sábado, 22 de janeiro de 2011

-13 PERGUNTAS FREQUENTES

{Em sequência seguem treze Perguntas-Respostas, em relação à Bruxaria, para esclarecer alguns equívocos, frequentemente presentes nas próprias comunidades pagãs atuais}.




1)      O que é a Bruxaria?


A Bruxaria (ou religião Wicca, ou Witchcraft, ou Buidseachd – conhecida por vários nomes-exônimos de "Mysteria" ou de "Bardcraft", conforme a língua e dialeto de cada região e país europeu), às vezes referida na sua antiga liturgia por metáforas como "A Arte""A Arte dos Sábios""A Arte Sacerdotal e Real" ou "Os Mistérios" (poetizada como "a Antiga Religião" e concebida dos céus como "Tradição Hermética ou Masdeísta"), é um Clero Pagão da Fertilidade, uma Religião de Segredos, um Culto da Lua e do Fogo primal, uma antiga Religião-sabedoria ou de Gnose, que tem base, segundo esta tradição secreta, em uma religião estelar que foi fundada na região da Grécia e Anatólia (também chamada de "Oriente") e levada para o Egito (a "Terra Sombria") em tempos remotos, há cerca de 10.500 anos a.e.c., no período magdaleniano, quando a Constelação de Leão se alinhou simetricamente à visão da Esfinge dita Abu-Al-Haul/Tubalcain (o Vigilante do Advento da Era de Leão) para a Vinda de Trismegistos o "Rei Sábio" que, sendo Sacerdote, Hierofante e Arcanjo, revolucionaria a terra com sua régia fundação; período equivalente à pintura de "O Deus Cornífero" na francesa Gruta dos Três Irmãos, de Montesquieu-Avantès do Ariège, em Languedoc-Rossilhão. No princípio daquele tempo, a região da Anatólia era formada pela autoritária Troia ou Império Hitita, a principal descendência dos antigos Povos Atlantes ou Titãs e suas dinastias de reis corruptos ou arcontes. Ainda, segundo a tradição secreta e os mitos da Bruxaria: no Império Hitita havia um construtor ou arquiteto com estatura baixa e cabelos e barbas longas, criador do ofício da metalurgia ou alquimia, no entanto, este construtor resolvera desposar uma dama terrena dos Povos Pelasgos, o que, em consequência da perversão exercida pelos mortais, fora gravemente ferido pelo seu traidor Ares/Ahriman/Seth, o qual, através da esposa do construtor, lançou sete ferimentos e demônios e uma perturbação ou paixão à este construtor que, não obstante, fora preso e torturado pelo imperialista dos arcontes, ficando coxo; tal construtor, por ser o Primeiro Filósofo ou Adivinho a conhecer a divindade e discerni-la da falsa deidade, foi chamado de Hephaistos/Ptah, Kothar-Wa-Chasis, Enki ou Tubalcain/Typhoeus ("Hubal/Davul/Daeva-el Qaynan"; ou "Hu Al-Qa'im"), o Demiurgos ou Arquiteto do Mundo. Com a influência arcôntica dos bárbaros e imperialistas, estes ocasionaram à insatisfação de Tubalcain e que resultou em sua queda dos céus até a terra entre os cilicianos que, fugindo para o Monte Cábiro ou Monte dos Monges, dito Olimpos da Mísia e da Bitínia, o "Altíssimo" se opôs ao anjo Tubalcain:

"Você ainda senta-se, Hephaistos, e você não vai salvar as suas crianças? Levanta a sua Tocha [de Anjo Lucífero], acostumada em defender os Cábiros ["Khepere" ou "Kabeiroi", os Antigos], transforma a sua visão [de limitada para imortal] e veja a sua antiga Noiva, a sua Cabeiro [Kapheira, a Cabíride ou Antiga esposa, seja a celeste Atena Kyparissia seja a terrena Aphrodite Kypria], repreendendo-lhe em amor por seus filhos!" (NONNUS).


Assim, Tubalcain
amou novamente a imortal Sophia/Atena/Iris, a qual, em contraposição à queda celeste do Demiurgos, rejeitou o coito terreno demiúrgico e, este, irado, procriou um filho na terra, com Naamah/Aphrodite Melia/Halia/Maia, fruto deste amor: a criança cileniana da Arcádia chamada Erichthonius/Hermes Chthonius, colocado aos cuidados das Três Irmãs conhecidas como Aglauros, Pandrosos e Herse {citada no julgamento inquisitorial escocês às bruxas} sob a ordem de Sophia/Atena/Iris. Em contrapartida à guerra atlante/titânica que desencadeara, Hermes Trismegistos/Thoth/Hormazd o "Angelos Athanaton" ou Anjo dos Imortais, por seu talento em retórica ou encantamentos, recebeu do grandioso Deus Cornífero (Apollon Karneios/Paion ou Dionysos/Osiris), no Monte Olimpos tessaliano, um Selo mágico-espiritual no meio da testa, contendo os Segredos dos Céus, que incluíam conhecimentos de alquimia, geometria, botânica, metafísica, numerologia, astrologia, magia, radiônica, passe, gramática ou vidência, radiestesia, etc., para a fundação de um sodalício ou organização secreta de Sábios e Iniciados (chamada na liturgia bruxesca de "Magna Sodalitas", a Grande Organização, referida na língua inglesa como Irmandade do Santo Graal), a Bruxaria ou Arte dos Sábios, de modo que, saindo da Arcádia, iniciasse os patriotas da "Terra Sombria" (Egito) e ensinasse o despertar dos estados de consciência, fazendo as duas Serpentes Masculina e Feminina subirem e passarem pelos Pontos de Poder do Caduceu, para a iluminação espiritual angélica em Ouro alquímico, de modo que este sodalício ou organização secreta, com magia e técnicas pacifistas, derrubasse o arcôntico poderio das forças titânicas e seu domínio caótico-imperialista sobre a terra. Embora o arquiteto do mundo ou demiurgos Tubalcain tenha sido expulso dos céus pelo Altíssimo como toda criatura, não o é mau senão dragão ou esfinge da terra, todavia, ao cair sob o jugo terreno de Ares/Ahriman/Seth, passou de Anjo Lucífero a Anjo Vigilante. As lendas bruxescas nos dizem que, antes de Tubalcain ser traído por Ares/Ahriman/Seth com sua própria esposa Naamah/Ninmah/Niamh/Hathor-Sekhmet a Aphrodite Pandemos ou Kale Syria, o Demiurgos fora pai-irmão do arcanjo Enoch do Monte Hermon/Hermes Trismegistos o "Mastêrios" ou Fundador da Arte dos Sábios que, junto com sua mãe celestial Sophia/Atena/Iris, fundara a Bruxaria e estabelecera o "Magistério da Bruxaria" ou "Magistério da Arte" entre os patriotas da "Terra Sombria" ou Egito (vide: imagem ao final desta página, de Sophia/Atena/Iris amamentando o menino Hermes). Assim, Hermes o Arauto dos Profetas ou Adivinhos foi conduzido aos céus pelo próprio Deus Cornífero (o que levou a ser personificado, na antiguidade, pela Fênix ou ave Íbis/Bennu, replicado pela águia na bandeira do Sacro Império Romano, e cujo símbolo é a "Marca-da-Bruxa" ou pentagrama). Então, em consequência à Fundação da Bruxaria, a antiga Poesia Órfica cita:

"Vamos celebrar a Colmeia de Venus, que descendeu do Mar: a Colmeia de muitos nomes: a poderosa Fonte da qual todos os Reis são descendentes, e de onde todos os voadores e imortais Amores foram, novamente, gerados!" (POESIA ÓRFICA).


Contanto, tal organização secreta cresceu consideravelmente com uma estrutura hierárquica e complexa e, sendo uma religião secreta, constituía-se em um culto clerical, pagão, gnóstico, não-fundamentalista, não-classista e de propagação rápida, vista como uma ameaça às forças imperialistas titânicas. Mais tarde, a religião deste Hierofante se espalhou pelo Egito, Anatólia, Grécia, Índia, Roma e, na idade média, por toda a Europa. Os antigos conhecimentos esotéricos, da Bruxaria, deram origem à Medicina dos Templos Asclepíades, que se espalharam literalmente por todo o mundo antigo. No Egito, através da Bruxaria, uma religião nasceu por ordem do faraó Akhenaton (reencarnado atualmente no Brasil), o Atonismo, a primeira religião monoteísta que, desenvolvendo uma perseguição de "caça-às-Bruxas" por volta de 1.330 a.e.c., realizou aprisionamento de Bruxas e Iniciados, no intuito de extinguir a Arte dos Sábios no Egito, o que, em consequência, exigiu que Kiya, uma discreta sacerdotisa do Clã Isíaco e uma das esposas de Akhenaton, mantivesse sua religião em sigilo e, com a morte de seu jovem filho Tutankhamon, fora vista como responsável por tal eventual morte, em seguida, desonrada pela raça de répteis no poderio real. Na Pérsia ou Caldeia, a Bruxaria contribuiu para o surgimento de outra religião, o Zoroastrismo, pelo profeta Zoroastro que, tempos mais tarde, instituíra a religião Budista entre a Pérsia e a Índia. Também, a Bruxaria teve um papel crucial, na Síria e na Galileia, para o surgimento de outra religião, que fora oficialmente fundada no Império Romano, o Cristianismo (Sim, isso mesmo! Seria fácil falar o contrário, para agradar o baixo pensamento conservador; mas, não, o conhecimento autêntico não visa deixar as pessoas mais ignorantes). Na Europa Ocidental, a Bruxaria, no decorrer da idade média, deu surgimento à Maçonaria Especulativa, nas Ilhas Britânicas, e à Ordem Rosacruz, a qual, na temperança da modernidade, parte desta fora redirecionada à uma tentativa de restaurar o Atonismo, o núcleo da tradição amarniano-mosaica que deu origem ao Judaísmo, ao Cristianismo petrino e ao Islamismo, isto é, as religiões mesopagãs ou amarniano-mosaicas. Mas, no início da idade média, a Bruxaria e seus Clãs  quando haviam grande poder, tanto religioso quanto sociopolítico — foram confrontados pela Igreja Católica sob o rótulo de "Seitas Gnósticas", por haver uma grande quantidade de praticantes, e acusada equivocadamente, mais tarde, de "fazer pacto com o Diabo, se entregar de corpo e alma à adoração do 'Demônio' e da Senhora das Fadas e do Jogo e participar da celebração noturna do Sabá bruxesco"


O alto-sacerdote deste culto secreto era chamado de "Magister" (ou "Mystagogus") e o Deus Duo Cornífero bruxesco foi taxado pela Igreja de "O Demônio", em função de este tratar-se de um de seus títulos pagãos ("Daimonion", "Daemonos" ou "Agathos-Daemon", um título do Deus Cornífero Dionysos, que representa o Od, que é a contraparte serpentina masculina de Ob ou "Agathe-Tyche", a corrente energética da Deusa). Durante a cerimonia da Bruxaria, o Deus Cornífero incorporava no Magister mascarado de sátiro, com Chifres, Avental e Botas DionisíacasCada um dos Clãs era governado por uma "Rainha das Bruxas", dama abadessa que detinha a autoridade soberana da Bruxaria na terra. As Rainhas das Bruxas possuíam cada qual um companheiro arquidruida, denominado Magus ou Majestade das Bruxas que, escolhido anualmente (como bem relata o bruxo Caius Iulius Caesar), enquanto rei santificado da descendência do anjo Tubalcain/Typhoeus/Davul/Daeva-el, após sua morte era, conforme o velho costume romano, honrado como "Divus" ou "Dibus" ou "Daeva", isto é,
 aquele que se tornou "coelicola" ou que foi recebido pelos Deuses nos céus ou, na linguagem oriental, um Deva, cujas honrarias eram chamadas de "Devoçõesou, na língua greco-romana, "Devotio" ou "Diavoitos", o que levou ao surgimento de superstições entre os Cristãos sobre o "Diabo", já que Jesus Cristo havia sido morto por ordem de um imperador romano ou "Divus" e, portanto, foi visto como sendo o símbolo do mal ou inimigo do Altíssimo, associando-se às concepções Judaicas de “Satã” e Iranianas de “Daebaaman” (literalmente "o pensamento de Daeva") que, na antiguidade, a religião Zoroástrica passou a condenar em decorrência do uso ostentatório e deturpado entre os reis persas que apelaram às corrupções atlantes ou titânicas. Porém, o "Divus" ou "Dibus", para as Bruxas e os antigos indianos, era um Magus ou Majestade de Bruxas e Iniciados que, por sua autoridade espiritual e elevação em direção à divindade e ao bem comum da sua irmandade, havia se tornado possuidor do mérito de receber honrarias. Cada Clã da velha Bruxaria era formado por um conjunto de conventículos, cada um deles subordinado à uma Magistra do conventículo-matriz. Cada conventículo havia, o chamado Têmenos ou Nematon, um espaço territorial de Três Milhas de diâmetro, sob o qual nenhum outro conventículo tinha direito de se instalar. A primeira e a última casa do espaço do Têmenos era ocupada por Bruxos, para hospedar os Bruxos visitantes, bem como o Sacerdote Negro. Também, havia o chamado "Sacerdote Vermelho", encarregado de manter a segurança de cada conventículo. 

Muitos sacerdotes Cristãos, na Idade Média, faziam parte da Bruxaria, enquanto fingiam-se de "padres do Cristianismo" (e renegavam-o, secretamente), que, quando possível, cediam a própria Igreja ou o terreno do Priorado ou Catedral  como, por exemplo, os ingleses Templo Interior ("Inner Temple") e seu Templo Médio ("Middle Temple") e a Igreja do Templo ("Temple Church"),  e o Priorado Negro de Derby ("Derby Black Priory"), o qual fora construído por ordem do bruxo e rei inglês Edward I o Longshanks, o irlandês Priorado da Abadia Negra ("Priory of Black Abbey"), as italianas Catedral de Siena ("Duomo di Siena"), Templo Malatestiano ("Tempio Malatestiano"), Campanário de Giotto ("Campanile di Giotto") 
Catedral de Lucca de São Martino ("Duomo di Lucca di San Martino"), a escocesa Capela de Rosslyn ("Rosslyn Chapel"), o português Castelo de Tomar e seu Convento de Cristoas alemãs Igreja da Santa Cruz ("Heilig-Kreuz Kirche"), Capela Drüggelter ("Drüggelter Kapelle"), Catedral de Berlim ("Berliner Dom"), Catedral de Aachen ("Aachener Dom") e sua Capela Palatina ("Palatine Chapel"), a qual fora construída pelo bruxo e rei Carlos Magno, e as francesas Santa Capela ("Sainte Chapelle"), também construída pelo bruxo e rei São Louis o Magnus Lyon Christianissimus, Basílica de São Denis ("Basilique Saint-Denis"), Catedral de Notre-Dame de Paris ("Cathédrale Notre-Dame de Paris"), Igreja de Santa Maria ("Église Saint Merri"), Catedral Basílica de Notre-Dame de Amiens ("Basilique Cathédrale Notre-Dame d'Amiens"), Basílica de Notre-Dame de Fourvière ("Basilique de Notre-Dame de Fourvière"),
 Basílica de São Quintinus ("Basilique de Saint-Quentin"), Catedral de Notre-Dame de Reims ("Cathédrale Notre-Dame de Reims"), Igreja de Notre-Dame-de-la-Mer ("L'église de Notre-Dame-de-la-Mer") e Catedral de Notre-Dame de Chartres ("Cathédrale Notre-Dame de Chartres" para a prática dos festivais sagrados da Bruxaria, como os Sabás e as Missas das Bruxas, sob a refulgente invocação dos Deuses bruxescos após a famosa "batida do sino à meia-noite" (haja visto que muitas Catedrais Cristãs eram velhos Templos da Antiga Religião, e as Igrejas medievais eram usadas, inicialmente, no sentido grego original, como "assembleias do povo" ou, na língua latina, "comícios ou comitês" que, enquanto ponto de encontro social, realizava-se festas sociais e acordos políticos, aspectos que, mais tarde, foram delegados à um "Pavilhão ou Salão" ligado à cada Igreja)Mas, no entanto, nem todas as Bruxas morreram, algumas dentre aquelas que foram queimadas e enforcadas, conseguiram fugir. 

Ao contrário do que algumas pessoas desinformadas falam, Gerald Brosseau Gardner nunca sequer "fundou" ou "criou" a religião "Wicca". Gerald B. Gardner foi, de fato, iniciado na religião das Bruxas ["Wiccan"], isto é, na Arte dos Sábios ["Craft of the Wicca"] ou Bruxaria ["Wiccecraeft"], sendo que o próprio Gerald Brosseau Gardner chega a citar em alguns de seus livros (vide: "A Bruxaria Hoje" ou "O Significado da Bruxaria"), desacreditados pelos críticos materialistas que, desconhecendo a Bruxaria, denunciam suas próprias superstições pessoais e ignorâncias que impedem de ver a realidade com tamanha nitidez necessária. Em resumo geral, a religião de que Gerald Brosseau Gardner trouxe à público e suas afirmações realizadas são verídicas e autênticas, pois, s
e verificarmos o conteúdo da "Wicca" ou Bruxaria de que fala Gerald Brosseau Gardner (vide o tópico da galeria: "Ordem Rosacruz Irmandade de Crotona e seu Conventículo de Nova Floresta"), notaremos que é a prática mágico-religiosa mais conhecida da Modernidade que se assemelha à Bruxaria, tanto a medieval quanto a pré-medieval, além de que estas palavras inglesas arcaicas para Bruxo ("Wicca") ou Bruxas ("Wiccan") e Bruxaria ("Wiccecraeft") já eram utilizadas na idade média para designar os adeptos e o denotativo de prática desta religião de segredos, isto é, "Wicca" e "Witchcraft" (Bruxaria) são a mesma coisa, a mesma religião de segredos, secreta, iniciática e da fertilidade, embora ambos os rótulos ("wicca moderna" e "bruxaria moderna"; incluindo àquela que usa o disfarce de "bruxaria tradicional" e sequer possui descendência à Bruxaria genuinamente Tradicional) se distanciam, inegavelmente, de sua origem. O grande problema de Gerald Brosseau Gardner não foi acerca da religião que trazia à público em seu tempo, pois, maior parte das afirmações realizadas em relação à Bruxaria, estavam corretas; no entanto, o erro de Gerald Brosseau Gardner diz respeito à sua própria espiritualidade que, influenciado pelo materialismo, caiu no criticismo em relação à Bruxaria em seu conventículo e, assim, fora ignobilmente influenciado pela onda de goétia ou feitiços de Aleister Crowley, o feiticeiro ou malfeitor que, induzindo às paixões pecaminosas ou corruptas, levou à firme oposição entre as Bruxas acerca de tais práticas ilícitas e profanas sob as quais Gerald Brosseau Gardner, atraído pelas superstições impostas pelo Cristianismo, passou a mergulhar instintivamente e que, consequentemente, levaram à sua expulsão do Conventículo de Nova Floresta.


Originalmente, o termo "Bruxaria", ou "A Arte dos Sábios" e seus exônimos linguísticos, como falam Raven Grimassi, Gerald Brosseau Gardner, Evan John Jones, Doreen Valiente, Robert Cochrane e outros autores da literatura bruxesca, possui origem etimológica em "Mystíria", termo utilizado no passado para referir-se aos Clãs de Mistérios, significando "Prática dos Iniciados" ("Arte dos Sábios" ou "Arte dos Místicos" ou, ainda, "Visão dos Sábios"), ou seja, 'a Prática Daqueles que Conheciam os Mistérios', isto é, aqueles que foram Iniciados na "Mysteria" ou Bruxaria e que, portanto, já haviam visto através do véu. O Povo Pequeno na cultura popular europeia não somente possui associações com as Bruxas, como um tanto além disso: o Fundador da Bruxaria era um descendente de um povo pigmeu, o Império Hitita ou Troia, de cabelos e barbas grandes e de baixa estatura física que, com a vitória dos Justos
, estes fizeram uso de um símbolo de libertação dos arcontes, o chamado "Chapéu de Bruxa", dito Barrete Frígio ou Píleo ("Pilleus") ou Pétaso ("Petasos"). Este chapéu, tradicionalmente, deve ser utilizado em vermelho ou azul (vermelho e com uma faceta solar aos homens e azul marinho e com uma lua crescente às mulheres) e simboliza a libertação, liberdade e vitória dos Danaides sobre o Império Hitita, pois, os hititas ou titãs ou atlantes representam as forças imperialístico-corruptas e caóticas presentes na terra, ao passo que as Bruxas faziam uso deste chapéu para relembrar sua origem estelar distinta e permanecer em sintonia com sua progenitura arcangélica e divina. No Chapéu de Bruxa, seja na versão Pétaso seja Píleo ou Barrete Frígio, está o segredo das pirâmides egípcias, que colocam o portador em sintonia com as forças celestes, como cita Raven Grimassi a palavra de poder utilizada pelas antigas Bruxas para entrar no templo: "Embora somos filhos da terra, nossa descendência vem das estrelas"O Chapéu de Bruxa foi usado em todo o mundo antigo pelos Bruxos caldeus, sírios, babilônicos, egípcios, gregos e europeus, além do fato de as obras artísticas antigas retratar Hermes/Thoth usando um PétasoNa idade média, por exemplo, este chapéu era de uso comum em determinadas regiões da França, onde ficou conhecido por "Hennin" e, no caso das mulheres de sangue real, usavam tipicamente na cerimonia de casamento ou no dia-a-dia. A seguir, há três imagens que retratam o chapéu pontudo "Hennin" entre as mulheres francesas da idade média:



Em resumo, a diferença entre Pétaso, Píleo/Barrete Frígio e "Hennin" é que, o primeiro, possui abas e seu cone é ovalado; diferentemente do segundo, que é sem abas; e o último, é pontudo e possui um véu jogado por cima, símbolo de pureza (já usado pelas Bruxas do Clã Vestal na Roma Antiga), aparentando um aspecto de Danaide ou das "fadas" dos desenhos animados. No antigo Clã Metragirta, da Bruxaria Clássica, o Chapéu de Bruxa também era utilizado na versão Píleo e, para as mulheres, com uma lua crescente gravada (e, aos homens, uma faceta solar). Diferentemente dos falsos "chapéis de bruxa" usados nas fantasias fantasmagóricas das comemorações populares de Halloween, o Chapel de Bruxa autêntico é composto por metais alquímicos de simetria em seu interior que, somente as Bruxas e Iniciados, sabem identificá-lo se é real ou não (pois, caso contrário, sem as virtudes mágico-alquímicas pelas quais se utiliza este chapel, não terá sentido algum em usá-lo, visto que o Chapel de Bruxa não se trata de um adorno, mas, de um essencial instrumento de desenvolvimento mágico-alquímico das Bruxas ou Iniciados). Além dessas versões do Chapéu de Bruxa em que eram utilizadas pelas próprias Bruxas, há, também, outra versão não-bruxesca, conhecida como "Chapéu Carapuça", em que as Bruxas e hereges condenados pela Inquisição eram obrigados a vestir no tribunal inquisitorial, para demarcar socialmente seu envolvimento com Bruxaria (em decorrência de as Bruxas, tanto medievais quanto antigas, terem feito uso do Chapéu de Bruxa em determinadas cerimonias bruxescas, como em ritos sagrados específicos e na Iniciação depois de se despirem e andarem nuas em procissão noturna: vide o tópico da galeria, "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade"); enquanto que, na Ordem Maçônica Anglo-escocesa, o Chapéu de Bruxa, pela sua associação às Bruxas, fora reconfigurado no que se tornou conhecido como "Chapéu Cartola", muito usado pelos mágicos enganadores em palcos de cinema ou pelos sofistas em experimentos laboratoriais públicos de física ou química. Na foto a seguir, retrata um homem dos Povos Danaides no Império Hitita (que, na antiguidade, espalharam-se por vários cantos da Europa, como Escócia, Ilha de Man, França, Ilha de Rodes, Récia, Trácia, Grécia, Macedônia, etc.) usando um chapéu pontudo, na versão Píleo ou Barrete Frígio, nas ruínas de Hattusha, o antigo centro do corrupto Império Hitita:




Além do chapéu pontudo, há uma das danças "carola" ou carolíngias da Bruxaria, a Dança Espiral, denominada "A Cidade de Troia" ou "Jogo de Troia" (cujos passos sobreviveram na dança popular "Calus" ou "Ceili" dos Bruxos de linhagem Calusari e dos dançarinos Morris das Ilhas Britânicas), que é dançada de forma espiral com a Baqueta ou Báculo ou Tirso e liderada pela Magistra ou Alto-sacerdotisa, em simbologia à virgem Sophia/Atena/Iris ou à amante Aphrodite Melia/Maia (e, às vezes, também por um neófito ou adepto, em alusão ao demiurgo Tubalcain/Hephaistos quando este, descido dos céus, fora parcialmente restituído pelo Deus Dionysos no desejo de retorno em servir o Néctar dos Deuses); mãe celestial ou terrena de Hermes. A antiga e secreta organização religiosa das Bruxas nasceu entre a Floresta de Carvalho do Mar Egeu e o Antigo Egito, cuja fama ficara mais conhecida na região das antigas ilhas gregas e a Anatólia, incluindo Galácia e Frígia, onde localizava-se a antiga e famosa Atlântida, de uma raça altamente evoluída. Essa organização era formada por Clãs ("Cliens", na Língua Latina em que se referia às patronagens ou clientelas dos conventículos bruxescos ou do Estado [no sentido similar à "Freguesia" ou "Filius Ecclesiae" ou "Filigresia", mais conhecida como "Paroquia", em que estão divididos administrativamente os participantes de uma Igreja do Cristianismo]; ou "Phratrias" ou "Phyle", na antiga Língua Greco-pelásgica), que constituía na antiguidade um conjunto de clãs ou cultos de segredo, como a "Mysteria" Eleusina, a "Mysteria" Dionisíaca, a "Mysteria" Órfica, a "Mysteria" Cabíride, a "Mysteria" Artemisiana, a "Mysteria" Metragirta ou Gálica, a "Mysteria" Isíaco-osiriana, etc. (vide o tópico da galeria: "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade"). 
Com a queda do Império Romano e das antigas religiões pagãs, essa organização foi ameaçada socialmente à ser banida. Algumas sacerdotisas do Clã Isíaco, do Clã Dionisíaco etc., em Roma, foram afugentadas de suas comunidades ou queimadas, ainda na antiguidade. 
Com a instituição do Cristianismo como religião oficial de Roma, essa organização secreta, para permanecer viva, reorganizou os seus Clãs que ainda restavam (pois, neste período, houve uma grande redução de adeptos) em um formato de Cinco Clãs, mais fechados socialmente. Era um velho costume bruxesco, se reunirem todos os Clãs ou Sedes dos Mistérios para celebrarem os Sabás. Haviam Oito Sabás (às vezes reduzidos às Quatro Têmporas) e Treze ou Doze Masques ou Missas de Bruxas (ritos lunares dos Meses) numa Roda Sazonal, principalmente nas Ilhas Britânicas e na França medieval. 


Cada Clã da Bruxaria no passado  e, portanto, também cada um dos inúmeros conventículos descendentes  estava co-relacionado à um segredo da natureza, cada nome do Deus e da Deusa reverenciados por um Clã estava relacionado aos Mistérios que ele propôs a preservar, tal como os Cinco Clãs ou Cortes da Bruxaria Medieval Pentárquica, como o Cã do Veado nas Ilhas Britânicas (citado equivocadamente como "Roebuck" por Robert Cochrane), o Clã do Touro na Espanha, o Clã do Bode na Arábia ou Jerusalém abraâmico-salomônica, o Clã do Carneiro na Romênia, e o Clã do Búfalo na Alemanha, que formavam a circunferência de um pentagrama geofísico ou pentágono que, ao longo do tempo, expandiram-se: inicialmente a partir das "Quinque Provinciae" dos "Vicarii" ou Cinco Províncias dos Vices ou Vigários, como "Dioecesis" ou Diocese de Novempópula, Diocese de Aquitânia, Diocese de Narbonense, Diocese de Gália Vienense e Diocese de Alpes-marítimos (vide a imagem dos Magus ou Majestades em "Assembleia dos Deuses", do Códice Vergilius Romanus), do imperador pagão e iniciado romano Flavius Claudius Iulianus ou "Divus Iulianus", que fora a configuração inicial com base na prestação de honrarias ao "Dibus" ou "Divus" ou Deva das Três Gálias, conjuntamente ao seu vizir profeta das amazonas/amazigues Ishaq-Ismail L'Atahiyya; depois evoluíram para os Ducados-troncos ou Jurisdições do Sacro Império Romano de Carlos Magno, na configuração medieval, composta pela Austrásia ou Frância, Nêustria,  Aquitânia, Itália e Burgúndia (e posteriormente reintegrada a Turíngia, terra franco-templária da Ordem Rosacruz); expandindo, numa terceira reconfiguração pró-medieval, para Ilhas Britânicas em Londres, Península Ibérica na Espanha, Arábia em Jerusalém salomônica, Península Balcânica na Romênia, e Países Nórdicos na Alemanha, cujo centro era a região do sul na Itália e da Grécia, onde nasceu Enoch, e a indicação ou Portal da Lua, assim como no Círculo Mágico bruxesco, era a região de Dresda à Berlim na Alemanha, a maior região europeia em que houve tortura e matança inquisitorial Cristã às Bruxas; que por fim, na quarta ou moderna reconfiguração, que foi na modernidade, havia-se expandido para Europa, América do Norte, América do Sul, África e Ásia, extinguindo-se definitivamente, há poucos anos atrás, no início dos anos dois mil. (Os cristãos ignoram este fato oculto, porque realmente o objetivo deles sempre foi exterminar a Bruxaria mesmo antes da instalação da Inquisição, mas, as Bruxas e Iniciados e os ocultistas autênticos, possuem conhecimento apropriado de que isso não foge daquela verdade tão reverenciada no passado pelo segredo juramentado). Na Espanha, o teólogo cristão Alfonso de Castro, em sua obra "Contra as Heresias" de 1534, faz citação da sobrevivência de "Ritos Pagãos" em que se "praticava em Segredo"; ao passo que, na Junta de Granada de 1526, uma carta de 14 de Dezembro deste ano a supremacia espanhola enviou aos tribunais, do mesmo distrito, instruções para abordar "o negócio da Seita das Bruxas" que fora declarada nas palavras de Carmelo Lisón.


"Na região de Cantabria chamada Navarra, e em Vizcaya, foi encontrado entre os povos das montanhas muitas superstições e idolatrias, em tão grande intensidade que o Diabo na forma de um bode era abertamente adorado por eles. Descobriu-se que isto havia sido praticado em Segredo por eles por muitos anos... o mesmo, mas não tão intensamente, foi descoberto em outras montanhas da Espanha, nas Astúrias e Galiza e em outros lugares, onde a palavra de Deus raramente tinha sido pregado. Entre eles estão muitas superstições e Ritos Pagãos, pelo único motivo de falta de pregação". (ALFONSO DE CASTRO; Contra as Heresias, 1534).

"[...] a Supremacia desmonta um golpe do andaimes mítico bruxesco e classifica 'o negócio da Seita' como razoável e de registro demonstrável: 'enviar recados para garantir, com base em fatos concretos, e não fantasias, buscar a verdade, não se contentar com o que pode ser um engano ilusório'." (CARMLO LISÓN; Carta de 14 de Dezembro de 1526).

Neste cenário, surgiu uma corporação para guerrear nas Cruzadas, de uma aparência social e que se referia a si mesmo, como nome de fachada, de "Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão", de modo que conviviam próximo ao Papa e o mesmo sequer desconfiava que eles não eram Cristãos Católicos e, sim, Bruxos disfarçados que constituíam, como era conhecido internamente, o "Templo Negro/Azul" (do Francês, "Temple Noir"; a terminologia "negro" refere-se ao processo alquímico de nigredo ou maçonaria, em intermediar mensagens entre a ordem externa ou profana e a ordem interna ou oculta da Grande Irmandade/Bruxaria em que serviam) que, caracteristicamente, tal Templo era todo pagão, e cujos seus verdadeiros ideais não eram proteger os Cristãos nas cruzadas até a "terra santa", mas, sim, procurar pelo antigo conhecimento bruxesco na região da Arábia, da Turquia e do Oriente Médio, bem como na região do Monte Sião (próximo ao antigo Templo de Salomon, a forma real em que fora preservada dos Templos Egípcios da Bruxaria ou Divinos Mistérios). Inicialmente, o Templo Negro localizava-se na França (e mais tarde, passou a ser em Londres e na Escócia) e, enquanto na Bruxaria tradicionalmente trabalhava-se em duplas de homem-mulher, no Templo Negro/Azul trabalhava-se em duplas de homens. Os Templários, primeiro, se passando-se por "Cristãos Católicos" disfarçados e obtiveram autorização do Papa de criar a "Ordem dos Pobres Cavalheiros de Cristo do Templo de Salomon" e, ao conseguirem alcançar o que queriam, na "terra santa" mataram tanto mouros e muçulmanos, enquanto descendentes do imperialismo hitita a ser eliminado, como também mataram os Cristãos que lá estavam, motivo pelo qual muitas autoridades ficaram confusas. Mais tarde, depois de o Templo Negro/Azul de Londres se unir ao da Escócia, alguns Templários, temendo que a Bruxaria e a Ordem do Templo desaparecesse, com as perseguições religiosas, deram origem, entre 1400 a 1600, à Ordem Maçônica ou Maçonaria Anglo-escocesa, não somente para minimizar a crise que a Europa passava, mas, também, para superar a onda de superstição Cristã que deteriorava a sociedade europeia. 
Ao sistematizar o antigo conhecimento bruxesco-templário dentro uma instituição que fosse globalmente aceita em todas as nações, utilizaram-se da linguagem dos Construtores como forma de simbologia oculta, no entanto, tal linguagem de Construtor foi utilizada propositalmente como designação não apenas aos Construtores ou Pedreiros Físicos (como foi o caso da "Collegia Fabrorum" e dos Comacinos), mas, principalmente, aos Construtores filosófico-morais ou mágico-espirituais, como ensinava a Filosofia dos templos bruxescos da antiguidade.


