sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

-A Bruxaria e os Registros Históricos

Atualmente, algumas pessoas dispersas que atuam como Curandeiros ("Cunning-Man" ou "Pow-wow") na Cornualha e na Pensilvânia, movidas pelas ideias distorcidas de magia popular de Cecil Williamson e Robert Cochrane e dos folcloristas do século 19 que taxaram-lhes de "bruxas brancas", passaram a se denominar "bruxas", sem ser de fato e nem mesmo possuindo Iniciação na Bruxaria. Estes Curandeiros são de religiosidade Cristã Católica e possuem equivalência com os Benzedeiros ("Benedetto") da Itália e do Brasil (como a tradição de magia popular italiana de minha família ítalo-descendente), da Espanha ("Curanderos"), de Portugal ("Curandeiros"), da Noruega, Suécia e Escandinávia ("Klok-Goma") e de Gales ("Hysbys-Dyn"), os quais praticam uma forma de magia popular e medicina herbológica e homeopática populares, a partir de orações, salmos, rezas e benzimentos do Cristianismo Católico. Evidentemente, os Curandeiros cornualheses ("Cunning-Man") nunca foram e sequer o são Bruxas, mas, sim, Benzedeiros, Curandeiros, curadores ou rezadores e, se verificarmos a própria tradição dos Curandeiros ou Benzedeiros, estes sempre buscaram exorcizar ou expulsar "os malefícios das Bruxas" ou desfazer "o poder maléfico da Bruxaria". Em especial, os Curandeiros cornualheses ("Cunning-Man"), sempre têm sido Cristãos e, além disso, tais Benzedeiros ou Curandeiros, enquanto mulheres e homens detentores de tradições de benzimentos e curas, são extremamente distintos das Bruxas, isso porque:

  • 1) os Benzedeiros nunca fizeram parte da Bruxaria, como sabe-se por investigação oculta; 
  • 2) os Benzedeiros não participavam do Sabá das Bruxas, cuja origem vem da região do Mediterrâneo, como bem aponta Carlo Ginzburg;
  • 3) os Benzedeiros não se entregavam à adoração do "Demônio" (o Deus Cornífero Dionysos) e da Senhora das Fadas e do Jogo (Demeter/Abundia);
  • 4) os Benzedeiros não constituíam um sacerdócio, muito menos uma casta de sacerdotes homogêneos, menos ainda praticantes de uma religião instituída e de segredos (diferentemente das Bruxas, que compunham a antiga organização religiosa secreta, a Bruxaria); 
  • 5) os Benzedeiros constituíam um conjunto heterogêneo da prática de magia popular ou xamânica, que possuía diversos formatos e de caráter individualizado, geralmente passado hereditariamente, uma espécie de aprendizado xamânico de cura. Em resumo: enquanto as Bruxas eram magas e sacerdotisas de um culto de segredos que adorava o Deus Cornífero e a Deusa da Lua, os Benzedeiros eram curadores ou xamãs que, através dos ensinamentos Cristãos, bem como os Salmos da Bíblia e o poderio da cristã Santíssima Trindade, operavam práticas de curas, benzimentos e milagres; 
  • 6) alguns Benzedeiros foram mortos pelas acusações de Superstições e Curandeirismo pela Igreja Católica na idade média, e não, como confundem alguns folcloristas e "cientificistas" modernos, pela prática proibida e ilegal da Bruxaria; 
  • 7) as tradições populares dos Benzedeiros não foi uma prática proibida ou afugentada nas mesmas proporções tal como foi a Bruxaria, pois, os Benzedeiros, em sua maioria, jamais foram mortos ou perseguidos, haja visto que eram Cristãos e, portanto, não rejeitavam o Cristianismo e não pisoteavam sobre a Coroa Imperial ou Tiara Papal, como faziam as Bruxas e Iniciados (cujos seus templos iniciáticos pagãos foram proibidos por toda a Europa, ainda no início da oficialização do Cristianismo no Ocidente).

As Bruxas não apenas são distintas dos Benzedeiros, quanto também de um Feiticeiro, outro personagem geralmente confundido com as Bruxas, bem como nas histórias infantis e nos desenhos animados televisivos modernos, os quais decorrem da superstição e das lendas populares. Tecnicamente, a prática de Feiticeiro ("Vargr" ou "Warlock") ou Goétia envolvia, nos tempos antigos, o ataque mágico-espiritual ("kveldrida") a partir de uma fórmula ("formali") de ordenação e conjuração de espíritos goéticos ("vardlokkur"), que visava obter a transformação de forma para lobisomem ("hamfar") e chegar à um estado de fúria selvagem incontrolável com o uso de venenos e drogas ("berserkgangur"), para realizar, em consequência, o sacrifício ritualístico ("blot"), tanto de animais quanto de pessoas, e vampirizar animicamente a vítima, gerando uma espécie de
 pestilência ou tormenta ("thorgrima"), e tornando-a submissa, que acarretavam em Tempos de Crise (vide o tópico da galeria: "Diferenças entre Feiticeiros, Curandeiros e Magos") em determinada comunidade sob o ataque destes seres maléficos.  Em contraposição aos Benzedeiros e à um Feiticeiro, as Bruxas Medievais que foram julgadas pela Inquisição do Santo Ofício, em uma análise psicológica, não apresentaram ser pessoas de caráter brutal ou violento: as Bruxas julgadas, eram pessoas dóceis que, mesmo recusando o Cristianismo e sendo condenadas pela prática ilegal da Bruxaria, aceitavam de maneira respeitosa e compassiva tais acusações, muitas vezes levantadas injustamente, o que, por sua vez, atesta que as Bruxas julgadas e queimadas pelo tribunal da Igreja Católica não eram pessoas que primavam tanto pelos instintos agressivos e pela brutalidade que lhes é atribuída atualmente nas lendas populares e nas superstições e deturpações, como os padres da Igreja buscavam conotá-las socialmente.


As Bruxas, em si, ficaram conhecidas por se "entregar à adoração do Cornífero ou Demônio e da Senhora das Fadas e do Jogo, durante a celebração noturna do Sabá"O Deus de Chifres, Dionysos, possuía dentre seus inúmeros nomes, o título pré-cristão de "Daemon" ou "Agathos Daemon", que significa "O Bom Espírito" ou apenas "O Nobre Espírito", no sentido de Senhor do Espírito que produz os frutos sobre a terra ou essência divina que representava a fonte máscula do cosmos situado ao oriente, enquanto "Tyche Agathe" representava a fonte feminina situada ao norte, e por onde cada fonte jorrava água formando dois rios ("Mnemosine" e "Lethe") que atravessavam o cosmos, um no sentido norte-sul e outro no sentido leste-oeste, conforme as crenças da Bruxaria Medieval (basta pesquisar no Outro Mundo para confirmar). Com a oficialização do Cristianismo no Ocidente, tal título pré-cristão do Deus Dionysos ou Zeus Sabazius tornou-se, aos poucos, conhecido como "Daemonos" ou "Daemonion" e, mais tarde, foi associado pela Igreja ao Diabo ou Satã, o símbolo do "mal", das lendas amarniano-mosaicas. 
Durante os julgamentos da Inquisição, era irrelevante as bruxas afirmarem que adoravam o Deus Cornífero, Dionysos ou "Agathos Daemon", pois, os teólogos Cristãos, com sua afamada interpretação de que os Deuses pagãos eram nada mais que "demônios", caso uma bruxa dissesse que adorava uma deidade pagã, logo tais Cristãos carrascos equacionavam ao "diabo" ou "satã" e seus "demônios", reforçando, mais ainda, a justificativa de que as Bruxas deveriam ser eliminadas. O próprio termo "Diabo", aplicado pelos inquisidores aos alto-sacerdotes da Bruxaria, trata-se de uma tradução do Latim Vulgar para "Divus" ou "Dibus", um adjetivo latino dado aos imperadores romanos que, após a morte, eram santificados; neste sentido, como Jesus Cristo havia sido morto por ordem de um imperador romano ou "Divus", foi visto entre os primeiros Cristãos como o símbolo do mal ou inimigo do Deus Jave, igualando-se às concepções Judaicas de “Satã”. 



Desta maneira, desde a antiguidade, vários autores clássicos chegaram a citar que as Bruxas e os "Viajantes da Noite" adoravam uma Deusa da Lua (Selene ou Diana/Artemis, cujo seu consorte é o Deus Cornífero Apollon Paion/Karneios ou Pan) e realizavam orações e magias à Deusa negra Hecate/Heket a Erodia, pois, o poeta romano Publius Ovidius Naso escreveu que as Bruxas adoravam a Deusa da Lua Diana ou Luna (cujo seu consorte ou irmão que ajudou a fazer o parto era Apollon Karneios/Paion, o Carnonos cita/céltico ou Karna dravídico) em assembleias noturnas. A Tessália, ao norte da Grécia, era conhecida como O País das Bruxas e daquela região foram feitos registros físicos que afirmavam que as Bruxas “Puxavam Para Baixo a Lua” (vide: Magistra Aglaonike), muitas das quais eram famosas por serem, também, feiticeiras (vide: as viagens de Lucius Apuleios na Tessália). Nas terracotas cretenses, há o registro dos rituais principais da Bruxaria Medieval (o Rito “Puxar Para Baixo a Lua”, o Rito “Puxar Para Baixo o Deus” e o “Grande Rito”, de Casamento Misterioso e/ou de Magia Sexual), encenados, incluindo o “Triângulo de Manifestação” (também utilizado na Bruxaria), bem como a invocação dos Guardiães dos Portais ou dos Quadrantes, também. 

