brosseau Gardner previu que tal grupo secreto em pouco tempo desapareceria e, com a morte de George Alexander Sullivan, em 1942, as atividades da Irmandade pararam e Gerald Brosseau Gardner, temendo que a Bruxaria se extinguísse na Inglaterra, instituiu seu próprio conventículo a partir dos conhecimentos que havia adquirido, o chamado "Conventículo de Bricket Wood" ("Bricket Wood Coven"). Por outro lado, uma dentre os iniciados de Gerald Brosseau Gardner, Eleanor Bone, "a Matriarca da Bruxaria Britânica" (que havia amizade próxima com Edith Rose Woodford Grimes, a Rainha de Bruxas), conta que Gerald Brosseau Gardner havia recebido apenas um dos Graus da Bruxaria, o que, por sua vez, explica o fato de Gerald Brosseau Gardner ter apresentado apenas o primeiro dentre os três principais ritos da Bruxaria, o Puxar Para Baixo a Lua, e a própria Edith Rosa Woodford Grimes ter apresentado atitudes de cobrança e indignação com Gerald Brosseau Gardner e sua tendência à publicidade. Peter Caddy, um dos membros deste conventículo que pertencia Gerald Brosseau Gardner, instituiu, depois, a ecovila "Fundação Findhorn" ("Findhorn Foundation") na Escócia, onde Robert Ogilvie Crombie, ao descrever a história desta, afirmou ter encontrado o Deus de Chifres Pan. Contanto, para que possamos entender a relação de Gerald Brosseau Gardner com o conventículo e como este grupo secreto em si funcionava, precisamos nos voltar para o Mestre ou alto-sacerdote do mesmo: George Alexander Sullivan, que era jornalista, dramaturgo, ator e, ademais, a própria reencarnação de Pythagoras. Pythagoras, por sua vez, era natural de Samos, da Grécia Antiga e, antes de nascer, segundo Iamblicus, seus pais foram até uma sibila do Oráculo de Delfos, a qual disse: 


“Todos os Deuses do Olimpos percebem o grande amor que vos une e comunicam-me que, como fruto desse amor abençoado, nascerá um menino que reunirá a beleza de Adonis, a força de Hercules e a sabedoria de Zeus. Seu nome será lembrado através dos séculos e dos milênios e seus conhecimentos serão úteis a todos os mortais, em todas as eras. Seu nome será Pythagoras, o eleito de Apollon Python! Tu, Mnesarkus [o pai de Pythagoras], providenciarás para teu filho a mais refinada educação e os mais renomados Mestres, tendo sempre em mente que, se os gregos possuem a ciência dos homens, é no Egito e na Índia que se encontra a Ciência dos Deuses. É, pois, para estes dois países que deverão encaminhá-lo, quando soar a hora [neste sentido, Pythagoras, ao crescer, viajou por todas as províncias em que os Clãs da "Mysteria" ou Arte dos Sábios continuavam vivos: do Clã Dionisíaco ao Clã Cábiro, da Ilha da Samotrácia ao Egito]. Lembra-te também de que, quando a criança completar seu primeiro ano de vida, deverás trazê-la novamente a este templo, para que o próprio Deus Apollon possa batizá-la com fogo [não obstante, ao completar um ano de idade, Pythagoras foi levado novamente até a sibila, a qual batizou com fogo e, posteriormente, sua mãe notou a marca do Deus Apollon na coxa esquerda de Pythagoras, como Hermes Trismegistos]. Tu, Parthemis [a mãe de Pythagoras], educarás teu filho na prudência e na equidade, no zelo e na constância, no amor e na caridade e, antes que a criança nasça, mudarás o teu nome, de Parthemis para Pythia. O mundo conhecerá teu filho pelo nome de Pythagoras, pois este será seu nome profano, entretanto, como todos os escolhidos e enviados dos Deuses, ele terá também um nome misterioso, que somente três pessoas conhecerão: ele mesmo e vocês dois, aproximai-vos para ouvir.” (IAMBLICUS).


Todavia, observa-se que entre os escritos de George Alexander Sullivan disponibilizados aos atores do Jardim Teatro, na cidade de Christchurch, e aos aprendizes em filosofia ou misticismo rosacruz do "círculo externo" ou "ordem exotérica", da Ordem Rosacruz Irmandade de Crotona, há clara influência religiosa do que poderíamos chamar de "conteúdo Zurvanita", isto é, nomes de figuras religiosas pérsicas ou aquemênida-sassânidas do antigo Clã Zurvanita ou Mitraico. Neste sentido, para que possamos entender tal cenário sociocultural pérsico em que George Alexander Sullivan aparenta se ver em determinados momentos de reflexões em seus escritos, precisamos levar em conta suas encarnações seguintes à vida que teve como Pythagoras. Verifica-se, assim, que muitas de tais influências devem-se ao cenário que havia, na antiguidade tardia, na corte pérsica sassânida  descendente da dinastia aquemênida — quando Pythagoras reencarnou como 
Balthazar (reencarnação de Pythagoras, do Clã Pitagórico; e de Tutmosis III, do Clã Amonita; cujo significado literal de seu nome é "O Protegido de Baal [ou Apollon, também chamado de Belenus]"que, juntamente com Gondophares IV Sases ou Gastaphar da Pérsia e Melchior (que seu nome significa "O Rei de Horus" e que reencarnou como Arthur Pendragon e liderou a Ordem dos Cavaleiros da Távola Redonda) da Arábia, ficaram conhecidos como sendo três "Reis Magose que, assim como Orpheus do Clã Batesiano e Pythagoras, o ancião Balthazar
, através do profeta Hillel o Ancião Babilônico (reencarnação de Nimrod ou Ninus, o instituidor do Clã Zurvanita/Mitraico; de Zoroastres ou Zarathustra, Iniciado do Clã Mitraico/Zurvanita e que deu origem à religião Zoroástrica e se infiltrou entre os hebreus para restaurar o Templo de Salomon; de Gautama Sphendadates ou Siddhartha Gautama, do qual surgiu a religião Budista; que, depois, reencarnou como Manichaeus, Magister de linhagem Maniqueia no Clã Zurvanita/Mitraico e que fora morto pelos Zoroastristas; como Eckart Von Hochheim o Meister, Magister de linhagem Maniqueia no Clã Zurvanita/Mitraico e que se infiltrou na Ordem Dominicana para não ser acusado de heresia, apesar de que fora perseguido pela Inquisiçãocomo Johannes Heidenberg Trithemius, Iniciado da Ordem Rosacruz medieval; como John Dee, Iniciado da Ordem Rosacruz moderna; e como Henry Olcott, instituidor da Sociedade Teosófica e restaurador da religião Budista) que havia se infiltrado entre os hebreus, tornou-se Iniciado novamente no Clã Mitraico/Zurvanita pelas mãos deste seu magister, assim como os seus demais irmãos na Etiópia, na Pérsia ou atual Irã que envolvia o norte da Índia e na Arábia; ensinando Jesus em uma peregrinação na região do Irã e do norte da Índia e que, nos séculos seguintes, ao ser oficializado o Cristianismo como religião romana, tal Clã foi proibido em Roma e, em consequência, seus templos-grutas por toda a Europa foram fechados e destruídos ou convertidos em Igrejas Cristãs. 



Nesta transição entre a oficialização do Cristianismo e o crescente abandono dos seguidores e adeptos das antigas religiões pagãs, o imperador pagão de Roma, Flavius Claudius Iulianus (reencarnação de Salomon o Azazel/Azizos, Iniciado dos Clãs Adonista e Amonita e que recebia honrarias entre os povos hebreus; de Alexandre III o Magno, Iniciado do Clã Amonita; e de Caius Iulius Caesar, Iniciado do Clã Lupercal; e que reencarnaria, depois, como Carlos Magno, co-instituidor da Bruxaria Medieval Pentárquica e instituidor do Sacro Império Romano; como São Louis o Magnus Lyon Christianissimus, Iniciado da Bruxaria Medieval Pentárquica e aliado da Ordem do Templo; e como Napoléon Bonaparte, co-instituidor da co-Maçônica Bruxaria de Mênfis-Misraim, formalizador de base da neotemplária Ordem Militar Suprema do Templo de Jerusalém e que aboliu a Inquisição Espanhola), referido como "O Apostata" pelos Cristãos, era Iniciado do Clã Platônico e Eleusino que, em sua encarnação seguinte,  juntamente com outros Bruxos ou Iniciados, de Clãs da Arte dos Sábios que ainda restavam vivos, como o profeta saraceno das amazonas/amazigues Abu Ishaq-Ismail L'Atahiyya  reorganizaram a Bruxaria ou Arte dos Sábios Clássica em Pentarquia ou corte de Cinco Clãs, cujo caráter da Bruxaria, agora mais secreto e fechado que anteriormente, permitiu a fácil propagação e proliferação por toda a Europa desta poderosa organização secreta que viria a ser temida pelos Padres da Igreja e ser conhecida como Bruxaria Medieval. Com a oficialização do Cristianismo e declaração de proibição das antigas religiões pagãs em grande parte da Europa, decretou-se o fechamento e destruição ou conversão de todos os templos pagãos, incluindo as academias de estudo, o que, em consequência, os pagãos que não aceitasse a conversão ao Cristianismo eram expulsos do Império Romano e, nesta situação, os Iniciados e Filósofos da antiga "Mysteria" ou Arte dos Sábios resistiram, sendo que alguns destes adeptos sofriam frequentes atentados religiosos pelos Cristãos  como foi o caso de Sopatros, membro do Clã Platônico morto pela prática proibida de magia, e Hypatia, dama do Clã Platônico que foi despida sua roupa e arrastada nua até uma Igreja por uma multidão descontrolada de Cristãos, onde esfolaram viva sua carne com ostras afiadas até sair sua pele e desmembraram-na e queimaram seu corpo —, ao passo que outros Iniciados, incluindo Simplicius, Damascius, Priscianus Lydos, Ammonius Hermiae e Eulamius, fugiram para a corte sassânida, do Império Persa, onde mantiveram vivos os antigos conhecimentos da Bruxaria e, mais tarde, aglutinaram-se em Constantinopla à religião Islâmica Druso-sufi (da descendência de Ismael) e à religião Mandeísta ou Mazdak-elcesaíta (que se centra em São Johannes Batista), dando origem ao livro árabe "A Meta do Sábio" ou "Picatrix" ("Ghāyat al-Hakim"), sendo que, no ápice da idade média, os Templários (que eram adeptos da Bruxaria) a contataram.


Em vista da ignorância e da superstição medieval que degeneravam a Europa e causavam-lhe guerras e crueldades, principalmente entre bárbaros incultos  como os reis germânicos franco-merovíngios ditos "reis faz-nada"  e fundamentalistas Cristãos, os quais, estes últimos, defendiam crendices e o acúmulo de riquezas materiais aos padres da Igreja enquanto maior parte da sociedade vivia em extrema pobreza; Pythagoras, neste cenário inegável de dementes, considerando que seu antigo mestre Manichaeus há algumas gerações havia sido crucificado pelos fundamentalistas Zoroastristas de Gundesapor, fora responsável por criar uma grande revolução na sociedade medieval, de modo a realizar reformas na religiosidade ocidental, tanto ao Cristianismo quanto à Bruxaria; a qual, esta, por sua vez, com o incentivo sociocultural quanto à presença de magos e filósofos na corte de Carlos Magno e do Sacro Império Romano, houve determinado infiltramento de sofistas, mágicos enganadores e feiticeiros ou malfeitores sarracenos na Bruxaria Medieval Pentárquica, cujos feiticeiros ou malfeitores, em consequência de punições carolíngias aos adeptos de religiões pagãs bárbaras ou à quem quer que fosse injusto ou errante, provocavam frequentes ataques entre os povos ignaros e bárbaros que, em contrapartida, exigiram grande trabalho dos eruditos legisladores da Santa Veeme ou Liga da Corte Sagrada para deter o controle arcôntico maligno e destrutivo que ameaçava tiranicamente o desenvolvimento sociocultural e o bem comum na sociedade europeia. Deste modo, Pythagoras em sua reencarnação, na Itália, como Giovanni di Pietro di Bernardone o São Francesco (a "luz que brilhou sobre o mundo" no Ocidente), decidiu abandonar os costumes próprios do mundo profano ao rejeitar a prática de guerra, comum na época, para fundar uma Ordem de frades e freiras, a Ordem Franciscana dos Frades Menores ("Ordo Fratrum Minorum") e Ordem Clarissa das Damas Pobres ("Ordo Sanctae Clarae"dedicada, tanto espiritual quanto socialmente, à renovação do Cristianismo por grande parte da Europa e pela região do Oriente Médio; pois, no entanto, Giovanni di Pietro di Bernardone o São Francesco reformou, não apenas o Cristianismo, mas, também, a Bruxaria Medieval Pentárquica e Templária que, conjuntamente à sua companheira Chiara Scifi Offreduccio na região italiana da Toscana e Úmbria, inlfuenciou a instituição do bruxesco Clã Joaquimita, composto de Sorores e Fratres que, através de Santa Guglielma, ficara conhecido como Seita Guglielmita ou Joaquimita (surgindo, também, o Clã Turlupin ou Amauriciano/Proto-valdense na França e o Clã Caricio-familista ou Hoffmanita na Holanda, ambos da Bruxaria Medieval Reformada), cujos adeptos, sendo perseguidos por heresia por parte da Igreja, entregaram-se voluntariamente, em 1300, para serem queimados em martírio nas fogueiras da Inquisição.

