sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

-Diferenças entre Feiticeiro, Curandeiro e Mago



A Magia é a Ciência dos Inspirados e/ou das Musas (vide: Música das Esferas) que, através do plano dimensional astral, interage-se e influencia-se a realidade cognoscível com uma vibração específica que, mágico-espiritualmente aliada aos cinco sentidos, produz um som ou sinfonia específica, um aroma específico, um sentimento específico, uma intensidade específica e, por fim, uma coloração ou imagem específica (daí a chamada "magia negra", para referir-se às forças maléficas, e a chamada "magia branca", para referir-se ao uso de forças benéficas), ambas em consonância com o desejo ou vontade posta em ação. Todas as pessoas, em maior ou menor nível, trabalham com magia, mas, pela profundidade desta ciência, nem todos são magos ou estudiosos da magia. Isto é, a Magia é a ciência de exercer o poder extrafísico ou sutil do plano astral que, por característica, exige uma intenção disciplinada e, em definições gerais, pode ser definida também como a habilidade de operar sobrenaturalmente a realidade física conforme nosso desejo ou vontade dirigida, como falaram filósofos ou ocultistas do passado. A Magia se caracteriza em, basicamente, todas as culturas e povos como possuindo um aspecto passivo  e, portanto, feminino e extático, mais caracterizadamente exercido por mulheres, principalmente para a cura e ajuda comunitária  e um aspecto ativo, masculino, ordenador de entidades, controlador das forças sobrenaturais e, às vezes, de caráter autoritarista e patriarcal, de aspecto mais funcional e intelectual. Um terceiro aspecto da Magia, diz respeito à feitiços, mal-olhados, azar ou má sorte, maldições (às vezes, imaginárias) e maus agouros, os quais as pessoas podem ser incalculavelmente atingidas, tal aspecto fora comumente propagado, em tempos antigos, pelas concepções muitas vezes populares que, apesar de muitas pessoas modernas o considerarem algo ultrapassado, possui verdades universais que apenas os videntes e adivinhos conseguem captar ou perceber. 

Há, portanto, três aspectos ou formas genéricas de Magia: uma, trata-se da magia para fins de assassinatos ritualísticos, matanças, envenenamentos, pactos com espíritos malévolos e práticas bárbaras e criminosas, tradicionalmente praticadas pelo feiticeiro ou molestador, os chamados Feitiços ou Goétia; outra forma, trata-se da magia popular ou magia naturística, praticada tipicamente pelo curandeiro ou benzedeiro ou xamã, a qual é chamada geralmente de Magia Simpática ou Baixa Magia; e a outra forma de magia, trata-se da magia tradicionalmente religiosa e filosófica ou ocultista, onde realiza-se estudos e experiências a partir do conhecimento das leis ocultas dos cosmos, denominada de Alta Magia ou Teurgia. Pode ocorrer, também, de as pessoas praticarem uma mistura de ambas as formas descritas, como o uso de técnicas e ferramentas tanto de Magia Simpática quanto de Alta Magia, apesar de que, quem faz uso de Goétia ou Feitiços raramente se dedicará à uma dessas outras formas, devido seu caráter, particularmente, excêntrico e até mesmo anormal. Contudo, a seguir serão descritos exemplos possíveis de cada uma das três formas ou aspectos de Magia, separadamente, para que possam ser entendidas e compreendidas em seus parâmetros individuais de operação.





A Prática do Feiticeiro: 
Goétia ou Feitiço


O termo “Feiticeiro”, na língua portuguesa, ou alternativamente “Hechicero”, na língua espanhola, compartilham de uma etimologia-raiz comum, proveniente de “Fattucchiere”, em um dialeto da língua italiana, que designa aos praticantes de "Feitiços", cuja origem etimológica se encontra no Latim, em “Facticius”: artificial, astuto, fictício ou falso (FARIA, 1994) e, voltando aos tempos mais antigos, possui origem grega remota no termo "Phathos" ou "Pathos" que trata-se de uma afetaçãoafecçãocontágio ou infecção; isto é, um "Pharmakon", uma espécie de envenenamento, droga e/ou miasma. Na língua romena, o termo "feitiço" se traduz por "Farmec", e ambas as traduções são precisamente corretas. Na língua inglesa, o termo para ‘Feiticeiro’ é “Warlock”, e a palavra para "feitiço" é “Fetish” ou 
“Leprosy”A palavra irlandesa e escocesa “Fomoire” era aplicada na antiguidade aos Feiticeiros que viviam nas Ilhas Britânicas (os quais eram inimigos das Bruxas e dos integrantes da "Tuatha-Dé-Danann"
). Enquanto isso, “Fascinatio” e “Leporum” são traduções regionais na Itália para "Feitiço": o primeiro, no sentido de infortúnio ou miasma que infesta nas plantações através da inveja e do mau-olhado, o qual pode ser evitado por meio do “Phallus” ou do “Fascinus”; já o segundo, no sentido de causa ou miasma que traz a lepra e outras doenças que surgem pelo contágio exercido por parte dos lobisomens; Assim, ambas as palavras latinas estão relacionadas(Com determinada frequência, o termo "Feitiço" é traduzido equivocadamente, na língua inglesa, por “Charm”, que significa ‘Encantamento’ ou 'Charme', do latim "Carmen", significando 'cântico mágico' ou 'encantamento'; ou ainda, Feitiço é traduzido equivocadamente por “Hex”, que significa ‘Fascínio’ e cuja origem está no alemão ‘Hexe’, pois, o Fascínio, como sabemos, trata-se de uma espécie de Magia Sexual desenvolvida precisamente através do pênis [o “Phallus”] e/ou com a representação física do pênis [o “Fascinus”].).


