sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

-Hecate a Erodia ou Aradia e seu Estrófalo


Algo importante, mas que, muitas vezes, esquecemos ou deixamos a desejar neste aspecto, principalmente entre as Bruxas: a divina donzela Hecate, não é (NÃO É!) "Senhora dos Fantasmas", ou Senhora de coisas asquerosas ou nojentas de que imputam os patriarcalistas (seja cristão ou judeu seja adepto de religiões pagãs). Também é importante lembrar que as antigas estátuas e imagens de Hecate, diferentemente das representações atuais, sempre fora representada como sendo uma Donzela, nunca como uma "velha", muito menos feia e estereotipada como a sociedade patriarcalista têm atribuído à imagem popular folclórica e deturpada acerca das Bruxas. A Donzela Vestida de Açafrão, além de humilde e soberana, é conhecedora dos desejos do coração e dos anseios mais profundos do ser: somente Ela pode lhe dar, de fato, ouvidos como ninguém, e ser tão carinhosa como uma mãe a um filho, que abraça-lhe em seu colo e dá-lhe de comer; se é mal falada, Ela jamais se revolta; salva das tormentas aqueles que lhe entregam seu coração à amá-La verdadeiramente e com ofertas sinceras; apesar de Ela possuir um turbilhão de criaturas antigas, faz sempre o que é justo e bom! A soberana Rainha das Bruxas é sábia, a Curandeira Desde o Princípio, a Soteira ou Salvadora Erodia/Aradia, cujo seu símbolo é o Sapo! Mas, vamos conversar sobre seu símbolo: o “Strophalos” ou Estrófalo!



O que é o "Strophalos" ou Estrófalo de Hecate senão a versão mais antiga e feminizada (isto é, apenas da Deusa Estelar) da mística Tétrade ou Triângulo de Manifestação, modelo (ensinado por Hermes Trismegistos, "Aquele que transmitiu aos nossos corações a Tétrade Sagrada...") da origem cósmica e da manifestação dos Deuses? Como estudei línguas antigas, vamos lá: as letras gregas da Cruz Fenícia, o “Tau” (cujo número grego é “300”, pois, as letras do Alfabeto pré-helênico Pelásgico estão intimamente associadas às Esferas da Enéada, na Tétrade), em conjunção com o “Rho” (que seu número é “100”), surgiu o termo “Stauros”, a Estaca do Filho Divino Tammuz, com a adição “Phallos”, no sentido de “germe ou origem da vida”: o “Strophalos” ou extensivamente “Cruz Fálica”. MAS, o que tem a ver o valor numérico da Cruz Fenícia ou do Tau/Stauros com a Tétrade ou o Estrófalo? Tudo.

Vide: Círculo (símbolo do Altíssimo Uno); hexáscele ou "tríscele de seis pernas" (símbolo do Od e do Ob unidos ao Uno, antes da manifestação em Deus e Deusa), o qual forma, no Estrófalo de Hecate, a partir dos pontos de conjunção das esferas circulares internas [o hexagrama] da Enéada, na Tétrade; [acompanhado ou não de uma Chave ou Báculo verticalizado, símbolo do Deus Cornífero Dionysos, em frente ao Estrófalo: no entanto, geralmente não há devido ao fato de que o Estrófalo de Hecate é o Triângulo de Manifestação da Deusa, utilizado no Rito “Puxando Para Baixo a Lua”, para manifestação teúrgica no corpo da Magistra/Alto-sacerdotisa e das sacerdotisas/manifestadores do Ob ou polo feminino, ao passo que a Tétrade também representa o Deus Cornífero, para manifestá-Lo no Rito “Puxar Para Baixo o Deus”]; e linhas de formação [delineadas no Estrófalo] ou pontos de conjunção nas esferas externas [no caso da Tétrade] do triângulo (símbolo da Deusa Tripla Estelar). Além disso, o "Strophalos" ou Estrófalo de Hecate costuma-se ter uma inscrição de linha circular externa ao invés de um triângulo, indicando, no caso de Estrófalo, o íntimo envolvimento da Deusa e do gênero feminino com o estado original do Altíssimo Uno (como bem afirmam os mitos gregos de que a donzela Hecate fora a única pessoa na terra que não fora punida, na guerra titânica ou troiana, pelo Vigésimo Quarto Arcano, Zeus/Jove, do Altíssimo), considerando que o engendramento do Altíssimo e Incognoscível Uno (que está além do Vigésimo Quarto Arcano Zurvan/Zeus/Jove) se assemelha mais à Deusa e ao gênero (feminino ou masculino) composto interiormente por Od ou polaridade masculina e exteriormente por Ob ou polaridade feminina, do que ao Deus e ao gênero (às vezes machista) composto interiormente por Ob ou polaridade feminina e exteriormente por Od ou polaridade masculina; ao passo que, na Tétrade total, da Deusa e do Deus, costuma-se acrescentar três alfas ou esferas em cada um dos três lados do grande tríscele ou triângulo, apresentando, ao invés da inscrição de linha circular, um delineamento triangular (que se obtém a soma treze, o "Símbolo da Bruxa" ou "Número da Bruxa" em que era grafado em romano estilizado no Altar do Círculo Mágico da velha Bruxaria).

