sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

-Quem foi Aradia a Primeira Bruxa ou Bela Peregrina?


O termo Aradia trata-se de um nome utilizado por Charles Godfrey Leland, em seu livro "Aradia o Evangelho das Bruxas", para uma beguina ou peregrina conhecida como "A Bela Peregrina" ou "A Santa Bruxa", que teria vivido na Itália em meados do ano 1313 ou 1381 e que, mais tarde, seus discípulas instituíram um clã de Bruxas, a seita Guglielmita, da Bruxaria Reformada na Itália, mais tarde subdividida em três congregações: o Clã Guglielmita ou Joaquimita, o Clã Turlupin ou Amauriciano/Proto-valdense e o Clã Caricio-familista ou Hoffmannita (citados por Raven Grimassi como "Janarra, Fanarra e Tanarra", de modo que não fossem reconhecidos pelos leigos). Essa peregrina ou beguina foi tida como filha de uma família Cristã conservadora e, após ir para um convento, teria recebido uma educação herética de sua tia e que, mais tarde, desenvolvera um Clã ou seita entre suas discípulas, ensinando, assim, a Bruxaria aos pobres e camponeses dos feudos para libertar-se da escravidão da Igreja Católica e da opressão dos padres e seu materialismo inerente. Contanto, tal beguina ou peregrina, também, era filha da Deusa Diana ou encarnação da Erodia/Aradia histórica ou Alma Santa (isto é, a "Anima Mundiou "Ruach ha-Qadesh", a Qatesh), legando à sua discípula o plano de trazer a "Era da Filha" (ou seja, a Bruxaria e/ou a Era de Leão-Caranguejo/Aradia e Hermes Trismegistos) em contraposição à "Era do Filho" (isto é, o Cristianismo e/ou a Era de Peixes/Jesus Cristo), o que, em consequência, levou os descendentes desta discípula a reivindicar o poder político do Papado Romano, da Santa Sé e dos postos eclesiásticos do Cristianismo (que, outrora, pertenciam às antigas religiões pagãs de Roma) e, repreendidos pela Igreja, entregaram-se voluntariamente à Inquisição para martírio às chamas ardentes da fogueira inquisitorial. Charles Godfrey Leland, apesar de ter corrompido maior parte do material original, expõe alguns mitos e poemas antigos que remontam à tempos mais antigos, como por exemplo "A Carga de Aradia", que fora reproduzido e alterado constantemente pelos praticantes ecléticos na modernidade, mas que, em uma de suas versões publicadas, afirma:



“Sempre que precisarem de algo, uma vez por mês, quando a Lua está na Cheia, venham juntas a um lugar deserto ou onde haja bosques e façam as devoções a Ela, que é Rainha das Bruxas. Venham todas juntas para dentro de um círculo e os segredos ainda desconhecidos serão revelados. Sua mente e seu espírito devem estar livres de toda escravidão. E, como sinal de que são realmente livres, vocês devem estar nuas em seus ritos. E vocês devem cantar e se rejubilar, tocando música e fazendo amor. Pois, esta é a essência do espírito e o conhecimento da alegria. Sejam leais às suas crenças e mantenham-se no caminho, acima de todos os obstáculos. Pois nossa é a chave dos Mistérios e do Ciclo de Renascimento, que abre o caminho para o Útero da Iluminação. Eu sou o espírito das Bruxas. E isso é alegria, paz e harmonia.  Na vida, a Rainha das Bruxas revela o conhecimento de espírito e, na morte, entrega você à paz e renovação. A Bela Peregrina, diz: 'Quando eu tiver partido deste mundo, em memória de Mim façam bolos de grãos, vinho e mel. Você deverá moldar os bolos em forma de Lua Crescente, compartilhando-os com vinho, tudo isso em memória do retorno de mim. Pois, fui enviada a vocês pelos Antigos e vim para livrá-las de toda a escravidão. Eu sou filha da Lua e do Sol. E, embora eu tenha nascido neste mundo, minha Raça vem das estrelas'Façam oferendas a Ela que é nossa Grande Mãe. Pois, Ela é a beleza verde dos campos e a luz da Lua entre as estrelas e os Mistérios que dá a vida e sempre nos chama para reunirmos em nome Dela. Que a adoração à Deusa esteja presente em nossos corações, pois todos os atos de amor e prazer são dádivas Dela. Mas, para os que A buscam, saibam que a procura e o desejo não o recompensarão ao menos que conheçam os Mistérios. Pois, se o que buscam não encontrarem dentro de vós, nunca o encontrarão fora. Pois saibam, Ela está conosco desde o momento que entramos no caminho, e Ela é aquilo que encontraremos no final da jornada”.

Ademais, o termo "Aradia" de que cita Charles Godfrey Leland e Raven Grimassi como instituidora dos Clãs "Janarra, Fanarra e Tanarra", ou Guglielmita/Joaquimita, Turlupin/Amauriciano/Proto-valdense e Caricio-familista/Hoffmannita, trata-se da Santa Bruxa cujos seus discípulos construíram uma Ermida "herética" na Toscana (o "Eremitério de Santa Maria Madalena") e que, com maior uso do açoitamento ritualístico, seus descendentes, com a fama de "Flagelantes" de que cita Gerald Brosseau Gardner em "Com o Auxílio da Alta Magia", foram duramente perseguidos pela Igreja Católica e, em consequência, decidiram se entregar para martírio na fogueira da Inquisição. "Aradia" (que é uma corruptela linguística do título da donzela turco-tessaliana Hecate/Heket/Ereshkigal chamado Erodia ou, na grafia medieval, "Herodias", a "Madonna Oriente" ou "Dama Grega", a Soteira ou Salvadora amante de Hermes Trismegistos e "primeira bruxa" que, sendo o sapo seu símbolo, na Bruxaria Medieval Pentárquica fazia-se oferendas devocionais de bolos de milho ou tremoços em encruzilhadas na lua nova) já era honrada entre as Bruxas ainda no ano 1012 (conjuntamente à Deusa Diana), como cita o bispo Burchard de Worms, ao referir-se às "heresias" das Bruxas. As discípulas de "Bela Peregrina" ou "Santa Bruxa" passaram a realizar os ritos sagrados na Toscana, ao lado da Úmbria, cuja sua descendente foi Santa Guglielma (Vilelmina Blanchena Premysl, também chamada de Blazena, Guilhermina, Vilemína, Felix ou Beatrice; que reencarnou, mais tarde, na Turíngia, na Alemanha moderna, e migrou para o Brasil, no estado de Rio Grande do Sul), uma princesa bohêmia que viveu entre 1210 a 1281, impulsionou os adeptos da Bruxaria Medieval Reformada sob a fama social de "Flagelantes" de que cita Gerald Brosseau Gardner em "Com o Auxílio da Alta Magia", em virtude de maior uso do açoitamento ritualístico ou diamastigose e, a partir da região italiana da Úmbria e Toscana, alguns discípulos migraram ao norte da Itália (assim como, também, pela França, Bélgica e, principalmente, Alemanha), onde Santa Guglielma teve como discípula a beguina Mayfreda Visconti de Pirovano.