As palavras latino-romanas para Feiticeiro são “Maleficus” ou 
“Venefica”, significando malfeitor e/ou envenenadora, e “Striga” ou “Striges” (variação do termo “Laestrygones” ou 
“Estrygones” que, de acordo com as lendas pré-cristãs, referia-se à vampiros ou feiticeiros que atacam na antiga Sicília, também relatado pelo poeta romano Publius Ovidius Naso), descrevia uma feiticeira ou um lobisomem ou pessoa imoral que se dedica à prática de goétia ou magia maléfica, cuja palavra também está presente no italiano “Strega”, uma feiticeira; “Streghe”, feiticeiras; “Stregone”, um feiticeiro ou lobisomem; no romeno “Strigoi” ou “Strigoaica”, um vampiro ou uma feiticeira; no eslavo “Strzyga” ou “Strzygon”, uma feiticeira ou um lobisomem; no albanês “Shtriga”, um feiticeiro ou um lobisomem; no português “Estriga”, uma feiticeira ou estragadora. Na língua francesa, as palavras para uma estrige e um feiticeiro são “Sorciere” “Sorcier” (advindo de “Sicarius” ou “Siqari'im” ou fazedores de “Sicarii”, uma prática criminosa de homicídio ou matança humana realizada com o machado Sagaris ou com a adaga Sica que, por seu caráter de malfazejo e em cuja lâmina desta arma havia veneno mortal, fora proibida pelo antigo Império Romano através da "Rex Cornelia de Sicarii et Veneficii" ou Lei Cornélia Sobre Feitiçaria e Envenenamento, cuja origem etimológica está no Pérsico Antigo em “Zurakara”, um malfeitor ou assassino), cujas palavras entraram para a língua inglesa, georgiana, hmong, javanês, khmer, laosiana e maltesa como “Sorcerer” e “Secae” ou “Seca”, um feiticeiro ou malfeitor; assim como, também, “Siqir” ou “Sïqirşi, um feiticeiro ou uma estrige entre os povos ilírios e dácio-trácios e presente na língua cazaque; “Sorcistino” e “Sorcxisto”, uma malfeitora ou um feiticeiro na língua esperanto; e principalmente, "Siqari'im", um feiticeiro ou um assassino na língua hebraica (que muitos judeus faziam uso desta prática criminosa), comum tanto entre os povos hebreus como entre os povos germânicos, como as tribos de "sicambros" e "saxões"O termo grego para Feiticeiro é “Pharmakoi” (ou “Pharmakos” ou “Pharmakeus”), ou seja, o praticante de “Pharmakon” ou “Goeteia”, prática de envenenamento que, em Tempos de Crise, era expulso da comunidade que pertencia e/ou sacrificado, como um “bode-expiatório” entre os gregos e semitas, para que o malefício fosse expulso com ele; ou derrubava-se num precipício; ou queimava-se; ou espancava-se; ou era apedrejado; ou exilado; ou ambas as formas citadas de expiação eram feitas ao mesmo tempo. 

Entre os povos acadianos, havia uma cerimonia chamada "Surpu" ou "Maqlu"  também presente no Antigo Egito à quem lançasse feitiços ou malfazejos ao faraó – em que consistia em queimar uma boneca (Poppet ou Dagyde) representando o Feiticeiro, em uma fogueira ritualística realizada no festival vernal ou no meio-vernal, no intento de banir e expiar todo malefício, malfazejo, praga, azar, infecção, miasma ou feitiço. (Essa prática perdurou na Europa moderna, principalmente nos costumes populares nacionais de cada país, realizados anualmente). Por exemplo, quando a Bíblia fala: “Não deixarás viver a Feiticeira”, ela não se refere à “Bruxa” ou praticante da Bruxaria ou Arte dos Sábios, como algumas vezes costuma-se equivocadamente traduzir, mas sim à um Feiticeiro ou Estrige  o Kashaph ou Kesheph ou Qesem, na língua hebraica  uma pessoa que realiza envenenamento ("kesh-" = veneno; "-hapaleh" = praticante), isto é, aquele que é visto como “o responsável de todo o malefício”, “o molestador”, “o impostor” ou “o malfeitor”. Pois, o envenenamento, tanto físico quanto mágico-espiritual, era uma prática comum na antiguidade, na idade média e no início da modernidade, tanto é que um dos ataques mais famosos, "Caso dos Venenos" ("L'affaire des Venenos"), fora realizado, em 1677-1782, por envenenadores ou feiticeiros franceses e que, dentre os principais inclusos, estavam charlatães que ganhavam a vida como cartomantes  como Catherine Montvoisin ou La Voisin  e impostores vestidos de padres Satânicos ou Anticristãos que subvertiam o Cristianismo, onde foi comprovada a matança ritualística de um grande número de crianças. Yasui (2010) recapitula o significado etimológico da palavra Feitiço (Pharmakon), esclarecendo que:


"Talvez possamos recuperar aqui o sentido da palavra pharmakon [Feitiço], que, para os gregos, designava uma substância capaz de operar transformações, podendo causar o bem ou o mal, a vida e a morte. Para Platão, no diálogo Fedro, o sentido de remédio ou de veneno não está na substância em si, mas no fato de ser aplicada na hora certa, na dosagem certa e por quem conhece a arte e a ciência da cura. Platão aumenta a complexidade desse conceito, ao estabelecer uma analogia entre a medicina e a retórica, afirmando que a linguagem é também um pharmakon [Feitiço]. Manipulado pelo sofista, é veneno; pelo filósofo, é cura. Para Jaques Derrida (1997), em A Farmácia de Platão, a palavra pharmakon [Feitiço] é, ao mesmo tempo, veneno e antídoto, cura e morticínio, paradoxo ou ambiguidade, que depende de nossas escolhas. O pharmakon [Feitiço] não possui uma virtude própria, não se constitui apenas como a substância ativa, contudo, compreende também a pessoa que a administra. O pharmakon [Feitiço] é uma operação que se situa na relação, no entre, que é parte integrante dos efeitos que ele produz." (YASUI, 2010, p. 149-150).


Ou seja, o Feitiço ou envenenamento não caracteriza-se como tal por ser definidamente inato em suas propriedades e, sim, pela dosagem utilizada de cada substância presente na natureza; em outras palavras, o feitiço, em si, não se caracteriza pelo ser, mas, sim, pelo estar ou estado de alteridade. Isto é, o envenenamento ou Feitiço consiste em um envenenamento ou Feitiço a partir do momento em que um elemento natural é utilizado em uma dosagem ou medida excessiva ou desequilibrada. Isto constitui o Feitiço: uma perturbação ou afetação, cuja causa deve-se ao fato de um uso em excesso e, portanto, desvirtuado. Em contraposição à prática de Feiticeiro, o trilhar do caminho, na Bruxaria, é realizado no ponto de equilíbrio 
– enquanto parte da Lei de Justiça, preceito do Fundador da Bruxaria, o arcanjo Tubalcain , onde a pessoa que rompe o juramento aos Deuses bruxescos é declarada "Warlock" ou Feiticeiro, no sentido de traidor ou malfeitor. Aristoteles, não obstante, ao traduzir a filosofia do Clã Socrático-platônico – em contraposição ao Sofismo – afirma que: "A Justiça é a virtude completa no mais próprio e pleno sentido do termo, porque é o exercício atual da virtude completa" (ARISTOTELES).