Entretanto, Pythagoras  ao reencarnar na Alemanha como Heinrich Cornelius Agrippa Von Nettesheim  foi acusado de heresia pela Igreja Católica e, embora tenha sido um dos primeiros a defender as Bruxas das acusações da Inquisição em "Os Três Livros de Filosofia Oculta", passou a rejeitar seu passado bruxesco e, em conformidade com seu Mestre Johannes Heidenberg Trithemius, integrou-se à Ordem Rosacruz. Esta, por sua vez, fora uma antiga confraria bruxesca reinstituída pelo último sobrevivente da família Germelshausen, a qual habitava um Castelo da Floresta da Turíngia e, possuindo descendência bruxesca merovíngio-carolíngia até Maria Madalena (iniciada da Linhagem Galileia do Clã Mitraico) e até Carlos Magno (co-instituidor da Bruxaria Medieval Pentárquica e instituidor do Sacro Império Romano), fora condenada à morte por heresia e paganismo por ordem do inquisidor Konrad Von Marburg, e o único sobrevivente, além do mestre da Capela do Castelo, fora o filho de cinco anos de idade Basilius Valentinus ou "Christian Rosenkreutz", o qual fora levado para um monastério da Ordem Beneditina de influência herética e que, depois, contatou a religião Islâmica Druso-sufi e a religião Mandeísta ou Mazdak-elcesaíta como fizeram seus irmãos, os Templários. Assim, Johannes Heidenberg Trithemius  um dos ascetas da Ordem Beneditina no monastério de Sponheim que, por sua heresia e envolvimento com Magia, foi demitido em 1506 e seus livros foram proibidos pela Inquisição, mais tarde associado às lendas de Johannes Georg Faust (reencarnação de Abaris Hyperboreos ou Anacharsis, Iniciado do Clã Órfico) — preservou os segredos druídicos deste clã e, em seu livro "Polygraphia", publicou pela primeira vez o antigo "Alfabeto Tebano das Bruxas"; sendo que tal asceta era Mestre, também, de Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus Von Hohenheim o Paracelsus (reencarnação de Hippocrates, Iniciado do Clã Pitagórico; de Aulus Cornelius Celsus, Iniciado do Clã Socrático-platônico; e de Heinrich Souse o Beato Amandus, Iniciado de linhagem Maniqueia no Clã Zurvanita/Mitraico e que se infiltrou na Ordem Dominicana para não ser acusado de heresia, apesar de ter sido perseguido; que reencarnou, depois, como Christian Friedrich Samuel Hahnemann, que promoveu a medicina homeopática)Heinrich Cornelius Agrippa Von Nettesheim foi mestre ou alto-sacerdote de Johann Weyer, o primeiro homem a vir a público contestar contra a "caça-às-Bruxas"

Também, Heinrich Cornelius Agrippa Von Nettesheim foi aprendiz da Filosofia do Clã Socrático-platônico ensinada no período do renascimento italiano. No período da idade média tardia ao renascimento, o Mestre Marsilius Ficinus que, caracteristicamente, possuía comportamentos homossexuais e fora responsável por trazer à público o texto pagão-bruxesco "Corpus Hermeticum", reunindo em torno de si os discípulos Cosimo di Giovanni de Medici (cuja sua neta Maria de Medici era "filha de Sophia/Atena"), Donatello di Niccolò di Betto Bardi, Angelo Ambrogini o Poliziano, Demetrius Chalcocondyles, Domenico Ghirlandaio (que fez uma pintura de Tubalcain/Vulcanus), Alessandro di Mariano di Vanni Filipepi ou Botticelli (que, sob influência pecaminosa, criou a pintura "O Nascimento de Vênus"), Francesco Filelfo, Cristoforo Londino, Giovanni Cavalcanti, Giordano Bruno (reencarnação de Hypatia do Clã Platônico e que, novamente, foi queimado pela Igreja Católica), Giuliano de Medici (que foi assassinado por uma "conspiração"), Giovanni Pico della Mirandola (que foi morto por envenenamento), Sigismondo Pandolfo Malatesta e Lorenzo 
de Medici (que, em sua pintura "Rapresentazione di San Giovanni e San Paolo", há apreciação pelo imperador e bruxo Flavius Claudius Iulianus e, apesar de sua bisneta Caterina de Medici distorcer em procedência os ensinamentos iniciáticos, publicara os poemas pagãos chamados "Canti Carnascialeschi"sendo que uma de suas esposas era Clarice Orsini, de descendência etrusca e parente de Vicino Pier Francesco Orsini, o qual criou o pagão Sagrado Bosque de Bomarzo ou Sacro Bosco de Bomarzo)  que, assim como Andrea del Verrocchio, Julius Pomponius Laetus e Konrad Pickel Celtes, participavam discretamente de Ateliês ou Lojas, isto é, oficinas de estudo em Academia ou Colégio de "círculo externo" ou "ordem exotérica", instituídas pelo Alto-sacerdote ou Mestre constantinopolitano Georgius Gemistus Plethon que, por meio das bruxescas Academia Platônica ou Academia Romana e a Confraria Céltica ou Sociedade Literária ("Sodalitas Litteraria"), restaurou-se o antigo Clã Platônico (assim como o Clã Pitagórico e outros afins), numa tentativa de redescobrir os conhecimentos antigos do "Magistério de Hermes" e da verdadeira Filosofia, ou seja, do sistema da Linguagem Prateada, às vezes estudada paralelamente ao análogo sistema da Cabalá, o que levou a família italiana florentina dos Medicis a dedicar um santuário aos Reis Magos no Palácio dos Medicis, a "Capela dos Reis Magos" e, em consequência, Marsilius Ficinus e Julius Pomponius Laetus foram acusados pela Igreja Católica de heresia, conspiração contra o Papado e prática proibida de paganismo e magia.

Na vida consecutiva, Pythagoras reencarnou como Francis Bacon, o qual levou a publicar manifestos pelos países da Europa destinados a reunir àqueles que desejavam se salvar-se das perseguições da Igreja Católica e que, ao mesmo tempo, houvessem alta moralidade espiritual ou agissem conforme a bruxesca Lei das Leis, a Justiça. Até tal momento a Ordem Rosacruz era estritamente secreta em aliança com os Cinco Clãs Medievais Pentárquicos (principalmente com o Clã do Touro, na França, e o Clã do Búfalo, na Alemanha), pois, em sua origem, era pagão-bruxesca disfarçada e adorava os Deuses pagãos das Bruxas (como a Deusa Diana/Isis, o Deus Apollon e o Filho Divino Cupido/Phoenix, como manifestações do Altíssimo Zeus/Jove/Yahuh/Yahvh dos antigos pagãos ou Javeh/Yehowáh hebraico e, também, Anjos e deidades bruxesco-pagãs, como Sa, Atlas, Hu, Saturnus, Danae e Hermes Trismegistos, o Fundador da Arte dos Sábios) e, da mesma forma que os Templários que se disfarçavam de "Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão", surgiu também uma organização britânica discreta, chamada "Sociedade Real" ("Royal Society"— da qual fazia parte Elias Ashmole, filho adotivo de William Backhouse e um dos principais reformuladores da Maçonaria — com o intuito de desmantelar a cultura Cristã medieval e seu moralismo bárbaro-fundamentalista através do estabelecimento dos fundamentos da Ciência Moderna (que, na época, incluía-se secretamente o estudo da alquimia e de outros saberes filosóficos), de modo que o ser humano, através do método indutivo em que visa conhecer a essência-razão das coisas (que, ao contrário do que se fala no meio científico, o é complementar ao método dialético-maiêutico, o qual busca assimilar o aspecto anímico ou existencial das coisas), passasse a conhecer a natureza com base em experiências sensíveis e, sobretudo, de maneira desvinculada das superstições e dos ídolos ou fixações imagéticas que distorcem o conhecimento factual: o etnocentrismo (ídolos tribais), o egocentrismo (ídolos encavernados), o consumismo (ídolos mercatores) e as ideologias demagógicas (ídolos teatrais). No entanto, nos tempos que se seguiram, os núcleos modernos da Ordem Rosacruz se configuraram através de um viés Cristão para ganhar maior aceitação e adeptos na Europa, embora que nos núcleos mais tradicionalistas da Ordem Rosacruz ainda permanece, não apenas o conhecimento esotérico dos Clãs da Bruxaria Medieval e da Ordem do Templo, mas, também, ocultadamente o próprio Selo da Bruxaria (vide o tópico da galeria: "A Ordem Rosacruz e suas Origens"). Um dos manifestos publicados secretamente, em 1623, ao alvorecer do dia em Paris, declarava:

"Nós, delegados do Colégio principal dos Irmãos da Rosa-Cruz, estamos fazendo uma visita visível e invisível à esta cidade, pela graça do Altíssimo [o Mais Alto dos Céus ou Empíreo, conceito místico-filosófico pagão, transcendente, para referir-se ao Uno], para o qual o coração dos Justos se voltam. Nós mostramos e ensinamos, sem livros nem profecias, como falar todas os tipos de línguas dos países onde queremos estar, a fim de libertar os homens, nossos companheiros, dos erros da morte. Se alguém desejar nos encontrar somente por mera curiosidade, jamais se comunicará conosco, entretanto, se de fato a vontade o levar, a inscrever seu nome no registro de nossa Fraternidade, nós, que avaliamos pensamentos, faremos com que ele veja a verdade de nossas promessas; por enquanto não estamos estabelecendo nossa casa na cidade, uma vez que os pensamentos somados à vontade sincera do leitor, serão suficientes para nos tornar cientes dele, e ele de nós" (MANIFESTO DE 1623, Paris).


