sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

-Quem foi "Aradia" La Bella Peregrina?


O termo Aradia trata-se de um nome utilizado por Charles Godfrey Leland, em seu livro "Aradia o Evangelho das Bruxas", para uma beguina ou peregrina conhecida como "A Bela Peregrina" ou "A Santa Bruxa", que teria vivido na Itália em meados do ano 1313 ou 1210 e que, mais tarde, suas discípulas instituíram um clã de Bruxas, a seita Guglielmita, da Bruxaria Medieval Reformada (Valdense-turlupin, Guglielmita, e Caricio-familista), na Itália, mais tarde subdividida em três Congregações Guglielmitas: a Congrega Janarra, dos segredos da lua e operante no centro da Itália; a Congrega Fanarra, dos segredos da terra e operante ao norte da Itália; e a Congrega Tanarra, dos segredos das estrelas e operante no centro da Itália. Essa peregrina ou beguina foi tida como filha de uma família Cristã conservadora e, após ir para um convento, teria recebido uma educação herética de sua tia e que, mais tarde, desenvolvera um Clã ou seita entre suas discípulas, ensinando, assim, a Bruxaria aos pobres e camponeses dos feudos para libertar-se da escravidão da Igreja Católica e da opressão dos padres e seu materialismo inerente. Contanto, tal beguina ou peregrina, também, fora simbólica e declaradamente filha da Deusa Diana ou encarnação da Deusa Aradia\Ariadna ou, na linguagem gnóstica, da Alma Santa ou Espírito Santo (isto é, a "Anima Mundiou "Ruach ha-Qadesh", a Qatesh), legando à sua discípula o plano de trazer a "Era da Filha" (ou seja, a Bruxaria e/ou a Era de Caranguejo/Aphrodite e Hermes Trismegistos) em contraposição à "Era do Filho" (isto é, o Cristianismo e/ou a Era de Peixes/Jesus Cristo), o que, em consequência, levou os descendentes desta discípula a reivindicar o poder político do Papado Romano, da Santa Sé e dos postos eclesiásticos do Cristianismo (que, outrora, pertenciam às antigas religiões pagãs de Roma) e, repreendidos pela Igreja, entregaram-se voluntariamente à Inquisição para martírio às chamas ardentes da fogueira inquisitorial. Charles Godfrey Leland, apesar de ter corrompido maior parte do material original, expõe alguns mitos e poemas antigos que remontam à tempos mais antigos, como por exemplo "A Criação das Estrelas e da Chuva" "A Carga de Aradia", partes do Evangelho das Bruxas ensinado pela Bela Peregrina, que fora reproduzido e alterado constantemente pelos praticantes modernos e ecléticos na atualidade, mas que, em uma de suas versões publicadas, afirma:



A Criação das Estrelas e da Chuva:

A Deusa Diana foi a primeira a surgir antes de toda a criação; Nela estavam todas as coisas; a partir Dela mesma, a negra luz primordial, Ela se dividiu: em claridade e escuridão Ela se tornou dividida. O Deus Apollon Karneios o Lucífero, Seu Irmão e que fora auxiliado no Parto, Ela mesma e Sua outra metade era a luz. E quando Diana viu o quão bela era a Luz, a claridade que era Sua outra metade, Seu irmão Apollon o Lucífero, a Deusa o desejou com grande vontade. Desejosa de receber novamente a claridade em Sua escuridão, de engoli-La em êxtase e prazer, a Deusa tremeu de desejo. Este desejo foi a aurora. Mas, Apollon, a claridade, fugia da Deusa, e não cedia a Seus desejos, como a luz que se refugia nas partes mais distantes do infinito, onde o rato se esconde do gato. Então, Diana se manifestou com o Início dos pais e mães, com o espírito que havia antes de todos os seres, e lamentou que não podia controlar Apollon o Lucífero. Então, foi enaltecida Sua coragem, ao ouvir que, para poder se erguer, Ela deveria cair; pois, para se tornar a Rainha dos Deuses, Ela deveria antes se tornar mortal.


Com o passar das eras e do tempo, quando o mundo foi feito, a Deusa Diana desceu à terra, assim como o Deus Apollon, que havia baixado, e Diana ensinou magia e

encantamentos, de onde se originaram as Bruxas, as Fadas e os Duendes, tudo o que se assemelha ao homem, mas que, no entanto, não é mortal. E foi assim que Diana assumiu a forma de uma gata. Seu irmão possuía um gato ao qual amava acima de todas as outras criaturas, e o gato dormia toda noite em sua cama, um gato mais belo que qualquer outro ser, uma fada; Ele não sabia disso. Diana convenceu o gato a trocar de formas com Ela; assumiu Sua própria forma, e de Apollon concebeu Aradia.

Mas, pela manhã, quando descobriu que estava deitado ao lado de Sua irmã, e que o dia havia sido conquistado pela noite, Apollon ficou extremamente irado; mas, Diana, através de Sua magia, encantou-O de tal forma que Ele cedeu ao amor Dela. Este foi o primeiro encantamento; Ela murmurou o encanto, que era como o zumbir das abelhas, um fascínio que tecia a vida. Ela teceu a vida de todas as criaturas; todas as coisas foram tramadas pela Roda de Diana. Apollon movia a Roda. A Deusa Diana não era conhecida como Rainha das Bruxas e das Fadas e Elfos entre os espíritos que habitavam os locais ermos; Ela humildemente se ocultou na forma de uma mortal, mas, por Seu desejo, Ela novamente se elevou acima de todos. Ela possuía um amor pela Bruxaria, e se tornou tão poderosa que sua grandiosidade não mais podia ser oculta.


E assim foi que uma noite, no encontro de todas as Bruxas e Fadas, Ela declarou que escureceria os céus e transformaria todas as estrelas em ratos. Todas as presentes disseram: Se podes realizar este ato estranho assim, se possuis tão elevado Poder, deves ser nossa Rainha! A Deusa Diana foi numa encruzilhada; Ela pegou a bexiga de um boi e uma fortuna-de-bruxa, a qual possui a ponta de uma lança e, com tal fortuna, as Bruxas traçaram a terra sob a trilha de um Varão, ao passo que Ela cortou a terra, e com Ela e muitos ratos Ela preencheu a bexiga e assoprou até que esta estourasse. A partir daí, surgiu uma grande maravilha, pois, a terra que estava no interior da bexiga se tornou o curvo firmamento acima de nós, e por três dias houve grande chuva; os ratos se transformaram em estrelas e choveram. E por ter criado as estrelas e a chuva, Diana se tornou a Rainha das Bruxas: Ela era o gato que regia as estelas, os ratos, os céus e a chuva.


O Encargo de Aradia/Ariadna:


É Deusa Diana! Vejam, Ela aumenta em Crescente! Que o crescente da Nossa Senhora das Estrelas seja ainda mais brilhante em sua noite de núpcias! 