Nos antigos textos dos Povos Hititas ou Hatitas sobreviveu o registro de um mito antigo: a Lua Descida dos Céus. O chamado “Caldeirão de Cerridwen”, citado na liturgia Gardneriana, o nome original, bruxesco, é “Caldeirão de Medea” ou “Caldeirão de Ceres”, em memória ao velho costume clássico e medieval de que o Caldeirão ou Santo Graal da Deusa Demeter/Ceres/Cardea (que, segundo 
Robert Graves, "Cerridwen" foi uma corruptela celtizada na idade média da greco-romana Deusa Demeter/Ceres/Cardea), geralmente em bronze, fora utilizado pela própria Deusa, sob a ordem do "Altíssimo", para trazer novamente a imortalidade ao filho Cecrops após o ato sacrílego cometido pelo traidor Tantalos (que trata-se do mito pagão-bruxesco mais antigo do Ocidente envolvendo o Caldeirão, além do "Caldeirão" do Deus Apollon Paion em que também era usado pelas Pítias/Sibilas dos Oráculos). A Deusa Demeter/Ceres era adorada principalmente pelos agricultores gregos e romanos e as Bruxas sacrificavam porcos à Ela geralmente na época anterior ao Sabá natalino pagão, como um velho costume denominado "O Sacrifício do Porco ou Javali", pelo fato de o porco ser um animal que vive na lama e que, portanto, sua carne é composta de toxinas nocivas à saúde das Bruxas. Tanto Ceres/Demeter quanto Ceridwen são descritas em associação aos suínos e ao Caldeirão do Renascimento. Também, o Deus Cornífero Dionysos/Osiris era adorado pelas Bruxas Medievais Pentárquicas; ao passo que, "Baphomet" dos Cavaleiros Templários, trata-se de uma corruptela do hermafrodito Aberamentho/Αβεραμενθω (Protogonos/Prometheus-Pandora), no entanto, os Templários, por sua vez, foram acusados, na idade média, de sodomia, renegar e cuspir na cruz de Cristo e de praticar a Bruxaria (todas essas acusações apenas fazem sentido quando interpretadas na ótica da Bruxaria, pois, as acusações aos Templários são as mesmas acusações feitas às Bruxas Medievais, ou seja, os Templários eram Bruxos disfarçados que, constituindo o Templo Negro/Azul, um sexto Clã da Bruxaria Medieval Reformada, utilizaram uma estratégica "capa" Cristã, para dar um ar de Cristianismo e despistar os carrascos da Igreja nas perseguições, assim como fez o próprio instituidor da Bruxaria Medieval Pentárquica). 

Em uma igreja francesa da idade média, a "Igreja de Santa Maria" ("Église Saint Merri"), em que os Templários utilizavam, pois, estes faziam parte da Ordem militar mais rica de toda a Europa e recebiam bens e posses da Igreja Católica e dos nobres da época, apresenta esculpida uma figura masculina de chifres com seios, azas e uvas ao redor (aspectos claramente dionisíacos). O próprio nome que os Templários se davam, externamente, "Os Pobres Cavaleiros de Cristo", é por si só uma contradição, uma vez que constituíam a Ordem mais rica e próspera da Europa medieval, nada tinham "pobres", apenas faziam votos de humildade. Eliphas Levi conta que "Baphomet" não tem origem no Diabo Cristão, apesar de distorcer no "Bode de Mendes", o antigo Deus Pan/Benebdjedt que, por sua vez, era adorado pelos Templários, e sua representação é adornada com chifres de bode ou carneiro e, em Apolonópolis no Egito, era também chamado de Osiris Bakha ou Dionysos (vide o Clã Horusiano ou Apolonopolita e o Clã Lupercal no tópico da galeria: "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade")O autor da antiguidade, Heródoto, também associa o Deus Cornífero Benebdjedt ao Deus Cornífero Pan. Autores, como Geraldine Pinch, falam que o Deus Cornífero Benebdjedt foi demonizado pelos primeiros Cristãos em função de que seus ritos eram sexuais e realizados por mulheres sacerdotisas. Wilamowitz-Moellendorf (1932) disse que Dionysos foi o Deus pagão em que as pessoas da idade média mais tempo resistiram na sua adoração depois da oficialização do Cristianismo no OcidenteOs antigos Povos Gregos e Romanos adoravam o Deus Dionísio/Bacchus como "O Cornífero" e à Ele davam inúmeros nomes, além dos Nomes Secretos. Os Trácios, inicialmente, ocupavam a região geográfica do norte da Grécia e adoravam o Deus Dionísio na Face de Touro sob o título de Sabazius, Zagreus, etc., e possuía Cinco Faces Animais de Chifres: a do Touro, a do Bode, a do Veado, a do Carneiro e a do Búfalo. 



Além disso, o termo "Karnayana" atualmente utilizado para o Deus de Chifres no Clã Alexandrino ou Tradição Alexandrina, é derivado do título árabe "Zhul-Qarnayn" ou "Dhul-Qarnayn" ou "Tre-Qarnayia", um dos títulos atribuídos ao rei e bruxo Alexandre III o Magno (mais tarde, instituidor da Bruxaria Medieval) que, adorando o Deus Osiris/Dionysos ou a manifestação ativa do Altíssimo Zeus Ammon, tornou-se alto-sacerdote e, portanto, Alexandre III o Magno era visto como a própria manifestação da Divindade Suprema Zeus-Ammon na terra (vide o Clã Amonita no tópico da galeria: "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade"). Alexandre III, o Magno, afirmava ao povo que ele poderia ser honrado e adorado em teor igual à Divindade Suprema Zeus-Ammon, uma vez que ele próprio manifestava Zeus-Ammon, tornando-o conhecido como "O Chifrudo" ou "O Divus" ou "Alexandre De Dois Chifres" (imagem ao lado, à esquerda), bem como no manuscrito eclesiástico chamado de "Romance de Alexandre" e no texto sagrado Muçulmano, o "Alcorão". Alexandre III o Magno, mais tarde, tornou-se iconográfica no que se degenerou nas lendas de ignorantes e superstições medievais do "Diabo". 

A Deusa bruxesca, do Clã Gardneriano, é descrita como “Aradia”. O termo "Aradia" trata-se de uma corruptela de "Ariadna" ou "Aredvi" das Bruxas Medievais, de modo a ocultar o verdadeiro nome da Santa Bruxa nos tempos antigos pré-cristãos, 
isto é, "Aradia" é a encarnação da Deusa Sophia/Metis/Atena na Úmbria medieval, na Itália, a santa bruxa Chiara Scifi Offreduccio, cujos seus discípulos construíram uma Ermida "herética" na Toscana (a "Ermida de Santa Maria Madalena")
 e que, dando origem aos Três Clãs da Bruxaria Medieval Reformada (Fanarra, Janarra e Tanarra; ou Clã Fraticelo-guglielmita/Joaquimita, Clã Turlupin/Amauriciano/Proto-valdense e Clã Caricio-familista/Hoffmannita), seus descendentes fizeram maior uso do açoitamento ritualístico e ganharam a fama de "Flagelantes" de que cita Gerald Brosseau Gardner em "Com o Auxílio da Alta Magia", foram duramente perseguidos pela Igreja Católica e, em consequência, decidiram se entregar para martírio na fogueira da Inquisição. "Aradia" (ou "Herodias") já era honrada entre as Bruxas ainda em 1012 (junto à Deusa Diana), como atesta o bispo Burchard de Worms ao referir-se às "heresias" das Bruxas, muito antes de surgir a Bela Peregrina (da Bruxaria Medieval Reformada na Itália). No final da Idade Média, os inquisidores registraram a existência de um culto de mulheres, em que utilizava-se música, e era feito ao ar-livre, onde adorava-se um “Deus” (mas que não foi registrado o seu nome) e uma Deusa, chamada de “Irodiada” ou “Aradas” (também documentada por Carlo Ginzburg), essa Deusa era chamada também de “Senhora das Fadas” (Doamna Zinelor). Os historiadores e teóricos, como Mircea Eliade, acreditam que a Deusa "Irodiada" ou "Aradia" tem algo a ver com a Deusa Diana (também tida como Senhora das Fadas), pelo fato de que um dos nomes para “Fada”, na língua romena, era “Dziana”. Os praticantes, masculinos e femininos, eram conhecidos regionalmente, durante suas danças ritualísticas, por “criar a impressão de estar voando”. Além disso, esses praticantes tinham grande habilidade de cura, e em um dos ritos de dança, para cura, utilizavam Espadas e “estandartes”. Também, utilizavam ritos de purificação e fertilidade, incluindo cânticos, sinos e saltos, segundo Mircea Eliade. 