Este manifesto desencadeou na França a ira dos Cristãos e, principalmente, da Igreja Católica, a qual emitiu diversos contra-manifestos acusando os responsáveis por esta publicação de terem emigrado de Lyons e de que, nesta província, tais responsáveis haviam feito "pactos horríveis com Satã", o que causou pânico generalizado, bem como em decorrência de que "hóspedes estranhos desapareciam em nuvens de fumaças" e cidadãos que relatavam acordar no meio da noite com aparições flutuantes. Também, nota-se que a
 alegoria do leão contra a Igreja Católica ficou evidente que tal símbolo referia-se alquimicamente à religiões calcadas em diferentes eras: a Bruxaria, do final da era de leão (e início da era de câncer e da sensibilidade feminina trazida pelo Advento Hermes Trismegistos), contra o Cristianismo petrino, da era de peixes (e da idolatria da sensorialidade); para derrubar o domínio opressor e supersticioso, deste último, na sociedade. Neste aspecto, Francis Bacon ficou conhecido como o "poeta escondido", o qual publicou secretamente o conjunto de poesias mitológicas pagãs e de contos de fadas  como de Titania, Oberon, Venus, Adonis, Diana, Demeter/Ceres, Puck, Jack, etc  sob o pseudônimo de "William Shakespeare". Robert Cochrane afirmou, nesta perspectiva, que William Shakespeare pertencia à um Clã de Bruxas. 
Em determinado ensaio, Francis Bacon enfatizou a diferença entre pessoas superficiais ou mortais versus as pessoas com conhecimento profundo ou despertas ao declarar que: "Um pouco de Filosofia inclina a mente do homem para o ateísmo, mas, profundidade em Filosofia, trás de volta as mentes das pessoas para a religião"Além disso, Francis Bacon pela afinidade com o rei Richard III da Inglaterra (que era descendente do rei Edward Longshanks, Magister de um conventículo de Bruxas), descreveu-o como "[...] um bom legislador para a facilidade e conforto das pessoas comuns". Na atualidade, Richard III reencarnou como Madeline Sylvia Royals-Montalban ("Dolores North", "Madeline Alvarez" ou "Nina del Luna"), a Bruxa moderna que instituiu a "Tradição Luciferiana" ("Luciferian Tradition") ou "Ordem da Estrela da Manhã" ("Order of the Morning Star") e que, além de reconfirmar que a Bruxaria foi fundada em tempos remotos no Oriente, tornou-se Mestra ou alta-sacerdotisa (ainda que houvesse diminuída autoridade acerca do tema Bruxaria) do autor contemporâneo Michael Howard (idem Madeline Sylvia Royals-Montalban). 


Destarte, Maurice Blumenthal (2006, p. 29), no livro "Antigos Textos Maçônicos e Rosacruzes", cita os principais sinais de reconhecimento entre os hereges acolhidos na Ordem Rosacruz, tais como: "1. Proibição de exercer profissão alguma, exceto a cura de enfermos a título benévolo [isto é, declarava o ofício terapêutico ou da cura a profissão a ser exercida entre as Bruxas e Iniciados e proibia-se de cobrar por suas práticas mágico-espirituais ou botânico-alquímicas, como diz Gerald Brosseau Gardner acerca da Bruxaria]; 2. Proibição de obrigar a levar hábitos especiais [ou seja, proibição de castidade absoluta ou distanciamento monástico/beguinário das demais pessoas da sociedade comum e, também, não levantar suspeita de prática da Bruxaria entre os Cristãos]: do contrário, deveriam adaptar-se aos costumes do lugar [como, também, ensina-se na Bruxaria, isto é, a adaptação aos costumes de cada local, ocultando, por baixo destes, a Antiga Religião dos Sábios, em decorrência das perseguições aos hereges e, ainda, em decorrência de que a Bruxaria é, em essência, uma religião de segredos e, portanto, da mesma forma que a materialização de uma inspiração, a manifestação desta na matéria automaticamente se desliga da sutilidade ou sobrenaturalidade]; 3. Obrigação de cada Irmão apresentar-se no dia C. [aqui refere-se à reunião secreta da Missa bruxesca ou do Sabá, que ocorria, e ainda ocorre, entre o sétimo para o primeiro dia da semana, o "Sábado" ou "Dies Saturni" e o "Domingo" ou "Dia do Senhor/Sirius"] na morada do Espírito Santo [isto é, na 'Alta Capela da Nossa Senhora' ou 'Domo/Ermida da Alma Santa', o colégio invisível da "Anima Mundiou "Ruach ha-Qadesh", a Deusa Qatesh enquanto Alma do Mundo ou Sophia], ou de explicar os motivos de sua ausência; 4. Obrigação para cada Irmão de buscar uma pessoa de valor que pudesse vir a sucedê-lo, caso necessário [para manter viva a tradição do Clã ou Fraternidade]; 5. As letras R. C. deveriam servir-lhe de selo, sigla e emblema [a sigla "R.C." refere-se à "Rosa-Cruz", isto é, o Selo da Bruxaria e de Hermes Trismegistos, logo as polaridades Ob-Od ou feminino-masculino em movimento que,
 analogicamente, constitui uma potencialidade de, através dos princípios terrenos primordiais "Rhea-Chronos", comungar com a Deusa Estelar e com o Deus Cornífero de Sirius até o Altíssimo Uno]; 6. Durante um século a irmandade tinha que permanecer secreta [para despistar e para que todos pudessem se salvar, isto é, '...a fim de libertar os homens, {que são} nossos companheiros, dos erros da morte', como diz o Manifesto de 1623]"Em procedência, Maurice Blumenthal cita a "Carta V - Os Adeptos", publicada no passado por Karl Von Eckartshausen, em que afirma que: 


"Na contestação à minha última carta, manifestei a opinião de que o expoente de espiritualidade (significando intelectualidade e moralidade combinadas) exigido por nosso sistema de filosofia é excessivamente elevado para que o homem possa alcançá-lo, e duvide se alguém chegou alguma vez a ele. Permita que diga que muitos daqueles a quem a Igreja Cristã chama de santos e outros muitos que nunca pertenceram àquela Igreja e aos quais se costuma chamar 'pagãos' [como, por exemplo, Santa Brigid, Santa Catarina de Alexandria, Santa Guglielma ou Vilelmina Blanchena Premysl, Beato Heinrich Seuse, Santa Jeanne D'Arc e tantos outros que, pelo fato de terem sido integrantes da Bruxaria na antiguidade e/ou na idade média, muitos destes beatos e mulheres foram queimados na fogueira da Inquisição da Igreja Cristã e, depois, declarados santos ou heroínas; assim como, também, São Tiago o Justo, Santa Mariamne/Maria Madalena, Santa Margherita,
 Santa Teresa Sánchez, Yzabel a Rainha Santa de Aragão, Giovanni di Pietro di Bernardone o São Francesco, Santo Alcuinus Nemias/Naymus Flaccus e São Louis o Magnus Lyon Christianissimus que, apesar de se manter em segredo diante da Cristandade, foram estereotipados pelos seguidores da Igreja em virtude da maestria que apresentavam], obtiveram aquele estado e, portanto, alcançaram poderes espirituais que lhes permitiram levar a cabo coisas bem extraordinárias chamadas milagres [a taumaturgia chamada, na linguagem bruxesca, de música das esferas ou magia]"


Ainda, Francis Bacon teve como Mestre ou Alto-sacerdote o célebre conselheiro da rainha Elizabeth I, John Dee, o qual possuía grande habilidade na espiritualidade com os Deuses e Anjos Vigilantes das Torres de Observação  associados, mais tarde, aos "Malach" Cabalísticos, a partir da sincretização moderna entre Filosofia ou Kybalion e Cabalá 
— que lhe ensinaram uma antiga língua atlante de Hermes/Enoch, a Linguagem Enochiana, que a Tradição Gardneriana e a Tradição Alexandrina herdaram alguns aspectosContudo, antes do surgimento desta fraternidade oculta que conhecemos por "Ordem Rosacruz"  que visava salvar as pessoas heréticas das presas da Inquisição — havia sido construído, no átrio do Castelo Real de Winchester da Inglaterra, durante o reinado de Edward Longshanks (1239-1307), uma réplica em miniatura da famosa Távola Redonda (a qual existiu no reinado de Arthur/Ambrosius Aurelianus), representando os doze signos astrológicos do zodíaco, o nome dos doze membros da Ordem dos Cavaleiros da Távola Redonda e a Roda do Ano sazonal, que delineava a cruz grega ou templária e possuía ao meio uma flor branca e vermelha, formando a rosa-cruz. O rei Edward Longshanks era, não obstante, um Magister (alto-sacerdote) de um conventículo inglês da Bruxaria Medieval e, particularmente, também praticou o sacerdócio segundo o costume templário conjuntamente à Thomas de Clare, de Thomond, e 
possuía grande admiração e honra pelas personalidades de Merlin (reencarnado, na época, como 
Roger Bacon, monge herético que fora preso pela Igreja Católica e, em aliança com o próprio Edward I Longshanks, fora dono do filosófico Manuscrito Voynich) e, principalmente, de Arthur, em função de que estes eram adeptos da Bruxaria e que, por seu heroísmo ou santidade, tornaram-se espíritos que compunham uma confraria teosófica invisível; porém, deve-se mencionar que uma parcela das Bruxas e Iniciados descendentes e/ou em aliança com o magister Edward Longshanks, como a dama Alice Kyteler e os sentenciados à morte Margery Jourdemayne e Roger Bolingbroke, passaram a se corromper no charlatanismo e na prática de feitiços ou malfazejosAlém disso, a Rosa dos Ventos, na antiguidade, era utilizada entre os Clãs da Bruxaria Clássica, como no Clã Cábiro e no Clã Amonita (tornando-se conhecida, por meio do bruxo Alexandre o Magno, como "Estrela Macedônica" ou Rosa dos Ventos), sendo que a cruz, enquanto símbolo pré-cristão, constitui uma alusão ao Caduceu de Hermes que, com a Serpente Masculina e a Serpente Feminina subindo, forma o Selo da Bruxaria, ou mesmo na versão do Bastão de Asclepios, que, quando ascensionadas, faz florescer a rosa ou recebe a coroa de flores do Deus Cornífero.



Por outro lado, a Maçonaria teve origem na Bruxaria Medieval, no entanto, fora instituída depois da Ordem Rosacruz, o que, consequentemente, atesta a similitude entre ambas; pois, Maçonaria, em sua essência, objetivava selecionar os cavaleiros despertos e, portanto, aptos à serem Iniciados ao culto do Deus Cornífero (o qual não é a trevosa figura criada pelo cristão Eliphas Levi, mas, sim, a diviníssima face de Dionysos/Osiris Bakha ou Apollon Paion o Behedet/Pan, o Deus de Mendes), isto é, visava recrutar os eleitos e redimensioná-los para dentro da Ordem Rosacruz original, a autêntica continuadora da Bruxaria Medieval Pentárquica e Ordem dos TempláriosTodavia, em 1620, a moderna Ordem Rosacruz instaurou um plano de reavivar o Atonismo, religião fundada pelo faraó Akhenaton, apesar de que Akhenaton sempre tenha sido contra os Clãs da Arte dos Sábios e, em particular, realizou perseguição à todos os Iniciados do Egito Antigo; ocasionando, nesta mesma geração, a instituição de uma misteriosa secção da Ordem Rosacruz original denominada "Antiga Ordem dos Druidas" ("Ancient Order of Druids"), da qual surgiu a "Fraternidade Universal dos Druidas" ou "Círculo Britânico da União Universal" ("An Druidh Uileach Braithreachas" ou "British Circle of the Universal Bond") e, desta, através de Philip Peter Ross Nichols, a "Ordem dos Bardos, Ovados e Druidas" ("Order of Bards, Ovates & Druids"), visto que a Ordem Rosacruz original era composta fundamentalmente por Bruxas ou Iniciados e Druidas (Bruxas com Três Graus na Bruxaria). Também, a Ordem Rosacruz original foi responsável pelo ressurgimento da 
“Real Antediluviana Ordem dos Búfalos” ("Royal Antediluvian Order of Buffaloes"), da Bruxaria Medieval Pentárquica restaurada. Contudo, em reinados egípcios anteriores, o faraó Tutmosis III, por sua vez, era na antiguidade um Iniciado do Clã Amonita ou Clã Menfita (vide o Clã Menfita no tópico da galeria: "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade") que mantinha aliança com os membros da "Tuatha-Dé-Danann" ou "Dinastia de Danaans" dos Povos Medos (que estava presente também entre os Povos Celtas ou Cito-cimérios) e que, depois de ser morto por religiosos fanáticos do Império Novo Egípcio, reencarnou posteriormente como ninguém mais que o próprio Pythagoras. 