Tanto Santa Guglielma como Mayfreda Visconti de Pirovano eram adeptos do Clã dos hereges Joaquimitas, os quais, por sua vez, acreditavam que o dia iniciava-se à meia-noite (como os antigos celtas), momento em que se reuniam para realizar os ritos sagrados e, sobretudo, eram contra o acúmulo de riquezas 
— tal como fazia a Igreja Católica — e o ato de possuir propriedades de terras ou bens materiais entre as pessoas, de modo que todos convivessem mutuamente em filantropia ou caridade e despossassem do materialismo e suas vaidades corruptas, no entanto, foram perseguidos e repreendidos tanto pela Igreja quanto pela Ordem Franciscana, a qual, esta última, temia que a Ordem Franciscana fosse extinta pela Igreja devido à associação com a heresia dos Fraticelos. Destarte, Mayfreda pertencia à família Visconti, cujos familiares viviam majoritariamente em Milão e eram, politicamente, ligados aos Gibelinos, o movimento social que era contra que o poderio sociopolítico fosse dado à Igreja, mas, em contraposição, eram partidários de que o poderio sociopolítico fosse dado ao bruxesco Sacro Império Romano, o qual havia descendência bruxesco-merovíngia até Maria Madalena, que era Bruxa do antigo Clã Mitraico (vide o Clã Mitraico no tópico da galeria: "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade"), e até o rei e bruxo medieval Carlos Magno (reencarnação de Salomon o Azazel/Azizos, Iniciado dos Clãs Adonista e Amonita e que recebia honrarias entre os povos hebreus; de Alexandre III o Magno, Iniciado dos Clãs Amonita e Artemisiano; de Caius Iulius Caesar, Iniciado do Clã Lupercal; e de Flavius Claudius Iulianus, Iniciado dos Clãs Eleusino e Platônico e que instituiu a Bruxaria Medieval Pentárquica; que reencarnaria, depois, como São Louis o Magnus Lyon Christianissimus, Iniciado da Bruxaria Medieval Pentárquica e aliado da Ordem do Templo; e como Napoléon Bonaparte, co-instituidor da co-Maçônica Bruxaria de Mênfis-Misraim
, formalizador de base da neotemplária Ordem Militar Suprema do Templo de Jerusalém e que aboliu a Inquisição Espanhola), como proclamava a Ordem Rosacruz original ao condenar a corrupção da Igreja. Em consequência, Mayfreda foi vista com bom grado pelo povo e pelos pobres, os quais a honravam como uma mulher Santa (visto que "Santa" é tradução pagã latina para "Heroína"), de modo que as pessoas se ajoelhavam até seus pés e os beijavam, em admiração por seus dons de curas e miráculos. Todavia, os ensinamentos de Mayfreda eram ditos ao povo comum, como mulher santa ou heroína que era honrada:


I - Vilemína [ou Guglielma] é o espírito que se fez carne no sexo feminino;
II - Como o Arcanjo Gabriel anunciou à Virgem Maria, a Encarnação da Palavra, o Arcanjo Rafael, proclamou à Constance [mãe de Santa Agnes/Anezka Ceska e da própria Santa Guglielma], a Rainha da Bohemia, a encarnação do Espírito Santo;
III - Vilemína era verdadeiramente Deus e homem (homo) em uma mulher, como Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem (homo) no sexo masculino;
IV - Com o advento de Vilemína o Espírito Santo e, portanto, um ser divino, é superior à Virgem Maria e aos outros santos;
V - Assim como Cristo sofreu e morreu como homem, assim também Vilemína morreu de acordo com sua formação humana, não divina em sua natureza;
VI - Como como em Cristo, também em Vilemína, cinco estigmas surgiram em seu corpo;
VII - Assim como Cristo ressuscitou corporalmente, dirigiu na presença dos seus discípulos nos céus, e no dia de Pentecostes o Espírito Santo foi enviado para eles em línguas de fogo, Vilemína ressuscitou antes do julgamento com seu corpo feminino, na presença de seus discípulos, amigos e crentes para subir aos céus e voltar a eles em línguas de fogo. Em seguida, todos eles serão os seus apóstolos;
VIII - Como Cristo, deixou ao apóstolo Pedro como seu representante na terra, na sua igreja, e deu as chaves do reino dos céus, assim também deixou Vilemína a irmã Mayfreda da Ordem Umiliata como sua representante na terra;
IX - Como o Apóstolo Pedro pregou e celebrou em Jerusalém, assim também fará Vilemína, através de sua representante Mayfreda, para pregar em Milão e depois em Roma em comemorações e feiras, onde ficará então com a Santa Sé. Como Cristo, Vilemína também estará com seus discípulos e apóstolos;
X - A Irmã Mayfreda é, em verdade, a "Papisa" e têm a autoridade de um verdadeiro papa, porque Mayfreda é ela mesma o Espírito Santo na forma de uma mulher, o seu representante na forma de uma mulher. O papa, o papado e a Cúria deverão entregar a sua autoridade à irmã Mayfreda, que irá batizar a judeus, muçulmanos e todos os outros povos fora da Igreja de Roma;
XI - Os Evangelhos atuais, bem como os ensinamentos neles contidos serão substituídos pelos Quatro Evangelhos de Vilemína, a quem Mayfreda por seu arbítrio escolher para escrever, e assim tomar de vez, pacifica e permanentemente à Sé Apostólica, em Roma;
XII - Vilemína já está ressuscitada, aderiu à carne como de sua vontade, é o Cristo ressuscitado e, como assim sendo, ficou onde lhe parecesse melhor. E como Cristo apareceu à Maria Madalena antes de sua ascensão, assim também Vilemína aparece aos seus discípulos de vez em quando;
XIII - A expropriação do pecado, obtido por uma peregrinação ao túmulo de Vilemína em Chiaravalle [Abadia de Claraval, ao sul da França em divisa com o norte da Itália], corresponde ao obtido anteriormente por uma peregrinação até o túmulo de Cristo em Jerusalém;
XIV - Como os apóstolos de Cristo sofreram por amor a ele, irão sofrer por Vilemína, e como Judas traiu Jesus Cristo, entregando-o aos judeus, incluindo alguns simpatizantes, os companheiros de Vilemína serão entregues à Inquisição.