Platon, também, fala que a Magia, quando utilizada pelo Charlatão ou Sofista (no sentido de Enganador, pois estavam preocupados com lucro e sermões e pregações às multidões) traz droga, engodo ou entorpecente; Mas, porém, quando a Magia é utilizada pelo Filósofo ou Sábio Antigo, traz serenidade e cura. Assim, Platon conclui que o Feitiço ("Pharmakon") não possui uma característica positiva propriamente definida e está implicado, ao mesmo tempo, quanto à ausência de ética e virtude ou qualidade moral do praticante ou Feiticeiro. Desta forma, o Feitiço ("Pharmakon") constitui-se em um envenenamento tanto no sentido metafórico, de magia maléfica e torpor ou engôdo às multidões, como real, de envenenamento e vícios criminosos. Todavia, para entendermos a ambiguidade semântica do termo "Feitiço", precisamos recorrer novamente às sábias palavras de Platon, tais como:

"O que detectamos aqui é que a humanidade pratica o Feitiço ['Pharmakeia' ou 'pharmakon'] de dois modos diferentes. [Um] é aquele em que o corpo é prejudicado pela ação de outro corpo de maneira física [o envenenamento ou emprego de drogas narcóticas e vícios criminosos]. Há outra forma que funciona conjurando-se práticas - goétias e simpatias ou encantações de amarração, como são chamadas - e essa forma gera, na mente do praticante, a crença de que ele tem poderes de malfazejos e, na mente da vítima, a convicção de que o autor de seu sofrimento pode realmente enfeitiçá-la [a magia maléfica e o torpor ou engôdo às multidões]" (apud TAYLOR). 


Compreendendo tais acepções da filosofia do Clã Socrático-platônico, Aristoteles enfatiza que, a ética adequada ou excelência moral: 


"[...] se relaciona com as emoções e ações, e nestas há excesso, falta e meio termo. Por exemplo, pode-se sentir medo, confiança, desejos, cólera, piedade, e, de um modo geral, prazer e sofrimento, demais ou muito pouco, e, em ambos os casos, isto não é bom: mas experimentar estes sentimentos no momento certo, em relação aos objetos certos e às pessoas certas, e de maneira certa, é o meio termo e o melhor, e isto é característico da excelência. Há também, da mesma forma, excesso, falta e meio termo em relação às ações. Ora, a excelência moral se relaciona com as emoções e as ações, nas quais o excesso é uma forma de erro, tanto quanto a falta, enquanto o meio termo é louvado como um acerto; ser louvado e estar certo são características da excelência moral. A excelência moral, portanto, é algo como equidistância, pois, como já vimos, seu alvo é o meio termo. Ademais é possível errar [isto é, cometer hamartia ou húbris] de várias maneiras, ao passo que só é possível acertar de uma maneira (também por esta razão é fácil errar e difícil acertarfácil errar o alvo, e difícil acertar nele); também é por isto que o excesso e a falta são características da deficiência moral, e o meio termo é uma característica da excelência moral" (ARISTOTELES; In: Ética a Nicômacos; p.42).

Neste sentido, se regredirmos no passado medieval e pré-medieval, veremos que, entre os pagãos nórdicos ou germânicos, que existiam antes do Cristianismo dominar as regiões nórdicas e germânicas, também
 possuíam  assim como na Grécia, Roma, Oriente Médio, Acádia e Egito – o costume de matar e/ou afugentar real ou simbolicamente os Feiticeiros, ou seja, para que o molestador levasse consigo o miasma ou a crise que causara, presente na comunidade em Tempos de Crise. O termo "Pharmakeia" aparenta ser proveniente de "promakhos", do Grego, que significa 'fazer guerra de frente', ou de "phar-" "-makeia", também do Grego, que significam 'droga' ou 'afetação' e de 'guerra' ou 'ataque'No Direito Cívico dos nórdicos ou germânicos, afirmava-se em regulamento que era dever realizar afugentamento social de um “Warg” ou “Vargr”, uma espécie de criatura-lobo descrito como de caráter malévolo e molestador (GINZBURG, Carlo), isto é, um Feiticero. Também, na língua sueca antiga, há uma palavra que, etimologicamenteneste sentido, sugere-se uma origem comum: “Argri”, que significa ‘Maléfico’ ou ‘Maléfica’ (MACLEOD; MEES, 2006), a qual sugere-se estar ligada à palavra alemã "Argerlich", com o significado de "enraivecido ou violento".


Analogamente, a prática de magia de conotações negativas entre os Povos Germânicos era, às vezes, chamada de “Vardlokkur”, palavra que sugere-se ter anglicizada para “Warlock” (Feiticeiro). Originalmente, 
“Vardlokkur” referia-se à uma conjuração de um lobisomem “Vargr” ou Feiticeiro dentro de uma comunidade, entre os germânicos, em Tempos de Crise, assim como também ocorria entre os antigos romanos, gregos, hebreus, egípcios e acadianos. Contudo, tanto as palavras “Warlock” e “Vardlokkur” quanto também as palavras “Vourdoulakas”, “Vukodlak” ou “Kudlak“UroksErlikou 
Aralez“Valkyrja“Varazslo” “Varcolac, as quais possuem uma origem comum: em “wargr“vargou “vark, do Proto-Germânico, Sueco, Norueguês, Nórdico Antigo, Inglês Arcaico e Pérsico Antigo, para referir-se à "um lobo, licantropo ou lobisomem" – associado ao Latim vires, que denota uma forma de violência, e ao termo "valr", usado entre os Povos Germânicos Alanos (assim como também entre os Vândalos ou Avaros, mestiços originados no rio Aral que se miscigenaram com os Hunos Brancos e, mais tarde, com os Germânicos Lígios) enquanto uivo mágico ou grito de guerra para causar terror ao oponente e enfraquecê-lo, que tornou-se sinônimo de guerra ("war") na língua inglesa – e, a sua terminologia -lakas ou -lokkur, trata-se de uma palavra que refere-se ao "uivo, grito, chamamento ou conjuração", sendo que as leis dos antigos Povos Troianos e Hititas, isto é, os primitivos turcos, atesta que era chamado de "Lobo" todo homem que fosse criminoso, molestador ou malfeitor.


Nas tradições folclóricas do norte europeu, o feiticeiro ou lobisomem está intimamente ligado às lendas do "bicho papão" ou "bicho urso", o real "Ulfhednar" ou "Berserkers" (que significa "ber-" ou "ver-", homem ou violência, e "-serker", sicário ou feiticeiro, sobrevivente como "Boszorkany", um feiticeiro ou uma estrige na língua húngara), famoso entre as tribos germânicas e nórdicas, cujas façanhas mais comuns, culturalmente registradas, estavam o ataque mágico-espiritual ("kveldrida") a partir de uma fórmula ("formali") de ordenação e conjuração de espíritos goéticos ("vardlokkur" ou "Warlock"), que visava obter a transformação de forma para lobisomem ("hamfar") e chegar à um estado de fúria selvagem incontrolável com o uso de venenos e drogas ("berserkgangur"), para realizar, em consequência, o sacrifício ritualístico ("blot"), tanto de animais quanto de pessoas, e vampirizar animicamente a vítima, gerando o que era chamado no folclore de pestilências ou tormentas ("thorgrima"), e tornando-a submissa, que acarretavam em Tempos de Crise. Os feiticeiros eram associados, nas lendas populares, à moléstia dos lobisomens, afinal, se transformar em lobo nos campos de batalha ou vampirizar os inimigos, são atos comuns praticados em malefício e, tais incorporações em animais, deixavam ilesos às dores (devido o aspecto brutal da energia utilizada). As lendas folclóricas germânicas e do norte europeu contam que espíritos e feiticeiros recolhiam as almas e os corpos dos mortos, nos campos de guerra ou campos de batalha, durante as guerras ou batalhas, no intento de levar como propriedade de si para dentro dos salões ou barracas, ou seja, subordinar os espíritos dos mortos para contrato goético ou de magia maléfica, de modo a extrair a força anímica e fazê-los escravos. Quando necessário, fazia-se envenenamentos e, para isso, "enfeitiçavam-se as flechas", assim como, também, utilizava-se drogas e substâncias alucinógenas para induzir estados alterados de fúria e violência incontrolável, juntamente com símbolos, uivos e chamamentos goéticos para derrotar os oponentes. 