Desta forma, Pythagoras, em sua viagem ao Egito, deixou os alto-sacerdotes dos Clãs egípcios admirados com sua habilidade e talento natural em magia, devido ao fato que nenhum outro estrangeiro havia conseguido adquirir todos os Graus da Arte dos Sábios como conseguiu em seus vinte e dois anos de iniciação. Pythagoras acreditava que seu Clã tinha descendência até os antigos Povos Medos da Dinastia Danaide, também chamados de "Dinastia de Danaan" ou "Tuatha-Dé-Danann", o lendário "Povo das Fadas", crença que também estava presente em outros Clãs da Bruxaria, tanto da antiguidade quanto da idade média. Neste sentido, Pythagoras  depois de reencarnar como Heinrich Cornelius Agrippa e Francis Bacon  reencarnou, também, como George Alexander Sullivan na Inglaterra, onde deu continuidade a Bruxaria, mascarada pela fraternidade oculta que visava salvar os hereges das perseguições da Inquisição: a Ordem Rosacruz. A Tradição Gardneriana, aceitando ou não, possui descendência bruxesca ou "sangue bruxesco" até a linhagem de Pythagoras e, embora seus conhecimentos acerca da Bruxaria sejam limitados, possui maior mérito do que as linhas ecléticas com base nos conhecimentos ainda mais limitados e vagos de Robert Cochrane, o qual, descabivelmente, autodenominava-se "bruxo tradicional" quando, de fato, inegavelmente, não o era. O termo "Bruxa tradicional" é aplicável, validavelmente, apenas no caso de Bruxas que mantêm a tradicionalidade dos antigos costumes ensinados até a medieval e antiga organização religiosa das Bruxas. Atualmente, há um sacerdote estadunidense da Tradição Gardneriana, Donald Hudson Frew, que estuda as semelhanças litúrgicas entre a Tradição Gardneriana, da Bruxaria Moderna, e os antigos Clãs Platônico e Pitagórico, da Bruxaria Clássica, embora que de uma maneira um tanto distorcida, apesar de que seus apontamentos sejam válidos quanto ao surgimento da Ordem Rosacruz e da Maçonaria no seio da Bruxaria Medieval e da religião Islâmica Druso-sufi, os quais mantinham os conhecimentos antigos das Bruxas ou Iniciados que haviam se refugiado do Império Romano ao Oriente, com a oficialização do Cristianismo e proibição das antigas religiões pagãs, motivo pelo qual os Templários e mais tarde o Fráter "Christian Rosenkreutz" ou Basilius Valentinus seguiram para a região do Oriente Médio rebuscar o conhecimento antigo. 


Gerald Brosseau Gardner, no entanto, também foi ordenado padre da Igreja Britânica Antiga ("Ancient British Church"), que trata-se do ramo britânico do Cristianismo Veterocatólico. Annie Wood Besant — reencarnação da bruxa Hypatia e do bruxo Giordano Bruno, ambos mortos pela Igreja Cristã (vide o Clã Platônico no tópico da galeria: "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade"— foi mãe de Mabel Emily Besant-Scott (integrante da Ordem Rosacruz Irmandade de Crotona) que, juntamente com os ocultistas Marie Russak e James Ingall Wedgwood, fundou a Ordem do Templo da Rosa-cruz ("Order of the Temple of the Rosy Cross"), de doze membros, no entanto, as atividades da Ordem tiveram que ser suspensas no início da Primeira Guerra Mundial, pois, também, haviam conflitos internos entre membros que desejavam instituir novas concepções teosofistas e membros tradicionais da Ordem Rosacruz. Com a dissolução da Ordem, Annie Wood Besant integrou-se à Sociedade Teosófica ("Theosophical Society") de Helena Petrovna Blavatsky e, ao mesmo tempo, da mesma forma que a "Sociedade Londrina de Pesquisas Psíquicas", passou a tecer críticas contra a Sociedade Teosófica, principalmente à de William Quan Judge, por fraude e falsificação de canalizações espiritualistas, o que, mais tarde, levou Annie Wood Besant a tornar-se a própria presidente da Sociedade Teosófica (e que, mais tarde, estabelecera-se na Índia, para instruir Jiddy Krishnamurti [reencarnação de Alcyone], o crítico anti-conservador indiano), ao passo que parte da Sociedade Teosófica se dividiu e foi liderada pela Loja de William Quan Judge, que tornou-se instituição independente da Sociedade Teosófica propriamente dita. Também, a própria 
Helena Petrovna Blavatsky, por identificação com o antigo conhecimento da Bruxaria, estabeleceu relação próxima com Henry Steel Olcott 
(
reencarnação de Nimrod ou Ninus, o instituidor do Clã Zurvanita/Mitraico; de Zoroastres ou Zarathustra, Iniciado do Clã Mitraico/Zurvanita e que deu origem à religião Zoroástrica e se infiltrou entre os hebreus para restaurar o Templo de Salomon; de Gautama Sphendadates ou Siddhartha Gautama, do qual surgiu a religião Budista; que, depois, reencarnou como Manichaeus, Magister de linhagem Maniqueia no Clã Zurvanita/Mitraico e que fora morto pelos Zoroastristas; como Eckart Von Hochheim o Meister, Magister de linhagem Maniqueia no Clã Zurvanita/Mitraico e que se infiltrou na Ordem Dominicana para não ser acusado de heresia, apesar de que fora perseguido pela Inquisiçãocomo Johannes Heidenberg Trithemius, Iniciado da Ordem Rosacruz medieval; como John Dee, Iniciado da Ordem Rosacruz moderna; e como Henry Olcott, instituidor da Sociedade Teosófica e restaurador da religião Budista) que, sendo restaurador da religião Budista, proporcionou-lhe auxílio

Todavia, em encarnações anteriores, a própria Helena Petrovna Blavatsky, no Egito Antigo, havia sido Bruxa ou Iniciada por um alto-sacerdote do Clã Menfita, Ptahhotep (reencarnado atualmente no Brasil: vide o Clã Menfita no tópico da galeria, "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade"), o qual, por corrupção perversa, aprisionou-a,
 assim como também Elisabeth Haich, e pôs tais damas ao seu serviço degenerado; dando origem, mais tarde, à visões espiritualistas irreais e equivocadas reproduzidas dentro de Ordens Ocultistas modernas, como as opiniões idolátricas que ocasionaram em "venerações de Gurus" e em descriteriosas canalizações de mensagens de quaisquer espíritos ou de um "Ashtar Sheran" (afamado como "ser de luz", quando se tratava de um feiticeiro ou malfeitor enganando) e a de que a magia sexual ou coito sacramental seria uma forma de "magia maléfica"; pois, no caso do coito mágico-alquímico, apenas pode vir a se caracterizar como magia maléfica quando há a excessividade ou libertinagem ou corrupção da sacralidade sexual, haja visto que a sacralidade sexual, quando vulgarizada ou tornada comum e desprovida de valor elevado, esta não produz o Elixir da Longa Vida e, em consequência, sua potência erótica e mágico-espiritual é diminuída, como diz o fráter e filósofo Basilius Valentinus: "É fato que as numerosas chuvas são prejudiciais aos frutos e que as secas excessivas não trazem nenhuma real perfeição". Ademais, as "Instruções de Ptahhotep" são armadilhas para esta mesma finalidade de aprisionamento que, movido por determinado ressentimento acerca da maldade dos mortais ou pessoas comuns, repete-a através de subterfúgios ou artimanhas; no entanto, os ensinamentos da Bruxaria são claros ao afirmar que, sem se purificar totalmente das coisas mortais e terrenas, não há nenhuma ascensão espiritual real; ao passo que, por outro lado, reconhece-se determinado mérito de Helena Petrovna Blavatsky ao revolucionar o Ocidente com a antiga sabedoria rosacruz ou teosofista – que chegou ao coração do Brasil, a Serra do Roncador, através de Percy Harrison Fawcett – e que, não obstante, fez tremer as bases arcônticas do fundamentalismo e da ignorância supersticiosa dos materialistas ou bárbaros e da Igreja Cristã, a começar pelo momento em que fora batizada que, em contraposição, a túnica do padre Cristão parcialmente pegou fogoNeste aspecto, o magus ou majestade George Alexander Sullivan, ao falar do "Mestre Desconhecido"  considerando que Helena Petrovna Blavatsky, por motivos óbvios às Bruxas e Iniciados, não descreveu este santíssimo profeta da Grande Fraternidade ou Arte dos Sábios , enfatiza que:


"Em triplos números secretos eu declarei; Para aqueles que não se atrevem a correr, antes caminhavam [os seguidores, os Cristãos; portanto, estes ensinamentos públicos são dirigidos, não às Bruxas e Iniciados ou àqueles que almejam o heroísmo ou santificação, mas, sobretudo, ao 'despertar do sono de Cristão']. Mas aqueles que caminharam, alguns segredos estranhos tinham compartilhado [a origem bruxesca de Jesus, que fora ensinado pelos Reis Magos, da Bruxaria Clássica]; Enquanto aqueles que correram [as Bruxas e Iniciados] foram, de uma Velha Raposa [o Papa ou ocupante do trono de Pedro, abominado tanto pela Bruxaria quanto pela Ordem Rosacruz original], perseguidos." (SULLIVAN, George A.).

Porém, opondo-se à determinados ocultistas ou sofistas que criticavam os fundamentalistas Cristãos e, concomitantemente, continuavam a reproduzir superstições e charlatanismo, o "Mestre Desconhecido" buscou orientar as pessoas para a verdade e o bem comum, de acordo com a bruxesca Lei do Justo. 
Enquanto isso, outros membros da Ordem do Templo da Rosa-cruz, como Marie Russak, fundou nos Estados Unidos da América o Instituto de Teosofia Krotona ("Krotona Institute of Theosophy") e estabeleceu contato com Harvey Spencer Lewis (o qual possuía amizade próxima com Aleister Crowley e os dois, envolvidos em determinado nível com magia maléfica, eram rivais de Paschal Beverly Randolph e sua "Societas Rosae-Crucis"), na Califórnia, ajudando-o na formulação dos conhecimentos e rituais da Antiga e Mística Ordem Rosacruz ("Ancient Mystical Order Rosae Crucis"), mais conhecida por sua sigla "AMORC" (a qual alega equivocadamente que o primeiro líder Rosacruz fora Akhenaton, quando, de fato, este faraó realizou perseguição e aprisionamento dos antigos Iniciados da Arte dos Sábios no Egito e, em contraposição à tradição iniciática do supliciado Tutmosis III, Akhenaton criou a primeira religião monoteísta amarniana, o Atonismo que, por meio de Tutankhamon, deu origem ao Judaísmo); ao passo que James Ingall Wedgwood, também ex-integrante da Ordem do Templo da Rosa-cruz, passou a recrutar sacerdotes na Igreja Britânica Antiga com Charles Webster Leadbeater (reencarnação de Orion), mas, todavia, tal facção desta Igreja foi dedicada aos conhecimentos esotéricos do Cristianismo, bem como com foco na santificação de São Albano, o que, por sua vez, levou o nome de Igreja Católica Liberal ("Liberal Catholic Church"), da qual Gerald Brosseau Gardner também fora membro. Desta forma, tal Igreja Britânica Antiga, que fora reformada conforme os ensinamentos esotéricos, influenciou, também, a Bruxa e ocultista da Sociedade Teosófica, Dion Fortune. Neste sentido, Gerald Brosseau Gardner, interessado no passado histórico-religioso da Grã-Bretanha, recebeu o treinamento esotérico da Igreja (assim como Maxine Sanders), uma vez que estes conhecimentos esotéricos incluíam-se intersecções particulares com a Bruxaria. Neste mesmo sentido, Gerald Brosseau Gardner tornou-se membro da Ordem Druida Antiga ("Ancient Druid Order"), na perspectiva de obter maior conhecimento da Druidaria (Bruxas que possuem os Três Graus Iniciáticos da Bruxaria: vide o tópico da galeria, "O Que é um Conventículo?"), a qual, por sua vez, não deve ser confundida com Celtismo. Também, Gerald Brosseau Gardner era amigo da Bruxa Madeline Sylvia Royals-Montalban (reencarnação de Richard III), a qual possuía uma relação próxima com Gerald Brosseau Gardner e que, portanto, editou em 1949 os manuscritos da obra "Com o Auxílio da Alta Magia"