O nome da Deusa das Bruxas (utilizado pela Bruxaria Medieval Pentárquica, assim como também entre alguns Clãs Clássicos) era Abundia/Demeter a Ariadna no período do inverno e Diana no período do verão. Desta forma, um mito de Dionísio e Apollon ensinava que, enquanto Dionisos/Osiris Bakha e sua consorte Demeter Sito/Ariadna ou Isis/Aset era(m) cultuado(s) no período do Inverno ou durante a descida ao Mundo Inferior, o Deus Apollon Karneios/Paion o Pan, consorte da Deusa Diana/Dione ou Tana (um título de Isis), era cultuado no período do verão e durante a subida ao Mundo Superior, fechando, assim, o ciclo óctuplo da Roda do Ano ou Sazonal. No Inverno, Apollon Paion/Pan vai até as terras do norte ou terras hiperbóreas, ou seja, até o submundo ou mundo inferior, transformando-se em Dionísio/Osiris Bakha, o Deus dilacerado pelos Titãs ou Atlantes e Kernunnos/Kumbhakarna/Lykourgos sob a influência de Ares/Ahriman/Seth e que, de seu sangue e de seus membros, deu origem à queda ontológica dos Titãs ou "Anjos Caídos" e, consequentemente, à humanidade ou estado de mortal. 
Alguns autores da antiguidade, tal como o célebre Pythagoras (vide o Clã Pitagórico no tópico da galeria: "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade"), acreditavam que Dionísio e Apollon constituem duas faces de um mesmo Deus. Um dos títulos de Apollon, enquanto Deus de Chifres de Carneiro, é "Karneios". Deste modo, pode-se ter uma noção com maior amplitude para se compreender a essência de Dionísio e Abundia/Demeter, o Deus e a Deusa de Elêusis e das Bruxas. No livro “A Verdade Sobre A Bruxaria”, de Hans Holzer, o autor fala sobre o Stonehenge, no final da página 26: “Uma vez, levei Sybil Leek a entrar em transe ali; ela começou a pronunciar palavras e nomes em grego, confirmando o que eu já vinha suspeitando há anos  que habitantes pré-helênicos da Grécia tinham invadido a Inglaterra e vivido aqui numa determinada época”.


As acusações lançadas contra as Bruxas e os hereges em geral, na Europa, principalmente na região dos Bálcãs, durante o Sínodo de Borila, afirmavam que: “Aqueles que no dia 21 de junho, o dia quando São João Batista nasceu, fazem magia e coletam plantas; e naquela noite fazem coisas misteriosas como nos Ritos Helênicos; aqueles que dizem que Satanás criou todas as coisas, e aqueles que, como ‘kumirs’ [ou cito-cimérios/celtas], chamam a chuva e aclamam todas as coisas que vêm da Terra…”. Cabe lembrar que, entre os teólogos Cristãos, estes equacionavam os Deuses pagãos ao Satã e aos demônios, portanto, de nada adiantava as Bruxas, nos julgamentos da Inquisição, confessar que adorava o antigo Deus de Chifres ou a Deusa Estelar, pois, o fundamentalismo religioso e a opressão Cristã às antigas religiões pagãs, principalmente à Bruxaria, automaticamente imputava a noção errônea e falsa de que adoravam o Diabo ou Satã. 
Analogamente, o Clã Dionisíaco (vide o Clã Dionisíaco no tópico da galeria: "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade"), na Antiguidade, foi condenado pelo Senado Romano, como “fora-da-Lei” oficial. O Clã Dionisíaco era um dos Clãs mais secretos da Arte dos Sábios (acredita-se que tanto homens quanto mulheres eram iniciadas, contanto, as mulheres tinham participação ativa no culto, principalmente de lideres), envolvendo o êxtase, a autoflagelação, o teatro ritualístico, sacrifícios e a prática sexual ritualística e orgiástica. Os ritos eram realizados cinco vezes por mês (ou seja, um rito em cada lua e mais um de lua sombria ou de Sabá) em um bosque. A representação das bacantes (em grego: “bakchai”) era nuas ou vestidas com peles de veado, grinaldas de hera e um tirso ou báculo, com ramos de videira. As bacantes são descritas em documentos históricos como sendo dezoito sacerdotisas. Elas presidiam a ‘Bacchanallia’ ou ‘Dionysia’, cujo grito exclamativo era “Evoí Sabaí” (também utilizado na Bruxaria Medieval). Este era o Sabá das Bruxas, neste clã. Além disso, Tito Lívio relata uma rápida propagação do culto, alegando espetáculos de “todos os tipos de crimes e conspirações políticas”, em suas reuniões noturnas que, em 186 a.E.C. foi encaminhado um decreto no Senado (romano) pelo qual proibia o Bacchanallia em toda a Itália, ‘exceto em casos especiais’, sobrevivendo no sul da Itália sob repressão. Tito Lívio fala também, a respeito da Rainha do Clã Dionisíaco, Paculla Annia, que teria regulamentado o padrão de rituais noturnos e que teria iniciado seus filhos: Minius e Herennius Cerrinius. As práticas registradas, das sacerdotisas do Clã Dionisíaco, incluíam:


-Encontros secretos durante a noite, e em estágio de lua cheia.
-Mulheres-sacerdotisas, lideres.
-Crianças eram, geralmente, iniciadas (assim como escravos e livres, todos participavam sem distinção alguma; Doreen Valiente fala desta indistinção entre classes sociais, dentro da Bruxaria; um dos velhos costumes era não usar sal durante o Churrasco de Carneiro, no Banquete Simples de Bolos e Vinhos, uma vez que sal era indicativo de classe social).
-Festividades com êxtase, música, dança, gritos.
-Prática de magia-sexual e orgias (tidas pelos leigos como “perversidade”).
-Alegações de envenenamentos e pena de morte, a quem não obedecesse as Leis do clã.
-Uma religião secreta de rápida propagação (vista como uma ameaça à sociedade).
-Relacionado também, aos animais chifrudos, como o Veado (com uso de sua pele pelas sacerdotisas), o Touro, o Bode, o Carneiro, etc.

Se observarmos as práticas das Bruxas, procedentes da Idade Média, maior parte dos registros históricos apontam que o Sabá bruxesco era originário, não dos celtas, mas do próprio Mediterrâneo. Não podemos negar que a Bruxas estiveram entre os celtas, porque a Bruxaria de fato também fez-se presente entre os povos célticos das Ilhas Britânicas e de outras localidades; mas sua origem advém da região do Mediterrâneo, que veio do Egito (como aponta Gerald Brosseau Gardner), procedente do território turco. Carlo Ginzburg, um dos maiores investigadores de ciência histórica da Bruxaria, em um de seus livros, afirma: “Para reconstruir as raízes folclóricas do Sabá das Bruxas, devemos partir da evidência de um culto extático da Deusa noturna. Sua distribuição geográfica, a princípio, delimitava um fenômeno celta. Mas tal interpretação caiu por terra quando confrontada a uma série de testemunhos excêntricos de origem mediterrânea. Novas hipóteses vieram a tona [...] crenças que se fundiram ao estereótipo do Sabá carregavam elementos muito mais antigos [...] como as batalhas travadas pela prosperidade da comunidade ou os ritos sazonais atrelados a máscaras animais [...]”. [GINZBURG,“Ecstasies: Deciphering the Witches’ Sabbath”.


No início da Idade Média, em um conselho realizado pelos sacerdotes Cristãos, da Igreja Católica, as Bruxas foram acusadas de serem servas de "Diana, a Deusa dos Pagãos". Por incrível que pareça para muitos, o maior santuário de Diana, “O Templo de Diana dos Efésios”, localiza-se na Turquia, e a origem do culto desta Deusa é na Síria (região que faz divisa com a Turquia), proveniente da Deusa Ishtar/Anat/Tanit, e não dos povos celtas. Tana, por exemplo, era um dos títulos de Isis, atualmente descoberto pela arqueologia. A Lenda bruxesca da “Descida da Deusa ao Submundo”, descrita por Gerald B. Gardner em “A Bruxaria Hoje”, é uma das maiores lendas tipicamente bruxesca. A Lenda tem origem na Descida da Deusa Ishtar/Isis/Inanna ou Demeter. Existem várias lendas na Bruxaria, mas se existe uma Lenda que é caracteristicamente bruxesca, esta é a lenda da “Descida da Deusa ao Submundo” e sua Subida aos Céus (pois, a Deusa bruxesca também sobe ao Mundo Superior, considerando que a Descida [outono] constitui os Mistérios Maiores [tempo da Grande Obra ou Obra do Deus], e a Subida [primavera], os Mistérios Menores [tempo da Pequena Obra ou Obra da Deusa].). É importante analisar o antigo Clã Dionisíaco, da Arte dos Sábios, com a citação de Eliade sobre o Rito medieval atribuído às Bruxas, no sentido de comparar suas similitudes presentesMircea Eliade, em seu ensaio em religiões comparadas, "Ocultismo, Bruxaria e Correntes Culturais", afirma a existência comum em várias regiões da Europa Medieval de uma Cerimônia religiosa atribuída às Bruxas:

“(...) Um dos primeiros testemunhos foi obtido por Stephen de Bourbon, Inquisidor no norte da França a partir de 1235. Uma mulher confessou-lhe a seguinte história: ‘Sua patroa frequentemente a levava para um lugar subterrâneo onde uma multidão de homens e mulheres se reunia à luz de tochas e velas, em redor de um grande vaso onde se havia colocado um bastão [um rito de fertilidade?]. O líder, então, invocava Lúcifer a vir até eles. Nesse momento, um gato de aparência horrível aparecia no quarto. Depois de mergulhar sua cauda na água, ele aspergia os presentes. Então, apagavam-se as luzes e as pessoas se entregavam a práticas sexuais.’ 
Com poucas variações, essa é a descrição do Sabá das Bruxas que se registra com grande freqüência nos séculos seguintes. Os elementos característicos são: o encontro num local subterrâneo, a evocação e o aparecimento de Satã, a extinção das luzes seguida de práticas sexuais indiscriminadas. Essa monotonia torna-se inesperadamente significativa quando se constata que, a partir do começo do século XI, exatamente a mesma acusação foi levantada contra os diversos movimentos reformistas considerados heréticos. Dessa forma, em 1022, na cidade de Orleães, um grupo de reformistas foi acusado de praticar orgias sexuais em cavernas subterrâneas [conventículos?] e casas abandonadas. 
De acordo com a denúncia feita, os devotos entoavam os nomes dos demônios; e, quando um espírito mau aparecia, as luzes eram extintas e cada membro do grupo se entregava a quem estivesse mais próximo, fosse mãe, irmã ou freira. 'As crianças concebidas por ocasião dessas orgias eram queimadas oito dias após o nascimento... e de suas cinzas fazia-se uma substância usada numa imitação sacrilega da comunhão cristã'.Tais acusações tornaram-se costume e eram repetidas a respeito de cada indivíduo ou grupo acusado de heresia. 


Um relato, datado de 1175, diz que os hereges de Verona se reuniam num local subterrâneo e, depois de ouvir um sermão sacrílego, apagavam as luzes e se entregavam à orgia. Exatamente as mesmas acusações foram feitas contra os Patarinos [derivado do termo francês "Patoier", uma gesticulação crioula ou caipira, fora uma designação taxativa ao movimento político de padres pobres da Igreja Cristã que desacataram o controle do Arcebispado milanês], hereges alemães, e os Cátaros [Linhagem Cátara ou Maniqueia do Clã Mitraico, da Bruxaria Clássica]. No século XIII, os Irmãos do Espírito Livre [os disfarçados integrantes do Clã Guglielmita ou Joaquimita, da Bruxaria Medieval Reformada], do Reno, os Apostólicos [membros de uma Companhia de Justos e Foliões, que roubavam dos ricos para distribuir aos pobres, mais tarde chamados Dolcinianos], da Itália setentrional, os veneradores de Lucífer, que apareceram na Alemanha a partir de 1227 
[as Bruxas de três eleitorados do Sacro Império Romano, como de Trier, de Mainz e de Colonia, que declararam, nas perseguições de bruxomanias ou "caça-às-bruxas", que o anjo Tubalcain/Davul, estereotipado como "Diabo" e seu mito distorcido pelos cristãos, fora expulso dos céus pela deidade dos judeus e cristãos, o "Altíssimo", mas que, em contraposição, o imperialista "Altíssimo" seria destituído dos céus e, extinguindo a injusta lei opressiva deste, o anjo lucífero restauraria sua lei à terra; o que, na modernidade, o próprio "Altíssimo", como citado por Helena Petrovna Blavatsky, foi derrubado pelo Filho Divino Prometheus ou encarnou na terra por sua ira com a humanidade, ao passo que a lei de justiça, comunitarismo, pacifismo e liberdade, ensinada por Tubalcain, retornou à terra], e os Adamitas Boêmios [vide: Clã Turlupin ou Amauriciano/Proto-valdense, da Bruxaria Medieval Reformada que, através do movimento de Jan Huss e Lutero, buscou-se transformar em Igreja Evangélica Pós-Calvinista], nos séculos XIV e XV, foram acusados de se entregar à orgias sexuais em lugares subterrâneos. De acordo com Konrad de Marburg, o primeiro inquisidor papal na Alemanha, os membros das seitas (do século XIII) costumavam se reunir num local secreto; o demônio aparecia sob forma de um animal e, depois de cânticos e uma breve liturgia, apagavam-se as luzes e tinha lugar uma orgia heterosexual. Nos séculos XIV e XV, tanto os Valdenses quanto os Cátaros foram associados com mais intensidade às Bruxas ou vice-versa. Dizia-se que os Cátaros se reuniam à noite e, depois de ouvir sermões e receber sacramentos sacrílegos, festejavam e bebiam, após o que as luzes eram apagadas. A mesma acusação fora feita contra os Irmãos do Espírito Livre e mesmo contra os Fraticelos (ou seja, os reformistas franciscanos)  (...)”

No reinado de Carlos Magno (742-814)  o bruxo e rei pós-merovíngio da França que, após receber a descendência do Império Romano pelo Papa Leão III, em incrivelmente 25 de dezembro de 800, instituiu o bruxesco Sacro Império Romano foi um rei justo, pois, ao mesmo tempo que beneficiava as Bruxas, agia, também, de acordo com uma política real secretista e favoritista à Igreja Católica de Roma, de modo que o Papado Romano tomou confiança em sua figura como "defensor da Cristandade" quando, na real, era opositor à Igreja Católica Romana; todavia, mesmo sendo opositor ao Cristianismo, agia como ensinam as Leis da Bruxaria e o preceito de Hermes Trismegistos que, em conformidade com a justiça ou bem comum, jamais entrava em conluio ou coligação e em concordância com feiticeiros e malfeitores, muito menos aceitava a permanência de bárbaros e pessoas descivilizadas em seu reino. Ao tratar-se da Bruxaria, esta política secretista facilitava a não-perseguição às Bruxas por parte do público leigo que, vendo as práticas corruptas e maléficas de feiticeiros e charlatões, associavam ambos entre si na visão popular e supersticiosa; neste aspecto, Carlos Magno, após receber a coroa real do antigo Império Romano pelo próprio Papado da Igreja Católica, declarou ao povo que: "Se alguém, enganado pelo diabo, acreditar, como é costume entre os pagãos, que qualquer homem ou mulher é uma Bruxa à noite, e come os homens, por conta disso essa pessoa deve ser queimada até à morte [...] e executada".

Compreende-se, pois, que, para governar um reino, é preciso ter compostura para agir imparcialmente, de modo a beneficiar todas as classes sociais ou grupos existentes. Neste casso, Carlos Magno sabia que, caso não acatasse as leis da Igreja Católica de Roma, esta se colocaria como opositora ao seu reinado e, portanto, poderia não apenas deixar de contar com a força da Igreja Católica Romana, quanto, principalmente, perder o apoio por parte das autoridades eclesiásticas que estavam presentes, também, em seu próprio reino, a França pós-merovíngia. Desta forma, convinha à política carolíngia ainda com seu pai, o rei Pepino o Breve, sustentar as leis da Igreja Católica de Roma para frisar, socialmente, que a apoiava e, em consequência, Carlos Magno recebeu as honras dadas pela Igreja Católica ao seu governo: a descendência do antigo Império Romano entre os saxões que, embora afirmava defender o Cristianismo, acolhia tanto Cristãos quanto Judeus e adeptos de religiões pagãs, como a Bruxaria, sua verdadeira religião e o puro seio que amamentou com luz a idade das trevas: isto é, Carlos Magno, ao final de sua existência como Flavius Claudius Iulianus, reuniu em Roma os Clãs da Bruxaria que ainda sobreviviam e instituiu, por sua própria autoridade, a Bruxaria Medieval Pentárquica que, como a própria personalidade secretista de Carlos Magno (que escondera as antigas relíquias pagãs "Sarcófago de Proserpina" e "Lupa Capitolina" em sua Catedral Aquisgrana), sobreviverá atravessando séculos de perseguição religiosa graças ao seu caráter secreto e fechado.
 Ademais, o Bruxo e ocultista Stanislas de Guaita (1985), ao deixar a Bruxaria e fundar a Ordem Kabalística da Rosacruz, destaca que:



“Montan, Manes [Manichaeus], Valentin, Marcos, Ario [Ario? Um equívoco!], todos os heresiarcas dos primeiros tempos [dos primeiros tempos da era cristã] apresentam-se, em maior ou menor grau, como Bruxos [pois, embora muitos o neguem, Jesus Cristo teve sua iniciação na velha Bruxaria, como nos Clãs Mitraico Naasseno e Isíaco-osiriano, da Bruxaria Clássica, e fora profundamente influenciado pela filosofia pagã mística/bruxesca do Clã Socrático Platônico e Estoico, também da Bruxaria Clássica; apesar de que o Cristianismo, através da influência hebraica em Jesus Cristo e em suas encarnações anteriores, possui foco no nacionalismo israelita e na religião judaica]. Entretanto – com exceção dos teósofos [sábios auto-deificados] de Alexandria – foi somente Apuleios (114-190), platônico como eles, que fez jus, nessa época, ao título de adepto. Seu ‘Asno de Ouro’, em que o burlesco roça o sublime, dissimula, através de engenhosos emblemas, as mais altas verdades da ciência [ciência oculta], e a fábula de ‘Psyche’, contida nessa sua obra, nada deixa dever aos mais belos mitos de Aiskhylos ou de Homeros. Tudo leva a crer, aliás, que Apuleios se ateve a parafrasear com gosto uma alegoria de origem egípcia. Oriundo de Mandaura, na África, Apuleios é romano apenas por direito de conquista e anexação. [...] No caso da República e do Império de Roma, o caráter perpetuamente anárquico e nemrodiano [despótico] que acusaram em todas as circunstâncias refuta, por si só, a hipótese de uma iniciação a nível de governo. O único rei genuinamente ‘mago’, de quem se podem orgulhar os filhos da Loba foi Numa Pompilius (714-671), um nazareno [que reencarnou como Socrates] dos tempos da Etrúria que as nações circunvizinhas impuseram à Roma nascente. 

Mais tarde, Julianus, o filósofo (360-363), figura também como adepto nos faustos do Império. No entanto, nascido em Constantinopla, proclamado Caesar pelos gauleses de Lutécia (360), ele é também, por seu turno, muito menos romano. Assim, dois são os soberanos iniciados [isto é,  adeptos da Bruxaria que alcançaram um alto nível mágico-espiritual] da cidade eterna: em seus primórdios, um rei, Numa Pompilius [reencarnação de Serapis, instituidor do Clã Menfita e que, mais tarde, reencarnou como Socrates, instituidor do Clã Socrático-platônico, e como Lucius Annaeus Seneca, membro do Clã Mitraico]; já em seu declínio, Julianus, o Sábio, um imperador 
[instituidor da Bruxaria Medieval Pentárquica e
reencarnação de Salomon o Azazel/Azizos, Iniciado dos Clãs Adonista e Amonita e que recebia honrarias entre os povos hebreus; de Alexandre o Magno, Iniciado do Clã Amonita; de Caius Iulius Caesar, Iniciado do Clã Lupercal; que reencarnaria, depois, como Carlos Magno, Iniciado da Bruxaria Medieval Pentárquica e instituidor do Sacro Império Romano; como São Louis o Magnus Lyon Christianissimus, Iniciado da Bruxaria Medieval Pentárquica e aliado da Ordem do Templo; e como Napoléon Bonaparte, co-instituidor da co-Maçônica Bruxaria de Mênfis-Misraim, formalizador de base da neotemplária Ordem Militar Suprema do Templo de Jerusalém e que aboliu a Inquisição Espanhola]. Entre os dois, a guerra civil, a extorsão e o arbítrio. Esses gauleses que Roma chamou de bárbaros são povos verdadeiramente mais livres e civilizados. Seus Druidas, herdeiros diretos dos hierofantes ocitanos da teocracia do Carneiro [um Clã de Bruxas de origem na Trácia: o Clã Sabático/Órfico], perpetuam-lhes a tradição e transmitem uns aos outros, regularmente, o depósito da ciência sagrada. Alguns preceitos de seu ritual são interpretados, com efeito, em um sentido antropomórfico, errôneo, mas a inteligência do dogma, ao que parece, conservou-se integralmente nas mãos dos sacerdotes, distanciados, contudo, dos grandes centros de civilização e ortodoxia. Não obstante, na Gália, como em outros lugares, a Bruxaria recruta suas vestais [...]. Sob os primeiros reis da França, pululam encantadores e Bruxas. Só se fala de necromantes que oferecem a hospitalidade de seu corpo ao Demônio [refere-se ao nome cristianizado do Deus Cornífero das Bruxas, pois o Deus Dionysos havia o título pagão de "Daemonos" ou "Agathos Daimon"], de clérigos que exorcizam o diabo, de verdugos que queimam ou enforcam necromantes. 


É especialmente em honra dos Bruxos que Carlos Magno 
[que era Bruxo e reencarnação de Salomon o Azazel/Azizos, Iniciado dos Clãs Adonista e Amonita e que recebia honrarias entre os povos hebreus; de Alexandre o Magno, Iniciado do Clã Amonita; de Caius Iulius Caesar, Iniciado do Clã Lupercal; de Flavius Claudius Iulianus, Iniciado dos Clãs Platônico e Eleusino e que instituiu os Cinco Clãs Medievais Pentárquicos; e que reencarnaria, depois, como São Louis o Magnus Lyon Christianissimus, Iniciado da Bruxaria Medieval Pentárquica e aliado da Ordem do Templo; e como Napoléon Bonaparte, co-instituidor da co-Maçônica Bruxaria de Mênfis-Misraim, formalizador de base da neotemplária Ordem Militar Suprema do Templo de Jerusalém e que aboliu a Inquisição Espanhola] institui, sob o nome de Santa Veeme (772) [antiga Ordem bruxesca chamada de "Liga da Corte Sagrada", mais conhecida como "Santa Veeme", que constituía-se em um tribunal pagão semi-matriarcal, liderado por Bruxas de diversos clãs, como do antigo Clã Telquino, da Bruxaria Clássica, principalmente em Westfalia na Alemanha medieval, embora também havia na França, nas Ilhas Britânicas, na Itália, na Grécia, etc.; Todavia, Stanislas de Guaita se confunde aqui, pois, o que Carlos Magno instituiu a partir de sua existência anterior como Flavius Claudius Iulianus, honrado como "Divus Iulianus" fora, não a Santa Veeme, mas, a própria Bruxaria Medieval Pentárquica e o restaurado Sacro Império Romano], essa terrível sociedade secreta que, sancionada novamente pelo rei Roberto (1404) [Robert III ou John Stewart, da Escócia], aterrorizará mais de trinta gerações. [...] Eu não teria reservas em descrever aqui – após tantas outras! – as orgias priápicas e sádicas do Sabá [...]. Lendo o processo de Gilles de Laval [mais conhecido como "Gilles de Rais", que era famoso como alquimista e amigo íntimo de Santa Jeanne D’Arc, a bruxa de Orleans], senhor de Retz, os cabelos se eriçam e a náusea sobe aos lábios. [...] Talvez se tenha exagerado o papel do magnetismo e das influências ocultas nas obras do Sabá [...]. Uma doença fustigava todas as classes da sociedade: a monomania do Mistério e, assim, reuniões secretas organizavam-se por toda parte. O maravilhoso (e as pessoas eram tão ávidas dele!) decuplicara o prestígio de um suposto Sabá, em que os [...] pobres confraternizavam de modo estranho com os maiores senhores [vide Saturnalia; pois, Carlos Magno já afirmava que: Nada do que foi adquirido por meio da fraude têm chance de levar à libertação de sua alma; Deixe sua riqueza ser dividida entre os obreiros deste nosso edifício e entre os servos mais pobres de nosso palácio], fascinados pela curiosidade, mais forte que o orgulho. 


Em conventículos noturnos, aliás tão inocentes, sob o pretexto de cerimônias estranhas degustava-se o inefável prazer de andar a passo de lobo [isso é feito durante um dos Sabás, o Lupercalia, ao redor de um vilarejo ou cidade para expulsar os maus espíritos e feiticeiros], de trocar a senha com uma voz sepulcral e de correr grande risco de ser enforcado. Todavia, sem nenhum medo de semear o temor ou o estupor, desdenhando quando lhes era possível sem perigo, todo esse luxo de encenação, os verdadeiros Iniciados reuniam-se, também, e a Grande Isis [isto é, a Magistra, alta-sacerdotisa da Deusa] sentava-se no meio deles. Fundaram-se associações herméticas que deviam a rubricas forjadas o privilégio de uma segurança relativa. Citaremos, de memória, a Ordem dos Templários (ninguém ignora sua origem e seu fim trágico); as confrarias da Rosa-Cruz e dos Filósofos Desconhecidos [designação dada às primeiras lojas da Ordem Martinista, a qual, com a submissão de maior parte da Tradição Martinista à autoridade superior da Ordem Rosacruz AMORC, tornou-se religiosamente não sectária e/ou cristianizou-se parcialmente], sobre as quais a história, por outro lado, diz pouca coisa e, finalmente, a Franco-Maçonaria oculta, prolongamento mais ou menos direto da Ordem do Templo, iniciada, segundo consta, por Jacques de Molay [isso me faz lembrar de "Jack, o Ferreiro" ou "Jack da Lanterna", das lendas populares de Halloween], antes de subir à fogueira. Mas a moderna Franco-Maçonaria – sonho de algum Ashmole [Elias Ashmole, reconfigurador da Maçonaria, membro da Sociedade Real] em delírio, cepo bastardo e mal enxertado no antigo tronco – já não tem consciência dos seus mistérios inferiores. Os velhos símbolos que ela reverencia e que transmite numa piedosa rotina, tornaram-se, para ela, letra morta: é uma língua da qual ela perdeu o alfabeto. Seus afilhados, assim, nem mais suspeitam de onde vêm e para onde vão" (GUAITA, S.,1985, p. 13-15).