Assim, a Maçonaria, na França, fora instituída entre os Templários de Troyes e, sendo estes adeptos da Bruxaria, chamaram-na de "Marcenaria" em referência à Hermes/Mercurius, o filho-irmão do arquiteto do mundo/demiurgos Tubalcain e Fundador da Bruxaria
; Ao passo que um dos Iniciados da Ordem do Templo chamado Ignacio de Loyola, ao ocorrer as matanças em fogueiras promovidas pela Igreja Católica aos membros da Ordem do Templo, conseguiu fugir e, depois de ser denunciado e preso pela Inquisição Cristã, instituiu a cristã "Companhia de Jesus" ou "Ordem dos Jesuítas", no intento de manter viva em segredo a Ordem do Templo que, sem sucesso em seu plano extinto e sob suspeita de prática ilegal da Bruxaria, sobrevivera apenas enquanto monastério de frades sob influência da Ordem Cisterciense (a qual, esta última, estava subordinada à regra da Ordem Beneditina reformada por São Bernardo de Claraval, isto é, este fora um monge e teólogo Cristão que, sem qualquer vínculo interno com a bruxesca Ordem do Templo, fora, há alguns séculos antes, incumbido pela Igreja Católica para criar a "regra latina" [externa] da Ordem do Templo em companhia com o Magus ou Grão-Mestre desta chamado Hugues de Payens [literalmente "o Pagão"], com a autorização da Igreja em instituí-la). Na real, Lojas de Geômetras ou Maçons já existiam ainda nos tempos pagãos, como foi e continua sendo o caso das "ordens exotéricas" ou "círculos externos" de estudo ante-conventicular da Bruxaria. Contudo, a Maçonaria possui diferenças variadas em relação à Bruxaria, principalmente a partir da reconfiguração maçônica moderna em que fora realizada por Elias Ashmole em consonância com os novos princípios da Sociedade Real da Inglaterra, ademais, apesar disso, a Maçonaria preserva alguns velhos costumes da Bruxaria, como o uso de Três Graus Iniciáticos (visto que os ditos "graus" quatro à trinta e três não se constituem exatamente "graus iniciáticos", mas, sim, Comendas filosóficas ou Honorários concedidos), além de determinado conhecimento esotérico presente. A Maçonaria é, fundamentalmente, uma ordem cavalheiresca, que visa estudo filosófico e lutar por justiça ou bem comum e harmônico-pacifismo entre as nações e pessoas, como ensinou Hermes Trismegistos (assim como, também, agem as "ordens exotéricas" ou "círculos externos", da Bruxaria, que atuam como Colégios ou Academias ou Lojas em Maçonaria, isto é, a ciência filosófica de Geometria ou Saber da Justa Medida; preceito hermético que se embasa a Bruxaria).

Os Deuses que as Bruxas adoravam, eram: o Deus Duo Cornífero e a Deusa Tripla Estelar que, no período de subida ao mundo superior ou inteligível/celestial e no verão, eram cultuados — nas Ilhas Britânicas, na França, na Península Ibérica, na Alemanha, na Itália e por toda a Europa — como Apollon Karneios/Paion o Carnonos ou Pan/Fauno e Reitia/Rhea/Thea a Bona Dea Fauna ou Diana/Dione/Tana/Artemis/Arduinna/Aredvi Anahita a Bendis/Banu/Madonna Oriente (Zeus Keraunos/Sabazius, na forma de Touro de Creta Poseidon/Okeanos, desceu do Olimpos e atravessou o mar até o Monte Nysa/Sinai e deste até a Índia, com as quatro cores do processo alquímico, para salvar na Céltica/Cítia a Deusa Demeter Europa/Euryphaessa, a qual, como Alma do Mundo, deu seu nome ao continente europeu enquanto simbologia dos argonautas que atravessam o mar em busca do "Caput Galeatum" ou Velocino Dourado); ao passo que, no período de descida ao mundo inferior ou sensorial/terreno e no inverno, eram venerados como Dionysos/Osiris o Bakha/Yammu/Yima/Poimandres e Ariadna/Demeter Sito/Satia/Satis/Isis/Ishtar a Abundia/Richella; Similarmente, o Filho Divino em suas faces correspondentes: Lucifer/Mitras/Mica/Phanes ou Adonis/Tammuz/Attis ou Horus/Eros Comus/Hymenaeus o Abrachaleus/Abraxas ou Protogonos/Saoshyant/Prometheus-Pandora o Aberamentho/Baphomet (o "descendente de Hyperion/Hiram Abiff" que, nas lendas supersticiosas cristãs e pseudo-ocultistas, fora distorcido como "malévolo"); ambos enquanto manifestação trina e expressão nona do Altíssimo Uno, o Grande Imanifestável ou Antiga Providência ou Divindade Única e Incognoscível. Ainda, mais os Nomes Secretos do Deus, da Deusa e do Filho Divino (Isto é, as Duas e Três Esferas de Criação que, formando mais Quatro de Geração, dão origem à todas as coisas) e, não obstante, havia a crença firme de que todos esses nomes eram títulos para referir-se à um único Grande Deus e uma única Grande Deusa e à um único Filho Divino ou Grande Herói que se manifestam em cada escala hierárquica do cosmos, enquanto manifestação trina do Uno (este trata-se de um ensinamento bruxesco que data a Antiguidade), em função de que, fora do ciclo de morte e renascimento, cada ser ou entidade é um "daemon monádico", o número ou homeomeria que se desdobra em diversos outros sub-daimones (os quais podem estar encarnados em diversos astros, galáxias e lugares do universo, e um sub-daemon raramente encarna junto com outro sub-daemon da mesma homeomeria em um mesmo astro) e, no caso dos Deuses, constituem números íntimos ao Uno. Além disso, a Deusa Tríplice tem o seu valor, para a velha Bruxaria, mas acredita-se que é do Deus Cornífero que vem o poder maior, por isso, às vezes, o Deus Cornífero era mais cultuado do que a Deusa Estelar e, noutras vezes, a Deusa era mais adorada do que o Deus e, ainda em determinados tempos, ambos eram adorados igualitariamente. Os nomes dos Deuses bruxescos, através dos conhecimentos de encantação ou retórica, passavam, muitas vezes, por alterações e mudanças, de modo que um único Deus ou uma única Deusa era conhecido por diversos nomes e títulos.

Havia, e ainda há, um Ante-grau e Três Iniciações na Bruxaria: depois de passar pelo período de "noite escura dos sentidos" ou nigredo (Maçonaria), entrava-se para a primeira Iniciação, chamada de "Terceiro Grau" ou Bardaria ("Bardcraft") ou simplesmente Bruxaria, que visa ativar Ob (corrente energética da Deusa); depois, para a segunda iniciação, chamada de "Segundo Grau" ou de Pítia ou Sibilaria, para ativar Od (corrente energética do Deus); e, por fim, a terceira, denominada por "Primeiro Grau" ou Druidaria ("Dryophoria" ou "Drycraeft"
 que não deve ser confundido nem com Helenismo ou Nacionalismo Grego, nem com Celtismo ou Nacionalismo Céltico Popular , para ativar o Aur (o Ouro alquímico que, juntamente com o cobre e a prata, rodeiam a Pedra de Cristal e, desta forma, produzem mercúrio, enxofre e sal), ou seja, aspirar a Fonte de Todas as Coisas, o Altíssimo Uno (também conhecido como Antiga Providência e Grande Imanifestável, a Divindade Suprema). Tradicionalmente, as pessoas na velha Bruxaria, tanto medieval quanto pré-medieval, eram Iniciadas (e, em alguns conventículos, ainda se mantêm esta tradição) aos sete anos de idade, onde passavam um ano como iniciante ou aprendiz e mais sete anos em cada um dos Três Graus Iniciáticos da Bruxaria {motivo pelo qual as superstições medievais afirmavam que ao término de treze ou quatorze anos, o "Diabo" selava o pacto com a Bruxa que, na real, tratava-se da elevação para o Segundo Grau}, de modo que, depois de vinte e dois anos, isto é, quando a pessoa completava trinta anos de idade, terminavam os Graus de Iniciação (e, após sete anos em cada uma das três ordens clânico-conventiculares de Encargo Negro, Encargo Vermelho e Alto-sacerdócio ou Magistério, ganhava-se tais Comendas de Sacerdócio após quarenta e três anos de escalada), da mesma forma que outros Clãs da "Mysteria" ou Bruxaria Clássica (vide o tópico da galeria: "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade") que, em resumo, um Ante-grau, Três Graus Iniciáticos e Três Comendas (que equivalem aos Sete Pontos de Ossos e Entre-ossos da Mão, para os Cumprimentos Secretos entre as Bruxas, para distinguir entre um membro da Bruxaria e seu Grau Iniciático versus uma pessoa comum). Diferentemente do processo iniciático da velha Bruxaria, na Bruxaria moderna este período de iniciação fora, infelizmente, reduzido, em função de determinada necessidade de imediatismo e, consequentemente, resultando em menor desenvolvimento mágico-espiritual e baixo aprendizado alquímico-metafísico (considerando que, como diz a discípula gardneriana Eleanor Bone, a alto-sacerdotisa Edith Rose Woodford-Grimes a "Dafo" atestou que Gerald Brosseau Gardner recebeu apenas um grau da Bruxaria no Conventículo de Nova Floresta da Ordem Rosacruz Irmandade de Crotona). 



{Todavia, diferentemente da velha Bruxaria, a Tradição Gardneriana faz uso de orações modernas e inventadas por Gerald Brosseau Gardner, principalmente o "Encargo do Deus", a "Invocação do Deus", a "Invocação do Círculo", a "Runa das Bruxas", a "Invocação de Azarak e Zomelak", isto é, os demônios Arakiel e Shemyhazah da mitologia Judaica que eram espíritos atlantes caídos e que guerrearam contra o arcanjo Hermes/Hormazd/Enoch, o Fundador da Arte dos Sábios, e que, por fraqueza de Gerald Brosseau Gardner, deixou-se levar pela ilusão do poetismo maléfico presente nas orações fraudulentas criadas a partir de preceitos não-bruxescos, ou seja, com base na Igreja Católica Gnóstico-Thelêmica de Aleister Crowley, o corruptor e profanador da Antiga Religião que, por sua vez, era um feiticeiro ou malfeitor e praticava, não apenas goétia ou magia negra, quanto, também, satanismo e demonologia dos Inquisidores medievais que almejavam levar à queda da antiga e secreta organização religiosa das Bruxas, como odiosamente declarou um de seus partidários seguidores chamado Augustus Montague Summers, outro feiticeiro e também padre da Igreja Católica Romana que, em sua obra "História da Magia e da Bruxaria", blasfema: "[...] procurei mostrar a bruxa como ela realmente era  um fígado mal: uma peste e um parasita social: o devoto de uma fé repugnante e obscena: um aderente de venenos, chantagens e outros crimes rastejantes: um adepto de uma poderosa organização secreta inimiga da Igreja e do Estado: um impostor em palavras e atos, agitando os vizinhos no terror e superstição: um charlatão e um fraudulento, por vezes: a cafetina: um aborteiro: o conselheiro obscuro de damas lascivas da corte e de galãs adúlteros: um ministro do vício e da corrupção inconcebível, sarrafando sobre a sujeira e as mais vis paixões do tempo". Desta forma, Lois Bourne, ciente do infiltramento de noções deturpadamente goéticas ou satânicas de Aleister Crowley na Tradição Gardneriana, afirma que: "[...] a verdade do fato de que, entre aqueles que vêem e sabem e [versus] aqueles que ignoram, há um abismo profundo, que não pode ser transposto com palavras" (BOURNE, Lois; In: Dançando com as Bruxas, p. 113), visto que Bruxaria não é clube de reprimidos ou satanistas, muito menos ecletismo de libertinos que não querem nada com nada se não, a partir das deturpações cristãs católico-thelêmicas, perverter as coisas sagradas da Antiga Religião}. Compreendido tal aspecto deturpado propagado por neopagãos ecléticos e desvirtuados em que perambulam como errantes sem sequer possuir Iniciação na Bruxaria, seguimos adiante. 





Ademais, o termo "Aradia" de que cita Charles Godfrey Leland e Raven Grimassi como instituidora dos Clãs "Janarra, Fanarra e Tanarra", ou Clãs Guglielmita ou Joaquimita, Turlupin ou Amauriciano/Proto-valdense e Caricio-familista ou Hoffmannita, trata-se da Santa Bruxa cujos seus discípulos construíram uma Ermida "herética" na Toscana (o "Eremitério de Santa Maria Madalena") e que, com maior uso do açoitamento ritualístico, seus descendentes, com a fama de "Flagelantes" de que cita Gerald Brosseau Gardner em "Com o Auxílio da Alta Magia", foram duramente perseguidos pela Igreja Católica e, em consequência, decidiram se entregar para martírio na fogueira da Inquisição. "Aradia" (que é uma corruptela linguística do título da donzela turco-tessaliana Hecate/Heket chamado "Erodia" ou, na grafia medieval, "Herodias", a "Madonna Oriente" ou "Dama Grega", a Soteira ou Salvadora amante de Hermes Trismegistos e "primeira bruxa" que, sendo o sapo seu símbolo, na Bruxaria Medieval Pentárquica fazia-se oferendas devocionais de bolos de milho ou tremoços em encruzilhadas na lua nova) já era honrada entre as Bruxas ainda no ano 1012 (conjuntamente à Deusa Diana), como cita o bispo Burchard de Worms, ao referir-se às "heresias" das Bruxas. Além do mais, ao centro do Círculo Mágico da Bruxaria fica a Estaca Bifurcada, o "Palladium" ou Paládio de Atena, também chamado de "Hekataion" (em direção norte-sul, em alusão à origem de todas as coisas ao norte e o ápice no sul), que levantava o poder da terra para, então, ser direcionado pelo Cone de Poder. Na Estaca Bifurcada era (e ainda é) vestida a Máscara do Animal de Maior Poder que dá-se o nome para o Clã o qual o conventículo pertence (tal como do Veado, do Touro, do Bode, do Carneiro ou do Búfalo), cuja função é levantar a energia da terra e direcioná-la, durante o ritual, através do Cone de Poder. Acreditava-se que, ao norte, havia uma fonte que jorrava uma corrente de energia da Deusa (a "Agathe Tyche"), enquanto que, ao leste, uma fonte que jorrava uma corrente de energia do Deus (o "Agathos Daimon"), formando dois rios ("Lethe" e "Mnemosine") que atravessavam o universo em forma de cruz grega sazonal. Ao nordeste do Círculo Mágico ficava o "Portal da Lua", representado por Três Pilares ou Estacas Menores (símbolo das estrelas Três Marias), que representavam a Tríade das Fadas"Quercus" [Carvalho] representando a Fada Clotho, guiada pelo Deus; "Fraxinus" [Freixo] representando a Fada Atropos/Aisa, que é guiada pela Deusa; e "Akis" [Espinheiro] representando a Fada Lachesis, guiada pelo Filho Divino ou pelo Guardião do Portal da Lua: o arcanjo Hermes Trismegistos (que, em consequência, a Tríade das Fadas/Três Moiras ou Cárites fora representada na escultura clássica abaixo, à direita, ao redor do Pilar de Hecate ou Paládio; assim como, também, são representadas nas ritualísticas da Ordem Maçônica Franco-escocesa e da Ordem Rosacruz, tanto medieval, que era fundamentalmente bruxesca, quanto moderna). 




Na Bruxaria Clássica, que existia antes da idade média e das Cortes Pentárquicas, os Três Pilares que constituem a "Tríade das Fadas/Moiras" ou "Três Cárites" possuíam um pano que os ligava (como demonstrado na imagem acima à esquerda, da Ilíada Ambrosiana, em que Heracles faz um Ritual ao "Altíssimo" Zeus/Jove). O altar ficava virado para o norte e as invocações das Folhas da Serenidade ou Livro de Ida à Luz eram direcionadas ao leste ou "Oriente" do Círculo Mágico. Marcado no altar, estava o "XIII" (treze em romano) estilizado, o "Símbolo da Bruxa" ou "Número da Bruxa" (ligado ao Triângulo de Manifestação). Sobre o altar, colocava-se uma toalha de cor preta ou azul com a parte de cima verde na presença dos Nove Instrumentos de Altar da Bruxaria, que são: Espada Cerimonial, Athame, Bolline, Baqueta/Báculo, Cálice (chamado de "Kylix" ou "Kantharoi" ou "Kotyle", na língua grega), Pantáculo, Turíbulo, Açoite Solar e Cíngulo. O Athame, também chamado de "Claidheamh Soluis" (literalmente "Espada do Sol"), a Caladbolg das lendas arturianas, simbolizava o punhal de defesa contra os arcontes ou titãs. Cíngulos segundo os Graus: vermelho (de Bruxa ou Bardo), verde (de Agirta ou Pítia), azul ou roxo (de Dríada ou Druida). Há uma versão do Cíngulo, chamada "Liga de Bruxa": trata-se de uma coleira, usada na coxa, acima da roupa; para identificar um membro da Bruxaria entre as pessoas comuns. Haviam Sete Formas de Purificações na Bruxaria (também descritas na galeria do site), das quais incluía-se "Usar roupas limpas" junto à de nudez ritualística (para ser seguido todos os dias), afinal ninguém vivia nu. As Bruxas participavam vestidas nos ritos e, apenas em algumas cerimonias, eram deixadas as roupas de lado (no período ritualístico do Grande Rito e quando as condições atmosféricas fossem apropriadas). No meio do altar, ficava um Crânio de Santo ou Herói (tradicionalmente do profeta ou adivinho Orpheus, chamado, na idade média, de "Christian Rosenkreutz") ou uma Pedra de Cristal, símbolo divinatório do Outro Mundo e das almas santas mais próximas do Altíssimo Uno, o Grande Imanifestável ou Antiga Providência. Sobre o Crânio de Santo ou Pedra de Cristal havia um castiçal de vela branca para simbolizar o Uno (representação da pureza e da fonte da qual todas as coisas emanam). Mais para perto da direção do oficiante do altar, havia uma Estátua da Deusa (com uma vela azul ou preta, em decorrência de que Ob se manifesta de um tom azulado) e uma Estátua do Deus (com uma vela vermelha, visto que o Od se manifesta de um tom entre vermelho e laranjado). Mais um pouco para a direção do oficiante e entre meio das Estátuas, havia o incensário-abrasador em forma de um mini-caldeirão, o Turíbulo. 


Também, havia no altar uma Caixa de Cedro ou de Junco (conhecida, no passado, como "Cista Mystica"), representação da Barca de Deucalion o Hyperion/Hiram Abiff (o Velho Donzel ou Paráclito da Bruxaria, dito 'Rei dos Druidas'), com os Colares do Renascimento conforme os graus: Cornalina (para uma Bruxa ou Bardo), Cornalina e Âmbar (para um Agirta ou Pítia), Âmbar (para um Druida), Âmbar e Azeviche (para a alto-sacerdotisa do conventículo), Azeviche (para a Rainha das Bruxas); com setenta ou quarenta contas cada um. O livro ritualístico ou grimório ("prt-m-hru"), que 
não era chamado de "Livro das Sombras", mas, de Folhas da Serenidade ou Livro da Ida à Luz ("Reu-nu-pert-em-hru" em egípcio), que ficava entre o altar e a Tríade de Pilares. Na Bruxaria, existem os "Cinco Pontos da Irmandade", costume que foi copiado e introduzido na Maçonaria que, são Pés, Joelhos, Peito, Genitália (substituído por "Costas" na Maçonaria) e Cabeça; associados aos Cinco Clãs. A cor de luto das Bruxas é o branco. Próximo ao altar, fica o Músico ou Menestrel ou Corifeu tocando o Tambor. Depois do Sabá era feito um Banquete Simples, de Bolos e Vinhos (com ou sem um churrasco de carneiro). O casamento da Bruxaria é chamado de "Casamento Misterioso" ou "Casamento Negro" ou "Casamento Místico", o qual, sendo realizado ou confirmado no apagamento das luzes de cada rito sagrado, possui validade por um ano e, caso o casal queira permanecer juntos, devem renovar os laços antes deste período, cuja ritualística é a realização de um pequeno corte de sangue na mão dos noivos, a invocação do Filho Divino Eros o Hymenaeus e a união das mãos (daí o termo "Handfasting") para conjunção dos fluídos sanguíneos, então, após as declarações mútuas entre os companheiros, ambos estão casados pelos velhos costumes. Uma das Saudações Ritualísticas da Bruxaria, além do "Beijo Quíntuplo", está o chamado "Beijo de Fidelidade", o qual é dado pelas Bruxas e Iniciados aos seus companheiros casados pelas cerimônias da Bruxaria e que, caracteristicamente, trata-se de um beijo trino, não apenas no rosto, como se costumou a dar atualmente, cujo visa fortalecer a união mística entre o casal (dado, também, ao Magister e à Magistra) em que consiste em beijar os três pomos de aliança entre o corpo físico e o exterior: o Pomo da Garganta/Rosto ou Boca, o Pomo Umbilical (com a glande do membro masculino ereto, no caso dos sacerdotes) e o Pomo Serpentino ou Básico. {Tal beijo, por sua vez, fora descrito na idade média pelos padres com tamanha rejeição, como se fosse obra "do Demônio", o "beijo obsceno" ou "beijo árabe", nos julgamentos inquisitoriais de Bruxas, incluindo dos Iniciados da Ordem do Templo, tal como citou Joseph Pérez acerca da apresentação do novato à Iniciação na Bruxaria, como verifica-se a seguir...}. 

"Ele vai procurar o novo Bruxo [duas ou três horas antes da meia-noite], para esfregar as mãos, o rosto, o peito, a genitália e as solas dos pés com uma água verde e fétida, e logo se faz voar pelos ares até o lugar do Akelarre ou Sabá; Ali, aparece o Diabo sentado numa espécie de trono; Ele tem a aparência de um homem negro com cornos que iluminam a cena; o recém-chegado renuncia a fé de Cristo, e reconhece o Diabo como Deus e Senhor e adora-o beijando a mão esquerda, a boca, o peito e as partes íntimas; o Diabo vira e mostra a bunda, que o Bruxo, também, deve beijá-la". (PÉREZ, 2012, p. 80)


Além do mais, caso algum Bruxo rompesse seriamente uma das Leis da Bruxaria, este era passado pelo Julgamento da Espada, e se fosse considerado culpado era punido, caso fosse justo (vide: Liga da Corte Sagrada ou Santa Veeme) e, caso fosse execrado injustamente, os punidores eram condenados. Em um dos Graus da Bruxaria, há um rito chamado "Renegando a Coroa Imperial" ou "Renegando a Coroa Real" em que, como uma forma de Magia Simpática para derrubar os imperialistas e reis corruptos do mundo e todo plano que oprime a verdadeira busca interior, a Bruxa ou Iniciado joga ao chão a Coroa de Imperador e, juntamente com os símbolos arcônticos ou imperialistas dos governantes opressores atuais (seja representante do Cristianismo ou de qualquer outra religião exotérica do falso "Altíssimo" e que, portanto, é anti-Tubalcain), pisoteia-os, expressando-se verbalmente sua decisão de recusa à estes adornos mundanos e à futilidade d
o governo arcôntico de Ares/Ahriman/Seth o Satanás (cuja sua energia marcial é a que mais se assemelha à energia do falso "Altíssimo", que promove crueldades e terrorismos, sendo que o metal alquímico de Ares/Ahriman/Seth é o ferro e, pelo fato de que possuir substâncias tóxicas à saúde da Bruxa e que destrói a energia sideral, as Bruxas evitavam seu uso) que, caracteristicamente, tira a autonomia e escraviza as pessoas e a sociedade e a verdadeira busca interior; a Bruxa falava, então, que a sua Coroa era o Deus Cornífero ou os Diviníssimos Chifres do Deus, buscando ressaltar os princípios de Hermes Trismegistos, de comunitarismo, justiça social e harmônico-pacifismo que, devido à opressão causada pelo maligno, acarretou a descida de Tubalcain após sua renúncia ao poder arcôntico. {Na idade média, a partirdos relatos das Bruxas acusadas, incluindo os Templários, os Inquisidores propagaram a superstição de que as Bruxas renegavam Cristo e o Deus Cristão e cuspiam e pisoteavam sob a cruz e a tiara do Papa}. A Bruxaria tem foco litúrgico-ritualístico, em três coisas: na manifestação do Deus Cornífero no corpo do Magister ("Puxar Para Baixo o Sol"), na manifestação da Deusa Tríplice (ou Deusa Estelar) no corpo da Magistra ("Puxar Para Baixo a Lua") e na prática da Magia-Sexual ("Grande Rito"), assim, todo o restante das práticas da Bruxaria são em função destas três coisas. Os Guardiães da Bruxaria são quatro Anjos, os "Guardiães das Torres de Observação das Atalaias", também chamados de "Quatro Filhos de Hórus", semelhantes aos Anjos utilizados na Franco-Maçonaria, sendo que, além dos quatro Anjos dos Quadrantes, há mais três Arcanjos do zênite, núcleo e nadir, totalizando sete Anjos. 


Uma Magistra reinava (e ainda reina) durante Sete Anos e estava submetida à um Código de Leis, que permitiam escolher o seu próprio Magister, mas também podia ser destituída antes disso, pelo Conselho de Anciãos{O costume da Magistra reinar por sete anos foi registrado nos julgamentos de bruxas da Inquisição como o período em que, segundo as superstições cristãs, as bruxas realizavam contrato de serviço ao "Demônio", às vezes descrito confundidamente como nove anos}. Também, havia o ensino dos Ensinamentos de Hermes/Thoth e as Sete Leis Herméticas, visto que Hermes/Hormazd/Enoch fora o filho-irmão de Tubalcain e o Fundador da Bruxaria que, não obstante, ensinou a bruxesca sacrossanta Tábua da Esmeralda (descrita ao final desta página). Práticas espiritualistas ou atualmente chamadas mediúnicas, incorporação de espíritos, alquimia e transformação de forma, eram práticas cotidianas comuns no dia-a-dia de uma Bruxa ou Iniciado. Por fim, é importante lembrar que uma Bruxa, que o é realmente, possui o Selo da Bruxaria na aura ou no sangue em sua contraparte etérica, assim como, também, possui sangue bruxesco (descendência hermética) decorrente de sua iniciação em um conventículo da antiga e secreta organização religiosa das Bruxas e que, com a aliança venoste ou devoção ao Arquiteto do Mundo ou Demiurgos Tubalcain/Hephaistos, desenvolve o halo áurico ou auréola de magia na gálea (conhecida como "Caput Galeatum" ou "Chrysómallon Deras", o Velocino Dourado do Elmo Cornígero que, segundo os mitos, seria protegido por touros sob o sopro de fogo do Dragão e, assim, deveria ser alcançado no alto da Árvore de Maçãs ou de Carvalho por meio da porfirogeneta ou linhagem do roxo real, velho costume comum entre os Pretores ou Fratres dos Impérios Romano e Bizantino, assim como na Bruxaria Medieval Pentárquica), o qual se desenvolve com o uso adequado deste Selo, isto é, com a prática da Bruxaria (falamos do Selo da Bruxaria no tópico da galeria: "Os Principais Símbolos da Bruxaria"); pois, seria certamente fácil de alegar, como muitos pagãos ecleticistas e leigos gostariam de ouvir, isto é, que qualquer pessoa que deseja ser Bruxa ou Iniciado automaticamente já o é, porém, a realidade é que o ato de ser Bruxa ou Iniciado não depende  como ocorre entre seguidores ou fiéis de uma religião de massa  de uma mera vontade ou ímpeto de fé, visto que a Bruxaria não é uma religião de seguidores nem uma religião de massa ou de fiéis, mas, sim, uma religião de segredos e, portanto, de adeptos ou discípulos, ou seja, de pessoas que ousam praticar a doutrina hermética ou mazdeísta e de viver conforme uma disciplina com um conjunto de conhecimentos e técnicas gnósticas. 


2)      As Bruxas adoram o Diabo? A Bruxaria tem a ver com Satanismo?

Não, as Bruxas não adoram o "diabo". A Bruxaria não tem nada a ver com Satanismo e se opõe à aspectos como: culto ao Diabo, comportamento marginalista, prática de vampirismo ou parasitismo, rivalismo contra qualquer outra religião, goétia ou feitiçaria; apesar de que, pessoas desinformadas e imorais, tendem a vincular tais aberrações de acordo com as opiniões populares e cristãs distorcidas. O "diabo" é o símbolo do mal, na crença Cristã e, portanto, uma terminologia que se tornou sinônimo para Satã ou Satanás (do hebraico "Ha-Shaitan"), cujo significado atribuído é "caluniador" ou "acusador". Entretanto, como no passado cada um dos Clãs da Bruxaria era governado por uma "Rainha das Bruxas" em que detinha a autoridade soberana da Bruxaria na terra e que possuía um companheiro denominado Magus ou Majestade das Bruxas e Iniciados, este último, enquanto rei santificado da descendência do anjo Tubalcain/Typhoeus/Davul/Daeva-el, após a morte era honrado — assim como os imperadores romanos  como "Divus" ou "Dibus", isto é, um rei santificado ou Deva que, considerando que Jesus Cristo havia sido morto por ordem de um imperador romano ou césar, levou ao surgimento de superstições entre os primeiros Cristãos e os Inquisidores sobre o "Diabo", sendo visto, portanto, como representação do mal na terra ou inimigo do Altíssimo Yehowáh/Javeh, igualando-se às concepções Judaicas de “Satã”. Porém, o "Divus" ou "Dibus", para as Bruxas, era um Magus ou Majestade de bruxas e iniciados que, por sua autoridade espiritual e elevação em direção à divindade e ao bem comum da sua irmandade, havia se tornado possuidor do mérito de receber honrarias, as quais diferem-se propriamente da adoração ou culto aos Deuses; não obstante, o cargo de Magus ou Majestade, assim como o cargo de Magister (alto-sacerdote), é caracterizado ritualisticamente com sinal de sua posição hierárquica bruxesca, isto é, usava uma Máscara de Cornos, Avental (similar aos aventais maçônicos) e Botas Dionisíacas ou Coturnos, para representar o Deus Cornífero (em sua descida dos céus até o Monte Nysa/Sinai e deste até a Índia e desta até a Céltica/Cítia) e manifestá-Lo, durante o culto da Bruxaria. Neste sentido, todo iniciante na Bruxaria deveria, conforme os velhos costumes bruxescos, realizar a ritualística do "Pacto de Irmandade ou Fraternidade" com o Magus ou Majestade, o "Divus", ou com o seu representante conventicular, o Magister. {A "marca do diabo" que os carrascos da Inquisição procuravam no corpo das bruxas durante os julgamentos da Inquisição se tratava de um estigma físico pelo qual era feito para produzir o fluído sanguíneo nos ritos bruxescos, pois, o sangue, para as Bruxas, é sagrado e o símbolo de vida}. 

Além disso, o Magister tinha (e ainda têm) grande poder dentro de um conventículo, exercendo o direito próprio de ter o "Prima Nocte" (antigo costume que deriva dos gregos antigos ou pré-helênicos), a Primeira Noite do iniciante após a Iniciação em qu
e é desposado pelo Magister em uma oferenda orgiástica ao Deus (Apollon Paion/Pan ou Dionysos/Osiris), ao Nosso Senhor Cornífero Inefável, o qual, pelo caráter benéfico em atender os desejos vivídos e sexuais de seus adoradores, resulta que muitas pessoas, equivocadas pela atitude Cristã de condenação à sexualidade, associam-No ofensivamente às maléficas características de Ares/Ahriman/Seth ou Satanás. Também, as Bruxas e Iniciados, pela sensibilidade espiritual aguçada em função do rompimento do véu grosseiro e profano que separa os planos naturais ou materiais dos planos sobrenaturais ou sutis, possuem a capacidade de sentir a presença de espíritos e daimones em sua Companhia Oculta e que, devido ao fato de os demônios ou espíritos de vampiros e lâmias serem continuamente vampirizadores, o corpo físico das Bruxas e Iniciados é constantemente sugado e sofre absorção físico-energética não-aparente pela ação dos espíritos familiares malévolos, caso estes não forem banidos em batalha-de-bruxa assim que chegarem à possessão ou empoderamento do corpo, pois, a "Possessão Demoníaca como também ocorreu com Jesus Cristo e outros tantos , para as Bruxas, é tão real quanto o latrocínio para as pessoas comuns. Uma vez que, em possessão de tais espíritos, estes se alimentam da pessoa possessa (principalmente de paixões e instintos), independente desta concordar ou não, e somente a deixam caso forem banidos por técnicas mágico-espirituais eficientes de alta magia e, como há muita dor e terror no corpo do possesso, compensa-se, às vezes, apelar à botânica oculta: ingerir alho e louro, como já faziam os videntes egípcios e greco-caldaicos dos oráculos da antiguidade para aliviar as dores e fechar a aura por período momentâneo; tal é a origem das lendas medievais acerca dos familiares maléficos e de que cita o bruxo Basilides e que, nas contestações de heresia, os teólogos Cristãos mal-traduziram como "Apêndices"; apesar de que, também, pode existir familiares benéficos, todavia, estes últimos, por sua bondade, não o são vampiros e lâmias ou íncubos e súcubos, mas, amigos e protetores e, portanto, não causam dores demoníacas ou perturbações maléficas parasitárias{Na idade média, as Bruxas foram acusadas pela Inquisição de alimentar os espíritos familiares maléficos e que os Padres da Igreja exorcizavam em nome de Jesus Cristo com pouco ou nenhum sucesso}.