Contudo, por outro lado, Madeline Sylvia Royals-Montalban era contra, tanto que sua personalidade fosse conhecida popularmente como Bruxa quanto que Gerald Brosseau Gardner divulgasse a Bruxaria ao público, concepção que perdurou até o final de sua vida, resultando em críticas. Além disso, Gerald Brosseau Gardner descreveu que "ao contrário de muitos dos outros [membros aprendizes da Ordem Rosacruz][as Bruxas] tiveram que ganhar a vida, foram alegres e otimistas e tiveram um verdadeiro interesse pelo ocultismo [isto é, pela Filosofia ou Misticismo Rosacruz, o que muitas pessoas chamam na atualidade de "ocultismo", mas que se trata nada mais do que o estudo dos segredos da natureza e das leis do cosmos com foco no pomo cardíaco ou, como dizem os orientais, no "caminho do meio"]". Gerald Brosseau Gardner, também, diz que "[...] realmente gosto muito deles [dos Bruxos da Ordem Rosacruz ou das Bruxas]e que, não obstante, "[...] teria ido através do inferno e da água profunda, apesar disso, para qualquer um deles [dos Bruxos da Ordem Rosacruz ou das Bruxas]". Desta maneira, Gerald Brosseau Gardner disse que o sacerdócio das Bruxas e o sacerdócio dos Druidas eram irmãos; pois, a Druidaria (ou Iniciação das Dríades) eram as Bruxas e Iniciados que possuíam os Três Graus Iniciáticos da Bruxaria. Não obstante, 
o Cristão Gnóstico e ocultista rosacruz Gérard Anaclet Vincent Encausse Papus, que preservou a teurgia ou manifestação de Deuses através da Sociedade dos Filósofos Desconhecidos ou Ordem Martinista ("Ordre Martiniste") dentro do cerne da mencionada Ordem Rosacruz-AMORC, foi discípulo de Alexandre Saint-Yves d'Alveydre (o herdeiro do Bruxo, Druida e Filósofo rosacruz Antoine Fabre d'Olivet, o qual fora acusado de heresia pela Igreja Católica) e Mestre do ocultista rosacruz Marie Victor Stanislas de Guaita, o qual fundou a Ordem Cabalística da Rosacruz ("L'Ordre Kabbalistique de la Rose-Croix") e que, portanto, era chamado de "O Príncipe dos Rosacruzes", refirma a origem da Maçonaria e da Ordem Rosacruz no próprio seio da Bruxaria, c
omo enfatizam suas palavras:


“Montan, Manes [Manichaeus], Valentin, Marcos, Ario [Ario? Um equívoco!], todos os heresiarcas dos primeiros tempos [dos primeiros tempos Cristãos] apresentam-se, em maior ou menor grau, como Bruxos [pois, embora muitos o neguem, Jesus Cristo teve sua iniciação na velha Bruxaria, como nos Clãs Mitraico Naasseno e Isíaco-osiriano, da Bruxaria Clássica, e fora profundamente influenciado pela filosofia pagã mística/bruxesca do Clã Socrático Platônico e Estoico, também da Bruxaria Clássica; apesar de que o Cristianismo, através da influência hebraica em Jesus Cristo e em suas encarnações anteriores, possui foco no nacionalismo israelita e na religião judaica]. Entretanto – com exceção dos teósofos de Alexandria – foi somente Apuleios (114-190), platônico como eles, que fez jus, nessa época, ao título de adepto. Seu ‘Asno de Ouro’, em que o burlesco roça o sublime, dissimula, através de engenhosos emblemas, as mais altas verdades da ciência [ciência filosófica ou ocultista], e a fábula de ‘Psyche’, contida nessa sua obra, nada deixa dever aos mais belos mitos de Aiskhylos ou de Homeros. Tudo leva a crer, aliás, que Apuleios se ateve a parafrasear com gosto uma alegoria de origem egípcia. Oriundo de Mandaura, na África, Apuleios é romano apenas por direito de conquista e anexação. [...] No caso da República e do Império de Roma, o caráter perpetuamente anárquico e nemrodiano [despótico] que acusaram em todas as circunstâncias refuta, por si só, a hipótese de uma iniciação a nível de governo. O único rei genuinamente ‘mago’, de quem se podem orgulhar os filhos da Loba foi Numa Pompilius (714-671), um nazareno [reencarnação de Serapis, do Clã Menfita, que reencarnou novamente como Socrates] dos tempos da Etrúria que as nações circunvizinhas impuseram à Roma nascente. 


Mais tarde, Julianus, o filósofo (360-363)
, figura também como adepto nos faustos do Império. No entanto, nascido em Constantinopla, proclamado Caesar pelos gauleses de Lutécia (360), ele é também, por seu turno, muito menos romano. Assim, dois são os soberanos iniciados [isto é, adeptos da Bruxaria que alcançaram um alto nível de desenvolvimento mágico-espiritual] da cidade eterna: em seus primórdios, um rei, Numa Pompilius [reencarnação de Serapis, instituidor do Clã Menfita e que, mais tarde, reencarnou como Socrates, instituidor do Clã Socrático-platônico, e como Lucius Annaeus Seneca, membro do Clã Mitraico]; já em seu declínio, Julianus, o Sábio, um imperador [reencarnação de Salomon o Azazel/Azizos, Iniciado dos Clãs Adonista e Amonita e que recebia honrarias entre os povos hebreus; de Alexandre o Magno, Iniciado do Clã Amonita; de Caius Iulius Caesar, Iniciado do Clã Lupercal; que reencarnaria, depois, como Charles Magno, co-instituidor da Bruxaria Medieval Pentárquica e instituidor do Sacro Império Romano; e como Napoléon Bonaparte, co-instituidor da co-Maçônica Bruxaria de Mênfis-Misraim, formalizador de base da neotemplária Ordem Militar Suprema do Templo de Jerusalém e que aboliu a Inquisição Espanhola]. Entre os dois, a guerra civil, a extorsão e o arbítrio. Esses gauleses que Roma chamou de bárbaros são povos verdadeiramente mais livres e civilizados. Seus Druidas, herdeiros diretos dos hierofantes ocitanos da teocracia do Carneiro [um Clã de Bruxas de origem na Trácia: o Clã Sabático/Órfico], perpetuam-lhes a tradição e transmitem uns aos outros, regularmente, o depósito da ciência sagrada. Alguns preceitos de seu ritual são interpretados, com efeito, em um sentido antropomórfico, errôneo, mas a inteligência do dogma, ao que parece, conservou-se integralmente nas mãos dos sacerdotes, distanciados, contudo, dos grandes centros de civilização e ortodoxia. Não obstante, na Gália, como em outros lugares, a Bruxaria recruta suas vestais [...]. Sob os primeiros reis da França, pululam encantadores e Bruxas. Só se fala de necromantes que oferecem a hospitalidade de seu corpo ao Demônio [refere-se ao Deus Cornífero das Bruxas, pois o Deus Dionysos havia o título pagão de "Daemonos" ou "Agathos Daimon"], de clérigos que exorcizam o Diabo, de verdugos que queimam ou enforcam necromantes. 


É especialmente em honra dos Bruxos que Carlos Magno [que era B
ruxo e reencarnação de Salomon o Azazel/Azizos, Iniciado dos Clãs Adonista e Amonita e que recebia honrarias entre os povos hebreus; de Alexandre o Magno, Iniciado do Clã Amonita; de Caius Iulius Caesar, Iniciado do Clã Lupercal; de Flavius Claudius Iulianus, Iniciado dos Clãs Platônico e Eleusino; e que reencarnaria, depois, como Napoléon Bonaparte, co-instituidor da co-Maçônica Bruxaria de Mênfis-Misraim, formalizador de base da neotemplária Ordem Militar Suprema do Templo de Jerusalém e que aboliu a Inquisição Espanholainstitui, sob o nome de Santa Veeme (772) [antiga Ordem bruxesca chamada de "Liga da Corte Sagrada", mais conhecida como "Santa Veeme", que constituía-se em um tribunal pagão semi-matriarcal, liderado por Bruxas de vários clãs, como do antigo Clã Telquino, da Bruxaria Clássica, principalmente na Alemanha medieval, embora também havia na França, nas Ilhas Britânicas, na Itália, na Grécia, etc.
; Todavia, Stanislas de Guaita se confunde aqui, pois, o que Carlos Magno co-instituiu – a partir de sua existência anterior como Flavius Claudius Iulianus, honrado como "Divus Iulianus" ou "Christus Domini"– fora, não a Santa Veeme, mas, a própria Bruxaria Medieval Pentárquica e o restaurado Sacro Império Romano], essa terrível sociedade secreta que, sancionada novamente pelo rei Roberto (1404) 
[Robert III ou John Stewart, da Escócia], aterrorizará mais de trinta gerações. [...] Eu não teria reservas em descrever aqui – após tantas outras! – as orgias priápicas e sádicas do Sabá [...]. Lendo o processo de Gilles de Laval [mais conhecido como "Gilles de Rais", que era famoso como alquimista e amigo íntimo de Santa Jeanne D’Arc, a bruxa de Orleans, queimada na fogueira da Inquisição em 1431], senhor de Retz, os cabelos se eriçam e a náusea sobe aos lábios. [...] Talvez se tenha exagerado o papel do magnetismo e das influências ocultas nas obras do Sabá [...]. Uma doença fustigava todas as classes da sociedade: a monomania do Mistério e, assim, reuniões secretas organizavam-se por toda parte. O maravilhoso (e as pessoas eram tão ávidas dele!) decuplicara o prestígio de um suposto Sabá, em que os [...] pobres confraternizavam de modo estranho com os maiores senhores [vide Saturnalia; pois, Carlos Magno já afirmava que: Nada do que foi adquirido por meio da fraude têm chance de levar à libertação de sua alma; Deixe sua riqueza ser dividida entre os obreiros deste nosso edifício e entre os servos mais pobres de nosso palácio], fascinados pela curiosidade, mais forte que o orgulho. 


Em conventículos noturnos, aliás tão inocentes, sob o pretexto de cerimônias estranhas degustava-se o inefável prazer de andar a passo de lobo [isso é feito durante um dos Sabás, o Lupercalia, ao redor de um vilarejo ou cidade para expulsar os maus espíritos e feiticeiros], de trocar a senha com uma voz sepulcral e de correr grande risco de ser enforcado. Todavia, sem nenhum medo de semear o temor ou o estupor, desdenhando quando lhes era possível sem perigo, todo esse luxo de encenação, os verdadeiros Iniciados reuniam-se, também, e a Grande Isis [isto é, a Magistra, alta-sacerdotisa da Deusa Estelar] sentava-se no meio deles. Fundaram-se associações herméticas que deviam a rubricas forjadas o privilégio de uma segurança relativa. Citaremos, de memória, a Ordem dos Templários (ninguém ignora sua origem e seu fim trágico); as confrarias da Rosa-Cruz e dos Filósofos Desconhecidos ["Sociedade dos Filósofos Desconhecidos" eram chamados os membros das primeiras lojas da Ordem Martinista, a qual, com a submissão de maior parte da Tradição Martinista à autoridade superior da Ordem Rosacruz AMORC,
 tornou-se religiosamente não sectária e/ou cristianizou-se parcialmente], sobre as quais a história, por outro lado, diz pouca coisa e, finalmente, a Franco-Maçonaria oculta, prolongamento mais ou menos direto da Ordem do Templo, iniciada, segundo consta, por Jacques De Molay [isso me faz lembrar de "Jack, o Ferreiro" ou "Jack da Lanterna", das lendas populares de Halloween], antes de subir à fogueira. Mas a moderna Franco-Maçonaria – sonho de algum Ashmole [Elias Ashmole, reconfigurador da Maçonaria, membro da Sociedade Real] em delírio, cepo bastardo e mal enxertado no antigo tronco – já não tem consciência dos seus mistérios inferiores. Os velhos símbolos que ela reverencia e que transmite numa piedosa rotina, tornaram-se, para ela, letra morta: é uma língua da qual ela perdeu o alfabeto. Seus afilhados, assim, nem mais suspeitam de onde vêm e para onde vão" (STANISLAS DE GUAITA, M. V., 1985, p. 13-15).