Attila, o bárbaro rei Germânico Alano que, movido por práticas maléficas de feiticeiros, visto de que era um feiticeiro conhecido como "Praga de Deus" e temido por toda a Europa, levou à ruína dos antigos Povos Romanos e, principalmente, dos Povos Hunos da Europa. Outros casos, como Heinrich Kramer, que inspirou a instituição da Inquisição do Santo Ofício para assassinar as mulheres e damas; Erzsebet Bathory, a húngara "Condessa Drácula" que também realizava matança ritualística de damas e crianças e que, sendo pesquisada pelo "Guinness World Records", fora a mulher que mais realizou matanças na história da humanidade; Vlad Tepes Draculea, mais conhecido como Vlad III o Empalador, que era feiticeiro na Romênia e, séculos depois, deu origem ao que viria mais tarde a ser chamado de "Vampirismo" nas histórias de literatura e que, atualmente, costuma-se chamar de Satanismo; e Heinrich Himmler, o comparsa de Adolf Hitler, que queria reviver os feiticeiros de raça germânico-alana que eram contra o governo picto-romano de Camelot através de um imperialismo europeu que destruísse raças como a dos Ciganos ou Hunos, dando origem à "Nova Noite-de-facas-longas" ('facas longas' refere-se à sica ou sagaris, arma de homicídio ou assassinato de pessoas) ou "Operação Hummingbird", sendo que Adolf Hitler (reencarnação de Tiberius Claudius Nero Caesar, o imperador Anticristo que decretou a morte de Jesus Cristo; de Attila, o rei germânico alano que liderou os povos huno-alanos para a queda e que fora um feiticeiro ou malfeitor dito "a Praga de Deus"; de Landulf II ou Klingsor de Cápua, o bispo infiel e feiticeiro referido como "o Mais Infame do Século") foi tido como "um avatar" com poder de matança ritualística sobre mulheres e crianças para a sua Tropa de Proteção ("Schutzstaffel") ou "SS".


Feiticeiros geralmente possuem propensão à promover guerras e, neste caso, nos campos de guerra ou campos de batalha se uniam em gangues ou tropas de choque, para as matanças selvagens. Os raptos de corpos de mortos, em campos de batalha ou não, geralmente ocorrem, entre os feiticeiros, para fins de ordenação ou contrato mágico-espiritual, o que acarreta em dívida espiritual, como num jogo de cassino ou caça-níquéis que você sempre sai perdendo pelos tiranos, caso contrário você terá que aprender a fraudar também, o que, por sua vez, obviamente duplica sua dívida. Era uma prática comum entre Feiticeiros, por exemplo, o ato de torturar crianças pequenas, bem como ferir a sua própria caixa craniana para se acostumar com a violência e tornar, desde cedo, ileso à dores e imune às ferimentos. Fazer atrocidades com as pessoas e atemorizar os vilarejos eram atos costumeiros, todavia, em compensação, o fim da vida foi fadado à dívida com a Providência Divina e com as almas das pessoas-vítimas daqueles ataques (e ainda tem gente, por ai, que pensa que a vida é toda 'rosa' e 'cheia de luz' e 'glamour'!). Mas, para aquelas pessoas que  mesmo tendo se tornado feiticeiros no passado  possuem consciência e juízo de que viver maleficamente é perca de tempo e de vidas, jamais continuariam à cometer tais injustiças e malfazejos que, engolfados pelas trevas e escuridão em que estão imersos, desconhecem a implacável sabedoria oculta e o valor da própria vida; pois, a ordem cósmica não permite injustiças ou equívocos, isto é, "Errou?! Pagou!", o que justifica a decadência moral de quem se aventura nessas barbaridades e verdadeiras perdições


Em resumo, o "Feiticeiro" segundo as antigas concepções acadianas, greco-romanas, egípcias, semíticas e nórdico-germânicas, com a expansão da cultura grega, romana e turca pela Europa pré-medieval, foi utilizado para referir-se à qualquer sujeito que fosse escravo, feio, pobre e que ao mesmo tempo fosse "criminoso", responsabilizado pelos malefícios, molestador, trazedor de miasma ou peste, traidor ou violador da lei comum. Em outras palavras, u
m Feiticeiro consiste em uma pessoa versada em um tipo de magia goética de ataques ou de matança ritualística, motivo pelo qual eram vistos como "bodes expiatóriosa serem afugentados nas comunidades e vilarejos, principalmente em Tempos de Crise, de modo a identificar "o contágio", ou feitiço, e eliminá-lo. 
Assim, este ritual de expiação (real ou simbólico) do Feiticeiro permaneceu sendo praticado em todos os cantos da Europa, assim como também foi praticado na África, até os dias de hoje. 
Esta prática comunitária de sacrifício representativo ou real do Feiticeiro para expiação dos infortúnios, faz parte tanto da velha Bruxaria (na forma de martírio aos Deuses, para a vinda dos Bons Tempos, e nas chamadas "batalhas das Bruxas" contra os feiticeiros, molestadores, tiranos, malfeitores e espíritos de vampiros e lâmias, pela fertilidade da terra e harmonia, afugentando-os) quanto das práticas sociopolíticas de Estado ou de Império, realizadas na antiguidade e na idade média, tal como dado continuidade pelo Cristianismo Católico e Protestante nas "caças-às-Bruxas" clássicas e medievais. 