A Deusa Diana amava muito a Seu Irmão Apollon Karneios o Lucífero, o Deus da Luz e da Lua, o Senhor do Esplendor que, de tão feliz em sua beleza, desceu dos Céus. E Diana tivera uma filha de Seu Amado, a quem deram o nome de Aradia/Ariadna. Mas, naquela época havia na terra muitos ricos e muitos pobres: os ricos escravizavam os pobres. Havia naqueles dias, também, muitos escravos e oprimidos, os quais eram cruelmente tratados; tortura em toda parte, prisioneiros em todo castelo. Muitos escravos escapavam; eles fugiam para os campos, tornando, assim, andarilhos e foliões. Ao invés de dormir à noite, eles tramavam fugas e roubavam de seus patrões, para depois puni-los. Viviam, então, nas montanhas e florestas como vagabundos e andarilhos, tudo para evitar a escravidão.

Diana disse um dia a sua filha Aradia/Ariadna: É certo que és um espírito, Mas foste gerada para voltar a ser um mortal; Deves descer à terra e ser uma Mestra de homens e mulheres, os quais, de bom grado, devem estudar em teu colégio a Bruxaria; Mas, como uma filha de Cain/Chimaira jamais deves ser, tampouco como a raça que, por fim, tornou-se depravada e infame pelo sofrimento, como os judeus e os errantes ciganos, os quais são todos ladrões e vilões, como estes não deves ser! E deves ser a primeira conhecida entre as Bruxas, e deves ser a primeira de todas no mundo, e deves ensinar o ofício das poções, para deixá-los loucos aqueles que são opressores dentre os patrões! Sim, deves fazer com que sejam punidos em seus palácios, e deves sujeitar a alma do opressor sem misericórdia!

E quando encontrares um rico nem que seja camponês, deves, então, ensinar à bruxa, sua discípula, como arruinar suas colheitas com tempestades terríveis, com o relâmpago e o trovão terríveis, e com o granizo e o vento! E quando um padre ou pastor causar-lhe mal com seus truques, deves fazer retornar a ele três vezes piores, e fazei-o em nome de Mim, a Grande Deusa das Bruxas! Assim como quando os padres da alta sociedade disserem que deves depositar sua fé no deus deles, respondei então: Vosso “deus”, o pai e o filho são três demônios! Pois, o verdadeiro Deus Pai não é o vosso; Eu vim para varrer o mal, os homens malignos Eu destruirei todos! Vós que sois pobres e sofrem com a fome, e labutam em miséria, sofrendo também constantemente com a prisão; Ainda assim tendes uma alma e, por vosso esforço, sereis felizes no outro mundo, mas negativo é o destino de todos os que vos causam mal! Então, quando Aradia/Ariadna foi ensinada a praticar a Bruxaria e como varrer a raça maligna de opressores, Ela ensinou as suas discípulas e lhes disse:


Quando Eu tiver partido deste mundo, sempre que precisardes de algo, uma vez por mês, quando a Lua estiver na Cheia, reuni-vos em algum lugar secreto, ou em assembleia num campesinato, para adorar o poderoso espírito de Sua Rainha, Minha Mãe, a Grande Deusa Diana! Àquela que de bom grado aprender toda a magia, mas, que ainda não domina seus segredos mais profundos, minha Grande Mãe irá lhe ensinar, na verdade, todas as coisas que estiverem ocultas para vós! E sereis libertos de qualquer escravidão, e sereis livres para qualquer coisa; E como sinal de sua autêntica liberdade, deveis comparecer nus em seus ritos sagrados, tanto homens como mulheres: tudo isto deve perdurar até que pague o último de seus demônios opressores; E deveis jogar o jogo de Benevento no escuro depois de apagar as luzes, para, em seguida, desfrutar do sacro banquete ou simpósio desta forma. Então, quando a dança atingir o seu ápice, todas as lucernas serão apagadas e, em tua homenagem ó Deusa Diana, amaremo-nos livremente!


E ocorreu que a Deusa Diana, após sua filha donzela ter cumprido seu chamado e passado o tempo na terra dos mortais, chamou-A de volta, e lhe concedeu o poder para que, quando invocada, tendo praticado o bem comum, pudesse agraciar aqueles que A juraram com sucesso o amor de seu coração: Para abençoar ou punir com poderes favoráveis ou desfavoráveis; para interagir com os espíritos; para encontrar tesouros ocultos em antigas ruínas; para reunir os espíritos dos opressores que morreram tendo deixado tesouros; para compreender a voz do vento; para transformar água em vinho; para fazer adivinhações através de oráculos; para conhecer os segredos de cada espírito; para curar doenças; para tornar belos os que são feios; para domar feras selvagens; E o que quer que fosse pedido à Aradia, seria concedido.”

Ademais, o termo "Aradia" de que cita Charles Godfrey Leland e Raven Grimassi como co-instituidora do Clã Guglielmita e suas congregações Janarra, Fanarra e Tanarra, trata-se da Santa Bruxa cujos seus discípulos praticavam os ritos sagrados numa ermida da Toscana (o "Eremitério de Santa Maria Madalena") e que, seus descendentes, levaram a fama de "Fraticelos do Espírito Livre" ou "Irmãos do Espírito Livre" ("Fratelli del Libero Spirito"), foram duramente perseguidos pela Igreja Católica e, em consequência, decidiram se entregar para martírio na fogueira da Inquisição. "Aradia" (que é uma corruptela linguística do nome de Ariadna, que os padres Cristãos confundiram com a Herodiade bíblica) já era honrada entre as Bruxas ainda no ano 1012 (conjuntamente à Deusa Diana; pois o Deus Apollon Karneios recebia adoração no verão, ao passo que Dionysos e Aradia\Ariadna, no inverno), como cita o bispo Burchard de Worms, ao referir-se às "heresias" das Bruxas. A "Bela Peregrina" ou "Santa Bruxa" foi ninguém mais que Santa Guglielma Blanchena Premysl (também chamada de Vilelmina,  Guilhermina, Vilemína, Blazena, Felix ou Beatrice; que reencarnou, mais tarde, em Novo Hamburgo no Rio Grande do Sul, no Brasil, como Jacobina Mentz Maurer, estereotipada como "Mucker" ou "Falso Santo", onde foi caluniada de que seria "uma feiticeira" ou "malfeitora" e acusada de prática ilegal da Bruxaria e morta, juntamente com seus discípulos, por perseguição religiosa: vide o tópico da galeria "A bruxa Jacobina Mentz Maurer, a nova La Bella Peregrina"), uma princesa boêmia que viveu entre 1210 a 1281 ao norte da Itália, em Milão, e impulsionou os adeptos da Bruxaria Medieval Reformada (Clã Guglielmita na Itália, Clã Valdense-turlupin na França, e Clã Caricio-familista na Alemanha), sendo que alguns de seus discípulos viveram, tanto em Milão, onde Santa Guglielma Blanchena Premysl teve como discípula a beguina ou peregrina Mayfreda Visconti de Pirovano, como na Toscana.