Desta forma, essa confusão de que as Bruxas e Iniciados compactuavam com o "diabo" surgiu a partir do momento em que o Cristianismo, reproduzindo o antigo rito dito "Expiação de Feiticeiro" (vide o tópico da galeria: "Diferença entre Feiticeiro, Curandeiro e Mago"), marginalizou a Bruxaria e acusou equivocadamente as Bruxas e Iniciados de tal ato (ao invés de previnir a ilícita prática de feitiços ou goétia que, em todas as épocas, degenerou a espiritualidade como um todo, inclusive entre os padres da Igreja); pois, nunca foi parte da Bruxaria compactuar com qualquer criatura malévola que os Cristãos querem nos fazer crer, isto é, a Bruxaria, tanto clássica como medieval, opõe-se à Ares/Ahriman/Seth ou, em hebraico, Satanás ("Ha-Shaitan" do Hebraico), visto que, conforme a crença bruxesca, o próprio arquiteto do mundo ou demiurgos Tubalcain/Typhoeus/Davul (pai-irmão de Hermes Trismegistos, o Fundador da Bruxaria) fora traído por Ares/Ahriman/Seth ou Satanás, o qual aliciou a esposa de Tubalcain chamada Naamah/Ninmah/Niamh/Hathor-Sekhmet a Aphrodite Pandemos ou Kale Syria e lançou à Tubalcain sete ferimentos e demônios e uma perturbação na guerra titânica/atlante/troiana. Assim, deve-se levar em consideração que a associação equivocada entre Bruxas e o corrupto Satanás se trata de uma deturpação medieval do Cristianismo eclesiástico com o objetivo político de satanizar o pagão Deus das Bruxas, como fez Moises ao blasfemar como "Qayn" ou "Kadmon" o Hayk; no entanto, se voltarmos um pouco no tempo pré-cristão, veremos que Moises, contraditoriamente, 
depois de obter os conhecimentos mágico-espirituais iniciáticos da Bruxaria, utilizou-os para cometer um assassinato no Egito, assim como, entre as próprias Bruxas e Iniciados da Bruxaria, como no Egito, Roma e Ilhas Britânicas, Ares/Ahriman/Seth era tido como o símbolo da crueldade e da maldade, pois, nem o Cristianismo nem o Judaísmo criaram tal crença em Satã, visto que já estava presente entre os antigos pagãos gnósticos, principalmente entre as Bruxas. A Bruxaria nunca fora marginal ou radicalista senão nas lendas supersticiosas criadas pela Igreja fundamentalista medieval, para refutar a Bruxaria, as religiões pagãs e as ciências ocultas ou filosóficas, tal como ainda existe atualmente, embora que num nível menor (graças à inglesa Sociedade Real!). Também, salienta-se que a Bruxaria não é Anti-cristã, sendo que a acusação contra as Bruxas de "perversão ao Cristianismo" vem do final da idade média quando os Padres do Cristianismo descobriam as assembleias secretas das Bruxas e que, ignobilmente, pensavam que estas "imitavam as cerimonias eclesiásticas", quando, de fato, os próprios Padres estavam imitando as antigas e pagãs cerimônias das Bruxas; a Bruxaria é pré-Cristã, ou seja, antecede o nascimento de Jesus Cristo e do próprio Cristianismo, assim como também antecede quaisquer religiões amarniano-mosaicas. Bruxaria não tem nada a ver com o fantasiamento satânico-thelêmico que vemos na contemporaneidade ou com as extravagâncias próprias de feiticeiro ou goétias de pessoas leigas engolfadas pela onda de estereótipo e superstição, os quais, sendo contra a transformação ígnea, opõe-se aos Filhos da Fênix (Hermes Trismegistos).




3)      As Bruxas fazem Sacrifício de Crianças ou Matança Ritualística? 

Não. Diferentemente do que afirmam as lendas difamatórias, a Bruxaria jamais ensinou a ilícito sacrifício de crianças. As Bruxas não sacrificam (e nunca sacrificaram ou mataram) crianças, na prática da Bruxaria. Na idade média tardia, havia algumas superstições presentes entre os Cristãos acerca das façanhas que realizavam as Bruxas e, dentre elas, está a crendice de que as Bruxas e Iniciados sacrificavam ou matavam crianças. Para compreendermos isso, precisamos nos recordar que a acusação de sacrifício ou matança de crianças foi levantada, originalmente, pelos antigos pagãos do Império Romano em relação às práticas em que realizavam os primeiros sacerdotes Cristãos e suas Igrejas, pois, as Leis bíblicas Judaicas e Cristãs, prescrevem que: “Bravo o que tomar os seus filhinhos e os esmagar contra uma pedra!” (LIVRO DOS SALMOS, 137:9); “Cozemos pois o meu filho e o comemos. Mas dizendo-lhe eu ao outro dia: Dá cá o teu filho, para que o comamos; escondeu o seu filho” (LIVRO DOS REIS II, 6:29); “E comerás um biscoito de cevada, a qual cozerás, à vista deles, com excrementos humanos.” (LIVRO DE EZEQUIEL, 4:12). Particularmente, a Bruxaria, no passado, jamais ensinou ou aconselhou aos seus iniciados e sacerdotes ao sacrifício ou matança de crianças e que, como sabe-se por investigações ocultas, tais calúnias visavam perder o prestígio do culto das Bruxas; pois, com o nascimento de crianças de pais bruxos, havia a cerimônia de apresentação dos bebês chamada "Rito de Sindicação ou Lustração" (vide: "Dies Lustricus") em que, no Sabá de final de outono ou Halloween, ocorria o Batismo de Água-Ar-e-Fogo, relatado pelos teólogos da Igreja Católicacontudo, por outro lado, se os Judeus e os Cristãos praticavam ou não o sacrifício ou matança de crianças, permance sem resposta tal questionamento, porém, é inegável o fato de que os sacerdotes Cristãos medievais realizaram inúmeras torturas e matanças ritualísticas nas fogueiras da "Inquisição do Santo Ofício" (um ofício definitivamente de Ares/Ahriman/Seth o Satanás e sem nenhuma santidade!), não apenas de pessoas adultas, mas, também, de crianças e infantes, no caso de quando estes eram filhos de mulheres adeptas da Bruxaria. Em segundo lugar, precisamos diferenciar três práticas diferentes: um "sacrifício" ou "sacro ofício" versus o uso de sangue versus a matança ritualística. Um "sacrifício" ou "sacro ofício" subentende-se que seja qualquer ato ou prática que, para o operador ou praticante, constitua-se algo santificado ou sagrado e, desta forma, um "sacrifício" significa uma prática pautada nos mais altos ideais de santidade ou heroísmo, exigindo, neste sentido, esforço, dedicação e trabalho constante, como todo peregrino possui o hábito de submeter-se. 

Além disso, quanto ao uso de sangue, para que possamos compreendê-lo, precisamos entender em quê consiste o sangue, isto é, o sangue é o agente fluídico terreno que mantêm a vida existencial pulsante no corpo físico e, portanto, um dos maiores símbolos de vida, o que, por tal característica, trata-se de algo santificado ou sagrado e que não deve ser desperdiçado ou usado para finalidades baixas e egoístas; sendo que, na Bruxaria, existe uma antiga ritualística, chamada "Pacto de Irmandade ou Fraternidade", presente em todo rito ou cerimônia em que os Irmãos membros do Conventículo doam seu próprio sangue para formar o mosto ou mistura no Cálice do Vinho de Dionysos/Osiris, de modo a assegurar a irmandade ou fraternidade espiritual conventicular para que todos os Irmãos, em existências seguintes, renasçam sempre juntos no mesmo tempo e lugar (ritualística também realizada por Jesus Cristo e seus doze apóstolos na "última Ceia", visto que Jesus Cristo, além de ser um devoto do Fundador da Bruxaria Hermes Trismegistos, foi Iniciado ou tornado Bruxo – como bem cita a renomada bruxa Lois Bourne – pelos "Reis Magos" no Clã Mitraico da Bruxaria Clássica na localidade de Cesareia Marítima em Israel, assim como recebera Iniciação no Clã Isíaco-osiriano, também da Bruxaria, no Egito, conjuntamente à sua mãe Maria, a qual fazia uso dos chamados "Oráculos de Maria"). Em outras palavras, vimos até aqui que, diferentemente do senso comum, "sacrifício" ou "sacro ofício" não constitui uma matança ritualística e que o sangue constitui-se em algo santificado ou sagrado que, nesta perspectiva, não deve ser usado para finalidades de desrespeito à vida. Contato, a matança ritualística, por outro lado, trata-se de um ato que, não apenas desrespeita a vida, quanto, também, consiste em um crime contra outro ser vivo e, desta forma, um ato que contraria a pacifista Lei de Justiça, defendida por Hermes Trismegistos, o filho-irmão de Tubalcain e Fundador da Bruxaria. A maioria das pessoas adeptas da Bruxaria que utilizavam-se de matanças era para realizar abate de algum animal (como Carneiro, Bode, Touro ou Veado) durante a cerimonia religiosa, onde o sacrifício era oferecido ao Deus Cornífero (e à Deusa Estelar) e, no final do rito, o animal morto era cozinhado e comido no Banquete Simples (de Bolos e Vinhos, e o Churrasco de Carneiro). 


Em outras palavras, a matança de animais, quando realizada pela Bruxaria, era utilizada para alimentar os participantes depois da cerimonia, com apenas uma única exceção do "Sacrifício do Porco ou Javali", matança de um suíno ou porca ou javali em oferenda à Deusa, geralmente no período do Sabá invernal ou natalino, por ser um animal que vive na lama ou lodo e, portanto, impróprio para servir de alimento, já que as substâncias presentes em sua carne são nocivas à saúde da Bruxa, uma prática pré-helênica realizada similarmente pelos antigos povos celtas gauleses e pelos povos hebreus ou adeptos da religião Judaica. Entretanto, como no passado, a matança ritualística nem sempre fora proibida pelas leis civis, era algo extremamente comum ser realizada por qualquer pessoa da sociedade, muito mais dentro de uma religião de segredos que, às vezes, permitia dar Iniciação à feiticeiros e charlatões (vide: "Diferenças entre Feiticeiro, Curandeiro e Mago")Porém, em contraposição, a maioria dos Clãs da Bruxaria era totalmente contra o uso de matança ritualística qualquer que fosse, baseando-se na essência da Lei da "Tribo de Danaanou "Tuatha-Dé-Danann", cujo caráter sensibilizador proibia a realização de qualquer matança ou conivência à vida, afinal, a maior ética das Bruxas é agir conforme a Lei de Justiça. Deve-se lembrar que a maioria das pessoas que se utilizavam de matança ritualística eram, também, pessoas que haviam se corrompido à prática de feitiços, perturbações, envenenamentos e crimes e, portanto, contrárias à bruxesca Lei de Justiça, o que, assim como no Judaísmo, levou à extinção do uso de qualquer tipo de matança ritualística em prol do vegetarianismo. Tais atos sacrílegos e feitiços podem ser afugentados e prevenidos através da árvore peroba (também conhecida como "tomasuco" ou "amargoso") em que traça-se o Círculo Mágico ao redor desta planta numa sexta-feira ao meio-dia, honra-se sua criatura elemental e pede-se humildemente para proteger e tornar ileso de quaisquer feitiços ou atos das trevas e, caminhando-se de sul à norte, extrai-se com o Athame ou com a Bolline limpa um pouco de líquido para banhar o corpo da pessoa e tomar três cálices de seu filtro expurgador.



4)      O que é uma Bruxa ou Bruxo?

Uma Bruxa, ou bruxo (ou Wiccan, ou Witch, ou Wrach, e seus diversos exônimos europeus aos antigos Místicos), é uma Iniciada ou Iniciado da Bruxaria que, conforme sua evolução mágico-espiritual gradual, pode ser tanto mago ou maga e sacerdote ou sacerdotisa. Uma Bruxa, ou bruxo, segundo a crença bruxesca, já nasce Bruxa, pois, as bruxescas se apoiam no fato de que uma Bruxa, ou bruxo, que é atraído para a Bruxaria, geralmente já foi no passado um Iniciado na antiga organização religiosa das Bruxas; portanto, continuará sendo bruxa, mesmo que não saiba conscientemente e não seja praticante da Bruxaria. Considerando a quantidade de pessoas que já foram iniciadas na Bruxaria, desde os velhos tempos, isso é factualmente uma verdade. Raríssimos são os casos de pessoas que são atraídas para a Bruxaria e que nunca sequer receberam iniciação no culto das Bruxas. Uma Bruxa é, antes de qualquer coisa, um Iniciado na Bruxaria, o que a tornará maga e sacerdotisa, na Bruxaria, será sua prática constante desta religião de segredos. Outra crença bruxesca, afirma que uma Bruxa ou bruxo, uma vez que tenha sido realmente Bruxa, permanecerá sendo Bruxa ou bruxo sempre, "Uma vez Bruxa, sempre bruxa" (com uma única exceção se bloquear o Selo de Tubalcain, decorrente do mal-uso dos poderes mágicos ou se voltar no tempo passado em que fora iniciado e recusar a Iniciação). Gerald Brosseau Gardner fala, em "A Bruxaria Hoje", que: "As pessoas que tenham sido Iniciadas na Bruxaria, e que tenham realmente aceitado a Antiga Religião e os Deuses Antigos em seus corações, voltarão a ela ou se sentirão atraídas por ela vida após vida, embora possam não estar conscientes de sua prévia associação com a Bruxaria"Afinal, a Bruxaria, ao permitir a tomada de conhecimento das leis ocultas do cosmos, possibilita a transformação, a metamorfose e a transfiguração do ser, apontando que, apesar de que o processo de reencarnação se assemelhar à um baile de sujeitos mascarados com suas personas passíveis de confusão e engôdo, os verdadeiros Sábios ou Iniciados e Bruxas, por condição de sua visão transcendente ou mágico-espiritual, possuem conhecimento para desvendar quem é quem e discernir a luz oculta que somente pode ser captada pelos sensitivos ou videntes, entre a claridade e a escuridão cósmicas: filosófica e alquimicamente, uma dá a vida, proporciona vitalidade e saúde, trás luz significativa, profere a verdade e a justiça, promove bem-estar e bem comum, encobre de beleza e amor, doa virtudes e poderes; ao passo que, outra, faz esmorecer, tira a luz significativa, vampiriza a vida, causa a doença e moléstias, expande a escuridão, trás as trevas e dificuldades, provoca o feitiço e o mal, clama a falsidade e a vingança, encobre de feiura e ódio, reproduz vícios e imperfeições maiores e, em consequência, leva ao enfraquecimento e à perca de dotes. Pois, sem lapidação ou aperfeiçoamento não há Iniciação, muito menos Bruxaria.


5)      As Bruxas realizam "Orgias" ou Magia Sexual?

Uma das práticas mais comuns, atribuídas no passado, às Bruxas, trata-se da "Orgia". Primeiramente, é necessário entendermos os aspectos conceituais que se transformam ao longo do tempo devido às transições culturais. Na linguagem da velha Bruxaria, as Bruxas chamavam de "Orgia" a prática sacramental da Magia Sexual, não a prática do significado conotativo desta pela concepção em que possuímos atualmente, isto é, a Magia Sexual ou "Orgia" das Bruxas não possui o significado de "orgasmo", "depravação" ou "libertinagem", como tal palavra conota atualmente. Também, deve-se levar em consideração que a palavra "Orgia" ("Órgia", em Grego) estava intimamente relacionada ao metafórico termo "Arte" ("Érga", em Grego), o qual denotava a prática da Bruxaria, haja visto que os mitos bruxescos afirmam que o demiurgos ou arquiteto do mundo Tubalcain/Hephaistos/Enki, antes de Hermes Trismegistos fundar a Bruxaria ou "Mysteria", criou o mundo a partir da prática sacramental de Magia Sexual com Naamah/Ninmah/Niamh a Aphrodite Pandemos/Melia/Halia/Maia à cada lunação, data sagrada em que era chamada de "Sabá", isto é, "Shappatu" (pelo Clã Adonista: vide "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade") ou "Sibutu" (pelo Clã Artemisiano) ou "Sebas" (pela maioria dos Clãs da Bruxaria Clássica, bem como pelo Clã Socrático-platônico) ou "Sbayt" (pelos Clãs da Bruxaria no Antigo Egito), cujo termo, mais tarde, os Judeus se apropriaram para se referir ao seu dia de feriado religioso (o "Shabat"); ao passo que, o praticante do "Komos" ou Magia Sexual prosseguida pelo "Comício" ou Banquete, era referido como "Komastai" (termo grego paralelo ao indiano "Kamasutra"). Todavia, com o tempo, tal prática sacramental da Magia Sexual foi regulamentada em quatro ou oito vezes ao ano, nas Têmporas ou Festivais da Roda do Ano, o que, por sua vez, os ritos das lunações ou plenilúnios eram chamados de "Missas", termo que advém de "Shomu/Shamu/Misil/Khamaseen" ou "Messis", palavras egípcio-caldaicas e latinas para tradução de "Myisis" ou "Mses" ou "Messu", as quais, estas últimas, são terminologias gregas e egípcias para referir-se às práticas mágico-religiosas respiratórias e de Iniciação na Bruxaria que, por sua vez, ocorria durante o momento da colheita dos frutos, tanto anual quanto mensalmente, depois apropriado pelos Cristãos devido seu uso corrente no Clã Mitraico (da Bruxaria Clássica, de que pertenciam os Reis Magos e Jesus Cristos. Essencialmente, a Magia Sexual parte da concepção místico-pagã de que o sexo é sagrado e constitui uma das maiores fontes de poder mágico-espiritual e, portanto, constitui um ato que não deve ser profanizado, mecanizado, tornado corruptível ou vulgarizado. No passado, Bryce Hipermnestra/Brygindis ou Santa Brigid/Berchta (a tri-neta de A-User-Re Apis ou Serapis, instituidor do Clã Serápico), ao ser desafiada pelo rei Dagda/Danaus, fora a única integrante da Dinastia Danaide a manter a água de seu Caldeirão ou Graal pura e intacta em prol da preservação da Antiga Religião ou Bruxaria, ao passo que, em contraposição, suas demais irmãs furaram o Caldeirão ou Graal, perdendo, assim, a água incólume e extinguindo a vitalidade de seus cônjuges.

Ninguém se torna cavalheiro ou dama do Santo Graal ao mesmo tempo em que destrói o barril ou sítula em que protege de escoar a sua vitalidade: quem age rebeldemente contra a vitalidade são os imaturos, sob o jugo de Ares/Ahriman/Seth ou Satanás e corrompedores da Lei do Justo e de Sophia/Atena/Iris. Em outras palavras, a Magia Sexual constitui-se uma prática que, por sua condição sacramental ou sagrada, nunca deve ser realizada com desrespeito, depravação ou libertinagem, haja visto que a Magia Sexual não se trata de "turbinar" a vida sexual ou de satisfazer "paixões" ou "desejos egoístas", mas, sim, um ato sacramental e, desta forma, deve ser realizado em prol do heroísmo ou santidade, isto é, para finalidades superiores e altruísticas: a Magia Sexual, diferentemente das opiniões profanas ou Cristãs, não visa fazer uso de Magia ou Espiritualidade para objetivos sexuais, mas, factualmente, fazer uso da sexualidade para o alto serviço Mágico-espiritual. É importante lembrar que, a partir do momento em que uma pessoa se torna Bruxa ou Iniciado, esta deve passar pela morte de todas as atitudes próprias de humano ou mortal (inclusive o desrespeito, a depravação sexual e a libertinagem, características próprias das pessoas comuns ou profanas) e renascer em uma nova consciência, desta vez mágico-espiritualmente, e uma vez curado a si mesmo dos excessos e hedonismos  haja visto que a libertinagem ou depravação sexual constitui em uma insanidade ou desequilíbrio na forma de encarar a sexualidade — a pessoa, tornada desperta e imortal, não sente necessidade de agredir seu corpo físico por desejo vampiresco de prazer e, devido à sacralização sexual ou Magia Sexual, passa a viver em pleroma ou plenitude a sua própria sexualidade. Tal insanidade sexual pode ser curada através da árvore almecegueira, desenhando a figura da pessoa no próprio tronco desta planta e, assim, traçando o Círculo Mágico ao redor desta para honrar o seu ser elemental e pedir humildemente pela cura. Teoricamente, a Magia Sexual se subdivide em dois grandes aspectos: a castidade ou privação sexual com pessoas comuns ou pessoas não santificadas ou impuras; e a criação da "Criança Mágica" ou "Criança Divina", isto é, um ato mágico-alquímico de co-criação cósmica (vide o tópico da galeria: "A Magia Sexual na Bruxaria"), cujo seu propósito é insuflar as Bruxas e Iniciados, sacerdote-sacerdotisa ou ativo-passivo, de dotes e potencialidades internas, ou seja, direcionar o progresso mágico-espiritual (diferentemente da libertinagem ou depravação, que insufla as pessoas no aspecto externo e, em consequência, tal força vital é perdida ou extraviada no plano físico). 


Na Bruxaria, o aspecto prático da Magia Sexual é chamado de "Grande Rito", no entanto, este exige não apenas os conhecimentos de Magia, mas, também, conhecimentos dos demais saberes Filosóficos, como Alquimia, Física ou Naturologia, Geometria, Numerologia, Astrologia, Encantamento, Vidência e Lógica ou Logosofia; pois, explicitadamente, na Bruxaria, realiza-se os ritos teúrgicos ou de manifestação de Deuses chamados "Puxar Para Baixo a Lua" e sua Obra Lunar ou Pequena Obra e "Puxar Para Baixo o Sol [o Sol da Verdade, em egípcio Ra-ma]" e sua Obra Solar ou Grande Obra para, conseguinte, realizar a prática do "Grande Rito" ou "Hieros Gamos" e sua Obra Prima; ou seja, é preciso realizar primeiro os "Mistérios Menores" e, depois, os "Mistérios Maiores", de modo a chegar à união mística ou contemplação dos Deuses ou euforia divina. Além disso, é importante lembrar que, antes de realizar o Grande Rito, a Dama ou Noiva/o (a concubina/o
 de sacerdócio que assume o Ob ou aspecto feminino, na Bruxaria) e o Cavalheiro ou Companheiro (concubino/a que assume o Od ou aspecto masculino) devem estar isentos de quaisquer espíritos de vampiros ou lâmias que possam estar ligados — ligações essas que devem ser desfeitas antes da própria Iniciação, no entanto, há casos de pessoas que recebem constantemente, daí a necessidade —, caso contrário, o Grande Rito deixará de ser Magia Sexual, isto é, o poder não será direcionado ao objetivo almejado, devido ao fato de os espíritos de vampiros e lâmias, por obviedade, vampirizarem ou sugarem e roubarem tal poder mágico-espiritual no plano astral, elemental ou mental, o que, em consequência, acarreta numa interrupção das forças eletromagnéticas ou forças elementais e astrais que mantêm a energia vital no corpo físico e o rito se torna mera teatralização protagonística. Também, é importante levar em conta o fato de que a Magia Sexual rejeita toda e qualquer prática de fornicação ou masturbação, visto que este ato danoso dá origem à súcubos e íncubos ou larvas vampíricas pelo operador ativo desta prática pecaminosa (que pode ser parcialmente livrada com flor-de-enxofre) e, consequentemente, redução e subordinação dos poderes erótico-viris sacramentais e produção de doenças (como o câncer). Por fim, deve-se lembrar que toda pessoa ou espírito encarnado faz uso de forças sexuais de alguma maneira e, no caso da Magia Sexual, sua proposta é de despertar o indivíduo a usá-las equilibrada e sabiamente (não corrompê-la, como distorcem os feiticeiros e satanistas).



6)      Quais são os Dias Sagrados da Bruxaria?

Os dias sagrados da Bruxaria são as Oito ou, genericamente, Quatro Têmporas do Ano, mais conhecidos por Sabás ou Sabázias/Bacanálias ("Bacchanalia"), que tratam-se do ciclo solar de quatro ou oito datas festivas celebradas em conventículo aos Deuses e, em especial, ao Deus Cornífero (não ao sol, pois, este, é apenas um ícone); e as lunações, conhecidas por Masques ou Missas, que referem-se ao ciclo lunar de treze datas ritualísticas (quando a Lua está cheia e, estando em contraposição ao sol, torna-se auspiciosa para a prosperidade), também celebradas em conventículo, aos Deuses e, principalmente, à Deusa Estelar. Os Sabás são os oito (ou, às vezes, reduzidos à quatro: as Finais de estações) festivais da Roda do Ano: Solstício de Inverno, Final de Inverno, Equinócio de Primavera, Final de Primavera, Solstício de Verão, Final de Verão, Equinócio de Outono e Final de Outono. Os nomes dados podem variar de acordo com a região e os costumes de cada Clã ou Tradição, entretanto, todos tem base na dicção: "Amor, Morte e Renascimento". Os nomes utilizados na velha Bruxaria não são os mesmos daqueles utilizados na Bruxaria Moderna, apesar de possuir uma similitude. O termo "Sabá" era utilizado pelas Bruxas Medievais para os festivais da Bruxaria e cuja origem etimológica advém da palavra "Shappatu", origem da palavra hebraica "Shabat", que trata-se de um termo já usado na antiga Suméria (vide o Clã Adonista, em: "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade") para referir-se ao dia sagrado que, em cada lunação, Hermes/Ningishzidda realizava a Obra ou Arte através da Magia Sexual. Nos festivais do Clã Artemisiano (vide o Clã Artemisiano no tópico da galeria: "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade") em que se dedicavam-se ao Deus Apollon Paion, estes eram referidos em língua turca ou hitita como "Sibutu"; ao passo que, os festivais de parte da Roda do Ano em que eram dedicados ao Deus Dionysos Sabazius/Bacchus, eram chamados de "Sabázias" ou "Bacanálias". Em grego, a palavra "Sebas" (σέβας) fora utilizada entre os antigos pagãos, da Bruxaria Clássica, para referir-se à uma forma de adoração e/ou respeito aos Deuses e possui o significado denotativo de "reverência religiosa ou piedade". No Antigo Egito, o termo "Sbayt" designava à uma forma de "instrução" ou "maestria" realizada pelos Magisteres ou alto-sacerdotes da Bruxaria (vide o tópico da galeria: "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade") aos Iniciados. 

Ao passo que os Masques ou Missas bruxescas constituem ritos de Plenilúnio ou Lua Cheia, isto é, celebrações ritualísticas com foco no segundo ciclo lunar em que há ápice dos fluxos energéticos para compreensão da experiência na matéria e que, no sentido primário, também são Sabás, no entanto, constituem datas ritualísticas mais formais e menos festivas, comemoradas durante Doze ou Treze lunações do ano. Tanto nos Sabás como nos Masques ou Missas bruxescas são cultuados conjuntamente o Deus e a Deusa e o Filho Divino, às vezes com ênfase na adoração ao Deus e, noutras vezes, com ênfase na adoração à Deusa, ao passo que, noutras ainda, também com ênfase ao Filho Divino. Os Masques ou Missas, por sua vez, estão intimamente associados aos treze meses do antigo Calendário Egípcio Helenizado (Thouth, Phaophis, Athyr, Choiak, Tybis, Mechir, Phamenoth, Pharmouthis, Pachon, Paynis, Epiphis, Mesore e Epagomenes), cujo ano-novo se iniciava antes de começar as inundações do Nilo ou antes do inverno e se focava nos movimentos do planeta Vênus e seu aspecto erótico-luminoso sobre o planeta Terra, sendo esta a base para o surgimento do Calendário Greco-macedônico ou Babilônico-selêucida (DiosApellaiosAudynaiosPeritiosDystrosXandikosArtemisiosDaisiosPanamosLoiosGorpiaiosHyperberetaios e, no final e/ou metade do ano, Embolimos), instaurado pelo bruxo e rei Alexandre III Magno, em que o ano-novo iniciava em cerca de outubro ou final de outubro e que, por meio deste, estabeleceu-se o Calendário Romano-juliano (Ianuarius, Februarius, Martius, Aprilis, Maius, Iunius, Iulius ou Quintilis, Augustus ou Sextilis, September, October, November, December e Mercedonius), o qual, este último, fora restaurado e transcrito em Calendário Germânico-carolíngio (Windumemanoth, Herbistmanoth, Heilagmanoth, Wintarmanoth, HornungLentzinmanoth, Ostarmanoth, Wonnemanoth, Brachmanoth, Heuuimanoth, AranmanothWitumanoth Schaltmonath) e, mais tarde, ao Calendário Franco-revolucionário (Vindimário, Brumário, Frimário, Nivoso, Pluvioso, Ventoso, Germinal, Floreal, Prairial, Messidor, Termidor, Frutidor e Sansculottides), no tempo do bruxo (e, depois, rei) Napoléon Bonaparte. Desta forma, é importante lembrar que os Meses do Calendário Babilônico ou Caldaico, que derivam substancialmente do Calendário Egípcio e que se infiltrou entre os povos hebreus, possui origem comum com os Meses do Calendário Céltico-gaulês, haja visto que, na antiguidade, os povos citas ou celtas se dirigiram à Média ou Caldeia dos povos medos para dominá-la, influenciando-se culturalmente entre si.


A palavra "Masque" ou "Missa", do Latim, referia-se ao segundo período que, entre meio à tríplice divisão egípcio-romana da Roda do Ano de Peret/Res ou Sementina (semeadura ou nascimento, associados à lua crescente) e Akhet/Kit ou Vindimal (inundação/colheita das uvas ou ressurreição, associadas à lua minguante e início da lua nova), ocorria a "Shemu/Misil/Khamaseen" ou "Messis/Mix" durante o Idos ou Pansélenos (colheita do trigo e dos cereais ou morte místico-existencial, associadas à lua cheia), à meia noite ou antes do sol nascer, para realizar práticas mágico-religiosas e ritos de Iniciação ("Messu" ou "Mses" em egípcio e "Myisis" em grego; ambos em designação à Iniciação na Bruxaria, a religião de segredos Hermética ou Mazdeísta de que fundara Hormazd/Hermes) acompanhados do Banquete Simples ou Simpósio/Comício, que constituía-se dos Bolos ou Pães de Trigo ou de Cereais  os "Missile" ou "Missilia" — imersos ao Mel ou Néctar e do Mosto/Vinho em Aguardente com as Bruxas vestidas de Mantos "Palla" ou Véus e os Bruxos com Máscaras Ritualísticas (cujas cores variavam segundo o Grau bruxesco conquistado), de que cita genericamente a bruxa e ocultista Helena Petrovna Blavatsky e que, ao bater o sino à meia-noite, as Bruxas Medievais foram acusadas equivocadamente pelos padres Cristãos de praticar a noturna "missa negra" (enquanto que a palavra "Esbás", de uso medieval tardio, deriva do Francês "S'esbattre", que é uma corruptela linguística para a palavra "Sabá" que, de forma errada, passou-se a fazer uso corrente com a inferência incorreta sugerida pela egiptóloga Margaret Alice Murray)Os Sabás e os Masques ou Missas das Bruxas não são meros festejos, mas, sim, celebrações mágico-religiosas profundas de alinhamento aos fluxos do poder estelar do cosmos e, cada Sabá e cada Missa, representa um estágio do processo alquímico da vida em "amar, morrer e renascer" e, portanto, um nível de desenvolvimento mágico-espiritual da Bruxa ou Iniciado. Também, na velha Bruxaria, a lua nova é uma ocasião ritualística não-conventicular para oferendas aos Deuses e aos Arcanjos, em especial bolos de milho ou tremoço, conforme o velho costume clássico e medieval, à donzela turco-tessaliana Hecate/Heket a primeira bruxa Erodia/Aradia; pois, por lógica esotérica, a lua nova em si não constitui um período de celebrações cerimoniais, mas, sim, de meditação e de retiro mágico-espiritual. Além dos rituais, cotidianamente são realizados estudos filosóficos, como astrologia, magia e alquimia; e operações simpáticas, como encantamentos e feitura herbológica de filtros, poções e elixires no exercício sacerdotal de cura e fertilização da vida.



7)      Qual a Cosmovisão que a Bruxaria ensina acerca do Bem e do Mal?

A Bruxaria, assim como outras religiões pagãs, ensina uma cosmovisão pagã acerca do Bem e do Mal, isto é, que tanto o Bem quanto o Mal existem como dualidades cujas características não são opostas ao extremo ou por absoluto. Diferentemente da cosmovisão ensinada pelas antigas religiões pagãs, a cosmovisão das religiões amarnianas ou amarniano-mosaicas, como a do Atonismo, Judaísmo, Cristianismo e Islamismo, afirma que o Bem e o Mal existem enquanto dualidades absolutas. Em outras palavras, a cosmovisão das religiões pagãs acerca do Bem e do Mal tende a abordar o cosmos enquanto um universo harmônico e/ou que possui finalidade de que seja preservado o equilíbrio entre os seres vivos, ao passo que a cosmovisão das religiões abraâmicas ou amarnianas acerca do Bem e do Mal tende a enfatizar o cosmos como um universo em conflito e/ou em uma guerra eterna entre as forças maléficas e as forças benéficas; como é possível verificar tais características, entre religiões pagãs e religiões abraâmicas, em suas próprias mitologias, crenças e práticas típicas ensinadas. Nesta perspectiva, é necessário compreender e assimilar que tais diferenças preconcebem, epistemologicamente, que a cosmovisão das religiões abraâmicas tende a crer em determinado dualismo extremo acerca da própria Divindade, como se esta fosse super transcendente e não estivesse presente em todas as coisas do cosmos, enquanto que a cosmovisão das religiões pagãs tende a crer — como é o caso da Bruxaria — em determinado monismo acerca da própria Divindade, afirmando de que esta é tanto transcendente quanto imanente e que se faz presente panteisticamente em todas as coisas do cosmos. Desta forma, a Bruxaria ensina que, apesar de a dualidade — bem e mal, positivo e negativo, claridade e escuridão, etc — existir, o "Bem Absoluto" e o "Mal Absoluto" apenas podem ser imaginados na mente do sofista ou mágico enganador a partir de uma visão relativa e individual sobre a realidade cósmica, pois, quando vemos o cosmos a partir de uma visão ampla ou superior, notamos que os extremismos ou absolutismos se constituem ilusões de ótica e doxas ou opiniões; todavia, enquanto os Cristãos petrinos acreditam no "Absolutismo do Bem" e no "Absolutismo do Mal" co-habitando, as Bruxas — em conformidade com os antigos Filósofos pagãos e adeptos da velha Bruxaria — acreditam na supremacia da Justiça ou Bem Comum e na inferioridade da transitória e arcôntica Corrupção ou Maldade (a qual, por sua vez, produz doenças)

Entretanto, a velha Bruxaria ensina que o Altíssimo Uno ou Divindade Suprema, origem de todas as coisas, possui enquanto característica a Bondade de acordo com a visão superior, isto é, o Bem Comum ou Justiça, que não é nem "Bem Absoluto" nem "Mal Absoluto", mas, sim, a forma do que é Bom que, recebendo-a, exige que o receptor se aproprie de determinada responsabilidade cósmica iluminista ou luciférica — assim como fez Hermes Trismegistos (e seu pai-irmão Tubalcain anteriormente à sua queda) com a Ambrosia, Néctar dos Deuses ou Luz  em distribuir o pleromático Bem Comum ou Justiça. A cosmovisão ensinada pela Bruxaria é que o Uno, além de possuir a Bondade conforme a visão superior ou Bem Comum ou Justiça ou Divina Proporção, caracteriza-se também pelo Amor Divino, pela Beleza Pura ou Ambrosia ou Luz dos Deuses e pela Euforia Divina ou Entusiasmo (que não deve ser confundido com o entorpecimento e a "possessão demoníaca"), sendo os objetivos a serem alcançados durante os ritos da Bruxaria; enquanto que, inicialmente, o Bem e, consecutivamente, o Mal, constituem-se níveis de distanciamentos do Bem Comum ou Justiça, que somente passam a existir a partir do aspecto de manifestação grosseira ou condensação bruta, isto é, ao sair da Unidade e, após passar pela Enéada dos Deuses, adentrar na Multiplicidade, a qual, caracteristicamente, é formada, em alteridade ou assimetria, por seres mortais e/ou em esquecimento ou ignorância acerca das próprias formas divinas, bem como sua faísca ou fagulha divina que reside em sua profundidade ontológica (que, segundo o nível de condensação, maior a prisão na matéria e, com a diminuição significativa de conexão divina, aumentar-se-á o entorpecimento nas trevas ou escuridão e sua inerente queda ontológica nas paixões e afetações idolátricas da sensorialidade)Não obstante, as criaturas ou daimones inferiores levam uma existência de acordo com a vingança; as criaturas ou daimones intermediários, conforme o bem particular ou perdão-desculpa; e as criaturas ou daimones superiores, em consonância com a justiça ou bem comum (pois, ao contrário da visão mundana, as criaturas não são "Seres" factualmente, pois constituem números ou mônadas impuros, ao passo que, apenas os Deuses e o Altíssimo Uno, são realmente "Seres", visto que, estes últimos, são números puros ou de maior perfeição em si mesmos, como bem explicam os antigos conhecimentos numerológicos da Bruxaria).