Contudo, as práticas dos Feiticeiros, na atualidade, são associadas equivocadamente com determinada frequência à Bruxaria; no entanto, um sábio ou desperto possui consciência que a Goétia ou prática de Feiticeiro é totalmente distinta da Bruxaria, não possuindo nenhuma associação direta, apesar de que, com a degradação humana, em todos os tempos houveram pessoas adeptas da Bruxaria que se corromperam à prática de feitiços e envenenamentos, da mesma forma que houve em todos os tempos houve Cristãos e adeptos de outras religiões que viveram como enganadores, sacrificadores e/ou profanadores do sagrado (molestadores existem em todas as religiões, partidos políticos ou grupos humanos!). Os feiticeiros são espíritos de pessoas que, no decorrer de suas reencarnações, viveram as mais diversas formas de sofrimento que se possa imaginar ou conceber, o que levou, no desenrolar do tempo, a acumularem internamente um desejo de transgressão à todo e qualquer padrão ou norma estabelecida, não apenas do ponto de vista social ou em que diz respeito às concepções e leis civis para a manutenção da ordem e do bem comum da sociedade, quanto também a transgressão das próprias leis da ordem natural, cósmica e divina, bem como a quebra de toda e qualquer barreira que tenha por objetivo estabelecer delimitação, como os padrões de funcionamento mentais que, quando rompidos, leva, finalmente, ao desenvolvimento de doenças psíquicas ou o que os antigos chamavam de "loucura", por uma pulsão equivocada de destruição e morte que, na psicologia psicanalítica, Freud referiu-se como "Thanatos", cuja manifestação é muito maior do que nas pessoas comuns que, caso não for tratado devidamente, pode levar à consequências desastrosas, além de seu apelo à corrupção. 
A prática de Feitiços consiste em um ato de ataque mágico, guerra ou matança ritualística, cuja a combustão utilizada é a paixão; isto é, um Feiticeiro é uma pessoa que não aprendeu a dominar seus instintos e, desta forma, agindo como molestador ou malfeitor, prefere ferir o livre-arbítrio do outro, causar perturbações, parasitismo, assassínio ritualístico, vampirismo, manipulação das multidões ao engodo e uso de drogas e venenos para saciar seus instintos desequilibrados e doentios.


Além do mais, basta tomarmos conhecimento de algumas personalidades que foram feiticeiros no passado, como Vlad III Tepes Draculea (o príncipe Romeno da Valáquia), Attila (o rei Germânico Alano), Adolf Hitler (o Implantador do Nazismo), Landulf II ou Klingsor de Cápua (o feiticeiro ou malfeitor que travou guerra contra os Irmãos da Ordem Rosacruz), Konrad Von Marburg (o feiticeiro ou malfeitor encomendado pelo Papado para destruir os hereges albigenses e as Bruxas e Iniciados da Ordem Rosacruz na Turíngia), Heinrich Kramer (o Instituidor da Inquisição), Petar I (um feiticeiro imperador da Bulgária), Catherine Montvoisin La Voisin (a feiticeira das Missas Satânicas francesas), Ezsebet Bathory (a Condessa Drácula), Peter Stumpp ou Stubbe, Thiess de Kaltenbrun (um feiticeiro livoniano), Elizabeth Bathory (uma feiticeira e enganadora mexicana que, passando-se por falsa "deidade", realizava matanças ritualísticas de pessoas aos demônios e espíritos malignos), 
Ivan Vasilyevich (dito "o Príncipe Terrível" que, sendo Cristão fundamentalista, criou o russo exército "Oprichniki", chamado anteriormente de "Strigolniki", para destruir as religiões pagãs nativas, incluindo a Bruxaria, professada por sua esposa, a qual discordava do comportamento de tal príncipe), Gilles Garnier, Heinrich Himmler (o Nazista) e Grigori Yefimovich Rasputin (o feiticeiro russo), para termos uma noção de como estes seres insanos agiam em seus feitiços ou crimes de goétia. Não existe outra origem o Satanismo das Missas Negras, se não nas ações de feiticeiro ou goétia que, ao final do século 16 ao início do século 17, para manter-se vivos tais malefícios, fora instituído o Vampirismo da Península Balcânica para a Inglaterra, como uma força corrupta parodiante. Desta forma, ocultistas ou filósofos e sensitivos classificam um Feiticeiro como um sujeito que se utiliza de poderes espirituais de modo malfazejo e totalmente equivocado, por não possuir ética ou lei que lhe oriente; ou seja, sem estudo, sem livros ou conhecimento inteligível e, consequentemente, sem virtude. Assim, um Feiticeiro nos tempos antigos e medievais, geralmente, era tratado socialmente como uma pessoa louca e molestadora, por fazer uso dos poderes, espirituais e físicos, de modo marginalizado e corruptível, portanto, acreditava-se que este deveria ser eliminado ou punido. Se os Feiticeiros tivessem, no mínimo, um pouco de ternura e sensibilidade pelos outros seres vivos à sua volta, se arrependeriam por total de suas práticas criminosas e psicopatológicas que tiram a vida e o respeito e, sobretudo, anulam o livre-arbítrio alheio. 




A Prática do Curandeiro: 
Magia Natural ou Baixa Magia ou Magia Simpática


O termo “Simpatia” vem do antigo grego, de "Sympaiktai" ("syn-": junção, união, prestação; e "páthos": afetação ou afeição), significando assistente da afetação ou prestar afeição ao outro, ou seja, uma pessoa que pratica Magia Simpática e cuja característica comum consiste em prestar ou servir às outras pessoas e/ou à comunidade. Em Magia Simpática, faz-se uso de elementos imitativos ou alusivoscorrespondências mágicas e correlações das propriedades naturais à finalidades específicas. A prática da Magia Simpática, nos tempos antigos, era a forma que se tinha de cura e de medicina e, portanto, os curandeiros ou benzedeiros eram médicos ou xamãs, responsáveis pelo bem-estar da comunidade e/ou da tribo em que pertencia. Se analisarmos a essência das religiões antigas, incluindo o Judaísmo e o Cristianismo, veremos que muitos dos primeiros sacerdotes ou adivinhos, eram curandeiros ou xamãs com uma alta reputação de importância enquanto intermediadores espirituais nas suas comunidades étnicas que pertenciam, da mesma forma que a relevância do médico e dos profissionais de saúde para as pessoas da atualidade.



Um praticante de Magia Simpática ou Magia Natural trabalha comumente com ervas, plantas, elementos naturais, como minérios, pedras preciosas, poções, panaceias, filtros e elixires, velas, fogueiras, incensários, defumadores, perfumes, aromas, amuletos, talismãs, sons, cores, objetos representativos e uma série de simbologias para auxiliarem o operador a se conectar com as dimensões de consciência extrafísicas, no intento de declarar seu desejo no plano sutil por meio de conjurações, orações, dicções e/ou encantamentos que trarão efeitos, consequentemente, sobre a realidade física. Enquanto o Feitiço, como vimos anteriormente, trata-se de uma prática egocentricamente manipulativa do livre-arbítrio alheio e movida pelo instinto de causar malfazejos e matança ritualística para a dominação, a Simpatia  em contrapartida  constitui-se uma prática popular em prol da outra pessoa e da cura de doenças ou miasmas e solução dos problemas da coletividade, pois como vemos em "Dicionário de Filosofia"Nicola Abbagnano ressalta que a afetação ou afeição ("pathos") pode ser tanto benéfica quanto maléfica, dependendo da finalidade do operador:

"Este termo [afeição ou afetação], que as vezes se usa no lugar de afeto e paixão, pode distinguir-se deles partindo de seu uso predominante na tradição filosófica, uso que se deve a sua maior extensão e generalidade, já que designa todo estado, condição ou qualidade que consista em realizar uma ação ou em ser influído ou modificado por ela. Neste sentido, um afeto, que é uma espécie de emoção ou paixão, é uma afetação quando implica uma ação súbita (...). Aristóteles entendeu a palavra afeição ou simpatia nesse sentido amplo e a considerou como uma das dez categorias (...) (Categorias, 2 a 3). (...) tanto Santo Agostinho como os escolásticos mantiveram o ponto de vista aristotélico da neutralidade das afetações ou afeições da alma sob o ponto de vista moral, no sentido de que podem ser benéficas [simpatia] ou maléficas [feitiço], conforme sejam moderadas ou não pela razão [ou seja, quando feito para o bem comum versus quando feito para transgressão ou sem ética, como explicado nos diálogos anteriores de Platão]Descartes deu a essa noção sua expressão clássica em sua obra "Passions de L'âme" (I 1, 1650): 'Tudo o que se faz ou que ocorre de novo é geralmente chamado pelos filósofos uma afeição ou afetação no que diz respeito ao sujeito que a sofre e uma ação no que diz respeito àquilo que faz com que ela ocorra' (...)".



Para que possamos entender melhor a palavra "Simpatia", torna-se necessário recorrer, também, às palavras do grande mago medieval Einrich Cornelius Agrippa em que diz que: "[...] a cada dia alguma coisa natural é atraída pela arte [prática da magia, neste caso] e alguma coisa divina é atraída pela natureza; e os egípcios, vendo isso chamavam a natureza de maga, isto é, o poder mágico em si, na atração do semelhante pelo semelhante e das coisas apropriadas pelas apropriadas. Ora, essa espécie de atração por meio da correspondência mútua das coisas entre si, de superiores com inferiores, os gregos chamavam de 'Sympatheia' [Simpatia]; de modo que a terra combina com a água fria, a água com o ar úmido, o ar com o fogo, o fogo com a água no céu; não se mistura fogo com a água, e sim com o ar; nem o ar com a terra, mas com a água. Tampouco a alma é unida ao corpo, mas sim ao espírito; nem a compreensão ao espírito, mas sim à alma" (AGRIPPA, Heinrich Cornelius; In: "Os Três Livros de Filosofia Oculta", p. 202). Desta forma, a Simpatia  compreendendo a lei de correspondência ou similitude do cosmos  busca fazer uso de objetos simbólicos ou efígies, tal como os "Dagydes" ou "Poppets", ou seja, objetos que possuam afeição ao alvo que se deseja curar, atrair ou banir, para que a distância física se desfaça e se estabeleça uma ligação energética de si próprio com este alvo e o desejo do operador seja concretizado nos planos sutis e, consequentemente, obter-se-á os efeitos desejados sobre a realidade cognoscível. 

Em minha família, o avô de meu pai que vivia da Itália, imigrou para o Brasil em um tempo em que a Itália passava por uma crise de pobreza e fome e trouxe junto a prática de benzedura da fé Cristã Católica (chamada, na Itália, de "Benedicazione"; o termo "Benedicaria" é moderno). Minha família, que vivia na antiga região de Vêneto e Cárnia, mais precisamente onde hoje é conhecido como Friul, possuía membros que eram benzedeiros Cristãos Católicos (ao passo que outros membros, diferentemente, eram adeptos da Bruxaria, mas essa é outra história: vide o tópico da galeria, "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade") e, não obstante, eram chamados de Benzedeiros em solo brasileiro (na Itália, de "Benedetto", que também é uma palavra para médico ou curador). N
o caso da prática de benzedura dos membros Cristãos de minha família, consistia em uma série de benzimentos, como ritos de banição (para quando quisesse banir algo de dentro de casa), de imobilização de animal (para imobilizar uma cobra ou animal perigoso), de expulsão de malefício, simpatias diversas de amarração, ritos de fazer parar tempestades ou tormentas, de fazer chover (quando estava seco e as plantas precisavam de chuva, pegava-se imagens de Santos na Igreja ou na casa de vizinhos sem que ninguém o visse e mergulhava-os no riacho e, tipicamente, ficavam lá até chover), de banhos purificadores (por meio de herbologia oculta ou de sair pela manhã até uma beira de rio e fazer simpatias), de esconjuração (para encontrar alguma coisa perdida), de autossugestões, de costura (para curar de algum mal ou doença), de tirar o sol (uma cura para dor de cabeça ou enxaqueca, por meio de copo de água, sal e orações que expurgam a influência maléfica do sol), de tirar verrugas (através de milho verde), de chás com cabelos, brasas e elementos naturais (para cura), e benzeduras diversas através de ramo bento de uma planta ou galho verde, como tirar mal-olhado, curar e expulsar aparições. 


Além disso, costumeiramente, deixava-se uma vela branca queimar em um mini-altar com a Bíblia aberta, com água benta, flores, imagens de Santos (como Santo Antônio, São Valentim, São Jorge, Santa Luzia, etc) e com orações (livros de orações). Fazia-se jejuns e peregrinações de trocentos quilômetros até santuários e para outros fins. Como instrumentos, além de Rosário, Bíblia e imagens de Santos, usava-se plantas e ramos, barbantes e linhas, agulhas, panos ou tecido, crucifixo de Jesus Cristo, copo, cinza, brasa, milho verde, e afins. Fazia-se, também, adivinhação por semeadura e adivinhação de onde teria água no subsolo. Meus pais não usavam, mas meus avós usavam livros com as propriedades das ervas de cura, além do conhecimento daquelas ervas que são abortivas e que fazem mal (eles não envenenavam, apenas tomavam conhecimento de quais ervas ou combinações de ervas causam mal, para evitá-las!). Também, há alguns dias ou horas antes de falecer um amigo ou conhecido, na minha família, aparece uma borboleta grande e escura, geralmente de coloração preta com azul, preta com marrom ou toda preta, chamada de "borboleta do aviso" ou "borboleta negra", que está relacionada aos mundos elemental e angelical e aparece dentro de casa ou, quando não estamos em casa, vai até onde estivermos (descobri que este caso de aparição existe, também, entre alguns curandeiros mexicanos). 