Tanto Santa Guglielma 
Blanchena Premysl como Mayfreda Visconti de Pirovano acreditavam, por sua vez, que o dia iniciava-se à meia-noite (como os antigos celtas), momento em que se reuniam para realizar os ritos sagrados e, sobretudo, eram contra o acúmulo de riquezas — tal como fazia a Igreja Católica — e o ato de possuir propriedades de terras ou bens materiais entre as pessoas, de modo que todos convivessem comunitária e mutuamente em filantropia ou caridade e despossassem do materialismo e suas vaidades e corrupções, no entanto, foram perseguidos e repreendidos tanto pela Igreja quanto pela Ordem Franciscana, a qual, esta última, temia que a Ordem Franciscana fosse prejudicada pela Igreja devido à associação com a heresia dos Fraticelos Joaquimitas, os quais já acreditavam em uma nova era cujo advento seria o da Alma Santa ou Espírito Santo ou, na linguagem bruxesca, da Deusa. Destarte, Mayfreda pertencia à família Visconti, cujos familiares viviam majoritariamente em Milão e eram, politicamente, ligados aos Gibelinos, o movimento social que era contra que o poderio sociopolítico fosse dado à Igreja, mas, em contraposição, eram partidários de que o poderio sociopolítico fosse dado ao Sacro Império Romano, como proclamava a Ordem Rosacruz original ao condenar a corrupção da Igreja. Em consequência, Mayfreda foi vista com bom grado pelo povo e pelos pobres, os quais a honravam como uma mulher Santa (visto que "Santa" é tradução pagã latina para "Heroína"), de modo que as pessoas se ajoelhavam até seus pés e os beijavam, em admiração por seus dons de curas e miráculos. Todavia, os ensinamentos de Mayfreda eram ditos ao povo comum, como mulher virtuosa que era tida:


I - Vilemína [ou Guglielma Blanchena Premyslé o espírito que se fez carne no sexo feminino;
II - Como o Arcanjo Gabriel anunciou à Virgem Maria, a Encarnação do Logos, o Arcanjo Rafael, proclamou à Constance [mãe da própria Guglielma], a Rainha da Boemia, a encarnação do Espírito Santo;
III - Vilemína era verdadeiramente Deus e homem (homo) em uma mulher, como Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem (homo) no sexo masculino;
IV - Com o advento de Vilemína o Espírito Santo e, portanto, um ser divino, é superior à Virgem Maria e aos outros santos [o que significava a renúncia da honraria à Virgem Maria e aos santos Cristãos];
V - Assim como Cristo sofreu e morreu como homem, assim também Vilemína morreu de acordo com sua formação humana, não divina em sua natureza;
VI - Como como em Cristo, também em Vilemína, cinco estigmas surgiram em seu corpo;
VII - Assim como Cristo ressuscitou corporalmente, dirigiu na presença dos seus discípulos nos céus, e no dia de Pentecostes o Espírito Santo foi enviado para eles em línguas de fogo, Vilemína ressuscitou antes do julgamento com seu corpo feminino, na presença de seus discípulos, amigos e crentes para subir aos céus e voltar a eles em línguas de fogo. Em seguida, todos eles serão os seus apóstolos;
VIII - Como Cristo, deixou ao apóstolo Pedro como seu representante na terra, na sua igreja, e deu as chaves do reino dos céus, assim também deixou Vilemína a irmã Mayfreda da Ordem Humilhada como sua representante na terra;
IX - Como o Apóstolo Pedro pregou e celebrou em Jerusalém, assim também fará Vilemína, através de sua representante Mayfreda, para pregar em Milão e depois em Roma em comemorações e feiras, onde ficará então com a Santa Sé [sob seu domínio]. Como Cristo, Vilemína também estará com seus discípulos e apóstolos;
X - A Irmã Mayfreda é, em verdade, a "Papisa" e têm a autoridade de um verdadeiro papa, porque Mayfreda é ela mesma o Espírito Santo na forma de uma mulher, o seu representante na forma de uma mulher. O papa, o papado e a Cúria deverão entregar a sua autoridade à irmã Mayfreda, que irá batizar a judeus, muçulmanos e todos os outros povos fora da Igreja Romana;
XI - Os Evangelhos atuais, bem como os ensinamentos neles contidos serão substituídos pelos Quatro Evangelhos de Vilemína, a quem Mayfreda por seu arbítrio escolher para escrever, e assim tomar de vez, pacifica e permanentemente, à Sé Apostólica, em Roma;
XII - Vilemína já está ressuscitada, aderiu à carne como de sua vontade, é o Cristo ressuscitado e, como assim sendo, ficou onde lhe parecesse melhor. E como Cristo apareceu à Maria Madalena antes de sua ascensão, assim também Vilemína aparece aos seus discípulos de vez em quando;
XIII - A expropriação do pecado, obtido por uma peregrinação ao túmulo de Vilemína em Chiaravalle [Abadia de Claraval, ao sul da França em divisa com o norte da Itália], corresponde ao obtido anteriormente por uma peregrinação até o túmulo de Cristo em Jerusalém;
XIV - Como os apóstolos de Cristo sofreram por amor a ele, irão sofrer por Vilemína, e como Judas traiu Jesus Cristo, entregando-o aos judeus, incluindo alguns simpatizantes, os companheiros de Vilemína serão entregues à Inquisição.



Com as declarações e ensinamentos de Santa Guglielma Blanchena Premysl repassados ao povo leigo, estes passaram a reproduzir a alegação de que esta era uma Santa (o que, de fato, é verdade) e/ou que era mais do que uma Santa e, Mayfreda Visconti de Pirovano atestando tal aspecto, acarretou na prática de costumes bruxescos populares, não apenas na Itália, quanto, também, em Portugal, como é o caso dos costumes beguinos sobreviventes nos Açores em se reunir em associações de bairro para venerar o Divino Espírito Santo (desde os tempos da dama "Rainha Santa" conhecida como Yzabel, esposa de Dom Dinis, o adepto da Ordem do Templo, da Bruxaria Medieval Templária). Além disso, alguns dos sacerdotes masculinos do clã ou seita Guglielmita eram membros da Ordem Humilhada (Ordem Umiliata) em que ficava no distrito milanês de Brera, ao passo que, em momentos ritualísticos importantes, os homens se uniam às mulheres sacerdotisas da seita (tal como no "Oratório do Pântano" ou na lápide de Santa Guglielma Blanchena Premysl — vide imagem acima — que fica no cemitério da francesa Abadia de Claraval, instituída por São Bernardo de Claraval). Alguns autores medievais pertencentes à seita franciscana dos Fraticelos Joaquimitas, como Giacchino da Fiore, chegaram a publicar alguns ensinamentos ("heréticos" para a Igreja Católica) em que anunciavam a vinda da encarnação da Alma Santa ou Espírito Santo, que afirmavam:

“A primeira Era foi a do conhecimento, a segundo a da sabedoria, a terceira será a da inteligência integral. A primeira Era foi a obediência servil, a segunda a servidão filial, e a terceira será a liberdade. A primeira foi a provação; a segunda a ação, a terceira será a contemplação. A primeira foi o medo, a segunda foi a fé, e a terceira será o amor. A primeira foi a idade dos escravos, a segunda a dos filhos, a terceira será a dos amigos. A primeira foi a idade dos velhos, a segunda a dos jovens, a terceira será a das crianças. A primeira passou no reflexo das estrelas, a segundo foi a aurora, a terceira será um dia pleno. A primeira foi o inverno, a segunda foi o início da primavera, a terceira será o verão. As urtigas nasceram na primeira era, as rosas na segunda, e as lilases na terceira. A primeira foi das ervas, a segunda das espigas, e a terceira irá prosperar o trigo. A primeira foi a água, a segunda o vinho, a terceira vai fornecer o abrasamento. A primeira está relacionada com o Natal, a segunda com a Candelária, a terceira será relacionada com a Páscoa. Assim, a primeira idade estava relacionada com o Pai, que é o autor de todas as coisas, a segunda ao Filho, que se dignou a investir em nosso [mortal] corpo, a terceira será a era do Espírito Santo feminino, do qual o discípulo disse: 'Lá onde o espírito do Senhor habita, aí há liberdade!'.