Além disso, no julgamento das Bruxas de Benevento, as Bruxas, às vezes referidas como Fadas, no sentido de membros do "Povo Pequeno", foram acusadas pela Inquisição de prestar honrarias ou devoções ao Magus e à Rainha das Bruxas, também descrita como "Rainha das Fadas", de um dos Cinco Clãs da Bruxaria Medieval Pentárquica, como encarnações divinas, ao invés de veneração a Virgem Maria, como enfatiza o documento inquisitorial preservado:


"Uma terra chamada Benevento, que pertence ao Papa e situa-se no reino de Nápoles. Houve um campo e em seu centro uma plataforma com duas cadeiras [da abadessa Rainha das Bruxas e do arquidruida, o Magus]. Em uma, estava um jovem vermelho e, na outra, uma bela mulher, a quem fora chamada de Rainha, e o homem era o rei. A primeira vez que ela foi lá, ela foi com oito [pessoas], o "estandarte" e as outras mulheres em sua companhia disse que ela [a bruxa que estava sendo julgada] devia ajoelhar-se e adorar o rei e a rainha e todos eles declararam que poderiam ajudá-la e dar-lhe riquezas, beleza e jovens para fazer amor. 
E eles lhe disseram para não adorar a Deus ou a Santa Virgem [a Virgem Maria]O insigne a fez jurar sobre um livro com letras grandes que ela iria adorar à dois outros. O rei como se ele fosse Deus e a rainha como se ela fosse a Santa Virgem, e deu-se a eles de corpo e alma... E depois que ela tinha adorado-os, eles fizeram as mesas e comeram e beberam e, posteriormente, os homens tiveram relações sexuais com as mulheres e, com ela, muitas vezes, em um curto período de tempo. Tudo isso parece para ela como se fosse um sonho, pois quando ela acordou, ela fez isso em sua cama, nua como se ela tivesse ido para descansar. Mas, às vezes, eles haviam chamado antes que ela tinha ido para a cama de modo que seu marido e filhos não iria notar, e sem ter ido dormir antes (tanto quanto ela poderia dizer), ela saiu e chegou completamente vestida. Ela alegou ainda que na época não sabia que era 'pecadora' antes que seu confessor o tinha abrido os olhos e disse-lhe que era "Satanás" e que ela não estava autorizada a fazê-lo ainda mais, mas ela ainda continuou entre eles, até dois meses atrás. E ela deixou cheia de felicidade e de alegria que ela recebeu dele... e porque (o rei e a rainha) deu-lhe meios para curar um doente, para que ela pudesse ganhar alguma recompensa, porque ela sempre tinha sido pobre".


Esta descrição, tirando as satanizações da Igreja Católica e da Inquisição, está precisamente correta, ao descrever a secreta organização religiosa das Bruxas, na idade média. Contanto, como afirma Stanislas de Guaita, acerca da Bruxaria na idade média, Eliphas Levi também relata diversas passagens verídicas sobre a Bruxaria, embora que tais histórias sejam desconhecidas para a ciência histórica oficial, a qual somente se baseia em interpretações de registros físicos sobreviventes para determinar "o que é verdade" do que não é. Todavia, Eliphas Levi em sua obra "Ritual e Dogma da Alta Magia", no capítulo "Sabá das Bruxas", faz algumas reflexões pertinentes, como destacam suas palavras:

“[...] A vossa cabeça gira, não é verdade, e vos parece que a terra foge debaixo de vossos pés? Ficai forme e não olheis. A vertigem cessa; chegamos. Levantai -vos e abri os olhos, mas deixai de fazer qualquer sinal e de falar qualquer palavra de cristianismo. Estamos numa paisagem de Salvator Rosa. É um deserto atormentado que parece repousar depois da tempestade. A lua não aparece mais no céu; não vedes, porém, as estrelas dançarem no tojal? Não ouvis voarem, ao redor de vós, pássaros gigantescos que, ao passar, parecem murmurar palavras estranhas? Aproximemo - nos em silêncio desta encruzilhada nos rochedos. Uma rouca e fúnebre trombeta se faz ouvir; tochas pretas estão acesas em todos os lados. Uma assembléia tumultuosa se aperta ao redor de uma cadeira vazia; olham e esperam. Imediatamente, todos se prosternam e murmuram: “Ei-lo! Ei-lo! É Ele!” Um príncipe de cabeça de Bode chega, pulando; sobre o trono; volta - se e, abaixando - se, apresenta à assembléia uma figura humana a quem todos vêm, com uma vela preta na mão, fazer saudação e dar um beijo; depois ele se endireita com um riso estridente e distribui ouro, instruções secretas, medicinas ocultas e venenos. 
Durante este tempo são acesos fogos, o pau de aulno e feto são queimados juntos com ossos humanos e a banha de supliciados. Druidesas coroadas de aipo silvestre e verbena sacrificam com foicinhas de ouro crianças subtraídas ao batismo e preparam horríveis ágapes. As mesas estão postas: os homens mascarados se colocam ao lado das mulheres seminuas, e começa - se o festim das bacanais; nada falta, exceto o sal, que é o símbolo da sabedoria e da imortalidade. O vinho corre em borbotões, e deixa manchas semelhantes às do sangue; os propósitos obscenos e as loucas carícias começam; eis que toda a assembléia está cheia de vinho, crimes, luxúria e canções; levantam-se em desordem e correm a formar as rodas infernais...


Chegam, então, todos os monstros da lenda, todos os fantasmas do pesadelo; enormes sapos embocam a flauta às avessas, e sopram apertando as coxas com os pés; escarabeus coxos entram na dança, caranguejos tocam castanholas; crocodilos fazem berimbaus das suas escamas, elefantes e mamutes chegam vestidos em forma de Cupido e levantam as pernas dançando. Depois, as rodas fora de si, se rompem e se dispersam... Cada dançador arrasta, uivando, uma dançadora desgrenhada... As lâmpadas e candeias de sebo humano se extinguem, esfumaçando na sombra ... Ouvem - se cá e acolá gritos, gargalhadas, blasfêmias e despropósitos... Vamos, acordai -vos e não façais o sinal da cruz: eu vos trouxe à vossa casa e estais no vosso leito. Estais um pouco fatigados, um pouco impressionado até, pela vossa viagem e vossa noite; mas vistes uma coisa de que todos falam sem conhecer; sois iniciado em segredos terríveis como os do antro de Trophonius: assististes do Sabá! Resta -vos agora, não ficar louco, e manter-vos, num temor salutar da justiça, a uma distância respeitosa da Igreja e das suas fogueiras! Quereis ver ainda alguma coisa menos fantástica, mais real e até verdadeiramente mais terrível? Eu vos farei assistir ao suplício de Jacques de Molay e dos seus cúmplices ou dos seus irmãos no martírio... Mas, não vos enganeis e não confundais o culpado com o inocente! Os templários adoram realmente Baphomet [Aberamentho]? Deram um beijo humilhante na face posterior do bode de Mendes? Qual era, pois, esta associação secreta e poderosa que pôs em perigo a Igreja e o Estado, e que matam sem ouvi-la? Nada julgueis levianamente: são culpados de um grande crime: deixaram os profanos verem o santuário da antiga iniciação; colheram ainda uma vez e repartiram entre si, para tornarem-se, assim, senhores do mundo, os frutos da ciência do bem e do mal.