Além disso, a Sociedade dos Filósofos Desconhecidos ou Ordem Martinista, majoritariamente integrante da Ordem Rosacruz-AMORC, definida pela Portaria da Ordem Martinista Tradicional Primitiva, diz:

"I - O.M.T.P. É um grupo espiritualista ligando fraternalmente à todos aqueles que apoiam a necessidade de redenção individual e coletiva, com base nos ensinamentos de Martines de Pasqually e Louis Claude de Saint Martin; II - De acordo com os ensinamentos de Martines de Pasqually e Louis Claude de Saint Martin, ele reconhece a verdade da queda [queda ontológica de Prometheus ou Atum/Aton] e afirma a necessidade de que a reconciliação do homem [mortal] com o seu Princípio [imortal]III - A O.M.T.P. está próxima da tradição Cristã, como o que ela contém o "verdadeiro e universal Colégio Alexandrino", mas não pode aderir à qualquer exoterismo, independentemente de quem seja e o que for. A herança iniciática preservada e transmitida pela O.M.T.P. é um espiritualismo transcendente. A O.M.T.P. respeita as diferentes formas de tradição que são apenas formas fragmentadas da Tradição Primordial [a Antiga Religião]. Como bem diz o nosso irmão Robert Amadou: "Não é, como na antiga Teurgia, ou Teurgia da Idade Média, nem, ou somente, uma operação que trabalha com os Anjos para fins pessoais ou para outros benefícios, mas está para cumprir o culto primitivo, para celebrar o culto primitivo". E é aqui, como indicado por R. Amadou e como indicado pelo apelido da nossa Ordem Martinista Tradicional e Primitiva, onde está a chave. Martines Pasqually em seu "Tratado sobre a Reintegração dos Seres" não usa a palavra Teurgia. Embora seja verdade que emprega a teurgia e ensina um culto teúrgico. No entanto, discute um culto, um culto que é o culto primitivo. Um culto primitivo que remonta a Noah [ou Deucalion, período em que houve a Queda da Atlântida ou Troia ou Torre de Babel, resultado da guerra atlante em que o corrupto Ares/Ahriman/Seth, aliciando a esposa do demiurgos Naamah/Ninmah/Niamh/Nemesis a Aphrodite Pandemos/Zerynthia Kale/Sarah Kali, traiu à Tubalcain com sete pragas e uma perturbação versus as forças benéficas de Hermes Trismegistos/Hormazd, filho-irmão de Tubalcain que fundou a Bruxaria ou Arte dos Sábios] ou mesmo para além de Noah, que remonta a Adam [o Prometheus ou Atum/Aton/Eetion, período em que os Anjos, como o arquiteto do mundo ou demiurgos Tubalcain, desceram à terra e que, tornando-se reis santificados, deram início à humanidade e à civilização atlante]. E esse culto é destinado a alcançar a reconciliação individual. Mas essa reconciliação não seria perfeita para cada homem, até que o mundo todo não esteja reintegrado. Bem entendido que a reintegração da matéria é inexistente, uma vez que sendo o seu princípio inexistente, esta reintegração não pode ter lugar na ausência, ou seja, tudo desaparecerá, exceto as formas transmutadas" (COLOMO, Rosalía).


Assim, Gerald Brosseau Gardner esteve relacionado, também, à Ordem do Templo Oriental ("Ordo Templi Orientis"), um grupo co-maçônico instituído por Carl Kellner, a partir da 
rosacruz Fraternidade Hermética da Luz ("Hermetic Brotherhood of Light"), instituída por Frates Lucis (membro da Ordem do Ouro e da Rosa-cruz ["Order of the Golden and Rosy-Cross"], de Hermann Fictuld).
 Mas, no caso da Ordem do Templo Oriental, Gerald Brosseau Gardner conheceu Aleister Crowley, um influente ocultista que era líder de uma loja desta Ordem e que concedeu à Gerald Brosseau Gardner o poder honorário de representá-la na Inglaterra e em toda a Europa ocidental. Kenneth Grant, amigo próximo de Aleister Crowley, diz que em determinada ocasião, juntamente com Aleister Crowley e Gerald Brosseau Gardner, foram realizar rituais na casa de uma dama de nome "Sra Sul" (Madeline Sylvia Royals-Montalban). Outro grupo degenerado que Aleister Crowley pertencia, tratava-se da Ordem Hermética da Aurora Dourada ("Hermetic Order of the Golden Dawn"), a qual foi fundada por William Wynn Westcott e liderada por Samuel Liddell MacGregor Mathers — com o fechamento da co-maçônica moderna "Sociedade Rosacruz da Anglia" ("Societas Rosicruciana in Anglia"), advinda da mencionada Ordem do Ouro e da Rosa-cruz —, que constituía-se uma extensão da instituição ocultista alemã denominada "O Crepúsculo Dourado" ("Die Goldene Dammerung"), governada por Anna Sprengel; no entanto, com a dissolução da Ordem Hermética da Aurora Dourada, seu fundador se associou à Sociedade Teosófica. Por outro lado, Samuel Liddell MacGregor Mathers era amigo próximo de Henri Antoine Jules-Bois, um seguidor — assim como Joris-Karl Huysmans — do sacerdote Cristão Católico Satanista Joseph-Antoine Boullan, o qual, depois de obter conhecimento iniciático com Marie Victor Stanislas de Guaita e sua Ordem Cabalística da Rosacruz, traiu seus votos iniciáticos com este e, em consequência, tal Cristão Católico Satanista recebeu automaticamente a sentença iniciática de morte, por sua traição e apelo à feitiços ou goétia e satanismo, postura inaceitável própria de feiticeiro ou malfeitor. 

Não muito diferente, Aleister Crowley, ao fundar a Igreja Católica Thelêmica, buscou ampliar a filosofia do "Fazes O Que Quiseres" e fez questão de publicar alguns conhecimentos antigos, principalmente sob a ótica de seu Catolicismo Thelêmico; porém, é insignificante propagar externamente os nomes dos Deuses e, em contraposição, internamente, estar vazio Deles e distorcê-Los a ponto de apelar à feitiços ou goétia e satanismo, como se os Deuses, considerando suas elevadas deidades que são, fossem a favor de práticas malfazejas e da imperdoável corrupção mágico-espiritual: como os Ensaios de Francis Bacon, em 1625, dizem: "Um pouco de Filosofia [incluindo Magia, Alquimia, Astrologia etc, visto que a Filosofia incluía tais ciências e outras] leva a mente humana ao ateísmo [isto é, ao desvirtuamento do rumo ao divino, o que acarreta na corrupção], mas, a profundidade da Filosofia, leva-a para a religião". No entanto, a mensagem libertina do "Fazes O Que Quiseres" não foi criada por Aleister Crowley, visto que, ainda no século XVIII, era propagada a deturpada expressão "Faça O Que Tu Queres" ("Fais Ce Que Tu Voundras"), inventada por uma Ordem bruxesca 
— Clube Fogo do Inferno ("Hellfire Club") ou Ordem dos Fratres de São Francis de Wycombe ("Order of the Friars of St Francis of Wycombe") ou, ainda, Ordem dos Cavaleiros do Oeste de Wycombe ("Order of Knights of West Wycombe"), grupo de doze membros da nobreza britânica em que praticavam magia sexual e adoravam os Deuses das bruxas (Dionysos, Flora/Venus e Priapus) em uma Ermida inglesa de labirintos iniciáticos construídos com base nos modelos da Antiga Grécia e Roma que se estendiam cerca de 500 metros no subsolo —, todavia, o propagador deste pensamento degenerado era conhecido como Francis Dashwood, que fora considerado como um "santo" ou "herói" por seus discípulos e, em contraposição ao fato de não o ser realmente, fora acusado pelos seus oponentes de prática de libertinagem, diabolismo ou satanismo e feitiços ou goétia; pois, tal expressão filosófica se tratava de uma deturpação do dogma ou conselho semi-libertário ensinado por Pythagoras (livre de qualquer degeneração ou engôdo).

Também, deve-se considerar que Gerald Brosseau Gardner afirmava ter participado com as Bruxas de rituais mágicos, no final da Segunda Guerra Mundial, que buscavam impedir a invasão das forças alemãs nazistas às Ilhas Britânicas, evento que ficou conhecido como a Batalha Mágica da Grã-Bretanha ("Magical Battle of Britain"), também abordada pela bruxa e teosofista Dion Fortune, em "A Batalha Mágica da Grã-Bretanha". Dion Fortune, a partir de seu aprendizado na "Ordem Rosacruz do Alpha et Omega" (ramificação dissidente da Ordem Hermética da Aurora Dourada) e na "Sociedade Teosófica", instituiu uma Ordem ocultista chamada "Fraternidade da Luz Interior" ("Fraternity of the Inner Light") ou "Sociedade da Luz Interior" ("Society of the Inner Light"). 
Além disso, em Nova Floresta haviam outros grupos que tinham tido influências diretas ou indiretamente da Bruxaria, como é o caso da Ordem de Cavalaria Artes da Mata ("Order of Woodcraft Chivalry"), um movimento de cavalaria e de escotismo ou milícia da mata, começado por Ernest Westlake em 1916, em que buscava prezar pelos antigos valores de virtude, respeito, conservação e naturismo. Como tal Ordem de Cavalaria não constituía-se um grupo religioso, mas de escotismo ou milícia da mata, haviam tanto Cristãos quanto Pagãos. Os pagãos que a frequentava e o próprio Ernest Westlake adoravam os antigos Deuses bruxescos (Pan, Arthemis e Dionysos) e viam as mulheres como sendo encarnações divinas para serem "adoradas em espírito e em verdade", além de reverenciarem Jack O Verde do folclore britânico como sendo o mesmo do Deus Dionysos. Ernest Westlake e os membros pagãos da Ordem, ao norte de Nova Floresta celebraram, em 1921, o festival pagão Lammas, a partir da nudez ritualística de alguns participantes, com o fogo sagrado aceso ao meio e com quatro representantes vestindo a cor do elemento natural correlacionado de cada trimestre e saudando-os de norte à oeste (movimento habitual ao velho costume da Bruxaria Medieval) e realizando rituais ao estilo dos rituais bruxescos ou maçônicos. Ernest Westlake possuía opinião de um sincretismo religioso entre o Cristianismo e as antigas religiões pagãs, afirmando que "[...] é preciso ser um bom pagão antes que se possa ser um bom cristão", ensinando enganosamente que, após a ressurreição de Jesus Cristo, Cristo — palavra originalmente pagã greco-egípcia "Kharistos" ou "Eucaristos" utilizada em tempos antigos pelos faraós egípcios — teria "se dissolvido à natureza" (quando, de fato, Cristos ou "Kharistos", sendo o estado de "Kharis" ou Graça, jamais consiste em mortalidade e, por ser o estado de santidade ou heroísmo, permanece imortal e sem possibilidade de dissolver-se à matéria).