Contudo, Mayfreda não foi tolerada pela Igreja Católica e foi queimada na fogueira como herege, em meados de 1300. Mas, antes de morrer, quando ainda estava em julgamento, ela se apoiou nas palavras de São Paulos: "No Senhor não há homem sem a mulher, nem mulher sem o homem". Alguns estudiosos afirmam que os clérigos Cristãos imaginavam que Mayfreda estava envolvida com alguma facção da Bruxaria ou praticava algum tipo de magia, em função de que os inquisidores da Igreja haviam lançado algumas perguntas estranhas no decorrer do julgamento que, por característica, beiravam às práticas mágicas e relacionadas à fogueira ou ao fogo ritualístico. Nas descrições da obra "Colmarienses Annales", de 1301, o cronista dominicano de Colmar afirma que no ano 1300 havia "[...] uma donzela muito digna e igualmente eloquente da Inglaterra [que] identificou-se com o Espírito Santo, que aceitaram a salvação pela carne de uma mulher. E chamou as mulheres em nome do Pai, do Filho e em seu próprio nome. Após sua morte, ela foi levada para Milão e, em seguida, quando queimada, suas cinzas foram mantidas pelo irmão de João [João de Wissenburc] da Ordem dos Pregadores [Ordem Dominicana, instituída em Toulouse]". Santa Guglielma Blanchena Premysl era de origem boêmia, todavia, conforme essa descrição acima, pode-se sugerir que Guglielma Blanchena Premysl tivesse ido à Inglaterra ou vivido um tempo na Inglaterra, antes de chegar à Itália. Em 1503, o milanês Bernardino Corio contou uma história de que, no ano 1300, uma dama herege chamada "Guglielma" (ou sua sucessora, Mayfreda) viveu e agiu de forma santa, morando com um homem chamado Andrea Saramita e que, não obstante, atuava em duas "sinagogas" (ou conventos) situadas no subterrâneo, onde se reuniam à noite com os membros de sua seita, dentre eles mulheres jovens, casadas e viúvas e, desta forma, todas as participantes se vestiam como se fossem "padres" (ou sacerdotes) e usavam uma espécie de "tonsura" (própria dos Fraticelos Joaquimitas); ainda, nesses encontros noturnos, juntavam-se homens jovens e adultos, todos vestidos como sacerdotes, e as mulheres e os homens iniciavam suas assembleias com uma oração diante de um altar, em que gritavam: "Juntos, nós somos unidos!", e a luz era apagada, seguindo-se de uma "orgia sexual" de "profanação em segredo" (isto é, a prática de Magia Sexual atribuída às Bruxas). Neste aspecto, Mircea Eliade, em seu ensaio em religiões comparadas, "Ocultismo, Bruxaria e Correntes Culturais", afirma a existência comum em várias regiões da Europa Medieval de uma cerimônia religiosa atribuída às Bruxas, como verifica-se a descrição a seguir:


“[...] Um dos primeiros testemunhos foi obtido por Stephen de Bourbon, Inquisidor no norte da França a partir de 1235. Uma mulher confessou-lhe a seguinte história: ‘Sua patroa frequentemente a levava para um lugar subterrâneo onde uma multidão de homens e mulheres se reunia à luz de tochas e velas, em redor de um grande vaso onde se havia colocado um bastão [um rito de fertilidade?]. O líder, então, invocava Lúcifer a vir até eles. Nesse momento, um gato de aparência horrível aparecia no quarto. Depois de mergulhar sua cauda na água, ele aspergia os presentes. Então, apagavam-se as luzes e as pessoas se entregavam a práticas sexuais.’ Com poucas variações, essa é a descrição do Sabá das Bruxas que se registra com grande freqüência nos séculos seguintes. Os elementos característicos são: o encontro num local subterrâneo, a evocação e o aparecimento de Satã, a extinção das luzes seguida de práticas sexuais indiscriminadas. Essa monotonia torna-se inesperadamente significativa quando se constata que, a partir do começo do século XI, exatamente a mesma acusação foi levantada contra os diversos movimentos reformistas considerados heréticos. Dessa forma, em 1022, na cidade de Orleães, um grupo de reformistas foi acusado de praticar orgias sexuais em cavernas subterrâneas [conventículos?] e casas abandonadas. De acordo com a denúncia feita, os devotos entoavam os nomes dos demônios; e, quando um espírito mau aparecia, as luzes eram extintas e cada membro do grupo se entregava a quem estivesse mais próximo, fosse mãe, irmã ou freira. 'As crianças concebidas por ocasião dessas orgias eram queimadas oito dias após o nascimento... e de suas cinzas fazia-se uma substância usada numa imitação sacrílega da comunhão cristã'. Tais acusações tornaram-se costume e eram repetidas a respeito de cada indivíduo ou grupo acusado de heresia. 

Um relato, datado de 1175, diz que os hereges de Verona se reuniam num local subterrâneo e, depois de ouvir um sermão sacrílego, apagavam as luzes e se entregavam à orgia. Exatamente as mesmas acusações foram feitas contra os Patarinos 
[derivado do termo francês "Patoier", uma gesticulação crioula ou caipira, fora uma designação taxativa ao movimento político de padres pobres da Igreja Cristã que desacataram o controle do Arcebispado milanês], hereges alemães, e os Cátaros. No século XIII, os Irmãos do Espírito Livre [os disfarçados integrantes do Clã Guglielmita, da Bruxaria Medieval Reformada na Itália], do Reno, os Apostólicos, da Itália setentrional, os veneradores de Lucífer, que apareceram na Alemanha a partir de 1227, e os Adamitas Boêmios [vide: Clã Valdense-turlupin, da Bruxaria Medieval Reformada e que, através do movimento de Jan Huss e Lutero, transformou-se em Igreja Evangélica Pós-Calvinista Valdense], nos séculos XIV e XV, foram acusados de se entregar à orgias sexuais em lugares subterrâneos. De acordo com Konrad de Marburg, o primeiro inquisidor papal na Alemanha, os membros das seitas (do século XIII) costumavam se reunir num local secreto; o demônio aparecia sob forma de um animal e, depois de cânticos e uma breve liturgia, apagavam-se as luzes e tinha lugar uma orgia heterossexual. Nos séculos XIV e XV, tanto os Valdenses quanto os Cátaros foram associados com mais intensidade às Bruxas ou vice-versa. Dizia-se que os Cátaros se reuniam à noite e, depois de ouvir sermões e receber sacramentos sacrílegos, festejavam e bebiam, após o que as luzes eram apagadas. A mesma acusação fora feita contra os Irmãos do Espírito Livre e mesmo contra os Fraticelos (ou seja, os reformistas franciscanos) [...]” (apud ELIADE, Mircea. In: "Ocultismo, Bruxaria e Correntes Culturais").




