sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

-Quem foi Melusina?

Conta a lenda que, certa vez, o rei Uther Pendragon enviou cavaleiros para procurar Merlin Ambrosius, na floresta de Broceliande, no intento de lhe pedir um favor: que, através de magia, encantasse Gwinevere, para passar a noite com esta mulher Cristã, já que possuía um desejo ardente por esta dama. Os cavaleiros, passando na floresta, surgiu um homem misterioso que perguntou o que eles desejam; os cavaleiros, nesta situação, disseram-lhe ao homem que não era de sua conta. O homem, neste sentido, disse que sabia o que os cavaleiros estavam procurando e que ele mesmo era Merlin Ambrosius e que, também, sabia qual era o plano do rei Uther Pendragon; assim, mandou-lhes dizer ao rei que aceitava a proposta, desde que o filho dado à luz daquela relação fosse dado a si próprio, para que ele mesmo o ministrasse a educação à criança. Aceitada a proposta de Merlin, Uther Pendragon, ao nascer seu filho, entregou à Merlin Ambrosius para que ele o protegesse, já que era o futuro herdeiro do trono real, e a corte de Camelot estava em disputa com guerreiros germânicos em aliança com os bárbaros que queriam tomar o poderio. Merlin Ambrosius, por meio de sua sapiência, entregou o bebê Arthur para ser criado por uma família comum e humilde, aliada de si próprio, que vivia no Castelo de Tintagel. Ainda segundo a lenda, Arthur, ao crescer, tornou-se um cavaleiro e sua origem real foi um segredo, que nem ele sabia, muito bem mantido. Uther Pendragon falecerá e Camelot estava sendo invadida pelos bárbaros germânicos. Então, Merlin Ambrosius, convencendo com sua sapiência o bispo da Catedral da Cantuária, trouxe uma espada (a "Caliburn" ou "Excalibur") cravada, por meio de magia, em uma pedra e disse-lhes que deveria convocar todos os melhores cavaleiros do reino e que, aquele que possuindo maior força, conseguisse descravar a espada da pedra seria o "enviado do Deus" ou o "enviado de Deus" que deveria assumir o trono de Camelot e governar a corte para trazer a paz. 

Há um tempo antes do Sabá natalino, convocou-se todos os melhores cavalheiros, dentre eles Arthur, no intuito de que o mais forte tiraria a espada cravada na pedra. Passou a vez de todos os cavalheiros e apenas Arthur, miraculosamente, conseguiu. Todos os cavaleiros ficaram admirados e tentaram mais uma vez: reconfirmou-se que apenas Arthur conseguia tirar a espada; então, todos os britânicos declararam que o governo de Camelot, com a autoridade do bispo da Catedral da Cantuária e com a ajuda de Merlin Ambrosius, deveria ser dado ao cavalheiro mais forte: Arthur Pendragon, aos seus quinze anos de idade e que, consequentemente, fora coroado na Catedral da Cantuária na véspera do Sabá invernal ou natalino, assim como, depois, também fora o rei e bruxo Carlos Magno ao receber o trono do antigo Império Romano pelo Papado iludido de Roma. Mas, no caso de Arthur, chegando ao poderio do reino de Camelot, declarou Merlin Ambrosius, seu mestre, como conselheiro real. Merlin Ambrosius desejava trazer uma nova era, onde a justiça e o comunitarismo prevalecesse entre os povos britânicos e os povos invasores saxões, e as Bruxas e os Cristãos vivessem em harmonia na corte de Camelot. Camelot ou Camalet estava localizada no atual Castelo Cadbury, no condado de Somerset, próximo à Ilha de Avalon que, juntamente com o anglo-londrino Templo Interior ("Inner Temple") e o Templo Médio ("Middle Temple"e sua Igreja do Templo ("Temple Church") com a localidade de São Albano, formava o trio britânico da fundação da "Nova Troia" ou "Nova Atlântida", conforme o encargo da Deusa Diana à Brutus). Esse plano deveria ser instaurado pelo feitos heroicos de Arthur, depois de aprender a Bruxaria com Merlin Ambrosius e instituir a Ordem dos Cavaleiros da Távola Redonda, de doze cavaleiros e um líder do trono de ouro. No entanto, com a morte de Arthur na batalha de Camlann, por Modred (referido como "Hromundr" nas lendas germânicas) em sua aliança com os bárbaros Saxões, Camelot foi destruída pelos invasores germânicos. Merlin Ambrosius, que havia se tornado conselheiro real, com a morte de Arthur, por sua vez, teve que retornar para sua terra: a floresta de Broceliande, na Bretanha, no território da França, onde, mais tarde, ao morrer, foi enterrado em um megálito francês chamado "A Tumba de Merlin" ("Le Tombeau de Merlin"). 