Assim, a Bruxaria, por sua cosmovisão pagã, ensina que a forma antecedente do Bem e do Mal constitui o Bem Comum ou Bem Total ou Justiça, em decorrência de esta se tratar de um Bem Único, Original e Puro, do mesmo modo que a Vida é uma constante tanto na Existência quanto na Morte e que, também, a Luz é uma constante tanto na Claridade quanto na Escuridão (pois, claridade e escuridão são diferentes níveis da luz), ou seja, o Bem Comum, incluindo a Vida e a Luz, é cíclico: hora é puro em si mesmo, hora é intensificado e, por seu distanciamento da forma original, hora é corruptível ou diminuído, assim como, também, as fases da própria Existência: a virgindade, a maturação ou crescimento e a velhice ou caducidade; em outras palavras, constatamos novamente que a dualidade absoluta ou extrema, na visão superior, consiste numa ilusão de ótica (como já apontado acima). A forma da Pureza, que antecede o Bem e o Mal, significa — através do Latim "pueris" ou tornar-se menino — beber da "Fonte da Eterna Juventude", também chamada de "Fonte da Sabedoria" ou "Poço da Verdade", na liturgia da velha Bruxaria. Eis o motivo pelo qual o arcanjo Hermes Trismegistos, o Fundador da Bruxaria, ensinava a Lei de Justiça ou Bem Comum, também conhecida como Conselho das Bruxas (ou, alternadamente, de "Wiccan Rede"), como sendo a grande lei cósmica ou regra de ouro. Todavia, o arquiteto do mundo ou demiurgos Tubalcain, ao descer à terra, 
guerreou contra o caos e o imperialismo atlante do corrupto Ares/Ahriman/Seth, porém, Ares/Ahriman/Seth, aliciando a esposa de Tubalcain dita Naamah/Ninmah/Niamh/Hathor-Sekhmet a Aphrodite Pandemos/Syria Kale, feriu Tubalcain com sete ferimentos e demônios e uma perturbação; ao passo que seu filho-irmão, Enoch/Ningiszidda/Hormazd/Hermes Trismegistos, junto com sua mãe celestial Sophia/Atena/Iris, fundou os Mistérios ou Bruxaria, estabelecendo o "Magistério da Bruxaria" ou "Magistério da Arte" no ensino desta aos patriotas da Terra Sombria, o Egito: ou seja, é somente através do Amor puro e profundo (a dama cipriota Naamah/Ninmah/Niamh/Hathor-Sekhmet a Aphrodite Pandemos ou Syria Kale) que as Bruxas, assim como a "primeira bruxa" Heket/Hecate Erodia ou "Herodias"/Aradia, podem obter a Justiça
 (o hierofante Enoch/Hormazd/Hermes, o Fundador da Bruxaria, que seu poderio é representado, neste mundo, pelo Demiurgos Tubalcain, cujo honorário 'Rei dos Druidas' é o Velho Donzel ou Paráclito da Bruxaria conhecido como El Aion/Janus/Kronos o Hyperion/Hiram Abiff) no caminho do Progresso ou Verdade (a Religião de Segredos de que fundou Hermes a partir da sua procriadora Virgem das Oliveiras e Matrona das Bruxas a Sophia/Atena/Iris, isto é, a Bruxaria ou Arte dos Sábios), para a superação das forças injustas, caóticas ou corruptíveis




8)      Quais as Deidades da Bruxaria e o que Elas ensinam aos seus devotos?

Segundo os ensinamentos da velha Bruxaria, no início do cosmos havia um princípio criativo ou força motriz, um grande vazio primordial ou "caos" (o qual não deve ser confundido com as doxas gnosiológicas que se atribuem atualmente, isto é, o "caos" bruxesco é o grande vácuo primordial, de caráter neutro e do qual surge atividade e a passividade, não exatamente a desordem e escuridão de que atribuíram os poetas e mitólogos gregos tardios), denominado na linguagem litúrgica da velha Bruxaria por "O Grande Imanifestável" ou "O Uno" ou "O Mono" ou "A Antiga Providência" ou "O Empíreo", que consistiria em uma incognoscível "Divindade Suprema", "Divindade Única" "Fonte de Todas as Coisas". (Gerald Brosseau Gardner se referia por "Antiga Providência" ou "Primeiro Motor" ou, como cita Aristoteles em seus estudos filosóficos, "Força Motriz"pois, a imprecisa palavra "Dryghten" é um título anglo-saxônico à Odin, uma deidade menor ou anjo que, não sendo sequer um Deus propriamente, constitui um termo inadequado que, posteriormente, fora utilizado para referir-se à um líder de exército guerrilheiro e ao patriarcalista Deus Cristão, cujo uso na Tradição Gardneriana advém da utilização eclética e despontada por Patrícia Crowther, visto que o Uno não é nem "uma deidade menor", muito menos "um ser personalístico" ou polarizadamente masculino, mas, sim, a expressão do não-manifesto sem persona alguma e que congrega pacificamente, tanto o masculino quanto o feminino e, principalmente, a não-polaridade neutra, logo "Dryghten" é um equívoco, além de que não faz parte da velha Bruxaria). Nos julgamentos da Inquisição, uma mulher acusada de ser bruxa, cita a "Antiga Providência"O Uno dá origem à dois Deuses, segundo a doutrina das Bruxas, a partir da mistura entre a água e a lama: o Deus Cornífero, força dual e inteligível, e a Deusa Estelar, força trina e sensível; formando uma personificação de Od (polo masculino) e Ob (polo feminino). Na interação destes dois Deuses e suas forças polares, surge o Primeiro Nascido: o Filho Divino ou Deus-menino, também chamado de Grande Herói ou Filho da Luz (Lucifer), que é a personificação do amor que, juntamente com o Deus e a Deusa, formam a "Trindade Divina" bruxesca e sua Expressão Esférica Nona e que dão origem à toda criação, como emanação do Grande Imanifestável. Assim, os Deuses adorados na Bruxaria, possuem diversos títulos, como a Deusa dos Céus, da Lua e das Estrelas, conhecida sob vários nomes e uma infinidade de títulos e nomes, como Senhora das Três Faces, Deusa Estelar, Deusa Mãe, Deusa dos Campos, etc., e o Deus Duo Cornífero, das Florestas, da Luz e do Esplendor, também conhecido por vários títulos, como Deus de Chifres, Senhor Cornífero, Aquele que Abre os Portais da Vida e do Renascimento, Senhor do Triunfo, Sol da Verdade, Agathos Daimon, Senhor Libertador, Deus da Arcádia Celeste, Senhor de Dois Chifres, Deus Kadmos ou do Pilar da Báctria, Senhor da Fertilidade, Deus do Monte Nysa/Sinai, etc. 

Os Deuses que as Bruxas adoravam, eram: o Deus Duo Cornífero e a Deusa Tripla Estelar que, no período de subida ao mundo superior ou inteligível/celestial e no verão, eram cultuados — nas Ilhas Britânicas, na França, na Península Ibérica, na Alemanha, na Itália e por toda a Europa  como Apollon Karneios/Paion o Carnonos ou Pan/Fauno e Reitia/Rhea/Thea a Bona Dea Fauna ou Diana/Dione/Tana/Artemis/Arduinna/Aredvi Anahita a Bendis/Banu/Madonna Oriente (Zeus Keraunos/Sabazius, na forma de Touro de Creta Poseidon/Okeanos, desceu do Olimpos e atravessou o mar até o Monte Nysa/Sinai e deste até a Índia, com as quatro cores do processo alquímico, para salvar na Céltica/Cítia a Deusa Demeter Europa/Euryphaessa, a qual, como Alma do Mundo, deu seu nome ao continente europeu enquanto simbologia dos argonautas que atravessam o mar em busca do "Caput Galeatum" ou Velocino Dourado); ao passo que, no período de descida ao mundo inferior ou sensorial/terreno e no inverno, eram venerados como Dionysos/Osiris o Bakha/Yammu/Yima/Poimandres e Ariadna/Demeter Sito/Satia/Satis/Isis/Ishtar a Abundia/Richella; Similarmente, o Filho Divino em suas faces correspondentes: Lucifer/Mitras/Mica/Phanes ou Adonis/Tammuz/Attis ou Horus/Eros Comus/Hymenaeus o Abrachaleus/Abraxas ou Protogonos/Saoshyant/Prometheus-Pandora o Aberamentho/Baphomet (o "descendente de Hyperion/Hiram Abiff" que, nas lendas supersticiosas cristãs, fora distorcido como "malévolo"); ambos enquanto manifestação trina e expressão nona do Altíssimo Uno, o Grande Imanifestável ou Antiga Providência ou Divindade Única e Incognoscível. Ainda, mais os Nomes Secretos do Deus, da Deusa e do Filho Divino (Isto é, as Duas e Três Esferas de Criação que, formando mais Quatro de Geração, dão origem à todas as coisas). Na Bruxaria, os Deuses, embora produzam aspectos arquetípicos, não são arquétipos (como as pessoas, com influência da Psicanálise, confundem), mas, seres ontológicos que, por manifestação ou desdobramento, são emanados do Altíssimo Uno. Também, os Bruxos da Ordem Templária adoravam "Mari" (uma corruptela linguística, não exatamente à Virgem Maria, mas ao titulo da Deusa Rhea Cynthia chamado "Myrrha" que, em congunção com a Deusa Isis sob o título de "Myrionymos" ou "Stella Mari", as Bruxas da região franco-espanhola da Aquitânia e do País Basco adoravam-na como Consorte do Deus Dionysos/Osiris Bakha o Sokar/Shachar/Zagreus ou Aker ou, como ficara popularmente conhecido nas lendas basco-espanholas, "Sugaar" ou "Suarra" o "Akerbeltz").

As Bruxas da Alemanha, como bem documentado pela Inquisição, também confessaram adorar a Deusa sob o nome de "Habondia(ou "Abundia", na França), um título romano em clara referência à Deusa Diana ou Demeter a Sito/Satia (vide: "Abundantia"); Assim como, também, a própria dama degenerada Venus (isto é, a Holla ou Halia/Aphrodite) era lembrada, nos mitos bruxescos, como esposa terrena de Tubalcain/Hephaistos, bem como no montículo denominado pelas Bruxas como "Monte de Vênus" ou "Venusberg", na Alemanha. A Deusa Diana, por outro lado, foi referida mais sucintamente como: "Aquela Diana que dizem ser a Fortuna [ou Abundia] [...], [era chamada] em língua italiana, Richella, ou seja, a mãe da riqueza e da boa sorte" (CAUSANO apud GINZBURG, Carlo; p. 114). Fala-se da Deusa Diana e das Bruxas, em Atos dos Apóstolos: "Veneram-na como se fosse a Fortuna, e são chamadas [as Bruxas] na língua vulgar, Hulden, derivado de Hulda" (apud GINZBURG, Carlo; p. 114), todavia, há de se pontuar que "Holda" não é a mesma que a Deusa Diana e nem mesmo que a
 Holle/Holla/Halia, visto que "Holda" (ou, dependendo a língua, "Hulda" ou "Hulden" ou "Unholde"), de que falam as superstições populares alemãs, trata-se nada mais que uma associação eclesiástica equivocada  assim como Erodia/Aradia fora associada equivocadamente no conhecimento eclesiástico limitado dos padres com a Herodiade bíblica  entre o nome de Holle/Holla/Halia ou Aphrodite Halia da crença bruxesca versus a dama profetisa judia chamada Hulda de que cita a Bíblia Cristãapesar de que, tanto os padres como os leigos folcloristas ou "cientificistas", continuam a citar e propagar opiniões eclesiásticas falsas e distorcidas, como a de que: "Diana, chamada em língua vulgar por Unholde [Holda], isto é, a dama santa [trad. 'heroína'], passeia pela noite com seu bando [as Bruxas], percorrendo grandes distâncias" (apud GINZBURG, Carlo; p. 123). Também, o termo escocês "Elphame", dos julgamentos das bruxas pela Inquisição na Escócia, é proveniente do termo grego "Eupheme" que, segundo os antigos mitos gregos da Bruxaria, era uma filha ou descendente do Arquiteto do Mundo ou Demiurgos Tubalcain/Hephaistos; assim como a "Bensozia", citada nos escritos eclesiásticos em associação com as Bruxas, trata-se de uma referência mitológica bruxesca à "serva Sosia" e que, para o hierofante Hermes se ocultar diante do "Altíssimo" Zeus/Jove, tomou a forma da serva Sosia, em que o próprio Hermes, sob o disfarce de Sosia, é qualificado como "Bensozia" ou "Bona Sosia", a Boa Sosia.

Também, o termo "Nicneven", dos julgamentos medievais escoceses de "caça-às-Bruxas" pela Inquisição, sugere-se que tenha derivado de "Nyneve", uma variação linguística, dentre outras tantas, do nome da bruxa Viviane, a Senhora do Lago que, 
conforme os mitos da Bruxaria Medieval, depois de viver com seu esposo  o mago e bruxo Merlin  próximo ao lago de fadas da floresta de Broceliande conhecido como "Espelho das Fadas" (análogo ao lago italiano-nemorense na floresta de carvalho dito "Espelho de Diana"), fora viver na bruxesca Abadia da Ilha de Avalon ou Glastonbury Tor (vide o tópico da galeria: "A Bruxaria e o Glastonbury Tor"), após Merlin tornar-se conselheiro do rei Arthur na corte de Camelot ou Camalet (atual Castelo Cadbury no condado de Somerset, na Inglaterra) e que, mais tarde, antes de a Abadia da Ilha de Avalon ou Glastonbury Tor ser extinta, um dos últimos membros fora Santo Wigbert, o qual foi correligionário do bruxo e santo Alcuinus Nemias Flaccus (conselheiro de Carlos Magno e filósofo da Academia Palatina, no Sacro Império Romano)Afinal, o rei Uther Pendragon, o príncipe Arthur, a bruxa Morgana, Lancelot, Gwinevere, Viviane, Merlin, Yseut, Triston e etc, foram pessoas reais e viveram no século seis, contemporâneos da bruxa e rainha Rowena ou Ravenna, que estavam envolvidos com a Bruxaria Medieval nas Ilhas Britânicas (e vestiam roxo, símbolo da antiga linhagem real de Roma) em uma época em que as leis de proibição das religiões pagãs se tornaram severas com a expansão do Cristianismo no ocidente. O termo "Tana", das Bruxas da Itália e que também fora citado por Raven Grimassi, é um dos nomes da Deusa Estelar Diana ou Isis, e a arqueologia prova isso: há pouco tempo fora encontrada uma placa ou bloco de pedra, pelos arqueólogos, citando "Tana" como título de Isis, e se nos recordarmos um pouco mais, "Tanit" era o nome pelo qual Isis ou Diana era adorada em Cartago; assim como também o era comum ao norte da Itália. Ao norte de Japodes, na Croácia, foram descobertos votivos dedicados aos Deuses Vidasus (ou Apollon Vediovis) e Thana, os quais foram identificados como variações fonéticas nativas para os Deuses Pan ou Sylvanus e Diana (WILKES, J. J.). Isso sem falar nos "Nomes Secretos" dos Deuses na Bruxaria


Além dos Deuses, existe, também, segundo a crença das Bruxas, as Deidades Menores, mais comumente chamados, na velha Bruxaria, por "Guardiães dos Portais""Vigilantes das Torres de Observação", "Gênios Antigos""Poderosos" ou, simplesmente, "Anjos"Os "Anjos"  etimologicamente proveniente das palavras pagãs greco-latinas "Aggelos" "Angelus", com o significado de "mensageiro", advém da língua acádico-sumeriana "Apkallu" "Abgal", presente no greco-pérsico como "Angaros" ou "Angarum" ou "Ahuras", no indiano como "Asuras" e no greco-micênico do século XIV-XII a.e.c. como "Akero" — tratam-se de seres espirituais de uma hierarquia cósmica intermediária entre os Deuses e os mortais que, originalmente, não fazia parte das religiões abraâmicas (Cristianismo, Judaísmo e Islamismo), mas, sim, possui origem nas antigas religiões pagãs, e autores clássicos como Homero, Herodotos, Xenophonte e Platon abordaram em suas obras (Ilíada, Cratylus, etc), assim como havia o uso comum na Bruxaria do passado. Além do mais, o historiador grego Herodotos, que viveu em 440 a.e.c., escreveu que: "Nenhum mortal viaja tão rápido quanto esses mensageiros persas. Todo o plano é uma invenção persa; e este é o método do mesmo. Ao longo de toda a linha de estrada há homens (eles dizem) estacionadas com os cavalos, em número igual ao número de dias que a viagem demora, permitindo um homem e cavalo a cada dia; e estes homens não serão impedidos de realizar na sua melhor velocidade a distância que eles têm que ir, seja pela neve, chuva, calor, ou pela escuridão da noite. O primeiro dirigente entrega sua expedição para o segundo e, o segundo, passa para o terceiro; e por isso é suportado de mão em mão ao longo de toda a linha, como a luz na tocha da corrida, que os gregos comemoram a Vulcanus. Os persas dão o cargo de equitação, desta forma, o nome de Angarum" (HERODOTOS. In: The History of Herodotus, 1909, p. 147).

A palavra "Anjo" deriva do Grego, "Aggelos", e do Latim, "Angelus", que tratam-se de traduções pagãs do Persa, "Angaros" ou "Angarum"; do Sumeriano, "Anunnaki" (cujo significado é "Filhos dos Céus"); e do Acádico-Sumeriano, "Apkallu" ou "Abgal", os quais já eram utilizados entre os povos gregos e sumerianos  bem como pela linhagem sumeriana do Clã Adonista da Bruxaria Clássica (vide o tópico da galeria: "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade" para referirem-se aos Sete Vigilantes que receberam o encargo de proteger o "Corpo do Deus Cornífero" e que, desta forma, foram enviados à terra pelos próprios Deuses para o despertar da consciência. Porém, existem algumas pessoas que se dizem "bruxos", na atualidade, são totalmente desinformadas quanto aos Anjos e, prendendo-se ao Cristianismo, sequer possuem uma noção e conhecimento que, na liturgia da velha Bruxaria, não somente está descrito Anjo ("Angelus"), em Latim, quanto também Arcanjo ("Archangelus"), referindo-se à Enoch/Hormazd/Hermes Trismegistos, o Fundador da Bruxaria e instituidor do Magistério da Bruxaria ou Magistério da Arte; assim como, também, autores clássicos atribuíram a qualidade de Anjana ou Anja ("Angelos") à donzela turco-tessaliana amante de Hermes e "primeira bruxa" chamada 
Hecate/Heket a Erodia ou Aradia. Também, se verificarmos a própria mitologia pagã greco-romana de épocas pré-cristãs, veremos que tanto Hermes foi chamado por títulos como "Angelus Athanaton" ("Anjo dos Deuses") e "Angelus Macaron" ("Anjo dos Abençoados"), enquanto anjo ou mensageiro que é, assim como, também, a anjana ou anjo feminino Iris a Sophia/Atena, a "Thaumantias" ou Miraculosa (uma Guardiã da Bruxaria) referida em tempos pré-cristãos como um "Anjo" feminino ou "Anjana" (feminino de "Anjo" nos antigos mitos bruxescos do norte da Itália e da Espanha) em obras de mitologia pagã. A Bruxaria é, essencialmente, uma religião de segredos de origem e base angélica, apesar de que algumas pessoas modernas, equivocadamente, rejeitam o uso da palavra "Anjo" — que é essencialmente pagã-bruxesca — em prol do uso de uma palavra historicamente utilizada para referir-se aos Titãs ou Atlantes que caíram ontologicamente com os três reis atlantes corruptos (
Japetos, Crios e Ceos, também chamados de Jubelo, Jubela e Jubelum; e seus três sucessores: Epimetheus, Minoetius e Atlas), que traíram o velho donzel Hyperion/Hiram Abiff e, portanto, foram chamados de Anjos Caídos e, seus descendentes, Gigantes ou explicitamente Gregórios ou "Grigori"


Os Anjos da Antiga Religião são tão importantes para a Bruxaria, quanto os "Malach" para o Judaísmo. Entretanto, no passado distante, os Anjos bruxescos ou Amesha Spenta, das crenças pagãs, foram referidos na literatura cabalística por "Hayoth Ha Kodesh", as sete ou Quatro Criaturas Santas ou "Seraphim" e, seus descendentes, como "Gibborim" ou "Nefilim" ou "Anaquins", os Gigantes; isto é, uma variação cultural com algumas mutações hebraicas de uma antiga crença pagãO nome mosaico-amarniano que era utilizado, no Cristianismo, aos seres da hierarquia angelical é "Malach", pois, "Anjo" é um termo de origem pagã pré-cristã, e tal equívoco dos Padres ocorreu devido às traduções gregas e latinas da Bíblia. De modo semelhante ocorreu com a apropriação do termo "Lúcifer", nome de uma deidade pagã, o Filho Divino Lucifer/Mitras ou Prometheus (por seu ato de distribuição da Luz dos Deuses para salvar a raça dos mortais, o que, por sua vez, para o Vigésimo Arcano Zeus/Jove, do Altíssimo Uno, tal ato era "um crime", já que, para esta deidade, que é a mesma dos judeus e cristãos, as criaturas devem ser submissas), para traduzir o termo hebraico "Helel" ou o título do arquiteto do mundo ou demiurgos Tubalcain/Hephaistos. Assim, tal equívoco é reforçado ao observarmos o Canto Gregoriano da Vigília Pascal, em que o Papa Zosimus, sob influência da Bruxaria (haja visto que os doze discípulos de Jesus Cristos eram adeptos do Clã Mitraico, da Bruxaria Clássica), cria tal oração tradicional em língua latina, em 417 d.e.c., ainda utilizado pela Igreja Católica em que cita: "[...] Vamos, agora, Hostes de Anjos dos céus: deixem a divina Arte dos Sábios ou Mistérios [que desça à terra]: e a trombeta, pela vitória do tão grande Rei, ressoa a vida. [...] Encontra a sua chama, Lucifer, estrela da manhã: ele, eu digo, ó Lucifer, que não conhece a queda ou acaso. Cristo, seu filho; que, voltando do inferno, serenamente brilhou sobre a raça humana, que vive e reina pelo século dos séculos." ("[...] Exsúltet iam angélica turba cælórum; Exsúltent divína mystéria: et pro tanti Regis victória tuba ínsonet salutáris. [...] Flammas eius lúcifer matutínus invéniat: ille, inquam, lúcifer, qui nescit occásum. Christus Fílius tuus; qui, regréssus ab ínferis, humáno géneri serénus illúxit, et vivit et regnat in sæcula sæculórum").


Não obstante, Gerald Brosseau Gardner e Alex Sanders descrevem os Guardiães da Bruxaria como "Anjos", embora que descrevessem apenas quatro ou número indefinível, em seus próprios Livros das Sombras; apesar disso, também, deve-se lembrar que a Bruxaria não advém de Gerald Brosseau Gardner, Alex Sanders ou de qualquer outro bruxo moderno expoente, mas, a existência da Bruxaria antecede tais autores, assim como antecede a própria idade média, diferentemente do que autores desinformados disseminam em seus livros ecléticos e revistas de banca. Em conformidade com o que foi dito acima, os mitos bruxescos dizem que as Deidades Menores, em uma época primitiva, quando viviam em um Reino distante (chamado, na linguagem bruxesca, de "Pátria Antiga" ou "Pátria Esquecida", sob a qual era um velho costume as Bruxas chorar de agonia no Sabá de final de outono ou Samhain ao recordar-se), essas deidades menores eram seres que perderam a autoridade e foram banidos da alta Companhia dos Deuses ou do Domínio dos Deuses. Não eram maus, apenas não eram "Grandes" ou desenvolvidos o suficiente para reinar. Desta forma, essas deidades menores tiveram que procurar outros reinos para habitar e decidiram encarnar na Terra, ainda antes do início da Era de Leão, e construíram uma civilização avançada, a famosa Atlântida dos escritos da antiguidade e, então, aqueles que se corromperam ficaram conhecidos como "Atlantes" ou "Titãs", os Anjos Caídos das lendas amarniano-mosaicas. Na Terra, estas deidades menores ajudaram no desenvolvimento físico da tecnologia terrena e no progresso alquímico-espiritual dos seus habitantes: criaram técnicas de trabalho, agricultura, cultivo da terra, organização de vilas, construção de casas e templos, desenvolveram as artes e os trabalhos manuais, obtiveram o domínio do fogo, estabeleceram as leis e a civilização, fundaram as religiões antigas, desenvolveram poderes mágicos acima das pessoas comuns, proporcionaram a possibilidade dos habitantes da Terra saírem do modo de vida bárbaro e dedicado à guerra para a convivência harmoniosa e fraternal juntamente com todos os seres da natureza, abdicando, assim, o estado de vida bárbaro, ignaro e guerrilheiro.
 
Porém, aos poucos, todo esse conhecimento antigo foi pervertido e mal-usado pelos bárbaros e habitantes da Terra, porque, influenciados pelos Titãs e sem aprender exatamente como usar, utilizaram-no para o egoísmo e para suas próprias paixões e loucuras. 


Com as frequentes crueldades e controles exercidos pelas autoridades dos habitantes bárbaros, houve um anjo que, ao lutar contra o domínio imperialista corrupto que estava se tornando o poder arcôntico dos três reis Atlantes ou Titãs, fora ferido pelos imperialistas e precipitado de um penhasco. Mas, antes desta queda, este anjo amou uma virgem dama (Sophia/Atena/Iris), a qual, recusando-se ao coito terreno, procriou, junto com uma dama pelásgica,
 no Monte Cilene um filho misterioso, de nobreza celestial. Este filho misterioso ficara conhecido como Hormazd/Hermes Trismegistos/Enoch do Monte Hermon que, sendo um arcanjo, ensinou como trabalhar o Fogo e baixar a Lua e aprender o Culto do Fogo e da Lua, a Linguagem Antiga ou Antiga Religião, fundando a Bruxaria entre a Grécia e o Oriente ou Anatólia e, assim, instituíra o "Magistério da Bruxaria" ou "Magistério da Arte" no Egito. O mito da jornada deste arcanjo, juntamente com seu pai-irmão Tubalcain o Demiurgos e com suas mães celestial e terrena (Sophia/Atena/Iris e Naamah/Ninmah/Niamh a Aphrodite Melia/Halia/Maia), constitui o segredo da Iniciação, das provações, das expiações e do desenvolvimento alquímico-espiritual que todos os seres que estão propensos para que, somente desta forma, possam alcançar os planos superiores, os céus e o progresso (isso vale tanto física quanto espiritualmente falando); pois, a Iniciação, enquanto elemento essencial da Bruxaria, constitui esta escalada de desenvolvimento e, apenas quando chegamos ao êxito, notamos o quanto nossas reclamações e irascibilidades são inúteis e fúteis, afinal, no cosmos, nada ocorre por acaso ou coincidência: eis uma ilusão de ótica. Todavia, etimologicamente, as denominações "atlante" e "titãs", por sua vez, referem-se aos membros da civilização conhecida como Atlântida, cujo ápice se deu com o reinado do rei ou arconte Atlas que, com a corrupção titânico-atlante, fora condenado pela Vigésimo Arcano (Zeus/Jove) do Altíssimo Uno ao Tártaro ou Inferno e, também, recebera inúmeras obrigações em sustentar o globo dos céus entre os humanos ou mortais; ao passo que, não obstante, a segunda denominação designa aos descendentes do gigante Tityos (irmão gêmeo de Cyllenus/Seilenus) que, tentando violentar Leto (isto é, a memória e, em consequência, decorreu à mortalidade), a Deusa Diana/Artemis e o Deus Apollon Paion/Pan lançaram a punição de torná-lo um mero mortal e, em decorrência disso, fora condenado à prisão do Tártaro ou Inferno. 

Exemplos de Atlantes ou Titãs são os quatro Reis Santificados ou Sacrificados, que são responsáveis pela criação do mundo físico e do estado de mortais ou estado de humanidade, ainda no período magdaleniano da antiga Atlântida, cujos nomes são: Japeto, Crios, Ceos e Hyperion, também conhecidos pelos nomes arábico-maçônicos Jubelo, Jubela, Jubelum e Hiram Abiff. Autores da antiguidade, como Diodoros Siculos, afirmavam que Hyperion (conhecido entre os árabes como Hiram Abiff e, entre os hebreus, como Baruch) foi assassinado por seus demais irmãos: Japetos, Crios e Ceos (ou Jubelo, Jubela e Jubelum). Esses quatro Reis Santificados ou Sacrificados, em decorrência da corrupção imperialista de seus reinados que levaram ao caos, foram destituídos e sucedidos por uma nova ordem de Titãs ou Atlantes: a atalaia/antúlio Prometheus ou Atum/Aton/Eetion/Adam, Epimeteus, Menoetius e Atlas (do qual originou o título árabe "at-talai'a" ou atalaia em referência aos Anjos das Torres de Observação; que reencarnou como Moises ou Osarseph; como Spartacus; como Abu Al-Qasim Muhammad; como Ioannes Batista
; e como Johann Adam Weishaupt; atualmente reencarnado no Brasil) que, em contraposição, geraram maior corrupção e caos em seus reinados do que seus antecessores, quanto ao uso equivocado do poder divino. Desta forma, Enoch/Ningishzidda/Hormazd/Hermes Trismegistos, fora enviado pelos Deuses à terra para fazer justiça contra o domínio corrupto de Ares/Ahriman/Seth ao qual o Demiurgos ou Arquiteto do Mundo havia atraído Atum/Aton/Eetion/Adam ou Prometheus para encarnar na matéria e, com a influência de Ares/Ahriman/Seth, ocorreu a queda ontológica dos espíritos para a mortalidade ou condição de humanidade. Esta batalha de Enoch, pela determinação do Filho Divino Mitras (ou na língua caldaica Michael), visava destruir a crueldade imperialista e as trevas e forças satânicas decorrentes do mal uso dos poderes divinos que levaram à queda e, portanto, fora necessário dar início à um período de provas, expiações e cataclismos naturais para o despertar da consciência espiritual e livrar-se das forças profanas e arcônticas que haviam implantado o caos, o que necessitou, em função disso, que fosse instituída uma organização secreta ou sodalício de magos que ensinasse a Iniciação aos patriotas da terra, a Bruxaria ou Arte dos Sábios. Após a traição do corrupto Ares/Ahriman à Tubalcain, Ningishzidda/Hormazd/Hermes Trismegistos fundou a Bruxaria que, junto com os quatro Anjos das Torres de Observação das Atalaias tornaram-se conhecidos como Guardiães da Bruxaria. 
Nos tempos antigos, à Hermes era dedicado a chamada Ermida ou Eremitério ("Hermitage" na língua inglesa; "Ashrama" na língua hindi; "Ermitas" na língua greco-bizantina; "Hermae" na língua grega antiga), antigas edículas ou pequenos santuários de pedra e/ou na rocha, seja como estátua seja como gruta, no decorrer de caminhos silvestres ou desérticos, próprios dos pagãos ou peregrinos ou viajantes devotos (utilizado, mais tarde, entre os monges cristãos para a adoração aos santos cristãos), tal como para obter a Iniciação na Bruxaria nas antigas províncias ou, simplesmente, para pedir pela guarda ou condução e proteção contra ladrões e perigos no caminho. Neste sentido, o bruxo Lucius Apuleios, em sua obra Asno de Ouro, cita que:



"Um Menino Radiante apareceu nu, 
exceto por um manto juvenil drapejado sobre o ombro esquerdo, 
os cabelos loiros lhe faziam olhar aos seus olhos: 
pequenas Asas Douradas se projetavam em seus cachos, 
nos quais haviam sido presos estrelaçadamente de ambos os lados, 
o Bastão de Arauto e a Varinha que ele carregava 
o identificavam como Mercurius ou Hermes."