Sendo a Tétrade ou Estrófalo a representação da origem cósmica e divina, a qual produz em seu sistema e o é reproduzido sob as mais diversas formas da natureza, possui cada uma de suas esferas, similar à Cabalá judaica e seu Alfabeto Hebraico, correlacionadas às ideias e às formas arquetípicas da natureza, como sons próprios, vibrações próprias, hierarquias cósmicas próprias, planos próprios, leis próprias, etc., em correspondência com seu nível de manifestação, que vão dos números puros (0-9) aos números impuros (10 ao infinito), como descer ou subir na escala evolutiva, etc., etc. Portanto, ficamos apenas com os números puros, que são os números das esferas do Uno, do Deus, da Deusa e do Filho Divino, então, como sabemos que a Cruz Fenícia, o Tau/Stauros, está intimamente associado ao Filho Divino, cuja manifestação é a terceira e o nível hierárquico é a quarta, por obviedade está entre o três e o quatro, isto é, é o Quarteto (300+100: Três Manifestações mais Um, oculto, que é o nível na Hierarquia; ao passo que os zeros se tratam do marcador do número de casas que comportam em cada nível de manifestação e, no caso da terceira manifestação, a manifestação do Filho Divino, são três mais três ou seis).

Pegamos, por exemplo, a grafia dos números! Ela traduz a simbologia oculta da arquitetura da Tétrade ou do Estrófalo: como o “O”, símbolo do Altíssimo e Incognoscível Uno [e para isso, é importante observar a grafia original do número, pois, cada linha presente em cada número equivale ao valor, à ideia e ao arquétipo que nele se oculta, e que é uma operação cósmica!]; o “1” [que, diferente da nossa atual grafia, é apenas um “risco”], símbolo do Falo e da manifestação do Deus Duo Cornífero; o “2” [que é um risco para um lado, e outro, para outro lado], símbolo do Graal e da manifestação da Deusa Tripla das Estrelas; o “3”, símbolo da manifestação do Filho Divino... Ah! Aí chegamos onde queríamos, para entender a Cruz Fenícia ou Tau/Stauros!