Com as declarações e ensinamentos de Santa Guglielma repassados ao povo leigo, estes passaram a reproduzir a alegação de que esta era uma Santa (o que, de fato, é verdade) e/ou que era mais do que uma Santa e, Mayfreda Visconti de Pirovano atestando tal aspecto, acarretou na prática de costumes bruxescos populares, não apenas na Itália, quanto, também, em Portugal, como é o caso dos costumes beguinos sobreviventes nos Açores em se reunir em associações de bairro para venerar o Divino Espírito Santo (desde os tempos da dama "Rainha Santa" conhecida como Yzabel, esposa de Dom Dinis, o adepto da Ordem do Templo, da Bruxaria Medieval Pentárquica e Templária). Além disso, os sacerdotes masculinos do clã ou seita Guglielmita ou Joaquimita eram organizados como Ordem Humilhada ou Humilde (Ordem Umiliata) em que ficava no distrito milanês de Brera, ao passo que, em momentos ritualísticos importantes, os homens se uniam às mulheres-sacerdotisas da seita (tal como no "Oratório do Pântano" ou na lápide de Santa Guglielma — vide imagem acima — que ficava no cemitério da francesa Abadia de Claraval, instituído por São Bernardo de Claraval). Alguns autores medievais pertencentes ao Clã Guglielmita ou Joaquimita, como Giacchino da Fiore, chegaram a publicar alguns ensinamentos ("heréticos" para a Igreja Cristã) em que havia ministrado a Bela Peregrina aos seus discípulos, como à Santa Guglielma (e, desta, à Mayfreda), que afirmavam:

“A primeira Era foi a do conhecimento, a segundo a da sabedoria, a terceira será a da inteligência integral. A primeira Era foi a obediência servil, a segunda a servidão filial, e a terceira será a liberdade. A primeira foi a provação; a segunda a ação, a terceira será a contemplação. A primeira foi o medo, a segunda foi a fé, e a terceira será o amor. A primeira foi a idade dos escravos, a segunda a dos filhos, a terceira será a dos amigos. A primeira foi a idade dos velhos, a segunda a dos jovens, a terceira será a das crianças. A primeira passou no reflexo das estrelas, a segundo foi a aurora, a terceira será um dia pleno. A primeira foi o inverno, a segunda foi o início da primavera, a terceira será o verão. As urtigas nasceram na primeira era, as rosas na segunda, e as lilases na terceira. A primeira foi das ervas, a segunda das espigas, e a terceira irá prosperar o trigo. A primeira foi a água, a segunda o vinho, a terceira vai fornecer o abrasamento. A primeira está relacionada com o Natal, a segunda com a Candelária, a terceira será relacionada com a Páscoa. Assim, a primeira idade estava relacionada com o Pai, que é o autor de todas as coisas, a segunda ao Filho, que se dignou a investir em nosso [mortal] corpo, a terceira será a era do Espírito Santo feminino, do qual o discípulo disse: 'Lá onde o espírito do Senhor habita, aí há liberdade!'.


Contudo, Mayfreda não foi tolerada pela Igreja Católica medieval e foi queimada na fogueira como herege, em meados de 1300. Mas, antes de morrer, quando ainda estava em julgamento, ela se apoiou nas palavras de São Paulos: "No Senhor não há homem sem a mulher, nem mulher sem o homem". Alguns estudiosos afirmam que os clérigos Cristãos imaginavam que Mayfreda estava envolvida com alguma facção da Bruxaria ou praticava algum tipo de magia, em função de que os inquisidores da Igreja haviam lançado algumas perguntas estranhas no decorrer do julgamento que, por característica, beiravam às práticas mágicas e relacionadas à fogueira ou ao fogo ritualístico. Nas descrições da obra "Colmarienses Annales", de 1301, o cronista dominicano de Colmar afirma que no ano 1300 havia "[...] uma donzela muito digna e igualmente eloquente da Inglaterra [que] identificou-se com o Espírito Santo, que aceitaram a salvação pela carne de uma mulher. E chamou as mulheres em nome do Pai, do Filho e em seu próprio nome. Após sua morte, ela foi levada para Milão e, em seguida, quando queimada, suas cinzas foram mantidas pelo irmão de João [João de Wissenburc] da Ordem dos Pregadores [Ordem Dominicana, instituída em Toulouse]". Guglielma era de origem boêmia, todavia, conforme essa descrição acima, pode-se sugerir que Guglielma tivesse ido à Inglaterra ou vivido um tempo na Inglaterra, antes de chegar à Itália. Em 1503, o milanês Bernardino Corio contou uma história de que, no ano 1300, uma dama herege chamada "Guglielma" (ou sua sucessora, Mayfreda) viveu e agiu de forma santa, morando com um homem chamado Andrea Saramita e que, não obstante, atuava em duas "sinagogas" (ou conventos) situadas no subterrâneo, onde se reuniam à noite com os membros de sua seita, dentre eles mulheres jovens, casadas e viúvas e, desta forma, todas as participantes se vestiam como se fossem "padres" (ou sacerdotes) e usavam uma espécie de "tonsura" (própria dos Fraticelos); ainda, nesses encontros noturnos, juntavam-se homens jovens e adultos, todos vestidos como sacerdotes, e as mulheres e os homens iniciavam suas assembleias com uma oração diante de um altar, em que gritavam: "Juntos, nós somos unidos!", e a luz era apagada, seguindo-se de uma "orgia sexual" de "profanação em segredo" (isto é, a prática de Magia Sexual atribuída às Bruxas). Neste aspecto, Mircea Eliade, em seu ensaio em religiões comparadas, "Ocultismo, Bruxaria e Correntes Culturais", afirma a existência comum em várias regiões da Europa Medieval de uma cerimônia religiosa atribuída às Bruxas, como verifica-se a descrição a seguir:


“[...] Um dos primeiros testemunhos foi obtido por Stephen de Bourbon, Inquisidor no norte da França a partir de 1235. Uma mulher confessou-lhe a seguinte história: ‘Sua patroa frequentemente a levava para um lugar subterrâneo onde uma multidão de homens e mulheres se reunia à luz de tochas e velas, em redor de um grande vaso onde se havia colocado um bastão [um rito de fertilidade?]. O líder, então, invocava Lúcifer a vir até eles. Nesse momento, um gato de aparência horrível aparecia no quarto. Depois de mergulhar sua cauda na água, ele aspergia os presentes. Então, apagavam-se as luzes e as pessoas se entregavam a práticas sexuais.’ Com poucas variações, essa é a descrição do Sabá das Bruxas que se registra com grande freqüência nos séculos seguintes. Os elementos característicos são: o encontro num local subterrâneo, a evocação e o aparecimento de Satã, a extinção das luzes seguida de práticas sexuais indiscriminadas. Essa monotonia torna-se inesperadamente significativa quando se constata que, a partir do começo do século XI, exatamente a mesma acusação foi levantada contra os diversos movimentos reformistas considerados heréticos. Dessa forma, em 1022, na cidade de Orleães, um grupo de reformistas foi acusado de praticar orgias sexuais em cavernas subterrâneas [conventículos?] e casas abandonadas. De acordo com a denúncia feita, os devotos entoavam os nomes dos demônios; e, quando um espírito mau aparecia, as luzes eram extintas e cada membro do grupo se entregava a quem estivesse mais próximo, fosse mãe, irmã ou freira. 'As crianças concebidas por ocasião dessas orgias eram queimadas oito dias após o nascimento... e de suas cinzas fazia-se uma substância usada numa imitação sacrílega da comunhão cristã'. Tais acusações tornaram-se costume e eram repetidas a respeito de cada indivíduo ou grupo acusado de heresia. 



Um relato, datado de 1175, diz que os hereges de Verona se reuniam num local subterrâneo e, depois de ouvir um sermão sacrílego, apagavam as luzes e se entregavam à orgia. Exatamente as mesmas acusações foram feitas contra os Patarinos 
[derivado do termo francês "Patoier", uma gesticulação crioula ou caipira, fora uma designação taxativa ao movimento político de padres pobres da Igreja Cristã que desacataram o controle do Arcebispado milanês], hereges alemães, e os Cátaros [Linhagem Cátara ou Maniqueia do Clã Mitraico, da Bruxaria Clássica]. No século XIII, os Irmãos do Espírito Livre [os disfarçados integrantes do Clã Guglielmita ou Joaquimita, da Bruxaria Medieval Reformada], do Reno, os Apostólicos [membros de uma Companhia de Justos e Foliões, que roubavam dos ricos para distribuir aos pobres, mais tarde chamados Dolcinianos], da Itália setentrional, os veneradores de Lucífer, que apareceram na Alemanha a partir de 1227 [as Bruxas de três eleitorados do Sacro Império Romano, como de Trier, de Mainz e de Colonia, que declararam, nas perseguições de bruxomanias ou "caça-às-bruxas", que o anjo Tubalcain/Davul, estereotipado como "Diabo" e seu mito distorcido pelos cristãos, fora expulso dos céus pela deidade dos judeus e cristãos, o "Altíssimo", mas que, em contraposição, o imperialista "Altíssimo" seria destituído dos céus e, extinguindo a injusta lei opressiva deste, o anjo lucífero restauraria sua lei à terra; o que, na modernidade, o próprio "Altíssimo", como citado por Helena Petrovna Blavatsky, foi derrubado pelo Filho Divino Prometheus ou encarnou na terra por sua ira com a humanidade, ao passo que a lei de justiça, comunitarismo, pacifismo e liberdade, ensinada por Tubalcain, retornou à terra], e os Adamitas Boêmios [vide: Clã Turlupin ou Amauriciano/Proto-valdense, da Bruxaria Medieval Reformada que, através do movimento de Jan Huss e Lutero, buscou-se transformar em Igreja Evangélica Pós-Calvinista], nos séculos XIV e XV, foram acusados de se entregar à orgias sexuais em lugares subterrâneos. De acordo com Konrad de Marburg, o primeiro inquisidor papal na Alemanha, os membros das seitas (do século XIII) costumavam se reunir num local secreto; o demônio aparecia sob forma de um animal e, depois de cânticos e uma breve liturgia, apagavam-se as luzes e tinha lugar uma orgia heterosexual. Nos séculos XIV e XV, tanto os Valdenses quanto os Cátaros foram associados com mais intensidade às Bruxas ou vice-versa. Dizia-se que os Cátaros se reuniam à noite e, depois de ouvir sermões e receber sacramentos sacrílegos, festejavam e bebiam, após o que as luzes eram apagadas. A mesma acusação fora feita contra os Irmãos do Espírito Livre e mesmo contra os Fraticelos (ou seja, os reformistas franciscanos) [...]” (apud ELIADE, Mircea. In: "Ocultismo, Bruxaria e Correntes Culturais").