Neste aspecto, é importante abrir parênteses, pois, precisamos compreender que, no passado, cada Clã da velha Bruxaria foi governado por uma "Rainha das Bruxas", a qual, além de deter a autoridade soberana da Bruxaria na terra, possuía um companheiro chamado de Magus ou Majestade das Bruxas que, após a morte deste, era honrado — assim como os imperadores romanos  como "Divus" ou "Dibus", isto é, um rei santificado. Isso levou ao surgimento de superstições entre os Cristãos e Inquisidores sobre o "Diabo", já que Jesus Cristo havia sido morto por ordem de um imperador romano ou "Divus" e, portanto, foi visto como sendo o símbolo do mal ou inimigo do Deus Javeh, associando-se às concepções Judaicas de “Satã”. Porém, o "Divus" ou "Dibus", para as Bruxas, era um Magus ou Majestade de Bruxas e Iniciados que, por sua autoridade espiritual e elevação em direção à divindade e ao bem comum da sua irmandade, havia se tornado possuidor do mérito de receber honrarias (as quais diferem-se propriamente de adoração ou culto aos Deuses). Portanto, as Bruxas, enquanto pagãos que prestavam honrarias à autoridade do “Divus” e que haviam compactuado com o profeta saraceno das amazonas/amazegues Abu Ishaq-Ismail L'Atahiyya, o "Divus" instituidor da Bruxaria Medieval Benandante da Arábia à Europa, foram declaradas nas superstições como "pactuadoras com o Diabo". Na língua latina, “Divus” é um termo pagão descendente do sânscrito "Deva" ou "Devi" que era designado à quem era imortal que, por sua autoridade espiritual, havia se elevado em direção à divindade e ao bem comum e que, na antiguidade, em decorrência de alguns reis persas corruptos que usavam tal título ostentadamente, o Zoroastrismo, para condenar a corrupção real, passou a distorcer como "Daeva" ou "Daebaaman" (literalmente "o pensamento de Daeva") e, mais tarde, os Cristãos deturparam definitivamente como "Diabo"; todavia, o uso entre os imperadores pagãos da Antiga Roma era notavelmente comum. 

No antigo Clã Lupercal, da Bruxaria Clássica (vide o tópico da galeria: "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade"), as mulheres eram designadas comumente como "matronasou "senhorassob a autoridade dos "Caesar" – isto é, dos Magus ou Majestades, companheiros das Rainhas das Bruxas ou "Regina Sacrorum" – dando-lhe destaque no culto à Deusa que, no início da idade média, foram acusadas pela Inquisição de adorarem "Madonna Oriente" ou "Signora del Gioco" e, através desta adoração e magia, ressuscitavam miraculosamente os mortos, o que levou à queima das matronas deste Clã pela Inquisição. A Bruxaria era, enquanto organização secreta, governada por Rainhas das Bruxas e um dos sinônimos que recebia, além de “Arte dos Sábios”, era “Arte Sacerdotal e Real”, pois, essa metáfora busca sintetizar uma mensagem oculta e esotérica: que é preciso exercer o Sacerdócio e a Filantropia para, conforme a cósmica Lei de Justiça ou de Hermes Trismegistos, chegar ao Trono alquímico ao restaurar a condição angélica, de acordo com a alquimia túrquico-egípcia das Bruxas, para a obtenção do Santo Graal, que permitirá maior aproximação aos Deuses e, consequentemente, obter a salvação ou libertação; assim, era ensinado – como relatado por uma bruxa nas confissões da Inquisição – que a Bruxaria visa conquistar o poderio de comandar, subir ao poder ou aprender a reinar. Além disso, entende-se que o termo “Satã”, utilizado na citação acima, é nada mais que um equívoco dos padres e teólogos Cristãos para satanizar o Deus Cornífero das Bruxas, o "Daimonos" ou "Agathos Daimon", título pagão do próprio Deus Cornífero Dionysos, o que levou os Cristãos a afirmar que todos os Deuses pagãos eram "demônios" ou "espíritos malévolos", todavia, as Bruxas, por sua vez, possuem consciência de que "Satã" ou "Satanás" ou "Ha-Shaitan" constitui uma corruptela hebraica à Seth/Ares/Ahriman que, traindo ao demiurgos Tubalcain com sua esposa Naamah/Ninmah/Niamh a Aphrodite, deu início à guerra atlante contra o arcanjo hierofante Hermes Trismegistos, o filho-irmão de Tubalcain/Hephaestos e Fundador da Bruxaria. 

Entretanto, algo descrito erroneamente, também, trata-se da prática de matança de crianças, atividade ignóbil jamais praticada pela Bruxaria Medieval; acusação que, originalmente, fora levantada pelos antigos pagãos do Império Romano em relação aos primeiros sacerdotes Cristãos e suas Igrejas
, pois, as Leis bíblicas Judaicas e Cristãs, prescrevem que: “Bravo o que tomar os seus filhinhos e os esmagar contra uma pedra!” (LIVRO DOS SALMOS, 137:9); “Cozemos pois o meu filho e o comemos. Mas dizendo-lhe eu ao outro dia: Dá cá o teu filho, para que o comamos; escondeu o seu filho” (LIVRO DOS REIS II, 6:29); “E comerás um biscoito de cevada, a qual cozerás, à vista deles, com excrementos humanos.” (LIVRO DE EZEQUIEL, 4:12)Particularmente, a Bruxaria, no passado, jamais ensinou ou aconselhou aos seus iniciados e sacerdotes ao sacrifício ou matança de crianças e que, como sabe-se por investigações ocultas, tais calúnias visavam perder o prestígio do culto das Bruxas; pois, com o nascimento de crianças de pais bruxos, havia a cerimônia de apresentação dos bebês chamada "Rito de Sindicação ou Lustração" (vide: "Dies Lustricus") em que, no Sabá de final de outono ou Halloween, ocorria o Batismo de Água-Ar-e-Fogo, relatado pelos teólogos da Igreja Católica; contudo, por outro lado, se os Cristãos primitivos praticavam de fato ou se era apenas difamação a acusação de sacrifício ou matança de crianças permanece sem resposta tal questionamento, porém, é inegável o fato de que os sacerdotes Cristãos medievais realizaram inúmeras torturas e matanças ritualísticas nas fogueiras da "Inquisição do Santo Ofício" (um ofício definitivamente de Ares/Ahriman/Seth o Satanás e sem nenhuma santidade!), não apenas de pessoas adultas, mas, também, de crianças e infantes, no caso de quando estes eram filhos de mulheres adeptas da Bruxaria. Também, como sabe-se, as Bruxas possuíam como prática principal em sua religião de segredos a prática da Magia Sexual, o que, por sua vez, fica claro que, acrescentando todos esses ingredientes citados dentro de um contexto sociocultural repressor, fanático e que, além de supersticioso e puritanista, era ignorante e formador de uma "fé cega", obviamente que iria produzir diversos relatos obscuros, marginalizadores e imaginariamente fantástico. Além disso, o autor Raven Grimassi no livro "Bruxaria Hereditária" conta, poeticamente, a vinda da Bela Peregrina à terra e, também, expõe algumas histórias contadas nas lendas italianas: algumas, autênticas e com um fundo de verdade, enquanto que, outras, supersticiosas e folclóricas. Depois de a Bela Peregrina ouvir uma voz que afirmava "Olhe bem dentro dos céus e saiba que você foi a escolhida", conta-se que ela foi ensinar a Bruxaria entre os camponeses e pobres oprimidos:

“Abençoados sejam os Livres de Espírito. Abençoados sejam os irmãos que se rejubilam na verdade e no amor e não querem professar os ensinamentos injustos e mal orientados. Saibam que o Espírito está sobre todos vocês e o espírito é Amor. O Amor não castiga, nem por um dia, nem pela eternidade. Não se deem a ensinamentos de medo e de limitações. Abençoados sejam os livres de espírito porque seu reino é de ambos os mundos. Eles são Filhos da Terra, que não odeiam nem ensinam limitação e, do mesmo modo, são Filhos do Espírito. Benditos sejam os Livres de Espírito [ou os de Espírito Livre] e os que amam sem interesse, pois o Amor é a maior conquista, é a dádiva da bênção do espírito. Portanto, nunca traiam nem decepcionem o Amor. Amem uns aos outros e cuidem uns dos outros e de todas as coisas, com o coração e a alma de um poeta. Esforcem-se para ver o mundo através dos olhos de um artista. Vão, procurem e capturem a beleza que existe, mas cuidado para não magoarem ninguém. Amem e vivam ao máximo, com atenção e compaixão pelas mentes, corações e almas de todos a sua volta. Vivam em harmonia. Eu sou Filha da Lua e do Sol [não o físico, mas, o Sol Oculto, Siriús]. Sou a terra. Eu sou o Amor pela liberdade que é o Amor dos Deuses e aquele que acreditar no que digo, será também um filho da Mãe e do Pai, que estão presentes em todas as coisas. Embora os homens clamem por muitos Deuses, há apenas Um, que é Todos. Um homem é chamado por muitos nomes em sua vida: alguns o conhecem por pai ou amigo, para alguns ele pode ser um inimigo ou um irmão e para outro, um primo. No entanto, não é ele o mesmo homem? A própria natureza não lhe mostra, de todos os modos, que tudo é igual? Na flora e na fauna, existem o feminino e o masculino. Quem entre vocês pode dizer qual é o mais importante? Um não pode existir sem o outro.  Os padres [Cristãos] dizem o que lhes foi dito. São aqueles que estão acima dos padres que conhecem e escondem a verdade, pois, existem muitos homens gananciosos e com sede de poder e que lucram com a Igreja e exercem o controle com os falsos ensinamentos, que limitam e ameaçam a independência de sacerdócio. Com vocês eu agora estabeleço novamente a Antiga Religião [dos Sábios]. Saibam que existem outros que ainda seguem os velhos costumes, procurem-nos e digam-lhes que a Mãe espera uma Criança e eles saberão o que quero dizer. Procurem também os que desejam nos seguir.

A Criança é a Filha da Mãe da Terra e ela será conhecida como aquela que é razão e sabedoria. Ela retornará ao mundo e libertará todos os povos do jugo dos imperadores e autoridades. Nesta Idade da Filha, vão acontecer grandes mudanças como o mundo nunca viu, e será uma época de renovação. A aurora da era será assinalada pelo Desejo da Filha. Suas palavras serão ouvidas entre as palavras dos homens. As mulheres andarão nos caminhos dos homens e a lei não conhecerá nenhuma diferença. Quando isso acontecer, a era terá começado e meu profeta restaurará meus ensinamentos, aprontando-se para a aurora da era, pois ela virá. No ano do nascimento desse profeta, haverá um sinal, com o qual todas as Bruxas se alegrarão, pois esse ano marcará o renascimento da Antiga Religião [dos Sábios]. Porém, antes desta data, haverá muitas mortes entre nosso povo. Aproxima-se o tempo em que meus Filhos serão levados a julgamento, vocês serão perseguidos e entregues aos carrascos e meu povo será torturado e morto por ordem da Igreja. Assim como antigamente, eles foram perseguidos, agora perseguirão a nós, mas a Idade do Filho trará um fim a isso, dando lugar à Idade da Filha. Vocês já ouviram os padres falarem de inferno e perdição, mas eu lhes digo: não acreditem nessas coisas, pois o espírito do Grandioso é amor e o amor não amaldiçoa, e sim, abençoa. O Amor da Mãe e do Pai não se esquece do Filho, não despreza um filho para manter outro. Eu censuro os padres e lhes afasto deste povo porque eles ensinam castigo e vergonha aos que gostariam de se livrar da escravidão da Igreja. Os símbolos deles e vestimentas de autoridade que usam servem apenas para esconder a nudez na qual todos somos iguais. Eles dizem servir à um deus, mas servem somente aos seus próprios medos e limitações. Como antigamente, vocês deverão comemorar o primeiro dia de maio e o primeiro dia de agosto e também a véspera de novembro. Em fevereiro, observarão o segundo dia, também comemorarão os Solstícios, o meio-vernal, o meio-invernal e os Equinócios de primavera e de outono.

A todos que observarem esses dias santificados, a Rainha dos Céus dará poder e terão sucesso e amor. Vocês também terão poder para abençoar e consagrar, conhecerão a língua dos espíritos, obterão conhecimento de coisas ocultas e se comunicarão com os espíritos do outro mundo. Vocês entenderão a voz dos Ventos e a sabedoria de mudar de forma. Para vocês, o futuro será conhecido e os sinais secretos serão revelados, terão o poder de curar doenças e de revelar a beleza. As feras selvagens os conhecerão e não lhe farão mal. Saibam que o poder é obtido pelo conhecimento e que o conhecimento é obtido pela compreensão, saibam também, que devem adquirir o equilíbrio. Todo ser vivo é de essência feminina e masculina, não exaltem um sem o outro, conheçam os dois para que sejam completos. Abençoados sejam os livres de espírito. Quando odiarem ou se desesperarem ou não compreenderem, é porque não estão em equilíbrio com vocês mesmos ou com o mundo. Não falo somente de feminino e masculino, mas dos elementos, causas e forças. Primeiro, procurem o equilíbrio e então compreenderão e, compreendendo, conquistarão o que devem. Meu plano está firmemente determinado e a vocês dou agora o poder. Em meu nome vocês continuarão e ensinarão o caminho da libertação e da magia. Logo vocês irão para aqueles que vivem fora dos caminhos, e encontrarão ignorância, medo e mal entendimento, portanto, protejam-se de todos os modos. Vocês também encontrarão muitos que verdadeiramente procuram ser um só com a natureza das coisas; ensinem a todos que são sinceros e realmente dignos, mas cuidado para não serem judiciosos. Mantenham distintamente sua própria maneira de ser e não esperem que todos sejam iguais a vocês. Sejam amorosos e carinhosos com todas as pessoas, pois, caso contrário, muitos irão se afastar de vocês; como, então, poderão servir ao caminho? Saibam que sua primeira lealdade é para com a Deusa e o Deus, a segunda lealdade é para com o caminho e a terceira é para com todas as Bruxas. Se servirem a si próprios estarão em desequilíbrio com a natureza, pois na natureza todas as coisas são iguais. Nada é mais importante do que outra coisa, embora todos os seres tenham o direito de fazer o que necessitam para sobreviver. Isso pode ser uma desvantagem para outros seres vivos, o que se torna a essência da sobrevivência.