Por sua vez, Merlin Ambrosius (reencarnação de Proclus Lycaeus e de Aristoteles, do Clã Socrático-platônico [vide o tópico da galeria: "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade"]), era conhecido como "Myrddin" no linguajar britânico e possuía como sobrenome "Ambrosius" ("Emrys"em britânico), que significa "divino ou imortal", era um mago que vivia em Broceliande que, juntamente com Morgana, Viviane, Uther Pendragon, etc., pertencia à Bruxaria Medieval, na corte de Camelot, através de uma descendência britânica até a bruxa Rowana, "a heroína da nação inglesa"Eis o motivo pelo qual Arthur tornou-se conhecido como "Ambrosius Aurelianus" ou "Aurelius Ambrosius" em Roma (e como "Thrainn, o rei de Bruxas" nas lendas germânicas), pois, legou a sapiência e magia de Emrys Myrddin ou Ambrosius Merlin. Desta forma, Broceliande se tornou uma terra famosa nos contos arthurianos, em decorrência de ser habitada tanto por Bruxas quanto por Druidas. Merlin, que era marido da dama Viviane, procriou três mulheres: Melior, Palatina ou Palaestina e Melissa ou Melusina, que eram de família nobre da idade média, os Lusignan, que viveram como descendentes reais em Broceliande, Jerusalém e Chipre. Em alguns mitos medievais de Melissa/Melusina, Merlin é chamado de "Elinas" e Viviane, às vezes, é referida como "Persina" ou "Elaine" (ou ainda, "Nyneve" ou "Nimueh"), a bruxa que teria sido encontrada por Merlin próxima à uma fonte. Depois de ambos se casarem, procriam as três filhas, já citadas anteriormente. Então, uma dessas filhas chamada Melissa ou Melusina, dá origem à uma lenda (citada a seguir), que é o conto da descendência familiar dos Lusignan e que, esmiuçadamente, está relacionada ao [1] banho ante-ritualístico de ablução ou purificação, assumindo a forma de quinotaura ou "quinotaurus" dos mitos bruxesco-merovíngios, a [2] reunião bruxesca à meia-noite na clareira da floresta e, por incidência de uma adversidade inesperada, a [3] busca pela água pura e santa da "Fonte da Sede" (simbolizada pelo Santo Graal ou Caldeirão do Renascimento e da Abundância), que curaria, restabeleceria a saúde e rejuvenesceria todo aquele que o bebesse. Todavia, no caso de Raymondin, traiu seu juramento à Melissa/Melusina, o que levou à ruína de si próprio. 