Neste aspecto, é importante abrir parenteses, pois, precisamos compreender que, no passado, cada Clã da velha Bruxaria foi governado por uma "Rainha das Bruxas", a qual, além de deter a autoridade soberana da Bruxaria na terra, possuía um companheiro chamado de Magus ou Majestade das Bruxas que, após a morte deste, era honrado — assim como os imperadores romanos  como "Divus" ou "Dibus", isto é, um rei santificado. Isso levou ao surgimento de superstições entre os Cristãos e Inquisidores sobre o "Diabo", já que Jesus Cristo havia sido morto por ordem de um imperador romano ou "Divus" e, portanto, foi visto como sendo o símbolo do mal ou inimigo do Deus Jave, igualando-se às concepções Judaicas de “Satã”. Porém, o "Divus" ou "Dibus", para as Bruxas, era um Magus ou Majestade de bruxas e iniciados que, por sua autoridade espiritual e elevação em direção à divindade e ao bem comum da sua irmandade, havia se tornado possuidor do mérito de receber honrarias (as quais diferem-se propriamente de adoração ou culto aos Deuses). Portanto, as Bruxas, enquanto pagãos que prestavam honrarias à autoridade do “Divus” e que haviam compactuado com o “Divus Iulianus” ou “Divus Iulius” — Flavius Claudius Iulianus (Iniciado dos Clãs Eleusino e Platônico) que, com a oficialização do Cristianismo como religião do Império Romano e sua proibição dos antigos templos pagãos e perseguição às Bruxas e Iniciados da "Mysteria" ou Arte dos Sábios, reuniu junto com o filósofo e bruxo Flavius Sallustius todos os Clãs da Bruxaria que sobreviviam e instituiu a organização secreta da Bruxaria Medieval Pentárquica por toda a Europa , foram declaradas nas superstições como "pactuadoras com o Diabo". Na língua latina, “Divus” é um termo pagão descendente do sânscrito "Deva" ou "Devi" que era designado à quem era imortal que, por sua autoridade espiritual, havia se elevado em direção à divindade e ao bem comum e que, na antiguidade, em decorrência de alguns reis persas corruptos que usavam tal título ostentadamente, o Zoroastrismo, para condenar a corrupção real, passou a distorcer como "Daeva" ou "Daebaaman" (literalmente "o pensamento de Daeva") e, mais tarde, os Cristãos deturparam definitivamente como "Diabo"; todavia, o uso entre os imperadores pagãos da Antiga Roma era notavelmente comum. 

No antigo Clã Lupercal, da Bruxaria Clássica (vide o tópico da galeria: "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade"), as mulheres eram designadas comumente como "matronasou "senhorassob a autoridade dos "Caesar" – isto é, dos Magus ou Majestades, companheiros das Rainhas das Bruxas ou "Regina Sacrorum" – dando-lhe destaque no culto à Deusa que, no início da idade média, foram acusadas pela Inquisição de adorarem "Madonna Oriente" ou "Signora del Gioco" e, através desta adoração e magia, ressuscitavam miraculosamente os mortos, o que levou à queima das matronas deste Clã pela Inquisição. A Bruxaria era, enquanto organização secreta, governada por Rainhas das Bruxas e um dos sinônimos que recebia, além de “Arte dos Sábios”, era “Arte Sacerdotal e Real”, pois, essa metáfora busca sintetizar uma mensagem oculta e esotérica: que é preciso exercer o Sacerdócio e a Filantropia para, conforme a cósmica Lei de Justiça ou de Hermes Trismegistos, chegar ao Trono alquímico ao restaurar a condição angélica, de acordo com a alquimia túrquico-egípcia das Bruxas, para a obtenção do Santo Graal que permitirá maior aproximação aos Deuses e, consequentemente, obter a salvação; assim, era ensinado – como relatado por uma bruxa nas confissões da Inquisição – que a Bruxaria visa conquistar o poderio de comandar, subir ao poder ou aprender a reinar. Além disso, entende-se que o termo “Satã”, utilizado na citação acima, é nada mais que um equívoco dos padres e teólogos Cristãos para satanizar o Deus Cornífero das Bruxas, o "Daimonos" ou "Agathos Daimon", título pagão do próprio Deus Dionysos, o que levou os Cristãos a afirmar que todos os Deuses pagãos eram "demônios" ou "espíritos malévolos", todavia, as Bruxas, por sua vez, possuem consciência de que "Satã" ou "Satanás" ou "Ha-Shaitan" constitui uma corruptela hebraica à Seth/Ares/Ahriman que, traindo ao demiurgos Tubalcain com sua esposa Naamah/Ninmah/Niamh/Nemesis a Aphrodite Pandemos/Zerynthia Kale/Sarah Kali, deu início à guerra atlante contra o arcanjo hierofante Hermes Trismegistos, o filho-irmão de Tubalcain/Hubal-qa'im e Fundador da Bruxaria. 

Entretanto, algo descrito erroneamente, também, trata-se da prática de matança de crianças, atividade ignóbil jamais praticada pela Bruxaria Medieval; acusação que, originalmente, fora levantada pelos antigos pagãos do Império Romano em relação aos primeiros sacerdotes Cristãos e suas Igrejas
, pois, as Leis bíblicas Judaicas e Cristãs, prescrevem que: “Bravo o que tomar os seus filhinhos e os esmagar contra uma pedra!” (LIVRO DOS SALMOS, 137:9); “Cozemos pois o meu filho e o comemos. Mas dizendo-lhe eu ao outro dia: Dá cá o teu filho, para que o comamos; escondeu o seu filho” (LIVRO DOS REIS II, 6:29); “E comerás um biscoito de cevada, a qual cozerás, à vista deles, com excrementos humanos.” (LIVRO DE EZEQUIEL, 4:12)Particularmente, a Bruxaria, no passado, jamais ensinou ou aconselhou aos seus iniciados e sacerdotes ao sacrifício ou matança de crianças e que, como sabe-se por investigações ocultas, tais calúnias visavam perder o prestígio do culto das Bruxas; pois, com o nascimento de crianças de pais bruxos, havia a cerimônia de apresentação dos bebês chamada "Rito de Sindicação ou Lustração" (vide: "Dies Lustricus") em que, no Sabá de final de outono ou Halloween, ocorria o Batismo de Água-Ar-e-Fogo, relatado pelos teólogos da Igreja Católica; contudo, por outro lado, se os Cristãos primitivos praticavam de fato ou se era apenas difamação a acusação de sacrifício ou matança de crianças permance sem resposta tal questionamento, porém, é inegável o fato de que os sacerdotes Cristãos medievais realizaram inúmeras torturas e matanças ritualísticas nas fogueiras da "Inquisição do Santo Ofício" (um ofício definitivamente de Ares/Ahriman/Seth o Satanás e sem nenhuma santidade, senão a falsa da Igreja mundana!), não apenas de pessoas adultas, mas, também, de crianças e infantes, no caso de quando estes eram filhos de mulheres adeptas da Bruxaria. Também, como sabe-se, as Bruxas possuíam como prática principal em sua religião de segredos a prática da Magia Sexual, o que, por sua vez, fica claro que, acrescentando todos esses ingredientes citados dentro de um contexto sociocultural repressor, fanático e que, além de supersticioso e puritanista, era ignorante e formador de uma "fé cega", obviamente que iria produzir diversos relatos obscuros, marginalizadores e imaginariamente fantástico. Além disso, o autor Raven Grimassi no livro "Bruxaria Hereditária" conta, poeticamente, a vinda da Bela Peregrina à terra e, também, expõe algumas histórias contadas nas lendas italianas: algumas, autênticas e com um fundo de verdade, enquanto que, outras, supersticiosas e folclóricas. Depois de a Bela Peregrina ouvir uma voz que afirmava "Olhe bem dentro dos céus e saiba que você foi a escolhida", conta-se que ela foi ensinar a Bruxaria entre os camponeses e pobres oprimidos:

“Abençoados sejam os livres de espírito. Abençoados sejam os irmãos que se rejubilam na verdade e no amor e não querem professar os ensinamentos injustos e mal orientados. Saibam que o Espírito está sobre todos vocês e o espírito é Amor. O Amor não castiga, nem por um dia, nem pela eternidade. Não se deem a ensinamentos de medo e de limitações. Abençoados sejam os livres de espírito porque seu reino é de ambos os mundos. Eles são Filhos da Terra, que não odeiam nem ensinam limitação e, do mesmo modo, são Filhos do Espírito. Benditos sejam os Livres de Espírito [ou os de Espírito Livre] e os que amam sem interesse, pois o Amor é a maior conquista, é a dádiva da bênção do espírito. Portanto, nunca traiam nem decepcionem o Amor. Amem uns aos outros e cuidem uns dos outros e de todas as coisas, com o coração e a alma de um poeta. Esforcem-se para ver o mundo através dos olhos de um artista. Vão, procurem e capturem a beleza que existe, mas cuidado para não magoarem ninguém. Amem e vivam ao máximo, com atenção e compaixão pelas mentes, corações e almas de todos a sua volta. Vivam em harmonia. Eu sou Filha da Lua e do Sol [não o físico, mas, o Sol Oculto, Sirius]. Sou a terra. Eu sou o Amor pela liberdade que é o Amor dos Deuses e aquele que acreditar no que digo, será também um filho da Mãe e do Pai, que estão presentes em todas as coisas. Embora os homens clamem por muitos Deuses, há apenas Um, que é Todos. Um homem é chamado por muitos nomes em sua vida: alguns o conhecem por pai ou amigo, para alguns ele pode ser um inimigo ou um irmão e para outro, um primo. No entanto, não é ele o mesmo homem? A própria natureza não lhe mostra, de todos os modos, que tudo é igual? Na flora e na fauna, existem o feminino e o masculino. Quem entre vocês pode dizer qual é o mais importante? Um não pode existir sem o outro.  Os padres [Cristãos] dizem o que lhes foi dito. São aqueles que estão acima dos padres que conhecem e escondem a verdade, pois, existem muitos homens gananciosos e com sede de poder e que lucram com a Igreja e exercem o controle com os falsos ensinamentos, que limitam e ameaçam a independência de sacerdócio. Com vocês eu agora estabeleço novamente a antiga religião [dos Sábios]. Saibam que existem outros que ainda seguem os velhos costumes, procurem-nos e digam-lhes que a Mãe espera uma Criança e eles saberão o que quero dizer. Procurem também os que desejam nos seguir.

A Criança é a Filha da Mãe da Terra e ela será conhecida como aquela que é razão e sabedoria. Ela retornará ao mundo e libertará todos os povos do jugo dos imperadores e autoridades. Nesta Idade da Filha, vão acontecer grandes mudanças como o mundo nunca viu, e será uma época de renovação. A aurora da era será assinalada pelo Desejo da Filha. Suas palavras serão ouvidas entre as palavras dos homens. As mulheres andarão nos caminhos dos homens e a lei não conhecerá nenhuma diferença. Quando isso acontecer, a era terá começado e meu profeta restaurará meus ensinamentos, aprontando-se para a aurora da era, pois ela virá. No ano do nascimento desse profeta, haverá um sinal, com o qual todas as Bruxas se alegrarão, pois esse ano marcará o renascimento da antiga religião [dos Sábios]. Porém, antes desta data, haverá muitas mortes entre nosso povo. Aproxima-se o tempo em que meus Filhos serão levados a julgamento, vocês serão perseguidos e entregues aos carrascos e meu povo será torturado e morto por ordem da Igreja. Assim como antigamente, eles foram perseguidos, agora perseguirão a nós, mas a Idade do Filho trará um fim a isso, dando lugar à Idade da Filha. Vocês já ouviram os padres falarem de inferno e perdição, mas eu lhes digo: não acreditem nessas coisas, pois o espírito do Grandioso é amor e o amor não amaldiçoa, e sim, abençoa. O Amor da Mãe e do Pai não se esquece do Filho, não despreza um filho para manter outro. Eu censuro os padres e lhes afasto deste povo porque eles ensinam castigo e vergonha aos que gostariam de se livrar da escravidão da Igreja. Os símbolos deles e vestimentas de autoridade que usam servem apenas para esconder a nudez na qual todos somos iguais. Eles dizem servir à um deus, mas servem somente aos seus próprios medos e limitações. Como antigamente, vocês deverão comemorar o primeiro dia de maio e o primeiro dia de agosto e também a véspera de novembro. Em fevereiro, observarão o segundo dia, também comemorarão os Solstícios, o meio-vernal, o meio-invernal e os Equinócios de primavera e de outono.