A verdadeira marca grega ou romana do “3”, diferentemente do atual, comporta apenas três riscos, de uma forma que, na antiga versão greco-fenícia, assemelha-se ao “T” ou ao “Y” (Alguém mais lembrando da Estaca Bifurcada do Círculo Mágico da velha Bruxaria, o Páladio ou Pilar de Hecate/Hecateion? Pois é! E Hecate teve, com Hermes, três Filhas: a Tríade das Fadas ou Três Fadas/Moiras, ou Cárites, no Círculo Mágico, ainda mantidos na ritualística Rosacruz e na Ordem Maçônica Franco-escocesa!), que é a forma que constitui a parte inferior da Tétrade/Estrófalo, possuindo esta o aspecto de um “Pinheiro” ou Árvore com a Lua Cheia ou “Árvore da Lua” (como costuma-se chamar) e o Reflexo do Brilho de Sirius, sendo o Tau/Stauros, a Estaca do Filho Divino Tammuz/Adonis o próprio caule e dois galhos abaixo: microcosmicamente a coluna vertebral e as duas pernas, o caminho “T” do Templo por onde a Serpente, masculina ou feminina, “Zeta” deve passar, para a prática da Magia Sexual, que é o despertar da consciência iniciática e o segundo passo, depois da manifestação teúrgica do divino e dos Deuses em nós, após a Iniciação na Bruxaria: o “TZ” sobreposto, Selo da Bruxaria, o Caduceu de Enoch/Hermes e do anjo Tubalcain, que obteve a própria Donzela Erodia!

Falamos sobre a etimologia e a semântica do Estrófalo e/ou a Tétrade da Filosofia antiga dos Mistérios ou Bruxaria, mas, qual a ligação de Hecate e o seu Estrófalo ou Tétrade apenas da Deusa, e porque não está a completa Tétrade ou a do Deus? Em primeiro lugar, precisamos lembrar que Hecate é uma dama, a “Madame Grega” ou “Madonna Oriente” da qual as Bruxas Medievais e “Viajantes da Noite” ou “Damas de Fora” na Itália afirmaram ressuscitar pessoas, aparecer epifanamente numa carruagem durante o ritos sagrados, a “Herodias” [o correto é Erodia ou, na grafia medieval, Aradia!] de que descreveram os padres (depois de equalizá-la com a Herodiade matadora, em seu único manual de que conheciam), etc., portanto, deve-se considerar as implicações de manifestação teúrgica que significam no caso das sacerdotisas ou manifestadores de Ob.

Em segundo lugar, não foi Hecate que foi enviada, junto com o hierofante Hermes/Hormazd, seu amante, para cumprir um encargo à Deusa Demeter (ou Diana) em ajudar a encontrar a Persephone dita Leptynis/Lilith (a Tefenet/Pandora, contraparte do Filho Divino intitulada Eurydice), a qual, tentada pelo “Altíssimo” em forma de Serpente a provar da flor do narciso ou da fruta da romã do Filho Divino Eros, desceu à terra junto com seu consorte, o Filho Divino Atum/Aton/Prometheus e, ao tornarem-se a “primeira mulher” e o “primeiro homem”, um fora acorrentado nas rochas do mundo (a matéria) e outro, raptado nas águas subterrâneas (as emoções) pelo vigilante Hades/Dis, como ensinava a Arte dos Sábios Eleusina?! Nunca houveram "Mistérios de Hecate" ou um antigo culto específico dedicado à prática de sua magia e de sua adoração, no entanto, a honraria à Hecate estava presente em maior parte dos Clãs da Bruxaria Clássica, como no Eleusino, no Dionisíaco (inclusive na Tessália, o "País das Bruxas", onde ficara famoso por meio da magistra/alto-sacerdotisa Aglaonice), no Isíaco, Cábiro, Menfita, Telquino, etc., assim como na Bruxaria Medieval Pentárquica, onde as Bruxas realizavam oferendas de bolos de milho ou tremoços nas encruzilhadas. Pois, como primeira bruxa ou iniciada, o encargo de Hecate foi resgatar e proteger a “primeira mulher” ou a “soberana mulher do matriarcado” (não culpabilizá-La por um ato do próprio “Altíssimo”, pois, se este desejou criar “o pecado” era, ele mesmo, imperfeito!) e, assim, o papel de Hecate Erodia consiste em libertar a mulher Persephone/Lilith e o gênero feminino da submissão e opressão a que toda criatura está propensa na densificação e no mundo.




_____________________________
Ao benemérito St. Prior J.'.E.'.C.'.S.'.
Pela divindade do Uno, do Deus e da Deusa,
Ao Filho Divino, Vida, Saúde, Força e União!

Três Vezes Abençoado.