Gerald Brosseau Gardner afirma, em "A Bruxaria Hoje", que Melusina era um dos nomes pelos quais a Deusa Estelar era adorada entre as Bruxas na França. No entanto, o termo "Melusina" ou "Melissa", também conhecido como "Mellona", fora um título atribuído na antiguidade à Deusa Virgem-Mãe Artemis ou Demeter (vide o tópico da galeria: "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade"); ao passo que, Melusina das lendas franco-bretãs, trata-se de uma dama adepta da Bruxaria que, outrora, viveu na França merovíngia, isto é, uma mulher que havia o "Santo Graal" ou "Sangue Reale, portanto, possuía poderes de imortalidade, e não definitivamente "a Deusa". "Santo Graal" ou "Sangue Real" refere-se ao sangue bruxesco que se propaga por meio do Cálice ou Caldeirão do Renascimento, pois, Melusina das lendas franco-bretãs era o nome da filha de Merlin, o Bruxo (reencarnação de Joseph ou Tiberius Iulius Abdes Panthera, que nascera numa família céltica/cita dos Pandoura/Panduri entre os antigos romanos e que se tornou iniciado do Clã Mitraico: vide o Clã Mitraico no tópico da galeria, "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade") que vivia na floresta de Broceliande, na Bretanha, em território francês que, ao atravessar o Canal da Mancha que separa o norte da França com a Inglaterra, há na proximidade o condado de Sumerset, região em que situava a corte de Camelot ou Camalet, atualmente chamada de Castelo Cadbury. Desta forma, Melusina de Merlin deu origem à uma descendência familiar francesa: os Lusignan, um ramo dos Merovíngios que viviam na região da Bretanha na França, cujos seus descendentes se tornaram reis de Jerusalém e de Chipre, onde se vestiam etnicamente, como os reis céltico-romanos de Camelot, em coloração roxa ou violeta para destacar a descendência real que pertenciam. Por fim, antes de adentrarmos na lenda de Melusina, é importante lembrar que, logo ao sul de Broceliande, há o chamado "Espelho das Fadas", um famoso lago de fadas análogo ao lago italiano nemorense, da floresta de carvalho, o "Espelho de Diana"





"Segundo Jean D'Arras que conta essa lenda, Raimundino [Raymondin, na grafia original] de Forez, ancestral de Guy de Lusignan, chegou um dia ao lugar chamado Fonte da Sede ou Fonte das Fadas, perto de Parthenay-le-Vieux, no Poitou. Lá estavam Três Lindas Mulheres, dentre as quais uma, Melusina, que o fez sair do seu devaneio: "Por Deus, estou junto a Deus, sou aquela que pode mais te ajudar aqui embaixo e transformar teus males em alegrias! (...) Venho de uma terra que não conheces. Posso fazer de ti um homem rico e poderoso, se aceitares desposar-me." Naturalmente, Raimundino aceitou com alegria e Melusina impôs então uma condição: "Meu caríssimo senhor, deves jurar nunca tentar ver-me aos sábados, pois é o dia em que trabalharei para aumentar a tua fortuna." Foram felizes e tiveram 10 filhos que, infelizmente, eram todos marcados por um sinal no rosto. Um tinha um olho vermelho; o outro, uma mão com garras; um terceiro, orelhas disformes, etc. Contudo, Melusina mandou construir um magnífico Castelo, por operários que ela pagava à larga, todo sábado, após seu retiro secreto. O castelo era magnífico e se tornou a base da família dos Lusignan. No entanto, dizia-se a boca pequena que a esposa do conde Raimundino era um ser malfeitor, de modo que ele quis tirar isso a limpo e surpreender a sua esposa, no banho, certo sábado, pois a sua honra, pensava ele, era mais importante do que a sua promessa. Foi assim que ele descobriu a horrível verdade: a sua esposa, até o umbigo, tinha a aparência de uma mulher; a partir do umbigo, tinha enorme cauda de serpente. Surpresa com a chegada do esposo, ela se agitou no banho, e os seus olhos, em que passavam dragões, lançavam raios maus. Melusina se endireitou fora da água, mudou no quarto para a forma de um réptil e declarou: "Meu amigo, rompeste o pacto. Devo desaparecer!" A essas palavras, pulou pela janela, dando um longo gemido; depois, no espaço, transformou-se em uma serpente voadora. Então, atravessou o céu como um raio de fogo".


FONTE: Jean-Paul Bourre, "Dicionário Templário".





_____________________________

Ao benemérito St. Prior J.'.E.'.C.'.S.'.
Pela divindade do Uno, do Deus e da Deusa,
Ao Filho Divino, Vida, Saúde, Força e União!

Três Vezes Abençoado.