A todos que observarem esses dias santificados, a Rainha dos Céus dará poder e terão sucesso e amor. Vocês também terão poder para abençoar e consagrar, conhecerão a língua dos espíritos, obterão conhecimento de coisas ocultas e se comunicarão com os espíritos do outro mundo. Vocês entenderão a voz dos Ventos e a sabedoria de mudar de forma. Para vocês, o futuro será conhecido e os sinais secretos serão revelados, terão o poder de curar doenças e de revelar a beleza. As feras selvagens os conhecerão e não lhe farão mal. Saibam que o poder é obtido pelo conhecimento e que o conhecimento é obtido pela compreensão, saibam também, que devem adquirir o equilíbrio. Todo ser vivo é de essência feminina e masculina, não exaltem um sem o outro, conheçam os dois para que sejam completos. Abençoados sejam os livres de espírito. Quando odiarem ou se desesperarem ou não compreenderem, é porque não estão em equilíbrio com vocês mesmos ou com o mundo. Não falo somente de feminino e masculino, mas dos elementos, causas e forças. Primeiro, procurem o equilíbrio e então compreenderão e, compreendendo, conquistarão o que devem. Meu plano está firmemente determinado e a vocês dou agora o poder. Em meu nome vocês continuarão e ensinarão o caminho da libertação e da magia. Logo vocês irão para aqueles que vivem fora dos caminhos, e encontrarão ignorância, medo e mal entendimento, portanto, protejam-se de todos os modos. Vocês também encontrarão muitos que verdadeiramente procuram ser um só com a natureza das coisas; ensinem a todos que são sinceros e realmente dignos, mas cuidado para não serem judiciosos. Mantenham distintamente sua própria maneira de ser e não esperem que todos sejam iguais a vocês. Sejam amorosos e carinhosos com todas as pessoas, pois, caso contrário, muitos irão se afastar de vocês; como, então, poderão servir ao caminho? Saibam que sua primeira lealdade é para com a Deusa e o Deus, a segunda lealdade é para com o caminho e a terceira é para com todas as Bruxas. Se servirem a si próprios estarão em desequilíbrio com a natureza, pois na natureza todas as coisas são iguais. Nada é mais importante do que outra coisa, embora todos os seres tenham o direito de fazer o que necessitam para sobreviver. Isso pode ser uma desvantagem para outros seres vivos, o que se torna a essência da sobrevivência.

Quem pode ir contra a Ordem das coisas? Assim, vivam suas vidas como devem, de acordo com as leis que lhes ensinei. Aproveitem cada dia e não anseiem pelo dia seguinte; a única certeza é o agora. Não se tornem amargos ou frios ante a aparente dureza ou injustiça da vida, pois o Amor tem o poder de sobrepujar todas as coisas. Nada dura para sempre e nada permanece o mesmo, pois tudo está neste mesmo momento se movendo àquilo em que se transformará. Portanto, digo-lhes que observem os ciclos de todas as coisas, dentro de vocês e fora de vocês. A Idade da Filha é a Idade Final que se revelará sobre a terra. A primeira Idade foi a da Grande Mãe, a segunda foi a do Pai e a terceira é a do Filho. Agora, quando a Idade da Filha vier, a razão será restaurada e o mundo estará em equilíbrio. Para proclamar a vinda da Filha e para que esse tempo seja mantido na memória da terra, a cada duzentos anos surgirá um profeta, que será um grande professor e dará vida à antiga religião [dos Sábios]Quando a Idade da Filha se aproximar, haverá um despertar na percepção feminina e seus desejos serão assegurados. As leis das províncias, então, mudarão e as mulheres trilharão o caminho dos homens. E haverá um tempo em que a última das leis que nos perseguem e suprimem será eliminada; neste ano, todos os que pertencem à Bruxaria se alegrarão. Quando a Idade da Filha começar a substituir a do Filho, meu profeta aparecerá e muitos o chamarão de Profeta Silencioso. Nesta época acontecerão muitas mudanças, mudanças que os povos dessa época nunca terão visto antes e haverá grande renovação e revolução. Quando a Idade da Filha substituir a do Filho, aparecerá aquela que irá restabelecer a razão; ela terá trinta e seis anos e virá com poder, pois o Mensageiro Silencioso já terá preparado o caminho. No progresso dessa época, haverá grandes julgamentos e sobrevirão tribulações para as pessoas de todas as nações; mas, das cinzas, surgirá o novo mundo da razão. Os povos não mais serão regidos por governos, nem um povo oprimirá o outro; não haverá dirigentes, mas apenas professores e conselheiros. Ninguém possuirá poder sobre o outro nem restringirá ou controlará outra pessoa. A terra será de um povo e eles todos viverão sob a emanação dos raios de amor, paz e razão.

Jure agora, diante de mim e de meus discípulos, e junte-se ao pacto solene, por todas as coisas que contei a vocês, pois você concordou e deu seu juramento de cumprir minhas palavras agora e nos tempos determinados. Na verdade, haverá aqueles que não poderão ou não quererão recebê-lo; tem sido sempre assim com aqueles que falam do Espírito e da verdade e, entre os que o conhecem e amam, estarão seus maiores adversários. A todos os que não receberem suas palavras, diga o que agora digo a você: 'Eu falo sobre o que sei, além da simples crença e conto a vocês sobre coisas que vi e sobre os caminhos. Se não puderem crer em mim quando falo da natureza e dos caminhos comuns, como poderei falar a vocês das coisas mais elevadas e dos caminhos diferentes? Se me pedirem para provar isto ou aquilo, e se puserem em teste tudo que lhes conto, como os farei entender aquilo que não estão preparados para saber? Aqueles que os testarem, e que pedirem coisas além do próprio entendimento, são como crianças que fazem perguntas que não podem ser respondidas; e então você deve inventar-lhes histórias e dar respostas simples, para evitar que fiquem frustrados e confusos. Não falem dos céus para as crianças, nem falem dos Mistérios para os tolos. Vocês já viram a luz da fogueira, como os insetos são atraídos pela chama, e vocês viram as feras selvagens fugirem dela; porque não ousam se aproximar. No entanto, nós não nos reunimos em volta dela e extraímos conforto? O mesmo acontece com sua própria luz sobre todos que a contemplam. Vocês não entenderam o que lhes ensinei? Digam-me, que coisa é maior que a outra ou qual pessoa? Quem, entre vocês, conhece o curso das coisas que acontecerão e quem entre vocês tem o poder e a visão para assegurar o futuro? Eu não sou maior do que qualquer um de vocês e, no entanto, subo numa montanha e vejo o que vocês não podem ver. Eu estou onde estou porque viajei até aqui; este lugar pertence a mim, embora mesmo por um instante; não estou mais no fim da minha jornada, mas novamente no começo de outra. Vocês me chamaram de Vossa Mestra e me seguiram; peço agora que confiem em mim; vocês viram minha luz, ouviram minhas palavras. Recebam-me.