Quem pode ir contra a Ordem das coisas? Assim, vivam suas vidas como devem, de acordo com as leis que lhes ensinei. Aproveitem cada dia e não anseiem pelo dia seguinte; a única certeza é o agora. Não se tornem amargos ou frios ante a aparente dureza ou injustiça da vida, pois o Amor tem o poder de sobrepujar todas as coisas. Nada dura para sempre e nada permanece o mesmo, pois tudo está neste mesmo momento se movendo àquilo em que se transformará. Portanto, digo-lhes que observem os ciclos de todas as coisas, dentro de vocês e fora de vocês. A Idade da Filha é a Idade Final que se revelará sobre a terra. A primeira Idade foi a da Grande Mãe, a segunda foi a do Pai e a terceira é a do Filho. Agora, quando a Idade da Filha vier, a razão será restaurada e o mundo estará em equilíbrio. Para proclamar a vinda da Filha e para que esse tempo seja mantido na memória da terra, a cada duzentos anos surgirá um profeta, que será um grande professor e dará vida à Antiga Religião [dos Sábios]Quando a Idade da Filha se aproximar, haverá um despertar na percepção feminina e seus desejos serão assegurados. As leis das províncias, então, mudarão e as mulheres trilharão o caminho dos homens. E haverá um tempo em que a última das leis que nos perseguem e suprimem será eliminada; neste ano, todos os que pertencem à Bruxaria se alegrarão. Quando a Idade da Filha começar a substituir a do Filho, meu profeta aparecerá e muitos o chamarão de Profeta Silencioso. Nesta época acontecerão muitas mudanças, mudanças que os povos dessa época nunca terão visto antes e haverá grande renovação e revolução. Quando a Idade da Filha substituir a do Filho, aparecerá aquela que irá restabelecer a razão; ela terá trinta e seis anos e virá com poder, pois o Mensageiro Silencioso já terá preparado o caminho. No progresso dessa época, haverá grandes julgamentos e sobrevirão tribulações para as pessoas de todas as nações; mas, das cinzas, surgirá o novo mundo da razão. Os povos não mais serão regidos por governos, nem um povo oprimirá o outro; não haverá dirigentes, mas apenas professores e conselheiros. Ninguém possuirá poder sobre o outro nem restringirá ou controlará outra pessoa. A terra será de um povo e eles todos viverão sob a emanação dos raios de amor, paz e razão.

Jure agora, diante de mim e de meus discípulos, e junte-se ao pacto solene, por todas as coisas que contei a vocês, pois você concordou e deu seu juramento de cumprir minhas palavras agora e nos tempos determinados. Na verdade, haverá aqueles que não poderão ou não quererão recebê-lo; tem sido sempre assim com aqueles que falam do Espírito e da verdade e, entre os que o conhecem e amam, estarão seus maiores adversários. A todos os que não receberem suas palavras, diga o que agora digo a você: 'Eu falo sobre o que sei, além da simples crença e conto a vocês sobre coisas que vi e sobre os caminhos. Se não puderem crer em mim quando falo da natureza e dos caminhos comuns, como poderei falar a vocês das coisas mais elevadas e dos caminhos diferentes? Se me pedirem para provar isto ou aquilo, e se puserem em teste tudo que lhes conto, como os farei entender aquilo que não estão preparados para saber? Aqueles que os testarem, e que pedirem coisas além do próprio entendimento, são como crianças que fazem perguntas que não podem ser respondidas; e então você deve inventar-lhes histórias e dar respostas simples, para evitar que fiquem frustrados e confusos. Não falem dos céus para as crianças, nem falem dos Mistérios para os tolos. Vocês já viram a luz da fogueira, como os insetos são atraídos pela chama, e vocês viram as feras selvagens fugirem dela; porque não ousam se aproximar. No entanto, nós não nos reunimos em volta dela e extraímos conforto? O mesmo acontece com sua própria luz sobre todos que a contemplam. Vocês não entenderam o que lhes ensinei? Digam-me, que coisa é maior que a outra ou qual pessoa? Quem, entre vocês, conhece o curso das coisas que acontecerão e quem entre vocês tem o poder e a visão para assegurar o futuro? Eu não sou maior do que qualquer um de vocês e, no entanto, subo numa montanha e vejo o que vocês não podem ver. Eu estou onde estou porque viajei até aqui; este lugar pertence a mim, embora mesmo por um instante; não estou mais no fim da minha jornada, mas novamente no começo de outra. Vocês me chamaram de Vossa Mestra e me seguiram; peço agora que confiem em mim; vocês viram minha luz, ouviram minhas palavras. Recebam-me.

Aproxima-se o tempo, agora, em que vocês sairão e ensinarão ao povo, mas não apenas por mim; vocês o farão por Ela que é maior que todas as coisas; vocês fazem pela liberdade e pela libertação. Mas tomem cuidado para não serem como os Cristãos; em vez disso, falem de suas verdades e respeitem as dos outros. Não forcem os ensinamentos a ninguém, nem pela espada, nem pela língua esperta, nem por ameaças de tormento infindável. Esse não é nosso caminho. Não encham seus corações e mentes com orgulho, nem se auto-justifiquem. Não coloque nosso caminho acima dos outros caminhos. Falem apenas com as palavras que lhes dei, não usando as suas próprias. Se precisarem acrescentar algo ao que falei, então que seja para clarear ou ajudar na compreensão. Não se desencorajem com o que acontecer a vocês enquanto peregrinam; lembrem-se de que estão plantando as sementes de uma colheita que sempre brotará; mesmo que seus inimigos a cortem e queimem, ela retornará, como a primavera. O que eu falei não será esquecido, nem vocês serão esquecidos. Nós somos da antiga religião [dos Sábios], nosso caminho é a raiz de todas as outras raças; somos os alicerces de todas as coisas deste mundo e a chave para os portões do próximo mundo. Mas, não pensem que somos o único caminho do espírito. Há muitas obras a serem realizadas, em ambos os mundos, para desfazer os ferimentos que a Igreja nos infligiu e nos afligirá. Há muitas obras a serem realizadas para restaurar nossos caminhos e ensinar a verdade; mas isso não veremos nesta vida, nem em uma era de vidas; no entanto, renasceremos em tempo futuro e, então, o mundo verá nosso retorno e saberá que voltamos novamente ao poder, como era nos tempos antigos. Saibam que todos que estão diante de mim verão surgir essa época de poder; meu mensageiro que está agora ao meu lado, os atrairá para ele próprio e vocês saberão e se lembrarão. E se lembrarão também daquela que os amou. Em breve deixarei vocês, embora ficasse se fosse permitido, mas serei chamada agora, pois meu tempo quase já se esgotou. Vão em paz e não se desesperem. Estarei com vocês em espírito, como tenho estado com vocês nesses dias que passaram tão depressa. Se acontecesse de o mundo esquecer o que eu falei e eu fosse lembrada apenas por uma coisa, então eu desejaria que fosse por ter sido amada por pessoas como vocês, meus discípulos" (GRIMASSI, Raven).