  Hormazd/Hermes, o "Rei Sábio", nasceu no Monte Cilene, na Arcádia da sagrada Ilha do Peloponeso, há 10.500 mil anos a.e.c., foi filho de Naamah/Aphrodite Melia/Maia e procriado por Sophia/Iris/Atena, passou sua infância na Tessália e no Monte Olimpos, onde recebeu o Selo Mágico do Deus. Viajou ao Oriente e, conhecendo a divina donzela turco-tessaliana que foi a primeira bruxa, Heket/Hecate a Erodia/Aradia, fundou a Bruxaria e se estabeleceu em Hermópolis, no Egito.


Desta forma, os Guardiães da Bruxaria são sete e, às vezes, reduzidos às quatro atalaias dos quadrantes. O primeiro Guardião da Bruxaria, que é o maior de todos ou arcanjo e ter sido o Fundador da Bruxaria, é Ningishzidda/Aadaro/Idris (literalmente "o Sábio") o Heka/Enorches/Enoch do Monte Hermon, conhecido por Hormazd/Hermes Trismegistos ou Thoth/Djehuty/Taautus ("Horus-khenti-maa" ou "Hermacuti", o "Ahura-mazda", literalmente "o Asura/Rei Sábio") que, por sua hierofania maestral inigualável, recebeu títulos como: "Mastêrios" ou Fundador da Arte dos Sábios ou Mistérios (tradução grega de "Mazda" na língua pérsica e "Mista" na língua cita/céltica, literalmente "Místico ou Sábio"), "Angelos Athanaton" ou Anjo dos Imortais, "Angelos Macaron" ou Anjo dos Abençoados, "Chrysorrhapis" ou Possuidor da Vara Dourada, "Criophorus" ou Possuidor do Carneiro/Elmo Cornígero do Velocino Dourado, "Charidotes" ou Caridotes (Caridoso ou Doador de Carystos ou Charis/Graça), "Krateros" ou Possuidor da "Krater" ou Santo Graal, "Pronaus" ou Providenciador, "Trisheros" ou Três-vezes Herói ou Trismegistos, "Diactoros" ou Diáctoro (Advogado ou Anunciador da Justiça), "Pompaios" ou Guia, "Dotor Eaôn" ou Doador de Bondade, e "Viducus" ou "Visucius" ou "Gwydion" (tradução céltico-romana e galesa para "o Sábio", assim como fora germanizado pelos povos hunos como "Hermodr"), trata-se de um Arcanjo e do Guardião líder de todos os Anjos, além de ser filho-irmão do demiurgos Tubalcain e que, sendo Mensageiro dos Deuses no Olimpos, fora para o Egito estabelecer o Alto-sacerdócio ou Magistério da Bruxaria (e que, neste mundo, seu Poderio Régio é representado pelo Arquiteto do Mundo ou Demiurgos Tubalcain/Hephaistos/Ptah, o Antigo "Periclytus" da Bruxaria ou anjo Davul/Daeva-el, cujo honorífico 'Rei dos Druidas' é o Velho Donzel ou Paráclito da Bruxaria dito El Aion/Janus/Kronos o Hyperion/Hiram Abiff ou Deucalion). O segundo Guardião da Bruxaria, trata-se da Virgem das Oliveiras e Matrona das Bruxas ou Nutriz de Hermes, que é uma arcanja chamada Sophia/Atena/Iris, conhecida na língua egípcia como Safekh/Seshat/Neith, a Wadjet/Wasret ou Mehetweret/Maat ("Maa-atef-f"; cujo seu símbolo é a coruja e que porta uma jana ou gênio feminino), a celeste dama arcangélica que recusou o coito terreno com o demiurgos Tubalcain (após a expulsão celeste do Demiurgos em decorrência da guerra titânica, o qual procriou a criança Erichthonius ou Hermes Chthonius/Hormazd o Fundador da Bruxaria, amamentado pela própria Sophia/Atena/Iris e cuidado pelas Três Irmãs), por isso Sophia/Atena/Iris recebeu títulos como "Thaumantias" ou Miraculosa, e "Chrysopteron" ou Voadora Dourada (reencarnada como Maria Madalena; como Margherita de Cássia, a Sóror bruxesca; e como Teresa Sánchez, Sóror do Clã Turlupin/Amauriciano ou Proto-valdense, da Bruxaria Medieval Reformada, famosa por sua habilidade mágico-espiritual em levitação e que, não obstante, levantou suspeita pela Inquisição Espanhola). 

O terceiro Guardião da Bruxaria, trata-se da mãe terrena de Hermes, conhecida como Naamah/Ninmah/Niamh, também chamada de Hathor-Sekhmet/Aphrodite Pandemos, a Melia/Malia/Maia dita "Kharis" ou "Syria Kale" ("Kheri-beq-f"), cujo seu símbolo era uma pomba ou pardal, foi uma dama nascida na Ilha de Chipre, na região da Antiga Síria, cuja sua descendência consanguínea advinha do Monte Nysa/Sinai egípcio que, mais tarde, viajou para às ilhas egeias rumo ao grego Monte Cilene, onde gerou Hermes TrismegistosEstes três Anjos eram conhecidos pelos egípcios, juntamente com os "Quatro Filhos de Horus", como sendo os Sete Anjos que protegem o incorruptível "Corpo do Grande Deus Cornífero [Osiris/Dionysos]"Os quatros demais, Guardiães da Bruxaria, são regentes dos Quadrantes, que são: Hapi/Apsu/Abzu ou, na língua grega, Boreas
 (Vigilante da Torre de Observação da Atalaia do Norte), Duamutef ou, na língua greco-caldaica, Resheph/Euros (Vigilante da Torre de Observação da Atalaia do Leste), Meshta/Amsety ou, na língua grega, Notos (Vigilante da Torre de Observação da Atalaia do Sul), e Qebehsnuef ou, na língua greco-caldaica, Zephyros/Geburah (Vigilante da Torre de Observação da Atalaia do Oeste). Ademais, há a crença bruxesca nos Dióscuros ou Pálicos, o herói Bellerophon e o monstro Chimaira, também chamados de Cautes e Cautopates ou Castor e Pollux, que representam o Ego Superior e o Ego Inferior, isto é, a conjunção entre o Espírito/Pneuma, o Augoeides/Éter ou Dínamo Luminal e o Número/Mônada/Arque que, por sua vez, constitui o aspecto superior e profundo de nosso ser, ao passo que o Ego Inferior, envolvendo a Alma/Psiquê, o Elemento/Dínamo ou Éter Inferior e o Corpo/Natureza, trata-se do aspecto externo e personalístico, portanto inferior e que, desta forma, veste nosso Espírito cada vez que este encarna, devido à densidade da matéria ou natureza que, para intermediar a sobrenaturalidade ou sutilidade que constitui o número, há o que chamamos de Mente, o veículo que faz a ponte entre este mundo e o outro mundo, o mundo sensorial e o mundo inteligível.

O herói Bellerophon que, cuja simbologia pode ser comparado à Perseus, derrota o degenerado monstro Caineus, também chamado de Chimaira, a quimera, isto é, Caineus, mais conhecido como Chimaira, que é o Ego Inferior ou a Alma, é derrotado pelo herói Bellerophon, que é o Ego Superior ou o Espírito e que, após tal ato de coragem, Bellerophon ganha o cavalo Pégasos para aprender o ofício santo ou heroico de montá-lo e de voar livremente até os céus, isto é, a conquista da verdadeira religação ontológica com os Deuses e, também, a obtenção da gigantesca espada Crysaor para, uma vez aproximado da Mansão ou Domínio dos Deuses, operar a magia ou os miráculos. Este mito bruxesco, comum na Bruxaria Medieval, enfatiza que devemos nos pautar sempre no Eu Superior e viver em prol de coisas nobres e maiores. Diz o mito do antigo Clã Eleusino que, certa vez, um homem de linhagem real chamado Tantalos foi fazer uma oferenda aos Deuses no Monte Sipylus e, devido ter revelado ao povo os Segredos dos Deuses e roubado ou trocado a oferenda de Chama Sagrada ou Ambrosia aos Deuses pelos membros despedaçados de seu próprio filho Pelops assassinado, deixou todos horrorizados ao notarem a matança ritualística macabra e, depois, a Deusa Axieros/Ceres (que deu origem à lenda de Cerridwen), juntamente com o Deus Sabazius ou Zeus Olympios, tratou de recuperar todas as partes do corpo do menino morto, fervendo-as dentro de um Caldeirão do Renascimento e ressuscitando-o mágico-espiritualmente, enquanto isso Tantalos foi expulso como feiticeiro ou malfeitor, enquanto punição pelo seu crime, para a região do Tártaro ou Inferno no Submundo, porém a sentença de Tantalos foi tão grande que uma execração ou punição caiu sobre seu filho descendente. Este mito de Tantalos é o mais antigo mito das tradições pagã-bruxescas ocidentais que aborda o Caldeirão. O mito de Tantalos, que aborda o estado de queda do ser, é complemento do mito de Bellerophon versus Caineus ou Chimaira. 


É exatamente neste antigo ensinamento bruxesco em que reside o Conselho das Bruxas (mais conhecido como "Wiccan Rede", no inglês), em que cita Gerald Brosseau Gardner: "[As Bruxas] estão inclinadas para a moralidade do bom lendário Rei Pausole, 'Faça o que desejar, se a ninguém prejudicar'. Mas elas acreditam que uma determinada lei é importante, 'Você não deve usar a magia para qualquer coisa que irá prejudicar aos outros, e se, para evitar um mal maior que está sendo feito, você importunar alguém, você deve fazê-la apenas de um modo que vá diminuir o dano'." (GARDNER; "A Bruxaria Hoje", p. 127). Deve-se lembrar que a dicção "...a ninguém prejudicar" significa agir em prol do bem comum, pois, o termo utilizado na língua inglesa para 'prejudicar' é "harm", cujo significado é o direito comum entre todos e com uma determinada medida existente, ou seja, refere-se em pautar nossos atos conforme o bem comum ou justiça e, não exatamente, de acordo com o utópico conceito Cristão supersticioso de "bem absoluto". O que deve ficar claro é que, na Bruxaria medieval e pré-medieval, a versão do Conselho das Bruxas baseava-se na Lei de Justiça ou bem comum, a Lei das Leis, preceito defendido pelo arcanjo Hermes Trismegistos, o hierofante filho-irmão de Tubalcain e Fundador da Bruxaria; visto que a justiça ou bem comum pode compreender tanto o que muitas pessoas o chamam de "Bem" como de "Mal" no ponto de vista profano ou mundano, isto é, o bem comum ou justiça não visa promover o egocentrismo ou "poderes egocentrados", mas, sim, o poder promotor do bem comum à todos os seres, bem como a prática da filantropia ou altruísmo quando digno de merecimento, geralmente de forma discreta ou vedada. Por filantropia entende-se à filantropia das antigas religiões pagãs, cujo significado original é irmanar-se às criaturas ou ter afeto pelo outro (às vezes traduzido erroneamente como amor aos seres humanos, visto que o termo "Philosrefere-se à amizade, irmandade, afeto ou afeição, não exatamente ao amor ou erotismo), que denota uma ajuda comunitária ou um altruísmo em função de haver determinada pessoa oprimida ou classe minoritária que sofre, mas que, no entanto, não possui condições suficientes para obter resiliência ou superação deste sofrimento.


Ao contrário do pensamento Cristão de caridade, as antigas religiões pagãs (principalmente a Bruxaria) realizavam a filantropia ou caridade pagã como um valor de amizade social em suas comunidades, bem como às pessoas que eram dignas de receber tal ajuda ou doação. No pensamento Cristão de caridade, diferentemente da filantropia, refere-se à uma compaixão total pela humanidade que leva à doação humanitária entre todas as pessoas, independente de necessitarem ou não (o que, por si, reforça a divisão de classes sociais, produz o egocentrismo e, também, poda a responsabilidade e autonomia do outro). Enquanto a caridade 
Cristã proclama o princípio de doação completa à humanidade (caminho do "bem" ou de um bem qualquer), a filantropia ou caridade bruxesca enfatiza o princípio de ajuda ao outro ou de altruísmo de acordo com sua necessidade ou merecimento (caminho do equilíbrio), o qual faz parte da Lei de Justiça (preceito de Hermes Trismegistos, filho-irmão de Tubalcain e Fundador da Bruxaria) que, não apenas mensura os eventos desta vida, mas, também, das existências passadas. O conceito cristão de "Bem Absoluto" versus "Mal Absoluto" está pautado em prejudicar uma pessoa versus fazer o que lhe convêm particularmente e a capacidade de perdão-desculpa (que leva ao ilusório "inocentamento" do outro e de suas ações), ao passo que o conceito bruxesco de Justiça ("doar-merecer-receber") se baseia em filantropia ou altruísmo por merecimento e o objetivo secundário de responsabilidade e de relação das polaridades (enquanto ponto propulsor do equilíbrio, do amor, da magia, da vida e da criação). Enquanto para os Cristãos a salvação é alcançada pela 'prática do Bem' (isto é, de um bem qualquer que, egoisticamente, leva ao falso bem), para as Bruxas a salvação é obtida pela 'prática da Justiça' (a qual, constituindo a ação do bem comum ou sustentário, está interligada à sabedoria, à coragem e ao equilíbrio, que constituem o Quaternário Hermético), pois, na velha Bruxaria, também se acredita em salvação espiritual no decorrer do processo alquímico-evolutivo que, quando percorrido através da Iniciação, liberta e transforma os mortais ou estado de humanidade em Iniciados e Bruxas ou imortais, sendo que, no decorrer desta escalada, a lei de justiça — tão comum no passado (vide as concepções greco-egípcias de "Sophrosyne", "Dike", "Ius-Dicere", "Hybris", "Maat" e "Philanthropia")  é, implacavelmente, ensinada e reconhecida no íntimo de cada Bruxa ou Iniciado na Bruxaria. Em virtude disso, Bruxas e Iniciados na Bruxaria aprendem a amar a justiça ou bem comum, a Lei das Leis que, diferentemente das pessoas comuns ou mortais em que fogem-na, as Bruxas, compreendendo-a, buscam agir segundo esta ideia ou visão santa transmitida pelo arcanjo Hermes, o "Rei Sábio", no tempo final da Atlântida.

Todavia, Pythagoras — Magus ou Majestade do antigo Clã Pitagórico ao norte da Itália (vide o Clã Pitagórico no tópico da galeria: "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade"), que reencarnou como George Alexander Sullivan na Inglaterra moderna — ensinava uma filosofia semi-libertária, que declarava que: "Enquanto Leis forem necessárias, os mortais não estarão capacitados para a liberdade", o que significa que a liberdade apenas passa a existir verdadeiramente quando aprendemos a agir conforme à Justiça, preceito de Hermes referido como "Conselho das Bruxas" e que Pythagoras, ao ensinar o pitagórico Juramento de Segredo, este ficou publicamente conhecido, mais tarde, como "Juramento de Hippocrates", que declarava "[...] nenhum mal fazer [Non Nocere]e que Gerald Brosseau Gardner, para ocultar tal ensinamento, mencionou a citação do folclórico "Rei Pausole": Se a ninguém prejudicar, faça o que desejar. O arcanjo hierofante Hermes/Hormazd, Fundador da Bruxaria, defendia como preceito ou regra de ouro a Justiça ou Lei de Justiça 
que, ao tratar do segredo para prosperar, ensinou que a prosperidade não é o segredo, mas, sim, o resultado de quando nos educamos às ideias ou formas divinas e vivemos de acordo com a Lei do Justo, a qual, por sua condição de retidão, constitui a obtenção da fertilidade e, não obstante, o verdadeiro caminho para prosperar (ao contrário das pessoas comuns que, ambicionando prosperar, buscam prosperidade por prosperidade e, assim, apelam à desonestidade e caem na agiotagem própria de sofistas e impostores). Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, a Justiça perpassa parcialmente tanto pela democracia como pela aristocracia, pois, o poder, na Bruxaria, é conferido gradualmente a partir do merecimento que possui. Diferentemente da afirmação ignara do feiticeiro ou malfeitor Robert Cochrane, o desejo ou faísca criativa nunca deve ser menor que a necessidade fatal ou autoritarismo; caso contrário, não haverá harmonia e equilíbrio, e seus nomes serão 'injustiça' e 'corrupção', e em prol de uma precedência caracterizada por pecado ou hamartia (situação em que a única chance que resta é agir conforme as externalidades impostas pelo imperialismo arcôntico e, portanto, anti-bruxesco e anti-Trismegistos ou anti-hermético); todavia, o desejo bruxesco não é sinônimo de paixão inferiora ou corrupção (pró-heresia do Eu Inferior que, em função da agonizante prisão no materialismo, acarreta em queda ontológica), mas, sim, do desejo e do amor puros e divinos (pró-heresia do Eu Superior que, por sua sobrenaturalidade ou sutilidade, leva à libertária religação com os Deuses e, assim, à fonte eterna de rejuvenescimento), isto é, a vivência da íntima e permanente conexão com os Deuses, o que, por sua vez, exprime a essência da Bruxaria. Não obstante, neste aspecto, as Bruxas e Iniciados, na Caldeia ou Média, aprendiam que:

A justiça é a vontade da verdade e, a verdade, o conhecimento ou proporção correspondente da realidade. Na prática da justiça, o respeito é o desejo, o equilíbrio é a medida e a harmonia é a finalidade. Com a justiça, instala-se a filantropia ou bem-comum entre os seres e as regras virtuosas de comunhão ou similitude. Grande é a lei de justiça: ela é o altruísmo do geômetra, o mérito do herói e a punição do covarde; portanto, sem a ninguém injustiçar/prejudicar, faça a sua vontade”. 


Desta forma, de acordo com a visão superior ou cósmica, o Conselho das Bruxas ou Justiça jamais buscará prejudicar, por mais que execrações ou punições sejam redigidas — haja visto que estas, quando por ação justa, visam, somente na visão relativa ou individualmente ilusória e distorcida, "causar mal" ou "prejudicar", mas, na visão superior e do bem comum, a tomada de consciência e o crescimento ontológico, considerando que a maldade sem justa-causa do passado, transformam-se, no presente, em tensões e, no futuro, em insanidades, tanto ao autor como à vítima  pois, sua pauta é, como fala Socrates, os interesses do bem comum ou totalizante e o aprendizado resultante deste. No entanto, deve ficar claro que a justiça não se trata da prática de vingança ou cobrança despontada, isto é, de corrupção da Justiça ou pautada em concepção distorcidamente corrupta ou profana da Justiça, além de que muitas pessoas possuem o costume de caracterizar como "injustiça" um ato de desrespeito do ponto de vista pessoal, em função de uma ilusão de ótica que impossibilita ter o conhecimento total da complexidade dos fatos e fenômenos. A justiça ou conselho das bruxas, sobretudo, não permite a fraude e a corrupção e, portanto, todo aquele que for injusto e/ou não se reajustar, concordando ou não, estará fadado à punição cósmico-divina e ao sofrimento terrivelmente maior que, por sua condição de dor e de entorpecimento com as trevas ou escuridão, acarreta na necessidade constante de quebra da ordem cósmica e divina regulada pela justiça em prol de uma desordem de desculpismo e legalismo (como a lei do perdão ou desculpa entre os cristãos) para suportar a ignorância do dano causado e, 
agindo conforme a corrupta lei de mortais ou humanos pensando equivocadamente que esta o é justa, incorre ao acúmulo de maior fatalidade ou fado negativoEm resumo, quando uma doutrina mágico-religiosa é fadada ao senso-comum, o verdadeiro significado profundo ou esotérico é corrompido por opiniões e superstições. Ademais, embora o Conselho das Bruxas seja um dogma libertário, ao mesmo tempo implica em uma medida ou equilíbrio a ser prezado, o qual constitui um compromisso justiceiro e comunitário, ou seja, de caráter comunitário e harmônico-pacifista, considerando que tudo está interligado (na "Grande Teia" ou "Alma do Mundo") e que nós, seres, também possuímos uma responsabilidade iluminista ou luciférica (no sentido autêntico) no universo, em conduzir os fluxos do grande engendramento ou da metódica dança cósmica. Por fim, deve-se lembrar que o Conselho das Bruxas era ensinado na antiguidade dentro dos Clãs da Bruxaria, ainda que de um modo muito mais sapiencial e inteligível.



9)      Como se constitui um Ritual solene ou Cerimonia da Bruxaria?

Um Ritual solene ou uma cerimonia da Bruxaria caracteriza-se, fundamentalmente, por:
1- Purificação Pessoal e Banição;
2- Apropriação do Local e Traçar o Círculo Mágico;
3- 
Chamar os Guardiães dos Quadrantes, para testemunhar o rito, e os do Zênite (a arcanja Sophia/Atena Moria/Iris, a Virgem das Oliveiras e Matrona das Bruxas ou Nutriz de Hermes, outrora encarnada como Maria Madalena, como Margherita de Cássia e como Teresa Sanchez), do Núcleo (o arcanjo hierofante Enoch/Hormazd/Hermes Trismegistos e seu representante neste mundo, o Arquiteto do Mundo ou Demiurgos Tubalcain/Hephaistos, o Antigo "Periclytus" da Bruxaria ou anjo Davul/Daeva-el) e do Nadir (a mãe terrena de Hermes conhecida como Naamah/Ninmah/Hathor-Sekhmet a Aphrodite Pandemos/Melia/Halia/Maia, a "neta da matriarca Lilith"), para proteger o Portal da Lua (representado pelo terceiro pilar, o de Espinheiro, na Tríade das Fadas ou Três Moiras/Cárites);
4- Invocação Teúrgica da Deusa Estelar e do Deus Cornífero;
5- Apagamento das Luzes e Operação Mágica propiciatória (Dança, Cântico, Encantamento, Charme, Projeção, etc.);
6- Celebração do Grande Rito para conceber e receber o Filho Divino (Fascínio, Hieros-Gamos, Casamento Misterioso) e Elevação do Cone de Poder (a partir do Paládio ou "Hekataion", a Estaca Bifurcada que, representando o cordão umbilical do "Axis Mundi" ou Eixo do Mundo, está ligada ao Umbigo do Mundo ou "Omphalos", motivo pelo qual, em determinados ritos, é substituída pelo Caldeirão);
7- Agradecimentos e libações aos Deuses e aos Anjos e a realização do Simpósio ou Banquete Simples (de Bolos e Vinhos, com o típico Churrasco de Carneiro);
8- Desfazer Círculo Mágico e Aterramento e execução de um Conjunto de Rituais próprios à ocasião sabática ou à ocasião missal.

Basicamente, essa é  a constituição dos rituais solenes, na Bruxaria. Pode haver alguma pequena variação, mas a princípio esta é a base de uma cerimonia bruxesca. No primeiro item em que cita-se "purificação pessoal", refere-se às Sete Formas de Purificação na Bruxaria (vide o tópico da galeria: "As Sete Formas de Purificação na Bruxaria") que visam tornar as Bruxas limpas de energias nocivas e prejudiciais que causam o enroscamento da serpente sexual.
Deve-se frisar que a Purificação não está ligada ao "pecado" ("peccatum", significando "tropeço", é tradução pagã latina para referir-se à "Hamartía" ou Hamartia) no sentido abraâmico de exercer a sexualidade; no entanto, a impureza produz a insatisfação e exacerbação dos instintos materiais e, consequentemente, a libertinagem ou depravação ou pecado sexual, que leva à ocorrer uma discrepância ou disfunção entre o mundo sensorial e o mundo inteligível e ao enroscamento da serpente sexual ou Ladon, a qual é responsável pelo progresso mágico-espiritual; ao passo que a purificação, em si, produz a ativação da sensibilidade física ou sensorialidade e, desta forma, a saciação física ou prazer ocorre em conjunção com os poderes intuitivos ou intelectivos, o que, em resultado, leva à vivência de uma sexualidade pleromática e mais próxima da felicidade e, também, à compreensão de que a sexualidade saudável é a experiência física que mais se assemelha e se aproxima do amor espiritual ou superior, além de fortalecer a ascensão da serpente sexual. Além do mais, o termo "puro" advêm do Latim em "purus", procedente de "pueris", que significa 'tornar-se menino' ou beber da fonte da eterna 'juventude', que está ligado às características do Filho Divino (Lucifer/Mitras/Phanes, Attis/Tammuz/Adonis, Horus/
Eros Comus/Hymenaeus ou Protogonos/Prometheus-Pandora), tais como criatividade, inspiração, amor, luz, esplendor, sabedoria, magia, heroísmo, progresso, imortalidade, boa anunciação e cura para todas as doenças, miasmas e venenos. Quando estamos puros ou purificados não ficamos controlados por vícios ou libertinagens nem por especulações ou demagogias, isto é, na pureza não há apego negativo ou, como diz Francis Bacon, fixação imagética ou à ídolos, pois, o que é a purificação senão a fluidez da vida em sua forma mais refinada?! Por tal refinação dos fluxos da vida que dota a purificação constitui, igualmente, uma libertação das dores e sofrimentos que, pela natureza da matéria, tende a causar à sobrenaturalidade ou sutilidade do ser numérico ou monádico que somos. Todavia, a purificação completa ou total significa a 'morte completa', o que, neste caso, além de ser inalcançável em totalidade, tende a ocasionar determinado desequilíbrio físico-extrafísico entre a pessoa e a convivência cotidiana desta no mundo com as demais pessoas e demais ambientes; ao passo que, determinada dose de equilíbrio e bom senso, ajuda a harmonizar e evitar o sofrimento desnecessário que pode acarretar o choque de vibrações contrárias ou distintas.


Práticas de magia naturística, como o uso de suco natural e puro de frutas cítricas, tal como a laranja e o limão, ajudam consideravelmente na purificação prática do corpo físico internamente; além do vinho graspa em que é utilizado durante os Masques ou Missas de Bruxas no Banquete Simples ou Simpósio, da velha Bruxaria, tanto clássica como medieval. Toda Bruxa sabe que, tornar-se apropriadamente puro, é um desafio constante e diário, por isso, na Bruxaria Medieval Pentárquica, assim como na Bruxaria Clássica, ensinava-se que as Sete Formas de Purificação na Bruxaria — que são fórmulas simples e básicas — eram para ser praticadas todos os dias e, fora dos rituais que não exigiam nudez ritualística, também fazia parte da Purificação de Nudez o dístico "...usar roupas limpas", porque ninguém ousaria viver pelado e, ademais, esta purificação refere-se à energia que cobre a aura. As Sete Formas de Purificação das Bruxas visam desenvolver o halo áurico ou auréola de magia na gálea (conhecida como "Caput Galeatum"), a qual se forma com o uso adequado do Selo da Bruxaria, isto é, com a prática da Bruxaria (falamos do Selo da Bruxaria no tópico da galeria: "Os Principais Símbolos da Bruxaria"), para elevação de nosso ser às formas dos Deuses e do Uno. Além do mais, diferentemente do que afirmam alguns pagãos modernos, a Bruxaria não trabalha apenas com "a diversidade", mas, sim, com a pureza, a harmonia na dualidade e a criatividade. Na prática da Bruxaria ou da magia teúrgica usada pelas Bruxas, caso o operador ou oficiante do rito não estiver devidamente purificado pode constituir uma prática altamente perigosa ou arriscada, pois, o mínimo que pode ocorrer é estar vulnerável ou passível de receber punições arcangélicas ou execrações justas dos próprios Deuses, como falavam os antigos pagãos, haja visto que todo ato realizado possui propriedades mágico-espirituais diretas ou indiretamente correspondentes e, neste caso, estar impuro significa estar ligado à temperança caótica e à escuridão que, por seu caráter inferior à hierarquia divina e latrocinadamente vampirizador da ambrosia desta, recebe a colheita fatalmente penosa em conformidade com suas ações caoticamente produtoras de obscuridade e dor, logo ignorância e mortalidade (tendo ciência que a claridade e luz trazem conhecimento e o prazer e euforia, crescimento). Todo ato, pensamento ou sentimento puro ou impuro, por seu caráter mágico, automaticamente se co-associa e forma ligadura à seu campo vibratório equivalente e, consequentemente, ambos compartilham, em planos mais sutis, suas vibrações e energias, o que resulta, no caso de impureza, em co-associação e ligadura à seu campo equivalente e, assim, causa infecção áurica (que leva à asma, a doença de feiticeiro ou de quem se associa à feiticeiros e, consequentemente, perde a santíssima Fonte da Juventude Eterna e o próprio Graal).



10)      A Bruxaria possui Dogmas e Crenças? Se sim, quais são?

Primeiramente, precisamos entender o que são "Dogmas", para termos clareza e não reproduzirmos concepções falsas e irreais. Para entendermos isso, precisamos explicitar as tradições religiosas do Ocidente em que se embasa nossa cultura ocidental. O termo "dogma" advém da Língua Grega, em "Dogma" ("δόγμα"), que significa "aquilo que aparenta, crença ou opinião", derivado do verbo "Dokeo" ("δοκέω"), que refere-se à "pensar, supor ou preconceber", sendo que este verbo está ligado ao derivado "Doxa" ("δόξα"), o qual, por sua vez, designa à "opinião, tese ou suposição" e que, não obstante, as religiões de massa — portanto proselitistas, públicas e dominantes — costumam atribuir às suas crenças particulares, devido à uma maior relevância destas em comparação ou semi-contraposição às suas práticas religiosas ou mágico-espiritualistas. No entanto, diferentemente das religiões de massa, a Bruxaria  enquanto religião de segredos que é  não ensina "opiniões", "teses", "suposições" ou "preconcepções", ou seja, a Bruxaria possui crenças que são baseadas na tomada de conhecimento transcendente, isto é, uma crença bruxesca só é crença a partir do momento em que esta apresenta evidência como verdade factual, que designa não uma "verdade pessoal" ou opinião, mas, sim, substancial e provável através de investigação ocultista ou espiritual e que, desta forma, constitui uma certeza. Diferentemente das crenças da Bruxaria, as crenças do Cristianismo se pautam na "fé sem conhecimento" ou "fé cega" ou "fé no impossível", à espera de um milagre fantasioso que nunca ou que raramente ocorre, para somente depois obter as experiências e práticas com o sagrado e, consequentemente, a sabedoria prática e o conhecimento sagrado resultante da experiência, o que, para manter a crença estável no primeiro estágio desta forma de funcionamento gnosiológico, é necessário que haja uma autoridade imperativa que fiscalize e detetive o pensamento automático de seus adeptos diante da dúvida que se apresenta, se realmente haverá ou não um milagre tal como imposto proseliticamente pelos seus sacerdotes, padres ou pastores. Este é o padrão gnosiológico de funcionamento de muitas, se não de todas, as religiões de massa, de caráter público e proselitista, portanto sua postura é o que geralmente caracteriza-se como "dogmatismo" ou "religião dogmática"

Em contraposição à esta postura e forma de funcionamento, na Bruxaria as crenças são adquiridas com a prática, ou seja, com o conhecimento por meio da prática adquire-se experiências que trarão sabedoria aos seus adeptos e, consequentemente, a crença convicta ou certeza decorrente do contato vivenciado, o que, em consequência, não há necessidade de uma autoridade imperativa que fiscalize ou detetive seus adeptos, muito pelo contrário, na Bruxaria há maior liberdade em professar a religião por parte de seus adeptos, todavia, há, por outro lado, maior responsabilidade e senso de autoconsciência do que nas religiões de massa. Desta forma, na Bruxaria não há "dogmas" no sentido de "opiniões", "teses", "suposições" ou "preconcepções" ou na perspectiva em que as religiões de massa dão aos seus dogmas particulares. Na Bruxaria há, no entanto, "dogmas" no sentido de crenças certificadas ou certezas, isto é, que há consonância com o conhecimento, sendo que tais crenças certificadas ou certezas decorrentes do conhecimento, legam aos adeptos da Bruxaria, a "doutrina" ou "disciplina" de autoconhecimento e conhecimento da natureza e do cosmos, que está calcada na Lei bruxesca ensinada pelo arcanjo e hierofante Hermes Trismegistos  a Justiça — que, para chegar à sua prática ("Audere" ou "Audere Iustitiam", ousar a justiça), é necessário antes a Sabedoria ("Noscere", saber) e a Coragem ("Velle", querer) para, somente depois, chegarmos ao Equilíbrio ou Temperança ("Tacere", silenciar), ponto propulsor do amor, da magia, da vida, da criação, da arte e da beleza na construção da Hermópolis celestial ou Calípole ideal; como bem pontuou Socrates sobre as Quatro Castas Civilizatórias Bruxesco-danaides ensinadas por Hermes Trismegistos (comum na tradição do Oriente), e o Quaternário dos Ensinamentos de Hermes Trismegistos/Hormazd, ao estabelecer o "Magistério da Bruxaria" ou "Magistério da Arte"


Além disso, o relevante, na Bruxaria, não é a crença propriamente dita, mas, sim, a prática, pois, a crença ou confiança apenas será obtida quando acessamos o conhecimento espiritual, o qual só é possível praticando, estudando, aprendendo e se permitindo que as transformações ocorram. Caso contrário, poder-se-ia ficar à espera de um suposto milagre ou de um salvador hipotético, provando, assim, a vaidade ou pacatez de si mesmo. Também, na Bruxaria, embora que as pessoas comuns sejam referidas como "mortais" ou "profanos" devido seu estado ontológico que se encontram, nenhum ser vivo é condenado ou queimado como "pecador" ou como "em débito com Deus", pois, somos responsáveis pelo nosso próprio destino e pelas nossas colheitas pessoais e comunitárias, as quais podem ser tanto boas quanto más, dependendo de nosso esforço e de nosso plantio. Desta maneira, autopunição  enquanto vaidade que é  não resolve situação alguma e nem mesmo sequer ajusta uma falha, pecado, hamartia ou erro qualquer cometido, pois, embora a perfeição seja o estado ideal, nenhum ser é totalmente perfeito, caso contrário deixaria de ser; em outras palavras, o caminho para a fortuna ou prosperidade da vida se dá somente quando revemos nossos erros e acertos sem condenação e, assim, tomamos as decisões necessárias para a concretização dos ideais superiores. Contudo, a universal lei de Justiça nos ensina, nós adeptos da Bruxaria, que nada no cosmos ocorre por acaso, somos co-responsáveis e co-criadores de nossa realidade, o que, em virtude disso, necessita-se de maturidade para aceitar as conquistas e derrotas sempre de cabeça erguida, como afirmou William Shakespeare. Neste sentido, as crenças da Bruxaria  quer o chame de dogmas ou não, desde que se entenda os pilares ou bases da Bruxaria (apesar de que "dogmas" dão impressão de constituírem produtos de fanatismo)  podem haver pequenas variações de Clã para Clã, mas, a princípio, todas as que serão citadas abaixo estavam presentes na Bruxaria em tempos pré-cristãos (embora hajam algumas pessoas materialistas na modernidade que "desconhecem"), são elas:  
  • Crença no renascimento do espírito (às vezes chamada de Reencarnação, ou Palingenesia, ou Metempsicose; pois, a medida que as sociedades humanas se transformam, novos conceitos surgem para delinear as crenças já existentes a partir de uma definição mais sucintamente entendível e compreensível). Neste item, deve-se lembrar que a crença em reencarnação ou palingenesia/metempsicose, para a Bruxaria, não se trata de uma "mera utopia" ou "especulação" ou "falsa crença", mas, sim, uma verdade tão firme e concreta para as Bruxas como a "ressurreição divina" de Jesus Cristos para os Cristãos (o que, consequentemente, difere-se consideravelmente dos ditos movimentos neopagãos ecléticos que, influenciados por toda espécie de práticas indignas e goéticas de base nas mosaico-ecléticas Igreja Católica Gnóstico-Thelêmica e Tradição Cochraniana 1734 e sua Igreja Celta "Antiga", fazem apelo ao ecletismo e à crença de base cética e agnóstica — ao invés do autêntico paganismo e politeísmo gnóstico — sob a qual nunca acreditaram internamente senão por dogmatismo e aparência externa).
  • Crença monista (e, manifestadamente, politeísta) em uma força motriz superior ou divina que está acima de todas as coisas (transcendência) e que, ao mesmo tempo, envolve em diferentes níveis de proximidade com todas as coisas (imanência) e que, por tais características, todas as coisas existentes ou não existentes são consideradas sagradas, pois, participam  ainda que reduzida ou aproximadamente  dos Deuses, o aspecto da trina emanação, e do Uno ou Divindade Suprema, o aspecto transcendente. No entanto, também é possível perceber, além da crença monista, determinada crença semi-dualista na doutrina da velha Bruxaria, pois, inegavelmente, há diferenciação entre a condição de sagrado universal, a sacralidade cósmico-divina, que compreende tanto o mundo inferior quanto o superior, versus a santidade ou heroísmo ou caráter sagrado que refere-se ao templo ou santuário, o espaço ritualístico consagrado estritamente aos Deuses e ao Uno, para a religação ou religião com a divindade e a fonte desta: esta crença semi-dualística, também presente na antiguidade, deve-se ao fato da discrepância cósmica entre os níveis alquímicos de energia, da sobrenaturalidade ou sutilidade à natureza ou matéria, ou seja, a densidade ou condensação entre a unidade e a multiplicidade. Também, na velha Bruxaria é mantido um espaço natural, que inclui lagos, riachos, fontes, colinas, menires, florestas e campos, em que é demarcado por três milhas de diâmetro  que dá-se o nome de Têmenos ou Nematon  ao redor do santuário ou do núcleo ritualístico, que pode possuir um Templo fisicamente construído com o núcleo do Aedes sem coberto (conforme ensinam os velhos costumes da Bruxaria) ou apenas um santuário natural em forma de clareira. Na idade média, por exemplo, Templos fisicamente construídos, apesar de também haver, eram evitados em função das perseguições da Igreja Católica de Roma, a partir do momento em que esta decretou o fechamento dos Templos pagãos e a proibição de adoração politeístico-bruxesca. Assim, o poeta pagão, Publius Vergilus Maro, indagou-se em estado contemplativo acerca do cosmos e da crença monista:

    “De onde emanam todas as coisas, os humanos, os animais, o fogo, a chuva e a neve? De onde emanam os terremotos que, por todo o oceano, se agitam sobre suas ribeiras para de novo retroceder? De onde vem a força das ervas, a coragem e a ira dos fortes? De onde vêm todos os tipos de pedras, coisas rastejantes e frutas? Como em grande pressa, o que faz as estrelas douradas marcharem tão rápido? O que faz a Lua, às vezes, esconder o rosto e também o Sol como que por uma desgraça? Como o Sol rege com doze signos do zodíaco, o orbe, cuja circunferência é medida com linhas, faz o céu estrelado se tornar conhecido, e estranhos eclipses do Sol e a Lua, Arcturos também, e as estrelas de chuva, as sete estrelas igualmente. Porque o Sol de inverno se volta para o oeste tão rápido? O que torna as noites tão longas antes de acabarem?  E assim, contemplando os céus, podemos prever todas as estações, o tempo de colher e o tempo de semear. E o momento de às profundezas se lançar, e na batalha proceder, e de, na harmonia, adormecer, e o momento de, às árvores, fazer ruir, para depois, de novo, plantar e de seus bens fruir!” (VIRGILIUS).