Aproxima-se o tempo, agora, em que vocês sairão e ensinarão ao povo, mas não apenas por mim; vocês o farão por Ela que é maior que todas as coisas; vocês fazem pela liberdade e pela libertação. Mas tomem cuidado para não serem como os Cristãos; em vez disso, falem de suas verdades e respeitem as dos outros. Não forcem os ensinamentos a ninguém, nem pela espada, nem pela língua esperta, nem por ameaças de tormento infindável. Esse não é nosso caminho. Não encham seus corações e mentes com orgulho, nem se auto-justifiquem. Não coloque nosso caminho acima dos outros caminhos. Falem apenas com as palavras que lhes dei, não usando as suas próprias. Se precisarem acrescentar algo ao que falei, então que seja para clarear ou ajudar na compreensão. Não se desencorajem com o que acontecer a vocês enquanto peregrinam; lembrem-se de que estão plantando as sementes de uma colheita que sempre brotará; mesmo que seus inimigos a cortem e queimem, ela retornará, como a primavera. O que eu falei não será esquecido, nem vocês serão esquecidos. Nós somos da antiga religião [dos Sábios], nosso caminho é a raiz de todas as outras raças; somos os alicerces de todas as coisas deste mundo e a chave para os portões do próximo mundo. Mas, não pensem que somos o único caminho do espírito. Há muitas obras a serem realizadas, em ambos os mundos, para desfazer os ferimentos que a Igreja nos infligiu e nos afligirá. Há muitas obras a serem realizadas para restaurar nossos caminhos e ensinar a verdade; mas isso não veremos nesta vida, nem em uma era de vidas; no entanto, renasceremos em tempo futuro e, então, o mundo verá nosso retorno e saberá que voltamos novamente ao poder, como era nos tempos antigos. Saibam que todos que estão diante de mim verão surgir essa época de poder; meu mensageiro que está agora ao meu lado, os atrairá para ele próprio e vocês saberão e se lembrarão. E se lembrarão também daquela que os amou. Em breve deixarei vocês, embora ficasse se fosse permitido, mas serei chamada agora, pois meu tempo quase já se esgotou. Vão em paz e não se desesperem. Estarei com vocês em espírito, como tenho estado com vocês nesses dias que passaram tão depressa. Se acontecesse de o mundo esquecer o que eu falei e eu fosse lembrada apenas por uma coisa, então eu desejaria que fosse por ter sido amada por pessoas como vocês, meus discípulos" (GRIMASSI, Raven).



Desta forma, deve-se lembrar que, apesar de que Raven Grimassi dá créditos à pessoas impostoras e falsárias, como George Pickingill, Raven Grimassi está correto ao afirmar que Charles Godfrey Leland é o autor responsável pelo renascimento da Bruxaria entre o povo leigo na modernidade, embora que conventículos de bruxas já tenham tentado vir à público antes, como é o caso do conventículo de bruxas liderada por Francis Dashwood, o Clube Fogo do Inferno que ficara conhecido popularmente na Grã-Bretanha no ano de 1719, ainda que de uma maneira um tanto distorcida. Contudo, é importante lembrar que, assim como a data de nascimento de "Christian Rosnkreutz" é uma parábola em referência à uma pessoa que nasceu um período anterior, constitui, similarmente, a data de nascimento da Bela Peregrina em 1313, o que, em consequência, pode-se constatar que, em um período anterior à tal data, nasceram mulheres batalhadoras e beguinas ilustres, cujos seus discípulos dedicaram o Eremitério de Santa Maria Madalena ("Romitorio di Santa Maria Maddalena"), no lugarejo de Montepescali em Grosseto, na Toscana (vide imagem abaixo), sendo que, antes de serem declarados heréticos e de se entregarem voluntariamente para a morte martirizada na fogueira pela Inquisição, aqueles que conseguiram sobreviver secretamente, depois de 1312, assumiram o nome de "Irmãos do Espírito Livre" ("Fratelli del Libero Spirito") e "Sábios" ou "Homens Inteligentes" ("Homines Intelligentiae"), acusados de heresia pela Inquisição; ao passo que os descendentes espanhóis, como Santa Magdalena de La Cruz e Frade Francisco de Osuna, foram levantadas suspeitas pela Inquisição, acarretando, em alguns casos, à prisão por heresia. 



Assim, o Clã Guglielmita ou Joaquimita constituía-se em uma forma de reformismo medieval tardio para a Bruxaria Medieval Pentárquica que, em consequência, deu origem à outros Clãs da Bruxaria Medieval Reformada: o Clã Turlupin ou Amauriciano/Proto-valdense (instituído pelo sacerdote herético e filósofo Amaury de Bène e Pierre Valdès na França que, em seguida, espalhou-se à Bélgica e à Holanda e que, mais tarde, Jeanne Daubenton, alta-sacerdotisa francesa, fora queimada pela Inquisição sob acusação de heresia e prática ilegal da Bruxaria), isto é, estes três Clãs da Bruxaria Medieval Reformada se originaram com a santa bruxa ou bela peregrina. O Clã Guglielmita ou Joaquimita almejava construir um mundo melhor e com maior sensibilidade por parte do dogmatismo limitado da Igreja Católica, o que não levou muito tempo para que o Sacro Império Romano e o movimento gibelino se manifestassem contra a Igreja e seus guelfos; porém, os integrantes da seita notaram que, para criar uma revolução social contra o dogmatismo da Igreja, era preciso se martirizarem, do mesmo modo que fez Socrates na antiguidade, no intento de que o povo ignorante e os governantes corruptos tomassem consciência da forma opressora em que estavam agindo e que, somente desta forma, conscientizariam as pessoas da importância em ser justo. Após Mayfreda perceber que suas discípulas iriam ser reconhecidas como Bruxas, o que lhe restava foi entregá-las à Inquisição para que fossem queimadas voluntariamente e, assim, ao menos morrer com o mesmo espírito de felicidade e êxtase que nossos antepassados caminhavam para a morte no passado: sem temê-la




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Ao benemérito St. Prior J.'.E.'.C.'.S.'.
Pela divindade do Uno, do Deus e da Deusa,
Ao Filho Divino, Vida, Saúde, Força e União!

Três Vezes Abençoado.