[...] Digamos, agora, para edificação do vulgo, satisfação do conde de Mirville, justificação do demonômano Bodin e maior glória da Igreja que perseguiu os templários, queimou os magos, excomungou os franco-maçons, etc., etc.; digamos, ousada e altivamente, que todos os iniciados às ciências ocultas (falo dos iniciados inferiores e profanadores do grande arcano) adoraram, adoram ainda e adorarão sempre o que é significado por este espantoso símbolo. Sim, na nossa convicção profunda, os Grão-Mestres da Ordem dos Templários adoravam o Baphomet [Aberamentho] e o faziam adorar pelos seus Iniciados; sim, existiram, podem existir ainda as assembleias presididas por esta figura assentada num trono com a sua tocha ardente entre os chifres; somente que os adoradores deste emblema não pensam, como nós, que seja a representação do diabo, mas sim a do Deus Pan, o deus das nossas escolas de filosofia moderna, o Deus dos teurgos da escola de Alexandria e dos místicos neoplatônicos dos nossos dias, o Deus de Lamartine e Vitor Cousin, o Deus de Spinoza e Platão. [...] Que é que se passa, pois, no mundo, e por que os padres e reis tremeram? Que poder secreto ameaça as tiaras e coroas? Eis aqui alguns loucos que correm de país em país, e que escondem, dizem eles, a pedra filosofal sob os restos da sua miséria. Podem mudar a terra em ouro e falta-lhes asilo e pão! A sua fronte é cingida por uma auréola de glória e um reflexo de ignomínia! [...] Que segredo, pois, todos estes homens levam ao seu túmulo? Por que os admiram, sem os conhecer? E por que são eles iniciados nessas terríveis ciências ocultas de que a Igreja e a sociedade têm medo? Por que sabem o que os outros homens ignoram? Por que dissimulam o que cada qual tem desejo ardente de saber? Por que estão investidos de um terrível e desconhecido poder? As ciências ocultas! A magia! Eis aí duas palavras que vos dizem tudo o que podem vos fazer pensar ainda mais! De omni re scibili et quibusdam aliis.” 
(ELIPHAS LEVI, 'O Sabá das Bruxas').


Com exceção da alegação de sacrifício de crianças, Eliphas Levi é precisamente correto ao descrever o culto das Bruxas. Além dos ocultistas e sensitivos Stanislas de Guaita e Eliphas Levi, a famosa ocultista russa, Helena Blavatsky, reafirma a origem da Maçonaria no seio da Bruxaria da idade média, assim como, também, reforça que a Ordem do Templo, mais conhecida como "Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo do Templo de Salomão", era um Clã de Bruxos disfarçados de Cristãos, com o intuito de não serem perseguidos, conquistarem uma boa imagem social e obterem honras como àquelas dos sacerdotes Cristãos. Helena Blavatsky que, enquanto ocultista, buscava o estudo das antigas religiões pagãs, que mais tarde culminou na instituição da Ordem ocultista chamada "Sociedade Teosófica", declarou, ao tratar sobre a Bruxaria, que: 


“Os Templários modernos e antigos não existe, no melhor dos casos, outra analogia senão a adoção de certos ritos e certas cerimônias de caráter puramente eclesiásticos astutamente incorporados pelo clero à grande Ordem Antiga. Após essa desconsagração, ela foi perdendo gradualmente seu caráter primitivo e simples até a sua ruína total. Fundada em 1118 pelos cavalheiros Hugues de Payens e Geoffoy de Saint-Adhémar, com o fito nominal [ou seja, aparência externa] de proteger os peregrinos, o seu verdadeiro objetivo era a restauração do primitivo culto secreto [a Bruxaria]
A versão da história de Jesus e do Cristianismo primitivo foi revelada a Hugues de Payens pelo Grande-Pontífice da Ordem do Templo (da seita nazarena ou joanita), chamado Teocletes, que a ensinou depois a outros cavalheiros da Palestina, dentre os membros mais elevados e mais intelectuais da seita de São João [o Islamismo Sufi e Druso, que era descendente das antigas Bruxas ou Iniciados e Filósofos banidos do Império Romano Cristianizado que fugiram para a corte sassânida, dando origem à religião Mandeísta], que foram iniciados nos seus Mistérios [o “Templo Negro”]. A liberdade de pensamento intelectual e a restauração de uma religião universal eram seu objetivo secreto. Presos ao voto de obediência, pobreza e castidade, eles foram no início os verdadeiros de João Batista, vivendo no deserto  e se alimentando de mel e gafanhotos. [...] É um erro afirmar que a Ordem só se tornou anticatólica posteriormente. Ela o era desde o princípio e a Cruz Vermelha [a Cruz Grega da Roda Sazonal!] sobre manto branco, a veste da Ordem, tinha a mesma significação para os Iniciados de todos os outros países. Ela apontava para os quatro Pontos Cardeais do compasso e era o emblema do universo.  Quando, mais tarde, a Irmandade foi transformada numa Loja, os templários, a fim de escapar às perseguições, tinham de realizar as suas próprias cerimônias no maior segredo, geralmente no salão de alguma corporação, mais frequentemente em cavernas isoladas ou choças erguidas no meio de bosques, ao passo que a forma eclesiástica de culto era celebrada publicamente nas capelas pertencentes à Ordem. Embora fossem infamemente caluniosa muitas das acusações feitas contra eles por ordem de Felipe IV, os seus pontos principais eram corretos, do ponto de vista do que é considerado como heresia pela Igreja. Os templários atuais, adentrando tão estritamente como fazem à Bíblia, não podem pertencer ser descendentes diretos daqueles que não acreditavam em Cristo, seja como homem-Deus, seja como Salvador do mundo(!); que rejeitavam o milagre do seu nascimento e dos que foram operados por ele(!); que não acreditavam na transubstanciação, nos santos, nas relíquias sagradas, no purgatório, etc.(!). 


O Jesus Cristo era, em sua opinião, um falso profeta, mas o homem Jesus era um Irmão [eis o segredo templário que constituía-se uma ameaça ao poderio da Igreja Católica: Jesus se tornou também Iniciado, pelos próprios Reis Magos, os quais eram adeptos do Clã Mitraico, da Bruxaria Clássica; motivo pelo qual Lois Bourne menciona uma "origem bruxesca" de Jesus]Consideravam João Batista como seu patrono, mas nunca o tiveram no conceito em que o tem a Bíblia [pois, aqui se refere aos adeptos da religião Mandeísta ou Mazdak-elcesaíta que, sendo originada pelos Filósofos e Iniciados da Bruxaria que foram expulsos do Império Romano com a oficialização do Cristianismo na Europa, fundaram tal religião a partir da opinião dos Cristãos Arianos em que afirmava que São Ioannes Batista fora quem "santificou Jesus"
]Reverenciavam as doutrinas da Alquimia, da Astrologia, da Magia, dos Talismas cabalísticos e seguiam os ensinamentos secretos dos seus chefes do Oriente. ‘No último século’, diz Findel, ‘quando a Franco-maçonaria supôs erroneamente ser uma filha [direta] do templarismo, era muito difícil acreditar na inocência da Ordem dos Cavalheiros Templários. [...] Com essa intenção, não só lendas e acontecimentos sem registros foram fabricados, mas também se tentou sufocar a verdade’. A verdade é que a Maçonaria moderna difere muito radicalmente daquilo que foi uma vez a irmandade secreta universal na época em que os adoradores bramânicos do AUM [aqui Helena fala em linguagem esotérica] intercambiavam sinais e senhas com os devotos do TUM e em que os adeptos  de todos os países da terra eram “Irmãos” [ela refere-se ao intercâmbio entre todos os Iniciados na Bruxaria Medieval, incluindo os Templários, em todos os países ou províncias]Qual era, pois, esse nome misterioso, essa ‘palavra’ poderosa por cuja potência os Hindus e os Iniciados caldeus e egípcios operavam maravilhas? No capítulo CXV do Ritual Funerário egípcio, intitulado ‘O Capítulo da Vinda do Céu [...]  e do Conhecimento das Almas de Annu (Heliópolis)’, Horus diz: ‘Conheci as Almas de Annu. Os mais gloriosos não passarão [...] a menos que os Deuses me deem a PALAVRA’. Em outro hino, a alma, transformada, exclama: ‘Que me seja aberto o caminho para Re-Stau. Eu sou o Supremo, vestido como Supremo. Eu cheguei! Eu cheguei! Deliciosos me são os reis de Osiris. Crio à água [pelo poder da Palavra]. [...] Não vi os segredos ocultos [...]. Confiei na Luz. Sou puro. Sou adorado por minha pureza’ (CXVII-CXIX, Capítulo da Ida ao Re-Stau e do Regresso de Lá). Em outro lugar, o envoltório da múmia expressa o seguinte: ‘Sou o Grande Deus [espírito] que existe por si mesmo, o criador do Seu Nome [...] sei o nome desse Grande Deus que está ai’ (Cap. XVII). Os inimigos de Jesus o acusam de ter operado milagres e os seus próprios apóstolos o apresentam como um expulsador de demônios por graças do poder do INEFÁVEL NOME. Os primeiros [os Templários, portanto] acreditam firmemente que Jesus o roubou do Santuário. 