    Autores clássicos da filosofia, os quais estudavam a natureza e cuja sua ciência principal de estudo ficou conhecida posteriormente como "Física", ao falar da Fonte de Todas as Coisas ou Uno, afirmaram que: “A noite segue o dia. As estações do ano sucedem-se uma à outra. As plantas e os animais nascem, crescem e morrem. Diante desse espetáculo cotidiano da natureza, o homem manifesta sentimentos variados – medo, resignação, incompreensão, admiração e perplexidade. E são precisamente esses sentimentos que acabam por levá-lo ao gosto pela sabedoria ou filosofia. O espanto inicial traduz-se em perguntas intrigantes: O que é essa Natureza, que apresenta tantas variações? Ela possui um cosmo ou é um caos sem nexo?”. Ainda, o filósofo  Diogenes de Apolônia, destacou que: “Todas as coisas são diferenciações de uma mesma coisa e são a mesma coisa. E isto é evidente. Porque se as coisas que são agora neste mundo  terra, água, ar e fogo e as outras coisas que se manifestam neste mundo , se alguma destas coisas fosse diferente de qualquer outra, diferente em sua natureza própria e se não permanecesse a mesma coisa em suas muitas mudanças e diferenciações, então não poderiam as coisas, de nenhuma maneira, misturar-se umas as outras, nem fazer bem ou mal umas as outras, nem a planta poderia brotar da terra, nem um animal ou qualquer outra coisa vir a existência, se todas as coisas não fossem compostas de modo a serem as mesmas. Todas as coisas nascem, através de diferenciações, de uma mesma coisa, ora em uma forma, ora em outra, retomando sempre a mesma coisa” (DIOGENES DE APOLÔNIA).


    Deste modo, em processos alquímicos todas as coisas do cosmos são diferentes estágios de transformação desta criação, embora a matéria está indiretamente associada às forças inferiores e negativas e o espírito, indiretamente associado às forças superiores e positivas (isso constitui um dos ensinamentos da velha Bruxaria). Esse ensinamento pode ser verificado a partir de uma breve análise aos Sete Planos de Existência 
    — que no topo está o Plano Máximo, cuja característica é extrafísica e, no mais baixo nível, está o Plano Físico que, como o nome já diz, caracteriza-se pela matéria  ou mesmo pela trindade dos Deuses, da Bruxaria, que o ato de criação constitui em uma experiência de materialização do ser e, consecutivamente, um retorno cíclico ao Uno ou Fonte de Todas as Coisas (essa "materialização do ser" nada mais é que o processo cíclico de nascimento-morte-ressurreição). A Bruxaria ensina que há Sete Planos de Existência, são eles: 7- Plano Físico ou Material, 6- Plano Elemental ou das Forças, 5- Plano Astral, 4- Plano Mental, 3- Plano Espiritual, 2- Plano Heroico ou Divino, e 1- Plano Máximo.
  • Crença e magia nos poderes dos cinco elementos e nos elementais, os chamados "Daemons" ou "Daimones", que são criaturas elementais que presidem todos os elementos da natureza, como os Silfos e Sílfides ou Paraldas (criaturas elementais do ar), as Fadas ou Moiras ou Nereidas e Nisaeus ou Nixes (criaturas elementais da água), os Gnomos ou Duendes ou Gobelinos (criaturas elementais da terra), as Salamandras ou Janaras ou Janas e Gênios (criaturas elementais do fogo) e os Anjos e Anjanas ou Anjas (criaturas espirituais do éter ou quintessência), os quais são constituídos por diversas hierarquias que regem os diversos lugares do cosmos. Há hierarquias de daimones que vivem próximos aos humanos, em habitações, e até mesmo descendentes de seres, outras vivem em lugares distantes, outras nos caminhos, outras como soldados, outras em menires e pedras, outros que vivem no fogo, os arcanjos em astros e galáxias, etc. Gnomos ou duendes são muito mais inferiores em poderes celestiais, ao passo que os anjos abundam e as fadas ou nereidas inspiram. Silfos, por sua composição aérea, estão acima dos duendes e das fadas, em potência progressiva. Os daimones podem ser tanto bons quanto maus com os humanos, dependendo da nossa relação com eles, embora no geral possuem determinado senso de justiça, proteção e orientação.

    Vale lembrar que um dragão, uma fada, um gênio, etc., não são títulos ou classificações particulares, mas, sim, a hierarquia cósmica em que esses seres se encontram (tal como o caráter intrínseco de ser bruxa ou iniciado, de ser adivinho ou de ser santo ou herói). É óbvio que a hierarquia cósmica não se escolhe, adentra-se conforme o merecimento. Todos os seres possuem sua "Companhia Oculta", um conjunto de seres de várias hierarquias do universo em que permanecem anímica ou espiritualmente ligados, bem como de vidas passadas, não apenas terrenas, mas, principalmente, dos mundos que vivemos anteriormente à entrada no ciclo de reencarnações na terra. Assim, um daemon é um espírito qualquer ou entidade, bem como um ser de um elemento da natureza, como terra, ar, fogo ou água. Na Bruxaria, ao trabalhar com os Elementos da Natureza, estes são simbolizados por "Sólidos", que ficaram famosos como "Sólidos Platônicos", que representam a massa específica que cada elemento comporta (da mesma forma que as massas denominadas "Tattwas" na numerologia Hindu Sânquia), tal como o elemento terra, representado pelo Cubo; o elemento fogo, pelo Tetraedro; o elemento ar, pelo Octaedro; o elemento água, pelo Icosaedro; e o elemento éter ou quintessência, pelo Dodecaedro; sendo utilizados cada representação e cada nome dos Sólidos para invocar a força de cada um dos elementos da natureza em ritos e encantamentos. Os Cinco Elementos da Natureza ou Matéria (Quintessência, Fogo, Ar, Água e Terra) não são apenas composições físicas, mas, sim, condensações ou expressões condensadas das cinco ideias ou formas divinas principais, conhecidas, na Bruxaria, como "Cinco Parúsias ou Faces do Deus Cornífero [Dionysos/Osiris Bakha ou Apollon Paion/Pan]" que, por ordem, são: Nous, a razão; Ennoia, a mente; Phronesis, a inteligência; Enthymisis, o pensamento; e Logismos, a compreensão.

    Também, na Bruxaria, os elementos da natureza são dispostos em representação com cada quadrante do Círculo Mágico, onde tradicionalmente a terra é representada ao norte, fogo ao leste, ar ao sul e água ao oeste porque — alquimicamente, para construir, imantar ou descer — o fogo em atividade transforma-se em ar, o ar em condensação se umidifica ou torna-se água, a água em condensação se solidifica ou torna-se terra, onde surgem ou se materializam todas as coisas. Alquimicamente, para destruir, purificar ou subir, este mesmo círculo elementar é utilizado, no entanto, em sentido anti-horário, pois, a terra suga a água, a água evapora ou torna-se ar, o ar apaga o fogo, o fogo desfaz a terra. (Tal ordem de disposição dos elementos nos quadrantes constitui um dos ensinamentos da velha Bruxaria, pois, para fazer magia, é um antigo conhecimento básico. Por isso, por exemplo, para fazer uma Antipatia o círculo deve movimentar em sentido anti-horário ou sinistrogiro, isto é, primeiro deve trabalhar com a água, depois o ar, a seguir o fogo, e por fim a terra. Enquanto isso, para fazer uma Simpatia o círculo deve movimentar em sentido horário ou dextrogiro, ou seja, deve trabalhar primeiro com a terra, depois o fogo, a seguir o ar, e por fim a água; que equivale ao Quaternário dos Ensinamentos de Hermes Trismegistos). Destarte, o cosmos é como uma espécie de corpo infinito em desenvolvimento e onde todos os seus átomos ou células encontram-se em um estágio evolutivo, pois não são parados ou "acabados", mas, sim, em movimento, cada qual dançando em volta do eixo de rotação a que serve e produzindo sua própria melodia ou ritmo; e aqueles seres que se desencontram de seu próprio eixo são reordenados e restituídos novamente em suas funções, para aprender e superar os desafios que se apresentam; isso tudo para o crescimento individual e coletivo da totalidade.

    Em resumo, os daimones elementais ou criaturas elementais são obreiros ou operários da vivacidade e da vitalidade da natureza e dos poderes e capacidades de dar vida, da vegetação à prosperidade, sendo responsáveis pela conjunção da divina "seiva fértil", o "dínamo" ou "éter", isto é, a chama vital que corre em todas as coisas e que, descendentemente, advém dos Anjos e Anjanas, os quais, sendo daimones espirituais, são responsáveis pela recepção e distribuição das ideias ou formas divinas transmitidas pelos Devas ou Deidades Menores que, precedentemente, recebem dos Arcanjos ou Asuras/Regentes e que são originadas dos Deuses e do Uno (ou seja, as ideias ou associações encadeadas de intuição divina são, gradualmente, condensadas e densificadas alquimicamente em elementos que, de caráter sensorial, são materializados conforme o nível de tempo e de espaço densificador de cada reino ontológico); ao passo que o estudo integral das nove esferas ontológicas que circundam o cosmos, incluindo os quatro reinos de daimones elementais da natureza (Gnomos, Fadas, Silfos e Gênios), o reino de daimones espirituais ou Anjos e os quatro reinos de Devas, Arcanjos, Deuses e Mônada, é compreendido pelos saberes quadrívios e sua ciência alquímica e pelos saberes trívios e sua ciência metafísica, da Filosofia Antiga. Os Anjos ou Guardiães da Bruxaria são uma hierarquia de daimones diferentes, pois, também, são responsáveis pelo fado ou destino, como incumbência, e são liderados por um arcanjo, Hermes Trismegistos, o "Masterios" ou Fundador da Bruxaria e do "Magistério da Bruxaria" ou "Magistério da Arte" entre os patriotas do Antigo Egito e Grécia e que florescera mais intensamente na Céltica/Cítia. Segundo os mitos da Bruxaria, a descendência ou linhagem das Bruxas é composta a partir dos Anjos e Arcanjos que encarnaram na raça sílfide, na raça genial e na raça feérica, motivo pelo qual as Bruxas foram, e ainda são, confundidas e assemelhadas com as Anjanas (criaturas angelicais), com as Janas ou Janaras (criaturas ígneas) e com as Fadas ou Moiras (criaturas aquáticas) na literatura folclórica medieval da Europa. 
  • Crença ontologista: Que todas as coisas da natureza possuem uma vibração ou energia que habita, isto é, uma força interior ou uma potência pulsante que, por sua vez, pode ser uma alma, uma energia ou um minério e que, portanto, ainda que nem tudo seja existente ou que esteja vivendo uma existência, nada no cosmos é ausente de vida ou de vibração. Entretanto, não deve ser confundido com Animismo, a superstição produzida pela mescla entre o desejo e a ignorância e de que estão imersas as pessoas fundamentalistas, os tribalistas ou xamãs e os ditos "cientificistas" antropólogos, os quais, reproduzindo ignorância e superstições, sequer possuem clareza do que afirmam, muito menos contato espiritual e consciência para saber e discernir de fato; pois, considerando que o animismo consiste na generalização de que todas as coisas possuem uma anima ou alma ou psiquê, o que, observando o exemplo dos daimones ou criaturas vegetais e dos daimones minerais, constitui um equívoco, visto que estes daimones ou criaturas ainda não possuem alma ou psiquê em seu estágio evolutivo que se encontram e que, assim como as atuais criaturas humanas em seu mais primitivo atavismo passaram pelos reinos mineral, vegetal e animal, as criaturas minerais e vegetais ainda não passaram pela animalidade, diferentemente do homem que, vivendo no reino hominal, está passando pelo desenvolvimento da razão ou consciência.
  • Crença politeísta e culto ou latria e magia aos Deuses: a Deusa Virgem-Mãe (ou Deusa Tripla Estelar) e o Deus Cornífero (ou Deus de Chifres do Sol). O culto da Bruxaria é exclusivo ao Deus Cornífero e à Deusa Virgem-Mãe (ou Deusa Tripla) em seu conjunto de Nomes Secretos e, em determinados momentos, ao Filho Divino (ou Criança Divina, cujo seu símbolo é a fênix ou pássaro do advento de despertar da consciência e de iluminação). Em resumo, o culto bruxesco constitui estritamente uma espécie de "duo-latria" ou "tri-latria" aos Deuses, ou seja, um culto caracterizadamente à dois ou três Deuses: o Deus Cornífero, a Deusa Virgem Mãe e, às vezes, ao Filho Divino que, em essência, são emanações ou desdobramentos ontológicos do altíssimo Uno ou Divindade Única e Suprema. Além disso, a adoração aos Deuses, na Bruxaria, não trata-se da glorificação ou do louvor despontado à exterioridade (tal como vemos no Cristianismo e nas religiões amarniano-mosaicas), mas, sim, de uma exaltação íntima ou contemplação que surge a partir de estados sutis de consciência e se expande em uma euforia interna que, sob o controle da vontade consciente, leva ao êxtase de espírito; pois, as Bruxas e Iniciados, por sua sintonia frequencial de caráter sobrenatural ou sutil, sentem os estados das ideias ou princípios divinos com muito mais intensidade do que as pessoas comuns e, portanto, a adoração aos Deuses se converte em energia íntima e, assim, não é glorificada ou louvada despontadamente à exterioridade material, como nas religiões amarniano-mosaicas (como é o caso do Cristianismo).

    Também, é
     importante lembrar que, na Bruxaria, os Anjos ou Deidades Menores, isto é, seres que não se fundiram à hierarquia divina, não recebem culto ou adoração; assim como, também, demônios ou espíritos maléficos não recebem honrarias, muito menos culto ou veneração. Neste aspecto, pode-se citar, como exemplo, o caso do dito Herne o Caçador ou Arlequim que, como diz William Shakespeare, o primeiro a citá-lo, tal personagem fora uma pessoa real chamada Richard Horne que, por sua vida profana na caça conjuntamente à espíritos demoníacos, tornou-se um fantasma e que, por haver chifres, isto é, poder, não significa que é o bondoso Deus Cornífero: tal associação irreal e descabivelmente fantasmagórica (afinal, não é de hoje que as pessoas alegam cultuar uma deidade e, em contraposição, prestam culto semi-conscientemente à demônios ou ídolos ou espíritos que sequer possuem relação com a hierarquia divina), inventada por charlatões e enganadores das trevas, é uma abominação e desrespeito ao próprio grandioso Deus Cornífero que, para quem realmente conhece o Inefável Cornífero das Bruxas, possui consciência de que os Chifres do Senhor são caracteristicamente benéficos e diviníssimos, não profanadamente mortais ou mundanos e, não obstante, Seus Divinos Chifres constituem a virtuosa sinfonia de conexão cósmica luni-solar sideral ou estelar (tal como Moises que, ao receber os judaicos Dez Mandamentos — uma réplica resumida das bruxescas Quarenta e Duas Confissões de Justiça — do Deus pagão-hebraizado Jehovah-Nissi [isto é, o Deus das Bruxas e Iniciados: Zeus do Monte Nysa/Sinai, o Dio-nysos], desceu do Monte Nysa/Sinai com dois chifres luminosos em sua cabeça). Deste modo, as Bruxas e Iniciados da Bruxaria não honram nem adoram demônios ou espíritos maléficos quaisquer que sejam nem veneram espíritos ou seres da natureza, sendo que, tal atitude anti-bruxesca e pecaminosamente ofensiva à divindade e à superioridade dos Deuses, encorajada por zombeteiros e bárbaros que desejam distorcer as coisas justas e santas, contraria fundamentalmente a Lei do Justo, de Hermes (o Fundador da Bruxaria). 
  • Honra ou dulia e magia aos Deuses menores ou Anjos ou Guardiães dos Portais (e, também, em datas específicas, aos Ancestrais da Bruxaria; pois, tradicionalmente, na Bruxaria não existe adoração aos ancestrais de família ou parentesco; existe apenas honra aos ancestrais da Bruxaria, eis a diferença!). Os Guardiães ou Anjos são dispensadores do fado ou fatalidade ou destino à todos os seres vivos e, também, os Guardiães da Bruxaria e Guardiães do Corpo do Deus Cornífero, que dão acesso à egrégora bruxesca a partir do reconhecimento de quem é Bruxa ou Iniciado, isto é, quem possui ou não o Selo da Bruxaria, de onde vem todo o poder angélico-divino que as Bruxas operam. 
  • Crença panteísta: Que os Deuses e, principalmente, o Uno estão presentes em tudo e se manifestam em toda parte da Natureza e do Cosmos e, portanto, tudo na Natureza e no Cosmos é sagrado e possuidor de uma fagulha divina ou chama divina.
  • Crença e prática dos dois sacramentos mágico-religiosos principais da Bruxaria ou Arte dos Sábios: a manifestação do Deus e da Deusa entre as Bruxas e Iniciados e, também, a realização do casamento alquímico-espiritual entre os sacerdotes e/ou sacerdotisas da Antiga Religião (que inclui a compreensão filosófica e prática de Magia Sexual).
  • Orientação pagã: Que a adoração ou culto aos Deuses deve ser realizada sempre ao ar livre, isto é, no "Campesinato" ("Pagus", "Pagi", "Paga" ou "Pays", do Latim; de onde deriva o termo 'pagão' ou 'gentio', isto é, um participante do campesinato de um conventículo/geno: vide o tópico da galeria, "O Que é um Conventículo?"); pois, caso contrário, não há livre circulação sideral telúrico-astrológica de energia necessária entre as Bruxas, adoradores telúricos, e os Deuses, alvo celestial de adoração. De acordo com as antigas Leis da Bruxaria, os Deuses jamais devem ser adorados ou cultuados em locais fechados e, por este motivo, os Templos bruxescos possuíam o Santuário ou Aedes, o núcleo do Templo, sem nenhuma cobertura (da mesma forma como imitam os Templos Rosacruzes), considerando que Tubalcain, o pai-irmão de Hermes (o Fundador da Bruxaria), proibia o uso de recintos com teto e cavernas para realização de ritos (assim como também para habitação), por motivos ocultística ou filosoficamente óbvios relacionados à magia estelar (razão pela qual as Bruxas possuem o velho costume de usar o "Chapéu de Bruxa", não apenas em determinadas situações do dia-a-dia, mas, também, no decorrer de muitos ritos); pois, as antigas Bruxas e Iniciados acreditavam que os Deuses possuíam sua morada nos céus e que, a partir de uma colina mais alta ou Olimpos, os santos ou heróis e imortais podiam ter acesso à cristalina Mansão dos Deuses. Desta forma, o Campesinato, onde é realizado o culto ou adoração aos Deuses, pode incluir bosques, colinas, montanhas, rios, lagos, fontes, grutas, riachos, florestas de carvalhos, abetos ou pinheiros, freixos, espinheiros, álamos, macieiras, videiras, aveleiras, cerejeiras, figueiras e outras plantas paisagísticas de virtudes herbológicas e vilas ou casas provinciais que, no caso da Bruxaria, o território é estritamente demarcado.

    Contanto, o paganismo ou orientação pagã consiste em uma orientação da religiosidade ou religião para a adoração ou culto por meio do campesinato ou natureza ao ar livre que, por sua condição, não deve ser confundido, na Bruxaria, paganismo com adoração ou culto à natureza ou matéria em si, pois, diferentemente dos profanos ou pessoas comuns em que dirigem adoração à natureza ou matéria, o culto da Bruxaria é dirigido estritamente aos Deuses que, ao tornar-se pleno e preenchido de amor aos Deuses, irradia tal panaceia de amor e elixir de cura refletidamente na natureza ou matéria. Não obstante, um pagão, na Bruxaria, diferentemente da concepção moderna distorcidamente influenciada pela visão deturpada propagada pelo Cristianismo, não adora a terra ou realiza idolatria e nem mesmo o é materialista (crendices hipócritas atribuídas aos pagãos pelo Cristianismo fundamentalista e que, muitas vezes, são reproduzidas pelos leigos e crentes seguidores), considerando que ser pagão não significa se focar na terra (ideologia Cristã petrina falsamente atribuída aos pagãos), visto que a orientação pagã bruxesca, como ensinada por Hermes Trismegistos (e Tubalcain), está intimamente ligada ao desencavernamento do ser e com a livre influência dos astros celestes e forças divinas que são liberadas dos céus à terra, durante os ritos da Bruxaria (por isso, faz-se uso do Chapéu-de-Bruxa). Além disso, deve-se lembrar que o paganismo, em si mesmo, não denota em hipótese alguma qualquer forma de politeísmo, ou seja, não significa que, por a Bruxaria ser pagã e politeísta, que as demais formas de paganismo sejam também politeístas, pois, levando em conta que, originalmente, o termo pagão era sinônimo pré-cristão no antigo Império Romano de "Peregrino" (do Latim: "per"-, pelo ou por meio; "agros", campinas) ou pessoa que perambula no Campesinato; pagãos, conforme a antiga concepção, podem existir em quaisquer religiões, independente de serem politeístas ou não, sendo que o próprio costume de algumas religiões amarniano-mosaicas ou meso-pagãs, como o Cristianismo, em realizar cultos ou adorações por meio de grutas e fontes de água ao ar livre, trata-se de uma prática que é, essencialmente, pagã por si mesma.

    Em resumo, a palavra "Pagão" é terminologia romana alternativa para "Peregrinus" (literalmente 'aquele que anda sob o Pagus/Agros/Fanum/Nemeton'), isto é, pessoas que, por não conciliar com a romana "Ius Civile" ou Direito Civil Monárquico nem participar da política plutocrática e senatorial do Império, agiam conforme a aristo-democrática 'Lei dos Gregos' ou 'Lei dos Gentios' ("Jus Gentium" ou "Ius Gentium", a Lei das Leis, a Justiça ou Bem Comum; ao passo que, a "Ius Civile" ou Direito Civil, era a segunda Lei da alta-sociedade política plutocrática e senatorial romana que designava a particularidade do império) e, portanto, integravam a "Coloniae" ou Colônia/Pago/Campesinato/Têmenos, o qual, este último, estava composto por "Municipia" ou Municípios/Províncias sob a liderança dos "Praetor Peregrinus" ou "Civitates Peregrinae" ou Pretores/Fratres Peregrinos que, por sua condição de autoridade sociocultural em cada província, atuavam como líderes legisladores e referências religiosas (isto é, sua autoridade era similar à do "Pater" ou Padre na alta-sociedade política e senatorial do Império que, depois, a Igreja adotou o título em referência aos seus sacerdotes) e que, no espaço do Campesinato, no caso da Bruxaria, liderava os ritos sagrados ao ar-livre ou em templo sem-teto ao meio (pois, as Leis da Bruxaria proibiam e ainda proibem realizar rituais em cavernas ou locais fechados, de modo que possa receber a energia estelar sobre o corpo físico do adorador, assim como a utilidade do Chapéu-de-bruxa, atualmente estereotipado). 
  • Respeito e observação às antigas Leis da Bruxaria (cuja base são as Quarenta e Duas Confissões de Justiça e as Sete Leis Herméticas em que estão sintetizadas na antiga "Lei de Gentio ou Grego" — a Justiça — e do Sacro Império Romano, a qual fora preservada na Ordem Rosacruz original e, parcialmente, na Ordem Maçônica Fraco-escocesa), aos Ensinamentos Driádicos ou Druídicos (ensinamentos dos Epoptas ou Druidas/Dríades, isto é, os Santos e Heroínas ou quem possui o último Grau da Bruxaria) e às Ordens de cada Clã, decretados por seu Magus/Majestade e/ou por sua Rainha das Bruxas, conforme as situações (tal como ocorrera, ao final da idade média, com a perseguição religiosa, ao serem estabelecidas as Ordenações pós-medievais da Bruxaria, de que cita Gerald Brosseau Gardner). Por exemplo, uma das basilares proibições à uma Bruxa ou Iniciado era, e ainda é, a rejeição de prestar todo e qualquer juramento ou promessa profana que não fosse o iniciático Juramento de Sacerdócio aos Deuses (que incluía-se o rito "Renegando a Coroa Imperial" e o rito "Juramento de Segredo" à Bruxaria e seus Irmãos), o que, consequentemente, para ser iniciado, na Bruxaria genuinamente Tradicional, é rejeitado todo e qualquer juramento, promessa ou associação que tenha sido realizado ou compactuado no passado (por isso, caso um iniciante tenha sido Cristão ou adepto de qualquer outra religião de massa ou seita de seguidores ou de bárbaros/animistas anteriormente à sua Iniciação na Bruxaria, durante este momento, a pessoa que está sendo Iniciada na Bruxaria, joga ao chão a Coroa de Imperador e os seus símbolos caótico-imperialistas deste mundo e, ao pisoteá-los para realçar a transitoriedade e a inferioridade destes perante à Bruxaria ou Divinos Mistérios, expressa-se tanto verbal quanto antipaticamente seus sentimentos de recusa aos adornos malévolos e ao materialismo que oprimem a autêntica busca interior de íntima conexão com os Deuses), pois, a Iniciação em si, é literalmente uma morte à mundanidade e um renascimento à espiritualidade de gnose. 
  • Crença na descida ao Mundo Inferior ou Submundo que, conforme nossos atos e aprendizados obtidos, podemos construir tanto um bom fado quanto uma má fatalidade, sendo que, no caso dos "Bons Cavalheiros" ou "Boas Damas", isto é, os Heróis ou Santos, Sacerdotes, Bruxas, Adivinhos, Beatos ou Druidas, adentrarão aos "Campos Elíseos" ou "Ilha dos Bem-Aventurados" ou "Paraíso" (termo que, apesar do uso entre as religiões amarniano-mosaicas, é originalmente pagão), também chamado na atualidade de "Terra de Verão" (o qual proporciona felicidade, gratificações e rejuvenescimento); ao passo que, no caso dos humanos ou mortais, incluindo principalmente os covardes, os ignaros, os bárbaros ou degenerados, os traidores, os impostores ou ímpios, os mágicos enganadores ou sofistas, os feiticeiros ou malfeitores e, sem exceção, os injustos como um todo e aqueles que tiveram uma má morte ou que morreram com maldade, estão fadados ao sofrimento e à dor com maior intensidade, ou seja, ao Tártaro ou Inferno, onde queima o enxofre e as tormentas do abismo (como bem ressalta Gerald Brosseau Gardner em sua obra "A Bruxaria Hoje"). Cada religião tem seu reino paradisíaco do além ou pós-morte no outro mundo que, com a morte do corpo e rompimento da alma do corpo, o espírito, caso haja mérito, encaminha-se para esse local e, na Bruxaria, não é diferente. 
  • Crença e magia para que possamos "renascer entre aquelas pessoas que amamos, e em nossa própria terra", incluindo também, a tarefa de "Lembrar-se de quem somos e de onde viemos", ou seja, a descida iniciática ao Submundo. Essa crença é a essência e égide fundamental em que se baseia toda a tradição mágico-religiosa da Bruxaria, expressada ritualisticamente por meio do "Pacto de Irmandade ou Fraternidade". Este processo é, também, o retorno para a Casa dos Senhores ou Mansão dos Deuses, a volta para os braços da Deusa e do Deus.
  • Crença na Lei Tríplice ou Lei do Retorno Triplo ("Tudo o que fazeres voltarás para ti, triplicadamente"). Deve-se lembrar, neste aspecto, que Gerald B. Gardner não criou a Lei Tríplice, ela já existia entre as Bruxas dos velhos tempos. Porém, a diferença é que a Lei Tríplice dos velhos tempos era uma metáfora, encarada em sentido simbólico e esotérico, ligada ao antigo cerimonial de Iniciação na Bruxaria. Como fala Doreen Valiente, à uma entrevista para a Revista Fireheart (1991): "Eu acho que o velho Gerald tirou de um de seus rituais e as pessoas tomaram esta lei terrivelmente literária". Nos velhos tempos, quando uma pessoa era Iniciada na Bruxaria, recebia os Cumprimentos Secretos dos seus irmãos da Arte no conventículo e, assim, à nova Bruxa ou Iniciado era ensinado que ele se tornou um "Síndico" ou "Síntio" ("Syndikos" ou "Syndexioi" ou "Sinteis"), isto é, uma pessoa "patrocinada pela Justiça" ou sujeito que "receberá seu pagamento conforme suas obras", a lei bruxesca e que, a partir de então, estaria submetido à Lei Tríplice ou Lei de Retorno Triplo, que é nada mais que a Lei de Justiça e comunitarismo, preceito defendido por Hermes Trismegistos (filho-irmão de Tubalcain), o Fundador da Bruxaria.