Desta forma, deve-se lembrar que, apesar de que Raven Grimassi dá créditos à pessoas impostoras e falsárias como George Pickingill, Raven Grimassi está correto ao afirmar que Charles Godfrey Leland é o autor responsável pelo renascimento da Bruxaria entre o povo leigo na modernidade, embora que conventículos de bruxas já tenham tentado vir à público antes, como é o caso do conventículo de bruxas liderado por Francis Dashwood, o "Clube Fogo do Inferno" que ficara conhecido popularmente na Grã-Bretanha no ano de 1719, ainda que de uma maneira um tanto distorcida e contraditória. Contudo, é importante lembrar que, assim como a data de nascimento de Christian Rosenkreutz é uma parábola em referência à uma pessoa que nasceu um período anterior, constitui, similarmente, a data de nascimento da Bela Peregrina em 1313, o que, em consequência, pode-se constatar que, em um período anterior à tal data, nasceram mulheres batalhadoras e beguinas ilustres. O movimento bruxesco de Guglielma Blanchena Premysl e seus discípulos dedicaram o Eremitério de Santa Maria Madalena ("Romitorio di Santa Maria Maddalena"), no lugarejo de Montepescali em Grosseto, na Toscana (vide imagem abaixo), sendo que, antes de serem declarados heréticos e de se entregarem voluntariamente para a morte martirizada na fogueira pela Inquisição, aqueles que conseguiram sobreviver secretamente, depois de 1312, assumiram o nome de "Sábios" ou "Homens Inteligentes" ("Homines Intelligentiae") ou, então, "Irmãos do Espírito Livre" (como já citado), acusados de heresia pela Inquisição. (Ao passo que os descendentes espanhóis, como Santa Magdalena de La Cruz e Frade Francisco de Osuna, foram levantadas suspeitas pela Inquisição, acarretando, em alguns casos, à prisão por heresia).



Porém, o que o autor Raven Grimassi chama de "stregheria" (que é um termo estereotipado dado pelos padres medievais e indevido à Bruxaria) é, não obstante, uma confluência entre duas vertentes da Bruxaria: a Linhagem Nemorense dos antigos Mistérios Artemisianos\Diânicos (da Bruxaria Clássica), existente entre os povos romanos e etruscos, e o Clã do Carneiro da velha Bruxaria Medieval ou Benandante. A partir daí, com o reformismo medieval Valdense, originou-se a Bruxaria Medieval Reformada (Valdense-turlupin, Guglielmita, e Caricio-familista) e, na Itália, através da Bela Peregrina a "Santa Bruxa" Guglielma Blanchena Premyls (da qual surgiu as Guglielmitas Congregas Triádicas: Janarra, Fanarra e Tanarra), cujos seus discípulos realizavam os ritos sagrados no Eremitério de Santa Maria Madalena ("Romitorio di Santa Maria Maddalena"), no lugarejo de Montepescali em Grosseto, na Toscana: este movimento que Raven Grimassi chama de "stregheria" ou "stregoneria", apesar de nunca ter havido, no passado, uma religião ou clã da Bruxaria com este nome e, desta forma, este é um termo equivocado para referir-se à Bruxaria. 
(Os nomes dados aos Deuses, por Raven Grimassi, como "Tana" e "Dianus Lucifero", não se tratam de "nomes etruscos" como alegado, mas, sim, "Dianus" uma corruptela romana de Janus e que nunca foi "consorte e irmão da Deusa Diana" nem possuiu a terminologia "Lucifero", ao passo que "Tana" trata-se de um título greco-egípcio à Deusa Isis que, através dos antigos Mistérios Isíacos da Bruxaria Clássica, fora cultuada e servida em Benevento na Itália, onde Isis e Diana eram adoradas conjuntamente, mais tarde embaixo da árvore de nogueira, e do qual surgiram os contos bruxescos e cristãos sobre os "Jogos de Benevento" ou "Sabás de Benevento").


O termo italiano correto, para referir-se às Bruxas, é "Bruxas" (na linguagem da Sardenha), como no português. Não "streghe" ou "strega" ou "stregone", como equivocadamente utiliza Raven Grimassi; pois, a origem da palavra "striga" ou estriga é o termo greco-romano "Laestrygones" ou "Estrygones" (os canibalistas monstruosos ou vampiros que atacavam na Sicília ou na Sardenha, na antiga Itália) e que, ainda na antiguidade, as narrativas pré-cristãs italianas afirmavam, como vemos nas obras do poeta romano Publius Ovidius Naso, que as estrigas eram matadoras de crianças e malfeitoras e, não diferente disso, a palavra "striga" ou estriga, na língua romena, é "strigoi" ou "strigoaica" (um vampiro ou uma feiticeira ou malfeitora), assim como, também, na língua eslava, é "strzyga" ou "strzygon" (uma feiticeira ou um lobisomem) e, na língua albanesa, é "shtriga" (uma lâmia ou vampiro feminino que ataca crianças). A tradução antiga e correta de estriga não é "Bruxa", mas, sim  como vemos em Sextus Pompeius Festus — uma "maleficis mulieribus", uma pessoa maléfica ou versada em malefícios, uma estragadora ou molestadora, uma envenenadora ou matadora, uma feiticeira ou malfeitora, uma lâmia ou criatura monstruosa e vampiresca (
que, por seu caráter malfazejo, esta prática doentia era proibida na Roma Antiga, através da "Lex Cornelia de Sicariis et Veneficis" ou Lei Cornélia Sobre Matanças e Feitiços). Originalmente, esta prática nefasta, de feiticeiros e criminosos, não fazia parte da Bruxaria, tanto é 
que a Bruxaria Medieval\Benandante, na Itália, nos julgamentos da Inquisição, era declaradamente contra as estriges ou feiticeiros, através das chamadas "batalhas de bruxas" pela fertilidade das colheitas (ainda comum na velha Bruxaria).


Assim, o Clã Guglielmita constituía-se em uma forma de reformismo medieval tardio para a Bruxaria Medieval Benandante que, em consequência, deu origem à outros Clãs da Bruxaria Medieval Reformada, como o Clã Valdense-turlupin (cuja sua integrante
 Jeanne Daubenton, alta-sacerdotisa francesa, fora queimada pela Inquisição sob acusação de heresia e prática ilegal da Bruxaria) e, mais tarde, o Clã Caricio-familista, isto é, estes três Clãs da Bruxaria Medieval Reformada se originaram com o bruxo Petrus Valdus e a Santa Bruxa ou Bela Peregrina com seus "Irmãos do Espírito Livre". O Clã Guglielmita almejava construir um mundo melhor e com maior sensibilidade por parte do dogmatismo limitado da Igreja Católica, o que não levou muito tempo para que o Sacro Império Romano e o movimento gibelino se manifestassem contra a Igreja e seus guelfos; porém, os integrantes da seita notaram que, para criar uma revolução social contra o dogmatismo da Igreja, era preciso se martirizarem, do mesmo modo que fez Socrates na antiguidade, no intento de que o povo ignorante e os governantes corruptos tomassem consciência da forma opressora em que estavam agindo e que, somente desta forma, conscientizariam as pessoas da importância da justiça e da liberdade de espírito. Após Mayfreda perceber que suas discípulas iriam ser reconhecidas como Bruxas, o que lhe restava foi entregá-las à Inquisição para que fossem queimadas voluntariamente e, assim, ao menos morrer com o mesmo espírito de felicidade e êxtase que nossos antepassados caminhavam para a morte no passado: sem temê-la





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Ao benemérito St. Prior J.'.E.'.C.'.S.'.
Pela divindade do Uno, do Deus e da Deusa,
Ao Filho Divino, Vida, Saúde, Força e União!

Três Vezes Abençoado.