Para as pessoas que não experienciam tais vivências com práticas espirituais de benzedura, este caso pode ser descrito como "uma crença ilógica", mas, para quem vive, sabe que isso não é superstição e, sim, um presságio ou aviso espiritual. Na linguagem dos leigos, isso pode ser melhor descrito como uma observação de presságio, afinal, os antigos romanos, etruscos e celtas costumavam observar o voo dos pássaros ou as entranhas dos animais como forma de adivinhação. 
Os Benzedeiros de minha família realizavam essas práticas e eram extremamente campesinos, não tinham acesso à tecnologia moderna e viviam distantes de cidades e comércios. Eles não eram Feiticeiros ou malfeitores, muito menos Bruxas, mas, sim, Cristãos Católicos fundamentalistas, supersticiosos e fervorosos do estilo "romano" (no sentido de patriarcalistas e puritanistas). Falar que as práticas dos Benzedeiros eram "feitiços" consistia em uma ofensa, e dizer que era "magia" constituía uma afronta à baixa sensibilidade romana de caráter puritano-fundamentalista (pois, mantinham mágoas puritanas e um distanciamento contra magos e adeptos da Bruxaria que faziam parte da mesma consanguinidade familiar, os quais me acolheram mais tarde). O termo "Curandeiro" ou Curador possui origem em uma palavra pré-cristã da cultura greco-romana "Chirurgus", isto é, um especialista no "Ofício de Kheíron" que, na idade média tardia, ainda era utilizada nas línguas portuguesa e espanhola para descrever os médicos e praticantes de medicina popular ou, mesmo, de magia simpática; enquanto isso, um curandeiro ao final da antiguidade, no Império Romano, era conhecido como "Capsarii", ou seja, os assistentes da "Capsa" ou caixa de ferramentas médicas e medicamentos em que utilizavam os médicos do império e que, na língua russa, legou a corruptela "Czary" (mais tarde associado pelas superstições populares à malfazejos). 





Também, um curandeiro na Inglaterra era conhecido como "Cunning-Man", principalmente na Cornualha, e como "Klok-Gomas" na Suécia e Escandinávia. Entretanto, na África, os curandeiros foram conhecidos como "Sangoma". Além disso, diante do relato da benzedura de minha família, o que quero dizer é que, diferentemente do que falam os "antropólogos" com suas doxas ou opiniões "cientificistas" que servem ao mercado corrupto e egocêntrico, os Benzedeiros, em geral, nunca foram Feiticeiros propriamente, muito menos Bruxas ou Iniciados na Bruxaria. Os Benzedeiros europeus ou eurodescendentes eram apenas curandeiros, benzedores, curadores, rezadores e oradores que pediam auxílio aos Santos Cristãos e à Santíssima Trindade Cristã. Por outro lado, no caso dos Benzedeiros e Curandeiros africanos ou afrodescendentes, a maioria são praticantes de religiões como o Candomblé e o Vodu que, muitas vezes, permite a prática de feitiços ou malefícios, todavia, mesmo assim, nem estes últimos jamais o foram adeptos da Bruxaria, considerando, também, que em todo o folclore de Benzedura europeia, há a crença de que os Benzedeiros ou Curandeiros eram apaziguadores das Bruxas e desfazedores das "práticas maléficas das Bruxas" e isso não foi diferente dentro de minha família. Por fim, é importante lembrar que os rezadeiros e benzedeiros do Brasil são, em geral, praticantes de religiões afrodescendentes, como a Umbanda, a Quimbanda e o Candomblé; e este é somente um exemplo dentre outros inúmeros que poderíamos citar, correlacionado à Magia Popular ou Magia Simpática ou, em outras palavras, à profissão e prática de cura ou benzedura. 





A Prática do Mago: 
Alta Magia ou Teurgia


Um Mago é um estudioso e praticante de Magia, que atualmente é mais conhecida como "Magia Cerimonial" e que, na antiguidade, conhecia-se por Teurgia, trata-se de uma modalidade de magia caracteristicamente religiosa, filosófica ou ocultista e pautada na sapiência, isto é, praticada por sacerdotes que, ao mesmo tempo, eram estudiosos do cosmos ou "Filósofos" (que no sentido grego original, que está associado à Magia, Alquimia e outras ciências ocultas). A Alta Magia ou Teurgia difere-se grandemente da Goétia ou prática de Feitiços, que é praticada tipicamente por charlatões, impostores, feiticeiros, molestadores, malfeitores e pessoas que profanam e comercializam o poder espiritual.


Enquanto a Alta Magia ou Teurgia se caracteriza, principalmente, pela prática de contato espiritual com os Deuses e os Gênios próximos à hierarquia divina. A Goétia, diferentemente da Alta Magia, constitui-se a prática de Feitiços, isto é, o contato com espíritos caracteristicamente molestadores, malfeitores e trapaceiros à serem ordenados e servidos, para produzir um contágio, perturbação ou matança ritualística. Ao passo que, intermediariamente entre Alta Magia e Goétia, há a Magia Simpática, que é praticada ou exercida por xamãs, curandeiros, benzedeiros, conselheiros tribais, médicos homeopatas e curadores holísticos, o qual busca solucionar problemas de sua comunidade, geralmente tribal ou localizada. Um mago não só pratica, mas também estuda Magia e aplica-a de maneira consciente; possui conhecimentos inteligíveis e sabedoria das leis ocultas que regem a natureza, tem contato com a hierarquia dos Guardiães, com a hierarquia dos Deuses e com a das Inteligências e Heróis do cosmos, é um verdadeiro sábio dos segredos do mundo dos mortais e dos planos sutis do universo. 

Em magia, para criar a "combustão mágica", faz-se uso da (a) paixão ou (b) da vontade, pois, quando a razão é carregada intensamente de emoção torna-se uma "combustão mágica", este combustível, seja (a) instintiva ou (b) conscientemente, quando liberado trás efeitos mágicos sobre a realidade. A (a) prática instintiva ocorre geralmente quando pessoas sem ciência maior utilizam-se, de forma automática e desprovida de consciência, a paixão enquanto combustão, o que, por sua vez, ocasiona em Feitiços ou perturbações sobre a realidade e, desta forma, raramente é considerado Magia propriamente dita, em função de ser um ato movido por um campo de força não-consciente, onde tipicamente faz-se uso de envenenamentos e contratos goéticos; e (b) a prática consciente, quando uma pessoa, consciente de si e de sua prática, a partir do estudo das leis ocultas do cosmos, faz uso da vontade desperta para moldar a realidade, então chamamos-a de Magia ou Alta Magia, a qual faz uso de instrumentos até determinado período, quando o treinamento intensivo for totalmente completado. 

Tal é a diferença entre um Feiticeiro e um Mago: o primeiro pratica de forma instintiva e desprovida de consciência, faz uso grosseiro da energia convertida em paixão como forma de combustão; enquanto o segundo, pratica consciente e de forma controlada e investigativa a energia convertida em vontade verdadeira e dominada. Deste modo, pode-se notar que um Feiticeiro objetiva apenas satisfazer suas vaidades e paixões, ao passo que um Mago busca uma forma de evolução alquímico-espiritual. Entre ambas essas formas de magia, existe a Baixa Magia ou Magia Simpática que, intermediariamente, possui um caráter popular e/ou xamânico. Assim, um Feiticeiro é uma mera vítima e um reprodutor das afetações; em contraposição, um Mago, é uma pessoa estudiosa que dominou essas afetações e que, portanto, soube converter a paixão (a Pedra Bruta, característica do Eu Inferior) em vontade controlada (a Pedra Lapidada, o Eu Superior). Um Mago detêm o conhecimento de todas as ciências e, portanto, conhece a essência de todas as religiões e pode ser adepto do Cristianismo, ou do Judaísmo, ou do Islamismo, Santeria, Hinduísmo, Bruxaria, Yazidismo, Tengriismo ou, até mesmo, de uma espiritualidade eclética ou alternativa, como comumente vemos no Movimento da Nova Era. 