    Este "pagamento conforme suas obras" significa que o Magister (e a Magistra) distribuía e distribui a prata e o ouro mágico-alquímicos às Bruxas e Iniciados, da mesma forma que recebe-se pena ou comenda espiritual da Ordem Cósmica e Divina dependendo das obras realizadas e do progresso mágico-alquímico de cada Bruxa ou Iniciado: ou seja, a verdadeira incumbência principal que compete à um Mestre/Magister ou Alto-sacerdote da Bruxaria se trata, não exatamente de exercer autoridade sobre os membros de seu conventículo, mas, sim, de tornar Síndicos os seus discípulos, isto é, de torná-los coligados à distribuição da prata e do ouro mágico-alquímicos que cada Mestre ou Magister possui e que, por meio da patronagem, recebe de sua Rainha das Bruxas e de seu Magus ou Majestade, haja visto que uma organização, do ponto de vista mágico-espiritual, potencializa os dotes mágico-espirituais que são envolvidos por elos de compartilhamento do Poder Angélico e Divino que se firma uma Rainha ou um Magus, por meio de sua elevação em direção à divindade e à justiça ou bem comum (daí que o motivo pelo qual o Magus ou Majestade, enquanto doador ativo ao seu próprio Clã ou Fraternidade, é honrado, pelas Bruxas, como "Divus" ou "Dibus").

    No decorrer do tempo, houve casos em que este velho costume, ao ser interpretado materialisticamente equivocado por pessoas leigas, acarretou na busca avarenta pela prata e pelo ouro materiais, com o intuito de suprir necessidades de sobrevivência ou afortunamento humano e, portanto, de diminuída importância mágico-espiritual quando comparado à prata e ao ouro alquímicos, sendo que, tal busca avarenta pela prata e pelo ouro material, acarretou, na transição entre o final da idade média e início da modernidade, na instituição da Maçonaria. (Foi a partir daí que surgiu, com a Inquisição, a lenda popular de que as Bruxas recebiam pagamento ou tributos do "Diabo"). Além disso, os primeiros descendentes Danaides, por sua disciplina na observância e cumprimento da Lei de Justiça de Hermes/Hormazd, foram denominados de "Síndicos" ou "Síntios", velho costume cuja atribuição entre as Bruxas permaneceu no uso após a Iniciação na Bruxaria e, como uma parcela dos Povos Egípcio-aqueus ou Hicsos fora adepta da Bruxaria em tempos longínquos, o uso desta palavra se tornou comum tanto ao norte da Índia quanto na Grécia e no continente europeu, e que, entre os povos ciganos incultos, tornou-se uma palavra vulgarizada.

    Também, é importante ficar claro que a Lei Tríplice não se trata de uma mera "aceitação" ou crença de subordinação, pois, a aceitação ou crença de subordinação à esta lei não tem tanta relevância quanto o ato ou sabedoria prática para operá-la, isto é, o candidato à Iniciação na Bruxaria automaticamente está submetido à esta lei cósmica, levando em conta, neste aspecto, que o ato de se tornar Síndico ou Síntio, antes da Iniciação na Bruxaria, exige-se a realização do "Rito de Sindicação ou Lustração", o bruxesco Batismo de Água-Ar-e-Fogo realizado tradicionalmente à criança de uma família de Bruxas aos sete anos de idade (vide: "Dies Lustricus" e os mitos greco-bruxescos da Deusa Demeter/Ariadna e sua recepção de um novo sacerdote em Elêusis), conforme os ensinamentos de Enoch/Hermes, para a expurgação das emoções (Ousar), concepções (Saber) e anseios (Querer) negativos e profanos que estão em desacordo ou em desalinhamento com superioridade santa ou heroica do Filho Divino Lucifer/Mitras. Em resumo, a Lei Tríplice passa a entrar em ação quando nos submetemos à Iniciação ou na transição entre o período pré-iniciático e iniciático, pois, tanto a Iniciação é indissociável da Lei Tríplice quanto a própria Lei Tríplice é indissociável da Iniciação, situação que ocorre em função de que a Lei Tríplice é o processo oculto da substância primordial de justiça do cosmos em que se calca a Iniciação. 
  • Crença que "Quem é Bruxa, ou bruxo, nasce Bruxa", devido ter sido Iniciado na Bruxaria no passado e, consequentemente, atraído para a Bruxaria novamente, no momento presente e à cada existência seguinte ou encarnação. Todavia, nem todas as pessoas que são atraídas para a Bruxaria ou Arte dos Sábios foram, de fato, Iniciadas na Bruxaria no passado atávico, pois, isso se deve em função de que o futuro sempre tende a constituir em uma conjunção entre o passado e o presente, isto é, alquimicamente um movimento passivo e, outro, ativo que, por sua condição simultânea, uma parcela das vivências de toda presente existência, levando em consideração que todo existir é uma cíclica metamorfose, consistem em alteração e mudança, o que, em consequência disso, significa que nem todas as pessoas que foram Iniciadas na Bruxaria retornam-a no futuro e que, concomitantemente, nem todas as pessoas que aspiram se tornar adeptos da Bruxaria o foram, de fato, no passado.
  • Ética focada no Conselho das Bruxas, a Lei de Justiça, Lei das Leis ou Lei dos pilares bruxescos de "Filantropia [ou Amizade/Amor], Verdade [ou Progresso, que é o mesmo que Benevolência] e Justiça" (como transmitidos, em tempos antigos, por Hermes Trismegistos, o Fundador da Bruxaria, o Diáctoro dos Justos), conhecida na modernidade, às vezes, como "Wiccan Rede" sob a dicção "Sem a ninguém injustiçar/prejudicar, faça o que desejar" (que, por sua condição angélica, está gravada no sangue ou código genético e no eu superior de todo ser vivo e que, por sua vez, deve ser rememorada). Nesta perspectiva, os três pilares bruxescos da Lei das Leis, ensinados por Sophia/Atena/Iris a Thaumantias, por Hermes Trismegistos/Hormazd e seu pai-imão Tubalcain/Hephaistos e por Naamah/Ninmah/Niamh/Aphrodite a Syria Kale, constituem três princípios cósmicos de funcionamento alquímico-metafísico da Natureza e do Cosmos, isto é, do Espírito (Progresso ou Verdade), da Alma (Justiça/Harmonia) e do Corpo (Filantropia ou Amizade/Amor) que, por sua condição, produz o engendramento alquímico-espiritual da vocação que, em decorrência disso, atribuir-se-á individual e coletivamente aos seres, pela ordem cósmica e divina.

    Pois, a meta da Bruxaria e do arcanjo Hermes Trismegistos, essencialmente, não é a salvação pela lei do mais forte ou meramente a obtenção de poder, visto que o poder qualquer, em desacordo com as virtudes e a justiça ou princípios divinos é, por sua condição corrupta, destituído e/ou aprisionado, tornando, em consequência, enfraquecido e sua potência, esvaída; ao passo que a justiça ou lei do justo, mesmo não possuindo poder, leva à superação das fraquezas e pecados ou hamartias e, consequentemente, ao empoderamento, não pela força bruta ou grosseira, mas, pelas virtudes ou flores que, na busca do Santo Graal e da imortalidade, devem desabrochar sobre a cruz (vide: Cruz da Serpente ou Selo da Bruxaria) ou sobre o sofrimento de queda ontológica sob a qual todos os mortais ou humanos, em menor ou maior intensidade, estão fadados (ao passo que a lei do mais forte, por sua busca pelo poder, constitui uma lei mundana ou profana e, portanto, concomitantemente está fadada ao murchamento e à putrefação alquímico-espiritual proliferados pelos condenados e criminosos que, controlados por arcontes ou titãs, odeiam a justiça e a ordem divina e, pela ignorância que lhe é inerente, fogem do bem comum e conclamam ao sacrilégio). Em determinada ocasião, Platon diz: "Se, na verdade, a Justiça é sabedoria e virtude, julgo que facilmente se demonstrará que é mais capacitada do que a injustiça, uma vez que a injustiça é a ignorância"
  • Caráter pautado na dicção: "Adicionar, sempre; Remover, nunca", em que se fundamenta na não remoção das crenças e práticas tradicionais da Bruxaria (por "tradicional" não deve ser confundido com superstição ou conservadorismo), de modo que se preserve por excelência a antiga tradição oral bruxesca e, ao mesmo tempo, esteja sempre em crescimento progressivo e não caía em estagnação, isto é, a Bruxaria, em sua essência, não é nem eclética nem mera conservadorista, mas, sim, filosoficamente consciente da verdade ou realidade superior e divina. Deste modo, a preservação dos ensinamentos da Bruxaria não constitui uma estagnação, mas, precisamente, um empirismo filosófico-religioso ou misticismo em sua forma genuína, de forma que esta preservação da tradição sacral implique na busca pelo antigo conhecimento bruxesco-atlante que se dissipou com a Queda de Troia (que não necessariamente seja a última Troia que fora descoberta pelos arqueólogos, pois, houveram várias "Troias", isto é, reconstituições da antiga Atlântida ou Troia antiga, no mesmo local em que os arqueólogos descobriram a última Troia), de forma que o leve à reconstituição ou restauração total da "Linguagem Antiga" ou "Antiga Religião", a "Linguagem Perdida" que, com a corrupção dos reis atlantes, fragmentou-se a linguagem cósmica que fora transmitida pelos Anjos e que legava à toda Bruxa e Iniciado o dom ou habilidade de falar a "Língua dos Anjos", a "Língua de Fogo" ou "Língua do Vento", que ensinou o arcanjo Enoch/Hermes Trismegistos/Hormazd e de que cita a bruxa Mayfreda Visconti de Pirovano. A Bruxaria, diferentemente do Cristianismo e de outras religiões amarniano-mosaicas, não constitui alienação ou encavernamento do ser; no entanto, por outro lado, a corrupção da Bruxaria esteve presente em todos os tempos e, em si, tal característica equivocada, é inerente à condição humana ou de mortais que, apelando às paixões e maldades, causam feitiços e todos seus efeitos devastadores e, em consequência, diz Platon: "É preferível ignorância absoluta do que conhecimento em mãos inadequadas".

    Ao contrário das difamações de Gerald Brosseau Gardner, a Bruxaria  enquanto religião de segredos que é  não visa criar superstições, nem de xamanismo ou espiritualidade tribal nem de fundamentalismo, mas, sim, estudar os segredos da natureza e do cosmos de modo esotericamente racional e intuitivo, como ensinou o hierofante Hermes, o "Rei Sábio" e Fundador da Bruxaria, isto é, a Bruxaria parte de um viés da filosofia ou ocultismo e, portanto, distingue-se consideravelmente de superstições ou crendices de pessoas comuns, rejeitando, assim, a reprodução de superstições xamânicas ou tribalistas que, por sua condição ignaro-materialística, é cega à verdadeira filosofia ou gnose ou conhecimento intuitivo — que se embasa a Bruxaria —, visto que, por obviedade, Arte dos Sábios não advém da ignorância ou dos engôdos de fantasias ou parlendas, nem de especulação ou argumentação agnóstica ou cientificismo materialista. Além disso, deve-se lembrar que, na Bruxaria genuína, inexiste criação de "museus" ou casas de "monumentos antiquários", e todos àqueles que o fazem são vistos com descrédito, pois, Bruxas e Iniciados autênticos sabem que todo objeto físico antiquário, por sua condição temporal, é portador de substâncias impuras e nocivas à saúde da Bruxa, sendo contrário às Leis da Bruxaria que prescrevem a pureza cotidiana das Bruxas (vide: Sete Formas de Purificação na Bruxaria) e o desenvolvimento do halo áurico ou auréola de magia na gálea (o "Caput Galeatum"). Bruxas e Iniciados devidamente preparados abominam "museus" e toda a gama de monumentos antiquários que se estagnaram no tempo e que, portanto, estão em degradação não apenas física, quanto, também, em deterioração da egrégora e das energias que habitavam determinada matéria, o que, pela sensibilidade mágico-espiritual aguçada, as Bruxas e Iniciados podem sentir a presença do próprio cheiro fétido de apodrecimento e putrefação mágico-alquímica de todo objeto antiquário (um dos motivos pelo qual as medievais Ordens da Bruxaria prescrevem que sejam queimados e destruídos os instrumentos mágico-religiosos de uma Bruxa ou Iniciado após sua morte).


    Quanto às crenças e práticas, na Bruxaria genuína, não existe 
    "ver se faz sentido, tal coisa, segundo as crenças pessoais ou opiniões de cada indivíduo", pois, na Bruxaria, antes de quaisquer "interpretações pessoais" acerca de determinado fenômeno ou aspecto, é necessário que a pessoa de fato conheça-o propriamente: em outras palavras, antes de tornar-se sacerdote ou mago é preciso aprender a ser discípulo ou ouvinte; afinal, quem não aprende o aspecto primário do cosmos tão pouco terá suporte sapiencial para adquirir o aspecto secundário e, mais tarde, o terciário. Deve-se considerar, também, que a Bruxaria possui leis; todavia, uma pessoa que, ignobilmente, sequer aprendeu o valor mágico-espiritual das regras, não deveria perder seu tempo na Bruxaria, mas, sim, na reparação de seu conhecimento limitado do cosmos. Também, a Bruxaria não é um "clube" para as pessoas socialmente reprimidas ou depravadas ou errantes, mas, o reflexo da doutrina cósmica hermética, a qual não inocenta nem desculpa erros ou hamartias ("Errou? Pagou!", independente de concordar ou não) e não visa favoritismos egocêntricos; estes aspectos individuais decorrentes da deseducação atávica quanto à Lei de Hermes devem, não obstante, serem trabalhados, anteriormente à Iniciação, no período pré-iniciático de "noite escura da alma" ou nigredo em uma academia ou colégio de círculo externo ou ordem exotérica, para descer ao submundo, reconhecer ou reobter o conhecimento individual e cósmico e renascer, de modo a estar devidamente preparado à Iniciação. Iniciação na Bruxaria não é entretenimento de crianças ou glamour, mas, sim, verdadeiras cruz e rosa para quem vive conforme seu Eu Superior, e um sério perigo, de fato, à quem busca escalar e, ao mesmo tempo, age com seu Eu Inferior e recusa-se a progredir ou aprender a Lei do Justo; pois, a vida é assinalada por três principais fases: infância, adultícia e velhice, logo crescer, plenificar-se e compreender, então, deste modo, a metamorfose virá em procedência, mas, aquele que não morrer alquimicamente à mundanidade e à existência profana, jamais se aproximará da Iniciação.

11)      A Bruxaria pode ser praticada juntamente com outra religião?

Nos velhos tempos, à uma Bruxa era proibido a inclusão de elementos não bruxescos para dentro da Bruxaria e, esta religião de segredos, era recebida pelos seus iniciados como um "pacote fechado", cujo o qual não era permitido adicionar ou incluir práticas e crenças que a pessoa tivesse identificação e/ou de outras religiões, haja visto que a Bruxaria não é uma religião de massa que se pauta em opiniões pessoais, mas, uma religião de segredos, o que implica na experiência direta com a divindade e o saber impessoal da doutrina cósmica. Um indivíduo podia desenvolver a Bruxaria como quisesse, desde que tivesse discernimento e conhecimento de causa, pois, cada religião tem suas próprias crenças, práticas e costumes específicos, para o desenvolvimento espiritual. É mesma coisa misturar duas cores, tal como o vermelho (a Bruxaria) e o amarelo (o Cristianismo, por exemplo) vai resultar em uma terceira cor (como o laranjado), não permanecendo mais nenhuma das cores anteriores. Em outras palavras, quando misturamos duas religiões não estaremos praticando nem uma e nem outra, mas, sim, dando origem à uma terceira forma de religar-se com a divindade e, portanto, criar-se-ia uma nova religião. 
Apesar de que Jesus Cristo também havia sido adepto da Bruxaria durante sua vida (vide o Clã Mitraico no tópico da galeria: "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade"), inverteu a doutrina de Hermes e, além do mais, o próprio Cristianismo é uma religião de massa que se desenvolveu em torno da figura de Jesus Cristo através de Simon Pedro para meramente anunciar a boa nova ou evangelho da Era de Peixes e de Jesus Cristo e, portanto, difere-se consideravelmente tanto da personalidade de Jesus quanto do Clã bruxesco em que Jesus o integrava. Na Bruxaria, durante o período de estudo em círculo externo ou ordem exotérica, pode-se estudar a figura de Jesus Cristo, assim como de outras tantas personalidades que foram adeptas da Bruxaria, todavia, a Bruxaria não possui foco em Jesus Cristo nem em Gerald Brosseau Gardner (o qual recebeu, apenas, o início de um Grau da Bruxaria) ou em Mayfreda ou em qualquer outra Bruxa ou Iniciado do passado, pelo simples fato de que a Bruxaria não é uma religião de massa e, portanto, não possui foco em personalidades ou pessoas, mas, sim, nos segredos dos Deuses con
forme os ensinamentos transmitidos por Sophia/Atena/Iris, por 
Naamah/Hathor-Sekhmet a Aphrodite Pandemos e por Tubalcain e, principalmente, seu filho-irmão Enoch/Hormazd/Hermes (o Fundador da Bruxaria) que, por sua vez, sintetizou a doutrina cósmico-divina e os processos de transformação alquímico-metafísica que galgam até a divindade. 

Ou seja, ou se disciplina à lei Cristã de fundamentalismos dogmáticos e de imperialismos patriarcais ou, então, se disciplina à uma lei que irá promover, de fato, o despertar da consciência e a celebração da vida; pois, não há como disciplinar-se à duas ou mais leis concomitantemente em que não sejam sub-leis de uma mesma lei, visto que, filosoficamente, a vivência de toda doutrina mágico-religiosa gnóstica exige desbravamento e profundidade que, pela condição de um princípio cósmico de dualidade (vide: Ensinamentos de Hermes), automaticamente ao conectar-se à uma, não obstante, desconectar-se-á de outra (quer acredite ou não). Enquanto a Fênix (Hermes/Hormazd) ensinou a tomada de consciência para não sofrer demasiadamente no caminho à perfeição, o Peixe (Jesus Cristos)  apesar de ter sido devoto de Hermes  inverteu a Lei: sofrimento demasiado para a tomada de consciência no caminho à perfeição (isto é, como uma maneira forçada de se tornar indiferente à natureza ou matéria); o que significa que, enquanto os Cristãos buscam se entregar às dores do mundo ou "chagas de Cristos" em que promove a insensibilidade às energias cósmicas e a incorrência do sadismo patriarcal na sexualidade e do pessimismo e seu inerente conservadorismo, as Bruxas  em contraposição  aprendem as leis cósmicas que, por sua adequada aplicação, levarão ao prazer, enquanto forma divina que comporta o bem comum (como o bem-estar, a positividade, a criatividade e a felicidade) e dota de sensibilidade às energias cósmicas: isto é, tanto o prazer como o sofrimento são importantes e co-existentes, todavia, toda criatura em sã consciência almeja, ou deveria almejar, a justiça ou bem comum que, em si mesmo, sua finalidade é o prazer imaculado e entusiasmático, não a demasiada dor. Pois, desenvolvemo-nos naquilo em que dermos maior atenção: se damos mais atenção ao sofrimento do que ao prazer, nossa vida, por simpatia mágico-espiritual, transformar-se-á em dores e misericordiosas tragédias; ao passo que, ao contrário, encontraremos o caminho do bem-estar e da justa felicidade (ou seja, o "sofrimento eterno" que, de acordo com a crença cristã, seria encontrado no inferno, trata-se de uma falsidade eclesiástica, uma vez que o sofrimento eterno se encontra exatamente no paraíso torturante dos cristãos). Contudo, 
a Bruxaria é uma religião do "Caminho do Meio" (semelhante à religião Iazdâni, à religião Druso-sufi e à religião Budista), onde o caminhar é feito no equilíbrio entre o Mundo Inferior ou Sensorial, representado pela sexualidade, e o Mundo Superior ou Inteligível, representado pela superinteligência, cujas características intermediadoras são o Equilíbrio e a Justiça e, em consequência, obtêm-se maior Sensibilidade, Memória e Intuição, aspectos feéricos pertencentes ao elemento água e centrados no desabrochar da rosa do pomo cardíaco (daí que se originou o termo "Rosa-cruz", ou seja, abrir a sensibilidade interior para florescer nossa rosa na cruz ou coluna vertebral). 

Também, apesar de que toda Bruxa ou Iniciado autêntico sabe, é importante lembrar que, quem se recusa a compreender a natureza e o cosmos através da tomada de conhecimento, por seu caráter ultra conservador ou desregrado, é tomado por egoísmo, vício e pecado ou hamartia, logo em injustiças, paixões e fraquezas. Em contraposição às religiões do Caminho do Meio, as religiões amarniano-mosaicas ou meso-pagãs, como o Cristianismo, o Judaísmo, o Islamismo e o Atonismo, almejam, enquanto finalidade última, o utópico "Bem Absoluto" que, sendo um processo impossível de ser alcançado, converte-se no padrão de passividade e naturalização; não muito diferente, o Satanismo, o Discordianismo e outras seitas obscuras, são partes do "Caminho Esquerdo", a trilha do lado tenebroso e trevoso cuja finalidade última é "o Caos" que, por mais que rejeite formalmente a prática do malefício, comete-o escondido e/ou inconscientemente e enaltece o pecado e a distorção de todas as coisas divinas e superiores ou santas e que, por tal caráter subversivo à divindade, nenhuma religião ou religação real é possível. Além disso, cada religião tem todo um conjunto de costumes específicos: hábitos, tradições, crenças, práticas, livro ritualístico, celebrações, dias sagrados, templos, liturgia, cerimonias, teologia, filosofia, espiritualidade, ancestralidade, corpus de sacerdotes, instrumentos ritualísticos, estrutura filosófica, rituais de batismo e de adesão, casamento e réquiem, deuses ou deidades, santos ou heróis, guardiães e espíritos protetores, etc; sendo que, uma fusão de duas religiões, resulta sempre em uma terceira religião, portanto nova e não igual à uma ou mais das religiões mescladas. Deve-se ter consciência disso e, apesar de que as pessoas comuns gostem de permanecer na superficialidade, os efeitos de nossos atos são, igualmente, de nossa própria responsabilidade. Pois, como enfatizou o bruxo Christian Friedrich Samuel Hahnemann:  "Hipocrisia não é santidade, pretensão não é poder, artifício não é sabedoria. O ofício de discutir, sofismar, perverter e deformar as verdades [características próprias de humanos ou mortais que, como os "anjos caídos" ou titãs, caracteristicamente, estão sob o jugo do maligno Ares/Ahriman/Seth ou Satanás] pode aprender-se nas escolas [ou seja, nos ensinos mundanos ou profanos], mas, o poder de reconhecer e de seguir a Verdade [isto é, o conhecimento da realidade ou do cosmos], não poderia ser conferido por meio de títulos acadêmicos, a não ser que venham de Deus [ou da divindade]". (HAHNEMANN; Christian Friedrich Samuel; In: "Fundamenta Sapientiae").




12)      Qual o valor da Auto-iniciação na Bruxaria?

Se há um ritual principal que caracteriza a entrada e aceitação de um novo membro ou praticante para dentro da Bruxaria é a chamada Iniciação, mas, a Iniciação em si, diferentemente das visões estereotipadas atuais, não se trata de um "ato de formalidade", senão o desabrochar íntimo através da Fênix Imortal, Hermes Trismegistos. A princípio, a Iniciação está para a Bruxa da mesma forma que o Crisma está para o Cristão. Em ambos os ritos  o bruxesco e o cristão  há uma escalada espiritual onde se aprende cada uma destas religiões e percorre-se os mesmos processos de desenvolvimento alquímico-espiritual da vida de heróis ou santos que instituíram determinada religião, isto é, hierofantes ou devas que deram início ao caminho mágico-religioso por revelação, como é o caso do Cristianismo, ou por celebração casamentícia entre o céu e a terra, como é o caso da Bruxaria. Originalmente, em ambos os ritos  a Iniciação e o Crisma  o novo membro ou novato em que se encontrava em processo de aprendizado era instruído na religião e os ensinamentos mágico-religiosos eram transmitidos de forma catequética ou em catequese, ou seja, oralmente ou de boca à ouvido e dentro de um ritual formal ou ensino escolástico ou ministerial devidamente preparado. Enquanto o rito do Crisma (também chamado de "Relevação dos Carismas", isto é, as graças de Jesus Cristo) possui um caráter muito mais de evangelização popular e de proselitismo religioso que se procede de modo mais instantaneamente; o rito da Iniciação, por outro lado, caracteriza-se muito mais por um processo de instrução mágico-religiosa processual e alquímico-extensiva e por um aprendizado intuitivo contínuo. Para entendermos o que vem a ser o cerimonial em que chamamos de "Iniciação" no contexto da Bruxaria, precisamos regredir nos tempos romanos e à sua origem greco-egípcia ou pré-helênica: o termo "Iniciação" remonta aos tempos bruxescos da Roma Antiga e advém da palavra latina "Initiatio", cuja origem etimológica está na sua tradução grega antiga "Telethai", ambas as palavras para denotar "passagem" (no sentido de "passagem para obter o alvo"), a forma de entrada ou aceitação para se tornar adepto da Bruxaria ou Arte dos Sábios e, não obstante, o modo de escalação ou graduação nesta religião de segredos: isto é, o processo de metamorfose da Fênix/Íbis/Bennu Imortal a Telete ou Hermes das Talarias, que nos leva até a plenitude da vinda do Filho Divino Lucifer/Mitras ou Aura/Horus, a Estrela da Alva.

A palavra "Telethai" trata-se de uma terminologia mitológico-alegórica proveniente do nome de uma Fênix Imortal chamada Telete ou Hermes das Talarias, que Nicaea ou Aphrodite Nicephoros (ou Vica Pota ou Victoria), uma "Filha da Deusa [Rhea ou Diana/Dione/Arthemis]", concebeu-o em seu ventre místico após o Deus Cornífero Dionysos/Osiris Bakha realizar o coito ou cópula mística consigo, o que, em consequência, quase levou Nicaea/Aphrodite Nicephoros a se suicidar se não fosse seu único desejo que restou de "viver para ver a venerável Aura ou Lucifer", isto é, a adoradora da Deusa ou sacerdotisa Nicaea/Aphrodite Nicephoros matou se
u Ego Inferior e se purificou para, em seguida, receber o Deus Cornífero (Dionysos/Osiris ou Apollon Paion/Paion) em seu mais íntimo ou centelha divina sob a qual, através do dragão Tubalcain/Hephaistos o Demiurgos, deu à luz em seu ventre terreno à Fênix Imortal dita Telete ou Hermes das Talarias e, tornando-se sensível às dores do mundo profano, restou seu único desejo superior que havia dentro de si: viver para ver a venerável Aura ou Lucifer/Mitras, ou seja, obter o despertar da consciência espiritual ou iluminação, o halo áurico ou auréola de magia na gálea, conhecida em latim como "Caput Galeatum" (estereotipada nas superstições populares como sendo uma "coifa" ou "camisa" física) ou, em grego, como "Chrysómallon Deras", o Elmo Crióforo do Velocino Dourado de Hermes (que, segundo os mitos, seria protegido por touros sob o sopro do Dragão (Tubalcain) e, assim, deveria ser alcançado no alto da Árvore de Maçãs ou de Carvalho por meio da porfirogeneta ou linhagem do roxo real), que se desenvolve com a prática ou uso adequado do selo mágico-espiritual marcado por um anjo e, no caso das Bruxas, o próprio Selo da Bruxaria ou Selo de Hermes (vide o tópico da galeria: "Os Principais Símbolos da Bruxaria"), ao passo que, Telete ou Hermes das Talarias, tornou-se um Maiades ou Parteiro do próprio Deus Cornífero Dionysos em seu íntimo. Em resumo, a Iniciação trata-se de um processo alquímico-mutacional provatório de morte e de renascimento, não meramente simbólico, muito menos uma transformação fingida ou arquetípica, mas, essencialmente, uma metamorfose energético-evolutiva a partir da morte definitiva das personalidades inferiores e adormecidas (o ser caído Ares/Ahriman/Seth ou Satanás) e da ressurreição do alvorecer ontológico de consciência sobrenatural ou extrafísica (o ser ascenso Atena/Sophia/Iris, a Virgem das Oliveiras e Matrona das Bruxas ou Mãe celeste de Hermesa se tornar um desperto que, reconhecendo-se a si mesmo como filho da Deusa (Rhea ou Diana/Dione/Arthemis), permite que a luz do Deus (Dionysos/Osiris ou Apollon Paion/Pan) adentre em si mesmo, para que  através do casamento alquímico entre o céu e a terra ou aliança com o Deus Cornífero, como fez a "primeira bruxa" Hecate a Erodia/Aradia após instituir um Templo à Deusa (Diana/Artemis)  ocorra o renascimento da Fênix Imortal (Telete ou Hermes Talaria), cujo único maior desejo que move o ser caminhante, com a restituição de Nicaea/Aphrodite Nicephoros, é o da ascensão para a iluminação (ou seja, a obtenção da visão acerca da Criança Divina Aura/Horus/Eros ou Lucifer/Mitras); isto é, neste terceiro estágio, que ocorre o heroísmo ou santificação, trata-se da passagem para o outro mundo, os Campos Elísios ou Ilha dos Bem-aventurados. 

Ou seja, Iniciação é puro Esoterismo ou Gnose, isto é, "olhar para dentro" ou percorrer o caminho interior e, no caso da Bruxaria, através da Fênix Imortal a Telete ou Hermes Talaria (o filho-irmão de Tubalcain e Fundador da Bruxaria), pois, da mesma forma que o Crisma cristão não é nada sem Jesus Cristo, a Iniciação bruxesca não é nada sem Hermes Trismegistos/Hormazd/Enoch do Monte Hermon. Este processo mágico-alquímico-espiritual descrito desde os tempos antigos como "Iniciação" — que, por sua vez, congrega um cerimonial na Bruxaria  constitui o processo oculto da substância e do engendramento primordial de justiça do cosmos e que, não obstante, pauta-se a Lei Tríplice, pois, desenvolver o halo áurico ou auréola de magia na gálea, que requer a Iniciação, nos coloca em sintonia permanente com a lei de justiça; sendo tanto a Iniciação indissociável da Lei Tríplice como a própria Lei Tríplice indissociável da Iniciação. O despertar da consciência, processo alquímico-espiritual enaltecido e ensinado por Hermes Trismegistos, o arcanjo e Fundador da Bruxaria, não se trata exatamente de termos consciência clara de nossos verdadeiros desejos, mas, sim, de removermos o véu que divide nossa consciência dos altos planos dimensionais e, neste sentido, adentrarmos no plano espiritual e aprendermos com tal plano, o que leva ao discernimento e à clareza de consciência, pois, inexiste sacerdócio sem conexão com os Deuses e, desta forma, é necessário termos conexão espiritual, caso contrário os Deuses se tornarão, para o adepto, mero produto de imaginação arquetípica, quando, de fato, são desdobramentos ontológicos do Uno e com maior profundidade do que a vã imaginação consegue conceber. Além disso, essa "passagem", significado etimológico de "Iniciação", baseia-se na antiga crença bruxesca de que a passagem de desenvolvimento alquímico-espiritual é o que conferiria a entrada para os Campos Elíseos ou Ilha dos Bem-Aventurados, região ou terra de Juventude Eterna do Outro Mundo em que ficaria o "êxtase da Deusa", onde apenas era possível ser acessado pelas Sacerdotisas e Sacerdotes ou Magos, Videntes ou Adivinhos e Sibilas, Heróis ou Santos, Poetas ou Menestréis, Dríadas ou Druidas, Bruxas e Iniciados ou Sábios. 
Deste modo, o significado semântico de Iniciação, "passagem", refere-se ao sigilo iniciático ou selo de acesso à hierarquia angélica e divina, o qual somente é dado ou conferido ao "cowan" ou conventicular e aprendiz após este vencer seu Eu Inferior, ou seja, nossos Daimones malévolos ou demônios, nas próprias provações e desafios ou tribulações. Em contraposição, o homem comum ou profano  que não recebeu a Iniciação e que, portanto, permanece no esquecimento de quem realmente é  continua a ser mortal ou desprovido de consciência ontológica e, assim, ao morrer é dimensionado à outras regiões do Outro Mundo, tal como ao Tártaro ou Inferno, a região das criaturas condenadas por não terem cumprido seu encargo que receberam, pela ordem cósmica e divina, para realizar em cada uma de suas existências. 


A Iniciação e a entrada para os Campos Elíseos confere, à pessoa, a imortalidade e uma vida futura melhor e de renascimento junto ao seu povo da raça espiritual advinda e aos seus irmãos da Bruxaria com quem compactuou em sacerdócio metamorfoseador, para que seja possível ler o "livro da vida" ou receber novamente a sabedoria das existências passadas (terrenas ou mesmo anteriores ao ciclo de morte e renascimento na terra) por meio de uma tomada de consciência sobrenatural ou extrafísica, e amá-los novamente. Ademais, esta imortalidade, conferida na Iniciação, não é a física ou no sentido grosseiro comum, mas, sim, uma imortalidade da consciência e do conhecimento intuitivo ou das ideias, as formas divinas ou gnoses anamnésicas. Pois, a "morte" é, acima de tudo, uma morte de pensamento, uma morte da consciência limitada, uma morte da mente atrasada, esnobada e moldada às concepções limitadas e cavernosas do mundo físico que, por sua vez, está sob o controle dos arcontes ou reis atlantes ou titãs, que se corromperam no passado. Também, a Iniciação na Bruxaria e seus ensinamentos filosófico-religiosos procedentes são proibidos de serem cobrados, trocados financeiramente ou tratados como valores meramente físicos ou mercadológicos, isto é, a Iniciação e os ensinamentos bruxescos são dados gratuitamente às pessoas que, despertas espiritualmente, forem dignas de receber; assim como nenhum magister ou alto-sacerdote possui a autoridade espiritual de distribuir Iniciação em situações em que a si próprio e/ou o aprendiz não estiverem devidamente preparados e mágico-espiritualmente despertos e, sobretudo, capacitados espiritualmente (caso contrário, será, sem exceções, "um cego guiando outro cego", o que, consequentemente, levará em menor ou maior nível à ruína e, com isso, fatalidades penosas retornarão e triplicadamente à ambos, acreditando ou não). A Iniciação se desdobra em um período ante-iniciático de nigredo e três estágios ou escaladas de desenvolvimento mágico-espiritual e, o seu objetivo, consiste em restaurar a condição angélica, de acordo com a alquimia greco-egípcia das Bruxas, para a obtenção do Santo Graal ou Caldeirão do Renascimento que permitirá a salvação e reaproximação aos Deuses, constituindo-se um cerimonial triplo de morte, ressurreição e, somente após estar purificado, amor; ou seja, depois de passar pelo período de nigredo ou "noite escura da alma" (Maçonaria: banição de tudo o que é injusto ou não lapidado), ocorre: a Bardaria (Terceiro Grau, de albedo: purificação e livramento de tudo o que não é puro), a Sibilaria (Segundo Grau, de citrinitas: despertar e desabrochar das virtudes e concretização da vocação) e, por fim, a Druidaria (Primeiro Grau, de rubedo: iluminação e auto-sacrifício em prol da divindade); pois, foram três as Viagens Dionisíacas ou Vias Sacras de Triênias (cujo Pilar Central estava em Báctria, o Reino dos Bardos/Bruxas e Iniciados) em que fez o Deus Cornífero Dionysos/Osiris Bakha ou Apollon Paion/Pan ao descer do Olimpos ou Céus ao Monte Nysa/Sinai dos egípcios, e do Monte Nysa/Sinai à Índia indochinesa e da Índia à Céltica/Cítia dos trácios, para salvar a Deusa Demeter Sito/Europa a Ariadna; assim como, também, porém em sentido horário, fez o hierofante Enoch/Hermes ao descer no Monte Cilene dos gregos e percorrer até o Oriente ou Anatólia e desta até a Hermópolis dos egípcios: o processo alquímico da Iniciação na Bruxaria e, não obstante, a rota de peregrinação das Bruxas e Iniciados, assim como reflete no delineamento ritualístico do Círculo Mágico no cerimonial da velha Bruxaria.