Em 1925, o Ocultista e Bruxo alemão, Franz Sättler, tentou reavivar o antigo Clã Adonista (vide o Clã Adonista no tópico da galeria: "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade"), depois de descobrir que uma antiga religião secreta que fora marginalizada pelo Cristianismo e acusada de adorar o "Demônio" — isto é, a Bruxaria  havia tido origem na região do Oriente Médio em um tempo remoto da antiguidade e que, não obstante, esta religião antiga possuía foco na prática da Magia Sexual, declarando que centrava-se na adoração de dois Deuses que haviam surgido do grande vazio, o Deus Cornífero Belus e a Deusa Estelar Biltis, assim como no Filho Divino Adonis que, real e metaforicamente, possui um irmão rival chamado Molchos (vide: os Gêmeos Rivais), e na honraria à sua esposa-irmã, a Donzela do Mar (Dido). Neste sentido, Franz Sattler fundou um Clã moderno de Bruxas, a "Sociedade Adonística" ("Adonistischen Gesellschaft"), levando a publicar diversos livros pela Europa, principalmente na Alemanha, onde contou com discípulos, como Friedrich Wilhelm Quintscher e Franz Bardon (reencarnação de Apollonios de Tiana, do antigo Clã Pitagórico), influenciando o sofista Friedrich Wilhelm Nietzsche que, por sua vez, utilizou-se de doxas sofísticas para justificar a prática de libertinagem
 e influenciar o surgimento do nazismoTodavia, o pensamento de Franz Sattler se deixou influenciar pelo rivalismo das religiões amarniano-mosaicas, ao introduzir a crença fundamentalista de que o Filho Divino em sua face de Molchos seria definitivamente um ser malévolo, isto é, sem evolução, pois, o simbolismo pagão deste mito entre Molchos/Molek Zedek e Adonis/Adonai concerne uma antiga sabedoria oculta e profunda, muito diferente da superficial e fraudulenta justificativa de rivalismo religioso alegada por Franz Sattler que, além de dar margens para interpretações falsas e corruptas, como prática de libertinagem, feitiços ou goétia e satanismo, está aberrantemente equivocada e anti-bruxesca. Em resumo, até aqui verifica-se que a maioria — se não todos — os grupos em que Gerald Brosseau Gardner e seus associados obtiveram contato constituíam-se lojas da Maçonaria e/ou, principalmente, fraternidades da Ordem Rosacruz: ambos estes grupos filosóficos e/ou bruxescos estavam relacionados à maestria do Magus George Alexander Sullivan e, principalmente, à maestria de outro Magus ou Majestade de Bruxas chamado de "Mestre Desconhecido" que deu origem às mais nobres Bruxas e Iniciados no Ocidente, bem como em suas encarnações anteriores, ao promoverem tanto a Bruxaria quanto a autêntica Filosofia ou Misticismo Rosacruz




No entanto, Gerald Brosseau Gardner cita, no livro "A Bruxaria Hoje", que: "Cada grupo de Bruxas é independente e, durante a perseguição feroz, os membros de alguns podem ter usado algum tipo de pacto para uni-los [aqui Gerald Brosseau Gardner refere-se ao início da era cristã, em que os Clãs da Bruxaria que ainda sobreviviam se reuniram em Roma, pois, com a oficialização do Cristianismo como religião oficial no Ocidente e a proibição dos templos pagãos e início das perseguições aos Iniciados e Bruxas, o último imperador pagão Flavius Claudius Iulianus adepto da Arte dos Sábios ou Bruxaria , chamado de "Apostata" pelos Cristãos, fez propagandas contra o autoritarismo Cristão e promoveu os antigos Clãs da "Mysteria" ou Bruxaria que, conjuntamente com o filósofo Flavius Sallustius, reuniu tais Clãs ou Fraternidades sob o pacto do "Divus Iulianus", que fundara em sua existência posterior como Carlos Magno, juntamente com o seu vizir profeta das amazonas/amazigues Ishaq-ismail L'Atahiyya, a Bruxaria Medieval Pentárquica, que havia formato de Pentarquia ou cortes de Cinco Clãs, surgindo uma visão supersticiosa e estereotipada, na idade média, de que as Bruxas faziam pacto com o "Diabo", quando, na real, as Bruxas o viam o "Divus" ou "Dibus", assim como os antigos pagãos romanos, como sendo um rei santificado ou o próprio Magus ou Majestade companheiro da Rainha das Bruxas, que transbordava em divindade e bondade e, portanto, passível de ser honrado como aquele que se aproximou da divindade]: mas não seria uma associação diabólica, porque isso teria os mais desastrosos resultados se fosse descoberto. Quando o Clube do Fogo do Inferno estava em voga entre os livres-pensadores, há cerca de duzentos anos, é possível que houvesse algumas bruxas entre eles e que elas pudessem ter ajudado a construir alguns dos rituais que eram um pouco zombeteiros e que incluíam pactos. Mas também é verdade que pode ter havido padeiros, açougueiros e fabricantes de velas que poderiam ter feito o mesmo, o que não significaria que todos os membros dessas classes concluiriam pactos com o diabo. Membros desses clubes estavam interessados em coisas fálicas, assim como Aleister Crowley há cinqüenta anos. Ele pertencia ao Culto das Bruxas; certamente o conhecia e pode ter ajudado a reconstruir rituais [neste ponto Gerald Brosseau Gardner refere-se à sua saída do Conventículo de Nova Floresta que, como aponta Eleanor Bone, adquiriu um conhecimento incompleto acerca da Bruxaria, devido ao fato de ter aprendido apenas um Grau da Bruxaria, o que, em consequência, levou à obter informações e conhecimento com o feiticeiro ou malfeitor Aleister Crowley e sua Ordem do Templo Oriental]. Se o fez, manteve seus juramentos de silêncio e nunca deu nenhuma pista em nenhum de seus escritos".


Em seguida, Gerald Brosseau Gardner continua: "Nos tempos antigos, provavelmente muitos magos, entre estudiosos e homens cultos, antes e durante a queda de Bizâncio, vieram no Ocidente e podem ter travado contato com o Culto [aqui Gerald Brosseau Gardner refere-se à discreta Loja ou Ateliê de Marsilius Ficinus, isto é, as oficinas de estudo em Academia ou Colégio de "círculo externo" ou "ordem exotérica" ante-conventicular, instituída pelo Alto-sacerdote ou Mestre constantinopolitano Georgius Gemistus Plethon na Itália entre o final da idade média e o início do período do renascimento e que, em consequência disso, o bruxo e filósofo Francis Bacon viajou até a Itália para compartilhar a Filosofia antiga, bem como do antigo Clã Socrático-platônico que, através dos artesões e pintores italianos, expressavam e gravavam o antigo conhecimento das Bruxas nas obras artísticas que, por incrível que pareça, apenas as Bruxas e Iniciados compreendiam inteligivelmente o que os leigos o viam deleitosa ou estranhamente como herético no pensamento Cristão]; também os homens que liam livros proibidos estariam capacitados a ir aos poucos lugares em que poderiam encontrar pessoas com mentes livres, as casas das Bruxas [neste ponto Gerald Brosseau Gardner se refere à Ordem Rosacruz original e ao tardio Clã Familista ou Caricio-familista que, assim como os Templários, faziam parte da Bruxaria Medieval Reformada]. Mais tarde, os Rosa-cruzes e os Maçons podem ter comparecido a essas reuniões. Eles podem não ter sabido que seus hospedeiros eram Bruxas em todos os casos, embora eles devam ter sabido que havia lugares em que podiam discutir coisas racionalmente sem medo de ser torturados e queimados. Há semelhanças com a Maçonaria em certas partes do rito que eu imagino não serem casuais, pois penso que uma influenciou a outra. E é provável que todas essas pessoas tenham trazido novas idéias ao Culto, mas acho que as únicas mudanças importantes foram feitas no tempo dos romanos, quando se travou contato com os mistérios [aqui diz respeito de quando os Clãs da Bruxaria se reuniram em Roma e a Bruxaria foi reconfigurada, como já citado, para manter-se viva], embora essas sejam apenas suposições minhas. Posso apenas julgar as evidências que foram encontradas". 


Procedentemente, Gerald Brosseau Gardner cita que: "A sociedade [ou fraternidade] no Culto significava tortura e morte se descoberta, mas prometia momentos de felicidade, um alívio parcial no ciclo diário de trabalho e tédio e descanso e camaradagem com o renascimento entre aqueles que ainda amavam este mundo – de fato, uma chance de coisas boas neste mundo e um salvamento do purgatório e do inferno no próximo. Elas acreditavam firmemente nisso e, portanto, arriscavam iniciar seus filhos. [...] O Culto parece usar uma numerologia grosseira [importante observar a postura de Gerald Brosseau Gardner] – não sei qual sua origem. Os números 3, 5, 8, 13 e 40 [ou, talvez, os números originais das Bruxas que Gerald chama de "grosseiros" fossem: 1, 1, 3, 5, 8, 13, 21, etc., como ensinado pelo antigo Clã Pitagórico e, segundo informações, também foi ensinado pela Ordem dos Templários, a qual tratava-se de um sexto ramo da Bruxaria, e por fim, na idade média, tal sequência numérica foi descrita por Leonardo Fibonacci] eram de boa sorte e todos tinham algum significado. Há três ferramentas de trabalho que são essenciais e nada pode ser feito sem elas; ou seja, algo para cortar e apunhalar, algo com que bater e algo para amarrar. Há cinco outras, cada uma das quais com seu uso especial e apenas necessárias quando um tipo particular de trabalho é realizado. Para uma iniciação, as oito devem estar presentes [na Bruxaria Medieval haviam Nove Instrumentos Mágicos de Altar, então, possivelmente, oito tenha sido uma forma alternativa ou desconhecimento do próprio Gerald Brosseau Gardner] e o iniciado aprende a usar e segurar uma de cada vez. Uma vez que três e cinco somam oito, muitas coisas devem ser em número de oito; mas oito e cinco somam treze, logo treze é outro bom número; mas já que cinco oitos, ou três grupos e uma líder, fazem quarenta, quarenta é um bom número e certas coisas devem ser em número de quarenta". 


Ademais, no Clã Pitagórico, da Bruxaria Clássica, havia um aprendiz italiano chamado Hippasus e que, depois de aprender, divulgou, em um tratado dos dogmas divinos, os segredos iniciáticos dos números irracionais ou impuros (as homeomerias de criaturas e anjos caídos que, por característica, estão imersas na impureza), traindo o Juramento de Segredo e, em consequência, poucos dias depois veio à morte no mar enquanto punição mágico-espiritual e/ou divina, da mesma forma que ocorria na Bruxaria Medieval Pentárquica. Porém, é óbvio que os Iniciados, tanto da Bruxaria Medieval Pentárquica como dos Clãs da Bruxaria Clássica, não "matavam" pessoas quando estas o traem a Bruxaria, pois, caso contrário, violariam a Lei de Justiça, o que ocorre, de fato, trata-se de uma ação autoaplicadora da punição de morte iniciática ou iniciático-física pelos próprios traidores, devido ao fato de que a morte é a sentença voluntariamente jurada entre as Bruxas e Iniciados se caso, estes, vir a trair a Bruxaria ou divulgar algum segredo iniciático proibido. Pois, quem possui ciência da gravidade ou intensidade de cada ato mágico-espiritual causado por uma pessoa desperta, possui, igualmente, conhecimento de que a única exceção em que se pode tratar publicamente de conhecimento iniciático e secreto é quando  nem mais nem menos, para quem realmente serve aos Deuses  obtém-se autorização para divulgar, visto que os conhecimentos secretos dos Divinos Mistérios ou Bruxaria não se tratam de mero conhecimento mundano ou individual de determinada pessoa nem sequer de entretenimento de criança, mas, sim, conhecimentos santificados e secretos do cosmos que, caso fossem divulgados, podem gerar eventos precipitados e catástrofes terríveis que, consequentemente, levariam tanto à ruína individual como à coletiva, bem como conflitos e rebeldias similares às da época em que desencadeou o Movimento Nazista na Alemanha sob a influência de sofistas e feiticeiros ou malfeitores (gerando, assim, maior pena ou fatalidade frente à justiça divina, o que, por si só, contraria a Lei de Hermes e a meta da Bruxaria). Enquanto isso, no caso de Iniciados que eram acusados de traição às Leis da Bruxaria e que, após a sentença, fosse considerado culpado, tal ato acarretava em sua expulsão da Bruxaria pelo próprio alto-sacerdote, situação em que as Bruxas e Iniciados construíam um tumulo com o nome do traidor expulso que, por meio de Magia Simpática, retornava ao mundo profano (como também ocorreu com Hippasus). Assim, em torno de Hippasus se desenvolveu uma seita externa e dissidente do Clã Pitagórico para boicotá-lo, em função de que Hippasus possuía conhecimento apenas do período pré-iniciático ou ante-grau de Acusmático ou Aprendiz, o que, nesta perspectiva, sabe-se que quando reencarnamos  evidente em Gerald Brosseau Gardner em que obteve parte ou "totalidade" de um Grau da Bruxaria (como atestou Eleanor Bone, a qual possuía amizade próxima com Edith Rose Woodford Grimes, a Rainha das Bruxas deste Clã)  a tendência em repetir as ações que foram realizadas no passado, por mais falhas que tenham sido, é sempre notável.