O que a Goétia, a Magia Simpática e a Alta Magia 
tem a ver com a Bruxaria?


A relação de Feiticeiros com as Bruxas(os) no passado:

Gerald Brosseau Gardner falava que, nos velhos tempos, os Feiticeiros haviam se unido com as Bruxas e ambos compartilharam alguns de seus conhecimentos, onde, a partir disso, as Bruxas foram usadas como forma de obter o poder corrupto. Há um tempo atrás, fora possível notar que Gerald Brosseau Gardner estava precisamente correto. Alguns Feiticeiros, nos velhos tempos, como na antiguidade e na idade média, conseguiam iniciação na Bruxaria, utilizavam-se do conhecimento das Bruxas, afetavam de maneira pretensa e injustamente as alta-sacerdotisas (Magistras) e as usavam como súcubos, profanando as práticas bruxescas e utilizando-as para molestamento e finalidades egocêntricas, além de enfeitiçar todo o conventículo para que as Bruxas ficassem sob seu controle e fossem mantidas como escravas reféns. Os Feiticeiros contribuíram significativamente, na antiguidade e na idade média, para que a Bruxaria fosse encarada de forma distorcida e, as Bruxas, estereotipadamente satanizadas. 




A Magia Simpática e a Alta Magia versus a Goétia/Feitiço:

Uma "Bruxa" é uma ‘conhecedora dos Mistérios’, uma iniciada na Bruxaria, uma sábia ou um mago que se tornou discípulo (isto é, praticante da disciplina ou doutrina) do arcanjo hierofante Enoch do Monte Hermon/Ahura-mazda/Hermes Trismegistos (filho de Sophia/Iris/Atena, a Matrona das Bruxas, e amante de Heket/Hecate a Erodia ou, na grafia medieval, "Herodias" ou Aradia) e serve, sacerdotalmente, aos Deuses: a Deusa Estelar e ao Deus Cornífero, e que anda em direção ao Grande Imanifestável (o Altíssimo Uno/Divindade Única e Suprema) pelo Filho Divino Lucifer/Mitras, isto é, de modo a desenvolver-se mágico-espiritualmente suas potencialidades e poderes latentes para trazer a fertilidade ou as lições à terra para que possamos aprender, tornando-se possível conduzir a Roda da Fortuna da natureza e evoluir para os Campos de Juncos ou Paraíso ("Paradeisos"), a Terra de Verão da Juventude Eterna. 

Desta forma, a Bruxaria, como sabemos, trata-se de uma antiga organização, uma irmandade secreta do passado, uma religião de segredos, um clero de sábios ou iniciados que, em sua essência, buscava ensinar tanto a Magia Simpática quanto a Alta Magia ou Teurgia e os seus sacerdotes que alcançavam o último Grau Iniciático (o chamado "Primeiro Grau" na velha Bruxaria ou o "Terceiro Grau" na Bruxaria Gardneriana) não haviam mais necessidade alguma de praticar Magia Simpática, uma vez que possuía um poder maior sob seu comando. Além disso, quanto à prática de Goétia ou Feitiços, vários sacerdotes da Bruxaria que alcançaram um certo nível de desenvolvimento mágico-espiritual satisfatório alertavam da futilidade do assassinato ritualístico e das práticas goétias que, por sua característica, são corruptas e contrariam a Lei da Justiça, ensinada por Hermes Trismegistos, filho-irmão de Tubalcain e Fundador da Bruxaria; no entanto, os sacerdotes aconselhavam, também, que cada Bruxa ou Iniciado deve agir segundo seu próprio destino, isto é, se tal pessoa cometeu algum ato nocivo, mesmo tendo sido advertido da ilegalidade de tais atos frente às Leis da Bruxaria e dos problemas que acarretam, a pessoa era deixada à sua própria sina e, em determinadas situações, caso fosse considerada culpada, seria julgada por um tribunal bruxesco formalmente constituído e, assim, expulsa da Bruxaria, tanto por meios físicos quanto mágico-espiritualmente. 

Quanto à Alta Magia, esta prática é parte fundamental na Bruxaria, principalmente nos ritos do alto-sacerdócio; quando falamos em Alta Magia, dentro da Bruxaria, não estamos nos referindo à Alta Magia do Cristianismo Gnóstico, do Cristianismo Católico ou do sistema esotérico da Cabalá Judaica ou salomônica, mas, sim, acerca do sistema pagão da Filosofia e sua "Árvore da Lua", a "Linguagem Prateadae a manifestação, divinação ou incorporação de Deuses e daimones ou inteligências. Afinal, a velha Bruxaria tem foco em três práticas principais: a incorporação da Deusa Estelar, a incorporação do Deus de Chifres e a prática da Magia Sexual. Durante as duas primeiras práticas, é necessário desenvolver sensibilidade aguçada e o contato espiritual para interagir com espíritos, Inteligências, Gênios/Guardiães e Deuses e fazê-los, em determinadas ocasiões, manifestarem-se fisicamente, incorporá-los, canalizá-los ou contatá-los. Ainda, a Alta Magia é parte fundamental para o desenvolvimento de outras práticas ensinadas na Bruxaria, como a transformação de forma, o voo astral, a levitação, a sensibilidade aguçada para as diversas formas de interação sutil, a psicocinesia, a telepatia, a evocação espiritual, e as "batalhas de Bruxas", fisicamente e principalmente no plano astral e no espiritual, contra feiticeiros, malfeitores, molestadores e espíritos vivos ou mortos de vampiros ou lêmures e lâmias, os quais atacam através do Outro Mundo (caso contrário, a Bruxa ou o Iniciado permanecerá, como os homens comuns, sendo controlados por daimones malévolos ou demônios, lêmures e espíritos controladores no plano astral ou no espiritual, como muitas pessoas, Cristãs ou não, que vivem fisicamente em palácios, mas, espiritualmente, na lama). Neste sentido, um verdadeiro mago e/ou sacerdote, na Bruxaria, deve adquirir consciência em seus sete corpos, para que possa de fato comandar a si mesmo e, ainda nesta vida, dedicar-se ao serviço mágico-espiritual aos Deuses e Anjos Antigos.



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Ao benemérito St. Prior J.'.E.'.C.'.S.'.
Pela divindade do Uno, do Deus e da Deusa,
Ao Filho Divino, Vida, Saúde, Força e União!

Três Vezes Abençoado.