O cerimonial de Iniciação não é um mero ritual ou uma mera instrução, constitui, ao contrário, uma forma muito complexa de desenvolvimento alquímico-espiritual e muito maior ao Crisma, do Cristianismo eclesiástico. É por este fator que muitas correntes do Cristianismo deixaram de lado o Crisma e passaram a adotar uma forma alternativa de Iniciação, pela qualidade esotérica que esta possui. Sobretudo, o ritual de Iniciação, assim como qualquer ritual da Bruxaria, é um ato místico-espiritual, que exige precisamente conexão espiritual e com os Deuses, isto é, poderes mágico-espirituais diversos e habilidades de incorporação, manifestação teúrgica e conversa oracular divinatória com os Deuses. O rito de Iniciação não é um teatro de atores, rito ilusionista de palco ou brincadeira de criança ou de mágicos enganadores. A Iniciação como forma de entrada e admissão para a Bruxaria é um fato, querendo ou não; todavia, a Iniciação não se trata, apenas, de entrada ou admissão, mas, principalmente, de purificação das formas inferiores e reconexão direta com os Deuses e Anjos da Bruxaria, através das senhas de entrada no Templo, e retorno às nossas origens bruxescas estelares; pois, como nos diz Francis Bacon em seus "Ensaios" de 1625: "Um pouco de Filosofia [aqui inclui-se Magia, Alquimia, Astrologia etc, visto que a Filosofia incluía tais ciências e outras ainda] leva a mente humana ao ateísmo [isto é, ao desvirtuamento do rumo ao divino, o que acarreta na corrupção], mas, a profundidade da Filosofia, leva-a para a religião". Desta forma, a Auto-iniciação somente é válida quando uma pessoa, em raros casos, já tenha sido Iniciada na Bruxaria e que retornou ao submundo para reobter este conhecimento iniciático; ou seja, quando a pessoa já passou do grau de santidade e tornou-se imortal em si mesma, o que, por sua vez, não é o caso da maioria das pessoas terrenas. Em mais de 99,9% dos casos em que se realiza a prática de auto-iniciação, não há, de fato, Iniciação alguma, mas, sem desejo de ofender ninguém, auto-ilusão; motivo pelo qual a velha Bruxaria sempre têm rejeitado esta noção deturpada e estereotipada que, por sua característica vã e anti-bruxesca, não há nem despertar da serpente de fogo, nem desenvolvimento alquímico-espiritual divinatório e nem recepção do conhecimento mágico-espiritual da Bruxaria (que não estão escritos em livros, pois, tratam-se de segredos que, por seu caráter gnóstico, é indescritível e, quando descritos, possui a tendência inerente em deixar automaticamente de co-existir na Bruxa ou Iniciado, daí a proibição druídica de profaná-los), que é o básico. Assim, nestes casos, a Auto-iniciação não possui efeito espiritual algum sobre a pessoa, constituindo, querendo ou não, apenas uma teatralização protagonística ou ato mecânico desprovido de valor iniciático e bruxesco.




13)      Pessoas que são Homossexuais ou Bissexuais podem se tornar praticantes da Bruxaria?

Primeiramente, precisamos entender que a Bruxaria é uma religião de segredos e que, além disso, possui uma doutrina e um conjunto de práticas e crenças e um sistema religioso-espiritual próprio, pois, baseia-se em uma tradição oculta doutrinária desde os tempos magdalenianos, diferentemente do que afirmam os leigos e pagãos ecléticos. 
Isso não significa que, na Bruxaria, a liberdade seja podada ou extinta, mas, sim, que a liberdade autêntica é muito diferente do que a falsa sensação de liberdade em que as pessoas comuns imaginam e fantasiam: a liberdade trata-se de uma ideia ou forma divina, isto é, um aspecto fundamental para a Bruxaria e que fora expressada por Lucius Apuleios por meio da antiga citação bruxesca em que declara que, para a Deusa Estelar, "...o Seu Serviço é a liberdade perfeita"; todavia, a liberdade em si não se obtém no aprisionamento senão na libertação deste, que difere-se consideravelmente da falsa liberdade em que se fantasia na atualidade. Para quem conhece, de fato, a Bruxaria  que não está em revistas e livros de banca nem em manuais de feitiços ou goétia ou de magia negra  não é preciso nem explicar, mas, para esclarecimento ao público, vamos lá: o valor da doutrina e das leis constitui uma espécie de truque disciplinatório, onde, a partir da submissão do adepto, o Eu Profundo ou Superior passa a se manifestar e, inclusive, acelera a ascensão da Serpente de Fogo pessoal, causando, em consequência, um maior desenvolvimento alquímico-espiritual de suas virtudes e dons; e isso não é novo para a maioria das religiões antigas! Em resumo, uma religião de segredos possui leis cósmicas e suas fórmulas de desenvolvimento mágico-espiritual são constantemente transmitidas por seus ascendentes à seus adeptos no presente, independente de tempo histórico ou de lugar em que se encontram. Neste sentido, a doutrina das Bruxas ensina que, para que a plenitude possa ser atingida ou alcançada mais aproximadamente neste mundo, é preciso que sejam manifestadas duas polaridades, duas energias alquimicamente denominadas Od e Ob (chamadas, na linguagem bruxesca, de Serpente Solar e Serpente Lunar), que se entrelaçam no Caduceu (o qual, por sua vez, possui carga neutra) e que são, caracterizadamente, masculina (Od) e feminina (Ob), respectivamente de ritmo ativo e passivo, de movimento expansivo e introversivo, de intensidade quente e fria, de sabor salgado e doce, de carga elétrica e magnética e dentre outras correspondências, representadas bruxesca e alquimicamente pela numeração sessenta e nove (o número da Era de Câncer ou Caranguejo, a qual, sendo uma catástrofe expurgativa, procedeu a Era de Leão do Advento do demiurgos Tubalcain e da Vinda de Hermes Trismegistos com sua régia Fundação da Bruxaria), símbolo de justiça e harmonia. 


A forma da numeração sessenta e nove pode ser vista, empiricamente, à olho nu quando se mexe circularmente com uma baqueta o líquido presente dentro de um recipiente redondo (e que, similarmente, no Oriente tal símbolo fora descrito como "Yin-Yang"). Pois, na Bruxaria, todo trabalho mágico-espiritual é operacionalizado entre casais unidos a partir de um "hieros-gamos" ou comunhão sagrada chamada de "Casamento Misterioso" ou "Casamento Bruxesco". Assim, durante um cerimonial bruxesco é preciso que uma das duplas faça manifestar em si o Od ou Serpente Solar e, o outro da dupla, faça manifestar o Ob ou Serpente Lunar. Desta forma, é através da união dos pólos Od e Ob que surge toda a vida e dá origem à todo movimento do cosmos, pois, no corpo das criaturas existentes, devido ao princípio da dualidade, parte deste é movido pelo Od (pólo masculino), que agrega os elementos ativos ígneo e aéreo, e outra parte, pelo Ob (pólo feminino), o qual agrega os elementos passivos aquoso e telúrico. Todavia, o fogo e o ar estão majoritariamente presentes na região superior do corpo das criaturas existentes como machos e que manifestam apenas o Od, enquanto que, na região inferior do corpo das criaturas existentes como machos e que manifestam apenas o Od, a água e a terra estão majoritariamente presentes; ao passo que, nas criaturas existentes como fêmeas e que manifestam apenas o Ob, este processo alquímico está invertido ao compará-lo com as criaturas encarnadas como machos e manifestantes do Od, apesar de as criaturas existentes como fêmeas e manifestantes do Ob geralmente possuem influência indeterminada daquelas encarnadas como machos e manifestantes do Od; sendo que, no caso das criaturas existentes como machos e que manifestam o Ob em conjunto ou não com o Od, possuem uma tendência inerente ao processo alquímico de fêmea e manifestante do Ob, porém, com determinada adição de ar e água ou Od-Ob na região superior e determinada adição de terra e fogo ou Ob-Od na região inferior do corpo (tal processo é inverso àquele presente entre as criaturas existentes como fêmeas e que manifestam o Od em conjunto ou não com o Ob), o que, neste processo, comum entre criaturas-homens homossexuais, verifica-se inegavelmente que há maior harmonia e simetria entre os quatro elementos naturais presentes no corpo de uma criatura, isto é, menor ímpeto de desejo ígneo e de suas características divisivas e competitivas (intentos mais comuns em criaturas heterossexuais e criaturas-mulheres lésbicas)  visto que as criaturas aderentes deste processo são elas mesmas ígneas  em prol de maior ímpeto de desejo aquoso e de suas características mistas e serenas, apontando, assim, maior presença do caráter de cura e da inspiração ou elemento ar no Logos microcósmico e na sua oratória, enquanto que, entre heterossexuais, há predominância do caráter de superação e da transpiração ou elemento fogo no Logos microcósmico e na sua oratória: tanto homossexuais como heterossexuais são indesprezíveis e relevantes, tal como são a sabedoria e a força (todavia, como nenhum elemento em si mesmo é perfeito, ambos possuem suas fragilidades e suas potencialidades). 

Ou seja, há duas formas de manifestar o Od e duas formas de manifestar o Ob que, atualmente, conhecê-se neste mundo até o momento presente, no entanto, de acordo com o nível alquímico-evolutivo de cada mundo no cosmos, é possível de que hajam outras tecnologias, conforme a vibração alquímica inerente à cada mundo, ainda não conhecidas pelo público da atual humanidade (que, ao invés de laborar para o crescimento, geralmente apega-se à conservadorismos ultrapassados e que causam ignorância maior do que já possui). 
A partir disso, na busca do progresso ou do assemelhamento com a Divindade, as criaturas existentes como machos e que manifestam apenas o Od podem possuir determinada parcela expressiva de fogo e ar na região superior do corpo e determinada parcela de água e terra na região inferior do corpo, o que significa que estas possuem maior facilidade em concretizar seus desejos e de que estes sejam consentidos e impostos aceitavelmente na sociedade, todavia, sentir-se-ão tocadas pelas forças inferiores; enquanto que, as criaturas existentes como fêmeas e que manifestam apenas o Ob, terão tal processo inverso à este último descrito e, não obstante, estarão antagonizadas e contrariadas com maior frequência na sociedade, no entanto, sentir-se-ão tocadas pelas forças superiores: ou seja, apesar de que Od possui sua consciência mais ligada à claridade e sua inconsciência mais ligada à escuridão (portanto, com tempo maior para pensar e menor para agir) e o Ob possui sua consciência mais ligada à escuridão e sua inconsciência mais ligada à claridade (portanto, com tempo menor para pensar e maior para agir), tanto Od como Ob são pólos complementares idependente do processo vibracional que estes forem sintonizados e que, pelo fato de cada qual desempenhar uma função necessária, um não pode existir sem o outro dentro de uma única criatura. O aspecto crucial em magia sexual, tanto para as Bruxas e Iniciados como para as pessoas comuns, é a importância que possui enfaticamente, não as formas ou quantidades que cada criatura comporta em si acerca dos elementos naturais e das polaridades de gênero, mas, a qualidade obtida em suas obras e as virtudes que se deve conquistar no caminho da justiça ou bem comum, para que haja expurgação e transformação benéfica que conduza ao casamento alquímico entre os céus e a terra. Enquanto a ação de busca do progresso ou de assemelhamento com a Divindade imputa a luz ou maior nível de claridade no corpo de uma criatura, a ação de busca da perdição ou de assemelhamento com a multiplicidade ou com os números impuros, automaticamente, imputa a escuridão ou menor nível de luz no corpo de uma criatura. 

Geralmente, quem manifesta o Od é um homem e o Ob, uma mulher; no entanto, isso não é regra comum, isto é, um homem pode manifestar o Ob e uma mulher pode manifestar o Od; pois, o costume de um homem manifestar o Od é devido ao fato de que o homem é, biológica e culturalmente, ensinado a se comportar de um modo mais ativo e com carga elétrica em relação à mulher, a qual é, biológica e culturalmente, ensinada a se comportar de uma maneira mais passiva e com carga magnética (e, muitas vezes, como se esta fosse "um acessório do homem", conforme pregam os costumes patriarcais). Para a obtenção da justiça, tanto o patriarcalismo quanto o matriarcalismo  enquanto dominação por parte de um gênero em detrimento ou do suplantamento da liberdade do outro — deve, sempre, ser erradicado, em prol de um equilíbrio entre o co-mando sublimado; pois, o ideal é sempre uma participação política (na religião ou na sociedade) pautada em reciprocidade e respeito mútuo inter-gênero Od-Ob, na democrático-aristocracia, conforme o mérito ontologicamente conquistado. Deste modo, deve-se lembrar que nosso corpo tem sexo; porém, nosso espírito pode assumir formas de gênero variadas, em cada existência ou etapa cíclica de evolução. Outras variações, como a pansexualidade, apesar de ser válida, possui tendência em se aliar à impureza inerente na multiplicidade, assim como, por outro lado, a assexualidade comporta recusa intrínseca ao estado material potencializador da autorrealização heroica, o que, em consequência, através da assexualidade, raramente se chega à determinada autorrealização heroica ou à plenitude esperada para obter o estado de heroísmo ou santidade autêntica. Ainda, vale frisar que os charlatões pseudo-religiosos que se aventuram na "conversão sexual" de pessoas, são tão ignóbeis ao ignorar o fato de que a condição homossexual não advém da matéria, portanto, de nada adianta inverter as polaridades de gênero no corpo e nem sequer terá efeito de "conversão sexual" lançar feitiço ou magia negra sobre a alma ou corpo astral, visto que a condição homossexual é muito mais profunda do que costuma atribuir o pensamento heteronormativo que a vê como "errada", no entanto, o corrupto Ares/Ahriman/Seth ou Satanás e os maiores terroristas da humanidade, que denegenaram-na com magia negra e sexualidade pervertida, eram todos heterossexuais (!), o que, por sua vez, é expantoso e vergonhoso para os ocultistas charlatões que fazem uso de engôdos para justificar sua antipatia pela homossexualidade.


Quanto à homossexulidade entre homens, é importante citar que o astro Sol de nossa galáxia é contra tal prática; assim como, também, o Cristianismo e Jesus Cristos (e seus "santos", muitos dos quais nem santos foram senão capatazes) são contra a homossexualidade (principalmente a entre homens), o que, desta forma, é impossível ser concomitantemente: 1) Gay e cultuador ou contemplador do Vigésimo Quarto Arcano (Zeus/Zurvan/Jove/Yah ou, na língua hebraica, Yehowah/Javeh/Allah) — como bem pontuou Helena Petrovna Blavatsky de que será desagregado para o mundo inferior e Christian Rosenkreutz que prescreveu no Manifesto Rosacruz de 2016 o fim da adoração — enquanto ideia inferior do incognoscível Altíssimo Uno/Antiga Providência ou Grande Imanifestável; 2) Gay e cultuador do Sol, o arconte corrupto e opressor deste mundo, que é o maior titã/arconte patriarcalista e pretensiosamente distorcedor do conhecimento factual acerca das verdades cósmicas e, também, é contra a homossexualidade e a sexualidade ao ponto de transmitir determinada alegria maleficamente opressora e reduzir a virilidade masculina peniana, tanto de homens homossexuais como de homens heterossexuais (para quem não acredita, faça um experimento; como bem soube Napoléon Bonaparte!); 3) Gay e cultuador de Ganesha, o filho do profeta Hanuman/Shiva adorado na Índia entre os praticantes da religião Hinduísta, é contra os desejos femininos alheios; 4) Gay e prestador de honrarias à Kuan Yin, a santa da compaixão célebre nas religiões Budista e Hinduísta e entre os movimentos socioculturais medievais e modernos da Europa e da América, possui caráter patriarcalista impositor; 5) Gay e prestador de honraria à Harpocrates, o velho egípcio que queria ser "adorado como sendo o Filho Divino Horus", possui caráter instintivo pró-helios; 6) Gay e cristão ou seguidor de Jesus Cristos, o "Messias" (leia-se: "matador") ou "novo Yehoshua/Yohsua" que, em sua existência anterior, realizava matanças nas cidades não-hebraicas para exterminar seus habitantes por não adorar a "deidade Judaica" (vide: "Livro de Yehoshua/Josué", da Bíblia Judaica), possui caráter machista ferrenho anti-feminilidade e anti-homossexualidade; 7) Gay e judeu ou seguidor de Moises, o literalista feiticeiro/malfeitor e anti-homossexual que, após obter o conhecimento mágico-espiritual iniciático da Bruxaria, profanou-a e cometeu assassinato de um homem egípcio; 8) Gay e muçulmano/islamita ou seguidor de Maomé, o "novo Moises" promotor da rebeldia terrorista e instituidor da seita sionista dos "illuminati" ou "iluminatas" (que de "iluminado" pouca coisa tem senão a imitação da Bruxaria e o pensamento de ódio que transborda); 8) Gay e prestador de honraria à Maria, a suposta "virgem" judaica, possui caráter repressor acerca da sexualidade (por considerar a sexualidade "obra do Demiurgos Tubalcain" que deve ser "extinta" da biologia física). 

Assim como a educação civil das pessoas para o exercício da cidadania depende, não apenas da escola ou da educação pedagógica, mas, também, da educação familiar ministrada pelos pais ou responsáveis, a educação cósmica das almas para atingir o estado de santidade ou heroísmo, não obstante, depende também dos arcontes ou regentes que estiverem no governo do mundo ou da galáxia; todavia, se os pais não ministrarem educação alguma senão demagogia e sofismos, tais filhos terão, em consequência, uma educação deficitária e incompleta em função da ruptura que haverá no processo de desenvolvimento-aprendizagem entre a educação da ciência e a falsa educação incompetente de seus responsáveis corruptos, e é exatamente esta mesma corrupção que ocorre em nossa galáxia que, pela lei da correspondência, o controle arcôntico e sua falsa santidade — já apontada no passado pelo primeiro filósofo Tubalcain  imputam reflexos negativos no micro contexto em que possui menor poder de comandar: porque todos ou a maioria das criaturas que possuem maior influência solar são, também, as mais tiranas, opressoras e corruptas?! Deste modo, a velha Bruxaria ensinava que "[...] a Luz das Bruxas e Iniciados não é o sol dos mortais, mas, a pura Luz do Deus Dionysos/Osiris Bakha, o Sol [Ra] da Verdade [Ma]", isto é, o Senhor do Astro "Sirius" (literalmente "Osiris", na língua greco-egípcia), o grandioso "Sol Oculto" (manifestação do Altíssimo Uno Amon) do qual o Filho Divino é, pelo Desejo da Deusa Estelar, enviado como Grande Herói ou Filho da Luz à terra e, sendo o Astro Sirius maior que o corrupto sol físico ou helios dos mortais, Sirius possui maior influência astrológica ao alinhamento das constelações siderais, cujo fenômeno astronômico ocorre no período do natalino Sabá Hilária ou Yule. Neste aspecto, um dos ensinamentos da Bruxaria é a transcendência sexual (esquecida nos dias atuais, por ideologia de Gerald Brosseau Gardner e de um movimento político de iniciados heterossexuais em que pararam no tempo) que, por sua vez, tal ensinamento bruxesco ensinava (e ainda ensina) que, embora a mulher seja aquela que geralmente está mais preparada para incorporar a Deusa e o homem seja aquele que geralmente está mais preparado para incorporar o Deus, essas funções ritualísticas são meras personas, isto é, máscaras, utilizadas para trabalhar com as mesmas energias que estão presentes tanto no homem quanto na mulher, tanto no heterossexual quanto no homossexual. As "personas" ou "máscaras" (etimologia originada de "Masque" ou "Missa", o pré-cristão Idos/Plenilúnio das Bruxas) são as formas anímicas que tomamos com a densificação ou condensação, como se fossem roupagens que, em consequência de nosso desejo de prosperidade, aproximam-se da natureza ou matéria; sendo que os antigos mitos bruxescos afirmam que, com a oposição do Vigésimo Quarto Arcano contra o demiurgos Tubalcain, o Anjo Polímata que desceu à terra após criá-la, os Deuses tomaram formas anímicas distintas para não serem afetados na guerra titânica do imperialista Vigésimo Quarto Arcano contra o Anjo Polímata oprimido (o qual foi torturado e aleijado pelo maldoso imperialista dos arcontes). Por estes fatores, alguns Clãs de Bruxas, medievais e clássicos, eram formados exclusivamente por pessoas do mesmo sexo, como entre mulheres, as quais faziam uso da Baqueta ou Báculo, ou entre homens (como os Templários, Iniciados secretos do "Templo Negro/Azul"), os quais, estes últimos, exerciam o sacerdócio entre casais de homens. 

Ademais, deve lembrar que o pecado ou hamartia, em si, não surge da afetividade de gênero, mas, sim, da ignorância, da corrupção, do malefício e do erro, fatores horripilantes que, por sua tenuidade, qualquer criatura de qualquer nível pode ser influenciada independente da forma física que possui. Os Gnósticos Mandeístas mosaicos e partidários que defendem a Magia Sexual estritamente heterossexual e de modo rebelde e desequilibradamente machista estão, inegavelmente, influenciados pela biologia material ou criação existencial materialística deste mundo que, sob o jugo do corrupto Ares/Ahriman/Seth ou Satã, aprisiona e impede, a si e aos outros, de transcender as formas personalísticas ou máscaras e de buscar a Sabedoria Hermética rumo até a Deusa, o Deus e o Incognoscível Uno; assim como, estes mesmos Gnósticos machistas, afirmam que a primeira mulher Tefenet/Pandora (a Persephone dita Leptynis
/Lilith) é a "origem do mal". No entanto, se foi do primeiro homem Adam ou Atum/Aton/Prometheus que surgiu a mulher Tefenet/Pandora a Persephone Leptynis/Lilith ou o próprio Altíssimo que a criou, a "origem do mal" não está, em hipótese alguma, na mulher Tefenet/Pandora a Persephone Leptynis/Lilith senão no próprio Altíssimo, tendo em vista que os mitos antigos contam que o Altíssimo tomou forma de uma Serpente para tentar Persephone/Lilith a Tefenet/Pandora ao ponto de aceitar a provar da flor do narciso e/ou do fruto da romã do Filho Divino Eros (ou Prometheus) antes desta Matriarca da Deusa descer a terra originar o gênero feminino ou Ob terreno, todavia, se o "Altíssimo" criou o mal, por obviedade este ser tentador não era exatamente o Altíssimo Uno senão uma fagulha Deste; o que significa que, por outro lado, Tefenet/Pandora (a Persephone/Lilith) era, junto com Metis e Hera/Ashera, Cárites/Graças/Ideias do Altíssimo Uno (o incognoscível Agnostos Theos) que, por ordem do Vigésimo Quarto Arcano (Zeus/Zurvan/Jove) do Altíssimo, fora materializada (obra de Tubalcain/Hephaistos) e, assim, desagregada para a Criação do Mundo ou Demiurgia. Em consequência à tal ordem dada, originou-se o Filho Divino Aton/Atum/Prometheus e procedentemente sua Tefenet/Pandora a Persephone/Lilith que, ao encontrarem-se divididos na obra do anjo Tubalcain ou em ódio do distanciamento alquímico, apareceu o corrupto rival Ares/Ahriman/Seth ou Satanás que, ao roubar o amor pleno (Naamah/Ninmah/Niamh/Hathor-Sekhmet a Aphrodite Pandemos/Syria Kale) que nunca cultivou, deu origem à violência, à rebeldia e à guerra ou mal denso, levando Aton/Atum/Prometheus a ser, por sua criação da humanidade, acorrentado nas rochas do mundo (a matéria) com seu fígado (a ética ou moralidade) sendo devorado por abutres (as fatalidades impostas), e Tefenet/Pandora a Persephone/Lilith, raptada pelo vigilante Hades/Dis (o dominador) nas águas subterrâneas (os sentimentos ocultos): ou seja, a origem ou primeira fagulha pela qual deu origem ao desejo de maldade advém do próprio Vigésimo Quarto Arcano, o qual, imerso na dualidade imperialista, fez surgir Ares/Ahriman/Seth, o mal denso ou pecado ou hamartia ("ha-martia", literalmente "o que advém da violência" ou "o que advém de Marte"); ao passo que, a matriarca Persephone/Lilith a Tefenet/Pandora, não é maléfica nem obriga opressoramente nenhuma criatura a fazer o que não queira 
 tal como faz o "Altíssimo" e o arconte Helios o Sol em conluio com Ares/Ahriman/Seth/Satanás —, então, por quê motivo um ser divino, que ajuda na concretização dos anseios mais profundos e no bem-estar alheio, deveria ser a "origem do mal ou do pecado"? Esta falsa acusação advinda de bárbaros repreendidos na submissão ao imperialista "Altíssimo" se chama, não obstante, ignorância. Para os judeus, cristãos, muçulmanos e satanistas, o mal e o pecado ou hamartia não surgiu com o corrupto Ares/Ahriman/Seth/Satanás, mas, com a primeira mulher Havah/Lilith, ou seja, a opinião mosaica é uma fútil justificativa para perseguir o gênero feminino e dar o poder à Ares/Ahriman/Seth/Satanás.

A partir disso, a grande Deusa Diana/Artemis/Arduinna ou Ariadna/Demeter Sito/Satia/Isis enviou à terra, no período magdaleniano ou da Atlântida, a donzela turco-tessaliana Heket/Hecate, a "primeira bruxa" Erodia/Aradia para que, junto com o Hierofante Hermes, seu amante e filho-irmão de Tubalcain e que defendeu o pacifismo e a justiça ou harmonia como Regra de Ouro, resgatasse e protegesse a soberana mulher do matriarcado Tefenet/Pandora a Persephone/Lilith e o gênero feminino ou matriarcalismo da submissão a que toda criatura está propensa na densificação e no mundo (a sombra no mundo inferior em que é causada pela luz parcial ou falsa luz no plano mediano) e, desta forma, varresse o ódio e sua inerente opressão e escravidão sofrida (pois, a incognoscível Luz completa e verdadeira não provoca sombra alguma!). Tanto a divina donzela Hecate como, principalmente, a matriarca Tefenet/Pandora a Persephone/Lilith são defensoras do Caminho da Justiça, ou Caminho da Rosa-cruz, que é o caminho do meio, do coração e da liberdade e sexualidade sem opressão (incluindo a homossexualidade). Não obstante, também estão em erro aqueles que defendem a morte completa do ego, não apenas do inferior, mas, também, do superior, acreditando, equivocadamente, que o ego superior seja igualmente passível de eliminação, visto que é impossível viver sem expressar um modo egóico e, o próprio modo egóico superior em que está em conformidade com a divindade e com a unidade, constitui a expressão de vida indestrutível; ao passo que tais pessoas cogitadoras destes engodos, em contraposição ao que afirmam, estão preenchidas de formas egóicas de tal maneira, em pretensão persuasiva imoral, como se estivessem hipnotizadas ou iludidas por ensinos sofistas e irracionais à realidade espiritual: pois, quem cogita radicalismos ou rebeldias ou extremismos, seja no aspecto religioso-espiritual ou não, esconde uma grande fragilidade interior e um grande pecado ou hamartia de cunho pessoal, que o próprio ego, imbuído de instintos de ódio, encontra uma maneira opositora e conservadorista de revesti-lo. Contudo, sendo a justiça ou bem comum supremo em si mesmo, a falsa superioridade e a condenação de rebaixamento alheio são, inegavelmente, as verdadeiras armadilhas do ego inferior: quem possui amor puro e autêntico do qual se caracteriza a divindade, não condena ao rebaixamento alheio, não sente ódio, não rivaliza, não cogita a guerra e nem promove o ataque terrorista, pois, uma vez que não possuindo — ou possuindo em menor nível — dentro de si a semente da maldade, é indiferente, em decorrência disso, com esta mesma semente por não ser ela própria o alvo-objetivo a ser alcançado em plenitude pela Bruxa ou pelo Iniciado na Bruxaria. 


Em resumo, ser homossexual e praticar a Bruxaria é possível sim, desde que se conheça, de fato, as técnicas mágico-espirituais para eficácia das operações ritualísticas e cada um dos companheiros assuma o seu papel afetivo-sexual em que se identifica (pois, a Bruxaria ensina no ciclo da Roda do Ano, representada pela cruz céltica ou pela cruz carolíngio-templária que, quanto maior o distanciamento polar entre duas forças que se atraem, maior será a intensidade do reencontro, o que se pressupõe como característica principal do Filho Divino Lucifer/Mitras o hermafroditismo, ou seja, a Criança Mágica é dada à luz através do amor e, portanto, no Ponto do Meio, a "Flor de Lótus" ou "Flor da Vida" ou "Rosa-cruz", enquanto alvo ou destino a ser alcançado, isto é, cada pólo deve se tornar essência em tempos alternantes entre si, para vir a ser completa a concretização do reencontro ou fraternidade, assim como ensinam os ensinamentos bruxescos dos Sabás). Contudo, apesar de que a Bruxaria e o Cristianismo constituírem as religiões que compuseram a aura do Ocidente, a Bruxaria não visa que as pessoas se tornem Cristãs ou seguidoras de quaisquer religiões de massa, e toda pessoa adepta da Bruxaria, com o aprofundamento nesta e a separação entre o sutil e o vulgar, terá que deixar hora ou outra de participar de todo e qualquer clube ou grupo correligionário de pessoas comuns: ao contrário da espiritualidade popular que almeja seguidores eclesiásticos, a Bruxaria se calca no antigo ideal de que, através da Iniciação, possibilite às pessoas alcançar a santidade ou heroísmo, o último Grau da Bruxaria, como ensinado pelo arcanjo Hermes/Hormazd (o Fundador da Bruxaria). De acordo com a astrologia da velha Bruxaria e das ciências ocultas, ocorre há aproximadamente cada 2.650 anos uma era astronômica cuja característica simbólica predominante é estabelecida pelo Advento do Filho Divino, um Herói ou Santo (visto que o termo "Santo" foi, originalmente, uma tradução pagã romana para "Herói") enviado pelos Deuses para restaurar a Antiga Religião, o que, segundo o filósofo pagão e bruxo Gaius Iulius Hyginus, o Herói seria Ganymedes em que sua representação animal é a águia ou galo, assim, nota-se que muitos seres estão apresentando comportamentos homossexuais e variações de hermafrodisia de gênero com maior frequência para que, desta forma, possa-se transcender a sexualidade e aprender a usá-la sabiamente; todavia, Ganymedes jamais fora herói ou santo senão um mortal iconográfico e, portanto, segundo os mitos da Bruxaria Medieval Pentárquica, a Nova Era será momento em que a regência astrológica estará sob o hermético-bruxesco "Comando dos Sábios", de sabedoria (saber), coragem (querer), prática da justiça (ousar) e equilíbrio (calar), onde o poderio será, não mais majoritariamente físico, mas, sim, gerido em nosso eu mais íntimo, cujo Herói seria o bruxo e rei Arthur (reencarnação do "Rei Mago" Melchior), como outrora descrito: 


"Hic iacet Arthurus, rex quondam, rexque futurus"
[Aqui jaz Arthur, Rei que foi e Rei que será]. 


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Ao benemérito St. Prior J.'.E.'.C.'.S.'.
Pela divindade do Uno, do Deus e da Deusa,
Ao Filho Divino, Vida, Saúde, Força e União!


Tábua da Esmeralda
"[1] É certo, justo e muito verdadeiro: 
[2] O que está embaixo é como o que está em cima 
e o que está em cima é como o que está embaixo, 
para realizar os milagres de uma mesma coisa. 
[3] E assim como todas as coisas vieram do Uno 
por adaptação, todas as coisas são únicas. 
[4] O Sol [o da Verdade, Ra-ma] é o nosso Pai, a Lua a nossa Mãe, 
o Vento o embalou em seu ventre, a Matéria é sua alma. 
[5] O Progenitor de todo Talismã do Cosmos [Demiurgos] está nisto. 
[6] Seu poder é pleno, quando convertido em Matéria. 
[7] Separarás a Terra do Fogo, o sutil do grosseiro, 
suavemente e com grande habilidade. 
[8] Sobe da Terra para os Céus e desce novamente à Terra 
e recolhe a Virtude das coisas superiores e inferiores. 
[9] Deste modo, obterás a glória do cosmos. 
[10] E se afastarão de ti todas as trevas. 
[11] Nisso consiste o Poder Poderoso de todo Poder: 
vencerás todas as coisas sutis e, assim, 
penetrarás em tudo o que é sólido. 
[12] Deste modo, o cosmos foi criado. 
[13] Esta é a Fonte das admiráveis adaptações aqui ensinadas. 
[14] Por esta razão fui chamado de Hermes Trismegistos, 
pois, possuo as Três Partes da universal Filosofia. 
[15] O que eu ensinei da Obra Solar [Grande Obra] está completo".

Três Vezes Abençoado.