[...] Os padres, tomando a ideia dos fariseus, transformaram em diabos os Deuses pagãos, Mithra, Serapis e outros. A Igreja Católica Romana denunciou a adoração antiga como comércio com os poderes da escuridão. Os assassinos [membros da sufi Ordem Hashashin, fundada pelo ismaelita Hassan ibn A-Sabbah] e as Bruxas da Idade Média eram nada menos do que adeptos da adoração proscrita. [...] O mote rosacruciano Igne Natura Renovatur Integra [INRI], que os alquimistas interpretam como natureza renovada pelo fogo, ou matéria pelo espírito, tem sido imposto até hoje como Iesus Nazarenus Rex Iudeorum. A sátira sarcástica de Pilatos é aceita literalmente e os Judeus a tomaram inadvertidamente como reconhecimento da realeza de Cristo; no entanto, se essa inscrição não for uma falsificação feita no período constantiniano, ela será uma ação dirigida a Pilatos, contra quem os Judeus foram os primeiros a protestar violentamente. Interpreta-se I.H.S. como Iesus Hominum Salvator e In Hoc Signo, ao passo que IHS [Iakkhe] é um dos nomes mais antigos de Baco. E mais do que nunca começamos a descobrir, à luz brilhante da Teologia comparada, que o grande propósito de Jesus, o iniciado do santuário interior, era abrir os olhos da multidão fanática para a diferença entre a Divindade suprema – o misterioso e nunca pronunciado IAÔ dos Iniciados caldeus antigos e dos Neoplatônicos posteriores – e o Yahu hebraico, ou Yaho [...]. Apoiado na exclamação de Davi, parafraseada na Versão o Rei James como ‘todos os deuses das nações são ídolos’, isto é, diabos, Baco ou o ‘primogênito’ da teologia órfica – o Monogenes, ou o ‘unigênito’ do Pai Zeus e Lorê – foi transformado, com o restante dos mitos antigos, num Diabo. [...] Assim era Baco [...]. Uma mudança de culto, decretada pelo Assassino Imperador Teodósio, por ordem do Padre Espectral Ambrósio de Milão, modificou seu título para Padre das Mentiras. Sua adoração, antes universal, foi denominada pagã ou local, e seus ritos foram estigmatizados como Bruxos. Suas orgias receberam o nome de Sabá das Bruxas e sua forma simbólica favorita, o pé bovino, tornou-se a forma representativa moderna do Diabo, com o casco rachado. O pai da família, que antes fora chamado Beel-zebub, passou a ser acusado de manter relações com os poderes condenados como a Magia e a Bruxaria. A ignorância tornou-se a mãe da devoção hipócrita” (BLAVATSKY, Helena; “Isis Sem Véu – 4º”).  

Contudo, deve-se ficar claro que, dentro da Bruxaria Medieval, havia uma Lei (somente para lembrar: na Bruxaria também há Leis e diversas!) que proibia a realização de rituais dentro de locais fechados, tendo em vista os ensinamentos de Hermes que proibiam que os ritos fossem realizados em cavernas ou locais fechados que não fossem ao ar-livre e, por isso, maior parte dos templos bruxescos possuía a parte do santuário sem teto algum. No entanto, ao contrário do que afirmavam Doreen Valiente, Gerald Brosseau Gardner e outras pessoas afins desta época, a maior parte das Bruxas da idade média eram letradas, não analfabetas. Cada conventículo havia um livro ritualístico ou grimório denominado "Livro do Sair Para a Luz" ou simplesmente "Folhas da Serenidade" (como cita Lois Bourne), não "Livro das Sombras" (como diz Gerald Brosseau Gardner, ao ser influenciado pelas superstições de Cecil Williamson), sendo que tal livro ritualístico era constituído – não como afirma Gerald Brosseau Gardner (por “encantamentos e magias”) – mas, sim, muito além do que postula Gerald Brosseau Gardner: constituía a liturgia e a tradição escrita própria de cada Clã da Bruxaria, onde incluía-se cerimonias, rituais, ensinamentos, magia, simpatias e encantamentos e, sobretudo, toda uma ritualística própria e especificamente bruxesca. Entre as velhas Bruxas, a Bruxaria era uma religião instituída, porém, não somente uma "religião", e, sim, uma Religião de Segredo, uma religião secreta, iniciática, de estrutura esotérica, de caráter clerical, gnóstica e complexa (cujos cargos ocupados e simbologias refletem estruturalmente os Deuses universais, os Guardiães das Atalaias e a constituição do universo). A propósito, a Bruxaria – na sua antiga organização – tem todas as características de qualquer outra religião: tem Deuses próprios, tem um Conjunto de Mitologia, tem Crenças, tem um Conjunto de Práticas e Cerimônias características, tem Liturgia, tem Livro Ritualístico, tem Dias Sagrados, tinha (e ainda têm) Templos, tinha (e tem) Corpus de Sacerdócio e Alto-Sacerdócio; contanto, as pessoas atuais – conseguindo conceber nada maior do que a superstição e a deturpação  possuem a tendência de prender-se ao nome, e se o nome “Bruxa-ria” têm a terminologia "-prática" (“-ria”) e não "-ismo" (até porque “-ismo” é moderno), isso já é encarado no sentido literal da expressão; mas, é preciso ir além e transcender o mundo de aparências.



Os principais Registros Históricos, sobreviventes sobre a Bruxaria, de autoria desconhecida, são: 

- 700ac: Hesíodo, em sua "Teogonia", fala da bruxa Circe (além de Medea, Arquimedea, Aitra, etc., por outros autores clássicos). 
- 30ac: o poeta romano Horácio em seu "Epopeias de Horácio" reforça a associação das bruxas com a Deusa Diana em um culto dos Mistérios/Arte dos Sábios ou "Mysteria"
314dc: o Conselho de Ancyra “rotula” como hereges as bruxas que pertenciam à “Sociedade de Diana”. O Conselho acrescentou que elas eram enganadas por Satã. 
662dc: São Barbato converte Romuald (Duque de Benevento) ao Cristianismo. Quando isto ocorreu à árvore das bruxas de Benevento – uma nogueira  foi cortada. O mesmo São Barbato esteve no Conselho de Constantinopla e reportou o “mal” das bruxas de Benevento. 
906dc: Regino de Prum, em suas instruções a seus bispos, disse que os pagãos adoravam Diana em um culto que chamou de “Sociedade de Diana”. 
1006dc: no 19o livro do "Decretum" (entitulado Corrector) reforçou a associação da adoração a Diana das bruxas com os pagãos. 
1280dc: o Conselho da Arquidiocese de Conseranos associa o “culto das bruxas” com uma Deusa pagã. 
1310dc: o Conselho de Trier associa as bruxas à Deusa Diana (e "Herodias"). 
1313dc: Giovanni de Matociis escreveu em seu "Historiae Imperiales" que muitas pessoas acreditavam em uma sociedade noturna presidida por uma Rainha a quem chamavam de Diana. 
1390dc: uma mulher milanesa é julgada pela Inquisição por pertencer a “Sociedade de Diana” e esta confessou que adora a Deusa da Noite e que “Diana deu suas bênçãos a ela”. 
1457dc: três mulheres julgadas em Bressanone confessaram fazer parte da “Sociedade de Diana” (como registrado por Nicolas de Cusa). 
1519dc: Girolamo Folengo (poeta italiano) associou uma dama conhecida como Gulfora com bruxas que se reuniam para fazer rituais em sua corte, em Maccaronea. 
1576dc: Bartolo Spina escreveu em seu "Quaestrico de Strigibus" uma lista de informações que juntou das confissões, nas quais as bruxas se reuniam à noite para adorar “Diana” e que tinham negócios com espíritos da noite. 
1647dc: Peter Pipernus escreveu em seu "De Nuce Maga Benventana e Effectibus Magicis" de uma mulher chamada Violanta, que confessou adorar Diana perto de uma árvore de nozes em Benevento. 
1749dc: Girlamo Tartarotti reforçou a associação entre o culto das bruxas com o antigo culto de Diana, em seu livro "Del Congresso Nottorno Delle Lammie". Em sua obra "A Study of the Midnight Sabats of Witches" ele escreveu que: “[...] a identidade do culto diânico com a Bruxaria Moderna é visto e provado.” 
- século XIX: Karl Ernst Jarcke e Michelet Jules relatam a existência do Culto das Bruxas na Europa.

1890dc: Charles Leland relata a sobrevivência dos caminhos antigos em seus livros: "Etruscan Magic & Occult Remedies" e "Aradia, the gospel of the witches". 
- 1921dc: Margaret Alice Murray descreve a existência secreta do culto da Bruxaria.
- 1966dc: Carlo Ginzburg discute uma teoria alternativa acerca do culto das Bruxas.
- 1954dc: Gerald Brosseau Gardner relata ter sido iniciado em um conventículo da Bruxaria sobrevivente, em Nova Floresta, Inglaterra.
- 1951dc: os Atos Anti-bruxaria ("Witchcraft Acts"), leis que proibiam a prática da Bruxaria nas Ilhas Britânicas, foram revogados. Neste ano, nasce Raven Grimassi, que reivindicou mais tarde ter sido descendente de uma bruxa, Calenda Tavani, de Nápoles, Itália, descrevendo parte da Bruxaria Medieval Reformada na Itália, em 1313 em diante, pela "Bela Peregrina", a misteriosa madre que restaurou o culto das Bruxas.
- em uma cronologia seguinte, autores como Sybil Leek, Lady Sheba, Robert Cochrane, Charles Cardell, Rosaleen Norton, Alex Sanders, Eleanor Bone, Lois Bourne, etc., reivindicaram terem sido iniciados em clãs sobreviventes da Bruxaria nas Ilhas Britânicas.