Contanto, além desses grupos de influência da Ordem Rosacruz, da Bruxaria Medieval Pentárquica e da Co-Maçonaria, havia em East Anglia um Clã de Bruxas Tradicionais atuando secretamente por meio de vários conventículos, cada qual compostos por trinta e seis membros, ou seja, três conventículos de doze membros reunidos em uma mega convenção de Bruxas, onde Lois Bourne foi iniciada pela alta-sacerdotisa Margo (de nome civil Monica English) e passou a liderar um conventículo em São Albano (falamos mais deste Clã no tópico da galeria: "A Velha Bruxaria na Inglaterra Moderna") que, conforme os velhos costumes bruxescos em que estão presentes neste Clã, descende da Bruxaria Medieval. Todavia, sugere-se que este Clã de East Anglia seja de fato uma facção do chamado Clã Caricio-familista ou Hoffmannita ("Familia Charitatis" em Latim), instituído em cerca de 1540 pelos bruxos alemães Hendrik Nicholis e David Joris (e seu alto-sacerdote anabaptista/rebatizador Melchior Hoffmann, do Clã Turlupin/Amauriciano/Proto-valdense da Bruxaria Medieval Reformada) 
que, com as acusações de "heresia" pela Igreja Católica, utilizaram-se de disfarces Cristãos ao mesmo tempo em que adoravam os Deuses bruxescos  como já faziam os iniciados da Ordem do Templo ao se disfarçar do título de "Pobres Cavalheiros de Cristo do Templo de Salomon"  e declaravam que a Bíblia fora escrita a partir da filosofia do Clã Socrático-platônico de Linhagem Estoica (vide: Lucius Annaeus Seneca, reencarnação de Socrates do Clã Socrático-platônico), cuja utilização do termo "conventículo" ("conventicle") às assembleias de Bruxas era de uso corrente, legando a palavra aos próprios Quacres ou Movimentos Reformistas e que, juntamente com os Clãs Fraticelo-guglielmita/Joaquimita e Turlupin/Amauriciano/Proto-valdense e a Ordem do Templo, constituiu-se numa forma de reformismo religioso na idade média tardia à Bruxaria Medieval Pentárquica, com a queda de maior parte da organização secreta das Bruxas. Este reformismo religioso medieval, em que o Clã Caricio-familista/Hoffmannita se solidificou, possui influência da pró-herética meditação quietista, originária na Linhagem Estoica do antigo Clã Socrático. Ainda, há o caso de Eleanor Bone (amiga próxima de Edith Rose Woodford-Grimes), que foi iniciada, em 1941, na Bruxaria da Cúmbria, um conventículo de Bruxas cumbrianas com velhos costumes e tradições também reminiscentes da Bruxaria Medieval Pentárquica.



Mas, no caso do bruxo Hendrik Nicholis, este fez algumas viagens pelos países europeus que, através da Academia de São Lucas  isto é, um discreto ateliê ou loja de "círculo externo" ou "ordem exotérica" de aprendizes teve como discípulos bruxos como Christophe Plantin [vide imagem acima], Abraham Ortelius, Pieter Bruegel e Christopher Vitell, o qual, em cerca de 1555, havia ensinado a Bruxaria em regiões da Inglaterra, como Willingham de Cambridgeshire, Strethal de Essex, Colchester, Cambridge e, também, East Anglia (sendo acusado por John Rogers de "exibição de uma seita horrível")Outros membros do Clã Familista, como é o caso do bruxo Marten de Vos, discípulo do veneziano Jacopo Robusti o Tintoretto  o qual, juntamente com Giorgio Barbarelli da Castelfranco e Doménikos Theotokópoulos El Greco, foi discípulo de Giovanni Bellini em uma loja veneziana, mais tarde encabeçada em parte por Ticiano Vecellio de Gregorio (italiano de Belluno honrado como "cavaleiro do galão dourado" pelo Sacro Império Romano) , tornaram-se pintores de imagens de Deuses pagãos e sigilos secretos próprios da Bruxaria, além do fato de que o Clã Familista possuía relação direta com a Ordem Rosacruz original. Dentre as famílias de Bruxas do Clã, estavam inclusos Benito Arias Montano (denunciado à Inquisição), Philip Galle, Hendrik Goltzius, Jean-Baptiste Barbé, Karel Charles de Mallery, Jan Collaert II, Hans Bol, Cornelis Cort, Maerten Van Heemskerck, Volcxken Diericx, Hieronymus Wellens de Cock, Frans Francken I, Hieronymus Francken II, Frans Francken o Jovem, Ambrosius Francken II e Frans Floris, que viviam no maior sigilo possível. Na transição da idade média para a modernidade, um dos iniciados do Clã Familista, o bruxo Reginald Scot, temendo que a Bruxaria fosse descoberta nas Ilhas Britânicas, publicou o livro "A Descoberta da Bruxaria" ("The Discoverie of Witchcraft"), onde, com base nas opiniões disfarçadamente psicologizantes do bruxo Johann Weyer acerca tanto da Bruxaria quanto de práticas de feitiço/goétia ou magia maléficaarquitetou o ceticismo ao povo leigo quanto à existência ou não da Bruxaria, de modo a menosprezar de que se tratava de superstições e levar ao esquecimento das falsas crenças e estereótipos malévolos que a Igreja Católica havia atribuído às Bruxas e sua poderosa organização que colocava em cheque ou em descrença pública o poderio eclesiástico, de que citam Margaret Alice Murray e Gerald Brosseau Gardner. A Décima Primeira Edição da Enciclopédia Britânica diz: 


"Os discípulos de Nicholis [os membros do Clã Caricio-familista] escaparam da forca e da estaca, para eles que combinaram com algum sucesso a sabedoria da serpente [símbolo de Hermes Trismegistos] e da inocuidade da pomba [símbolo de Sophia/Atena, também descrita como coruja ou, nas esculturas antigas, como uma anjana ou anja feminina]. Eles somente discutiam suas doutrinas com simpatizantes; eles mostraram todo respeito pela autoridade [afinal, a Bruxaria genuína é hierárquica e, apesar de não-dogmática, possui doutrina e leis propriamente definidas que, por característica, visam responsabilizar as pessoas pelos seus próprios atos, ao invés de condená-las] e consideraram um dever as conformidades exteriores. Esta atitude quietista ao mesmo tempo os salvou [das acusações] de abuso sexual, propaganda nociva [para o Clã ou Fraternidade Caricio-familista]" (ENCICLOPÉDIA BRITÂNICA; Décima Primeira Edição)


Também, cabe lembrar que, quando a Magistra Margo (Monica English) fala através de Lois Bourne que as primeiras civilizações que mantinham a tradição da Bruxaria começou no indiano Vale do Indo, referia-se ao vale do rio Indus (Sindhus), que era habitado parcialmente pelos Dravidas, os quais cultuavam Pashupati Karna (vide o arqueológico: Selo Pashupati) ou Kernunnos, motivo pelo qual Kernunnos fora retratado entre os celtas com aparência indiana, visto que os celtas, originalmente, eram o mesmo povo que os citas. 
No entanto, também deve-se considerar que, em 1899, um folclorista estadunidense da Filadélfia, Charles Godfrey Leland  aprendiz do antigo Clã Platônico (vide o tópico da galeria: "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade" publicou um livro intitulado "Aradia: o Evangelho das Bruxas", onde abordava tradições populares da Bruxaria, constando superstições Cristãs conjuntamente à rituais de magia e de adoração aos Deuses, como Diana e Dianus Luciferus ou Lucifer com sua filha donzela, a primeira bruxa Naamah/Aphrodite distorcida como "Herodias" ou "Aradia", sobreviventes entre famílias, na Itália, descendentes da santa bruxa Guglielma Blanchena Premysl, a qual teve como discípula a beguina Mayfreda, queimada na fogueira da Inquisição, em 1300, por ser integrante da seita ou Clã Fraticelo-guglielmita (vide o tópico da galeria: "Quem foi 'Aradia' a Bela Peregrina?"); influenciando o reaparecimento da Bruxaria ao público na modernidade. Na modernidade, Alex Sanders, iniciado do Clã ou Tradição Gardneriana, fez ressurgir, juntamente com o bruxo Derek Taylor, um conventículo de 328 d.e.c., da Bruxaria Clássica em Constantinopla, chamado "Ordem da Lua" ("Ordine Della Luna") e, depois, renomeado como "Ordem da Nova" ("Ordine Della Nova"), cuja tradição havia sido mantida pela família Paleogus ou Palaiologos, da Linhagem Efésia do antigo Clã Artemisiano (vide o Clã Artemisiano no tópico da galeria: "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade"), onde reconfirma que a Bruxaria havia sido fundada pelos Anjos Vigilantes em um tempo remoto quando estes haviam vindo à terra. Há, porém, alegações fraudulentas por parte dos leigos de que Gerald Brosseau Gardner estivesse relacionado à George Pickingill, o que, por sua vez, Lois Bourne atesta que tal alegação é falsa, já que sabe-se que o próprio George Pickingill nunca fundou Conventículo algum, pois, nunca sequer foi Bruxo, mas, sim, um Curandeiro ou "Cunning-Man" de etnia cigana em que era temido pelos moradores da Cornualha, devido ao fato de que fazia uso de feitiço/goétia ou magia maléfica e, excentricamente, praticava Cristianismo Satânico. 


Por outro lado, Derek Taylor, analogamente à Madeline Sylvia Royals-Montalban, pontuaram que a "Tradição Gardneriana" deixou de lado o aspecto bruxesco de magia estelar, enquanto legado do Fundador da Bruxaria ou arcanjo Hermes Trismegistos, acarretando, em consequência, ao "fantasiamento Thelêmico" ou "extravagância Goética" nos ritos sagrados da Bruxaria que, como enfatizou Monica English ou Margo e outras bruxas, levam à libertinagem e à corrupção mágico-espiritual, ainda que inconscientemente, da verdadeira e santa meta da Bruxaria. Deve-se lembrar que, embora Gerald Brosseau Gardner tornou-se imaturamente crítico de seu próprio alto-sacerdote, o Magister George Alexander Sullivan — figura enigmática por trás de Gerald Brosseau Gardner —, foi égide fundamental, não apenas para o reaparecimento da Bruxaria ao público, mas, também, para o reflorescimento da Filosofia ou Misticismo Rosacruz, enquanto hobby das Bruxas do passado que ainda se faz presente nas Tradições Esotéricas do Ocidente. Em suas formas tradicionais medievais, a Ordem Rosacruz e a Maçonaria constituem, juntamente com a Bruxaria, três aspectos da Antiga Religião dos Sábios: o estudo filosófico ou oculto, a prática mágico-espiritual e a crença e luta convicta por justiça e harmônico-pacifismo, que somente pode ser concretizado por meio do "Comando dos Sábios" ou Aristocracia, de modo a transformar a humanidade ou estado de mortal em Bruxas e Iniciados, portanto, recuperando a condição ante-adamita ou ante-prometeica que nos eleva para a imortalidade divina (isto é, mitologicamente antes da queda ontológica de Prometheus/Atum, em que o Jardim de Ladon, sob a influência de Ares/Ahriman/Seth, transforma-se em horripilante Hespéride)Como sabe-se, a Bruxaria sempre foi secreta e com segredos irreveláveis e, com o decreto de "caça-às-Bruxas" da Igreja Católica Romana, a única maneira que lhe restava para permanecer viva, foi ocultar-se na clandestinidade (da mesma forma que faziam os Judeus da Península Ibérica: disfarçavam-se de Cristãos e, apenas revelavam a sua verdadeira identidade aos filhos, quando estes alcançavam maturidade). Assim, pode-se ter uma noção contextualizada de que a Bruxaria até a data de 1950, quando Gerald Brosseau Gardner trouxe à público ao mundo, estava saltitante e viva na Inglaterra, principalmente nas regiões de Nova Floresta, Hampshire, Cúmbria e East Anglia. 



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Ao benemérito St. Prior J.'.E.'.C.'.S.'.
Pela divindade do Uno, do Deus e da Deusa,
Ao Filho Divino, Vida, Saúde, Força e União!

Três Vezes Abençoado.