sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

-A Velha Bruxaria na Inglaterra Moderna

Livro: "Dançando com as Bruxas"
Autora: Lois Bourne


Capítulo 5, p. 53-61:


"[...] Margo, no entanto, provou ser um dos melhores esforços de Gerald. Quando nos foi apresentada, ela devia ter quarenta anos, talvez menos. Era bastante bonita, com cabelos cor de mel, curtos e ondulados, olhos verdes e uma pele sedosa, com marcas da varíola que contraía quando era criança. O corpo não chegava a ser esguio, mas era bem feito. A voz era refinada, com um tom aristocrático. As mãos eram notáveis, com dedos longos e afilados (ela era muito musical).


Margo era sensível e animada, encantadora, alegre e divertida. Sua presença era uma fonte de satisfação. Contou-nos muitas histórias divertidas sobre sua vida, caçando, atirando e pescando. Mas não era nem um pouco pretensiosa, muito menos afetada. Era uma aristocrata genuína, com óbvias e intensas capacidades psíquicas e mágicas. Todos nos apaixonamos por ela, em particular os homens do conventículo. (Inconscientemente, ela irradiava uma profunda atração sexual. Um movimento dos olhos cinza-esverdeados de pestanas compridas reduzia os homens a geleia).


Gerald estava encantado. Era como um jovem inocente falando sem parar, dispensando a maior atenção a Margo. Sentia-se lisonjeado pela deferência óbvia com que ela o tratava, interrogando-o sobre seus livros e o museu. Disse que gostaria de visitá-lo na Ilha de Man. Pensei que ele ia desfalecer de felicidade pela perspectiva; tremia de alegria, seus olhos brilhavam como faróis. Margo nunca chegou a visitar Gerald na Ilha de Man, mas logo se tornou uma valiosa integrante do conventículo. Gerald veio da ilha especialmente para iniciá-la. Estava apaixonado por ela. Eu a adorava. Era impossível não gostar dela. Ninguém podia resistir a seu charme.


Margo possuía um prodigioso conhecimento de magia e bruxaria. Seus poderes psíquicos eram fenomenais. Irradiava uma intensidade compulsiva nos rituais mágicos. As paredes do velho Chalé das Bruxas pareciam vibrar com a força de sua presença. Quando fazia as invocações vocais no frenético poder do crescente final, parecia que todas as corujas no bosque ao redor haviam sido despertadas para assentarem no telhado por cima de nós, piando em resposta aos seus chamados selvagens e primitivos. O ambiente dentro do Chalé pulsava com presenças, enquanto desabávamos, ofegantes, e formas e sombras estranhas surgiam ao redor, sinuosas e benéficas, respondendo à invocação. Nunca havíamos experimentado nada parecido.


Margo, porém, mantinha-se inabalável, num perfeito equilíbrio, apesar dos seus esforços, que esgotavam os demais. Contemplava-nos com um sorriso secreto contraindo os cantos dos lábios, os olhos de gata cinza-esverdeados faiscando à luz das velas. Quando saíamos da letargia conjunta, ela inclinava a cabeça para trás e ria, mostrando os dentes brancos e regulares. A voz se tornava rouca de emoção quando dizia: "Isso é que é Bruxaria de verdade!". Ao recordar as manifestações que Margo produzia no Chalé, penso num poema de Matthew Arnold, Bacchanalia, que ilustra com perfeição o ambiente dessas ocasiões:


'Devagar, aos pulos, 

Dando voltas
Parando, virando, 
Em filas, em bandos,
Alegres, jogando pelo ar,
Agulhas de pinheiros,
Túnicas soltas em ombros brancos
Os cabelos soltos...
Vejam! As selvagens Ménades!
Do bosque saem,
Juventude e Iacchus,
Sentem o sangue ferver'.

Gerald, idoso e incapaz de contribuir para atividades mais perigosas, era um observador dos acontecimentos. Olhava radiante e aprovador para sua protegida, satisfeito com os fatos, congratulando-se pela nova aquisição.


Margo morava em East Anglia. No percurso para o clube, passava perto da minha casa. Por isso, ela adquiriu o hábito de me pegar e seguirmos juntas para as reuniões do conventículo. Guiava uma velha van em péssimo estado, recendendo a cachorro molhado. A viagem para o clube era vertiginosa. Margo foi a segunda pior motorista que já conheci; meu coração parecia sair pela boca a todo instante, enquanto ouvíamos uma zoeira de buzinadas dos outros motoristas. Se entrava por um caminho errado, ela fazia uma volta em U no mesmo instante... para meu alarme e a fúria dos outros motoristas, que gritavam em protesto. Não sei como sobrevivi às viagens que fiz com ela. Mas eu tinha o pressentimento do que os Deuses a tinham em favor especial, que também estendiam a mim, enquanto estava em sua companhia.


Ela comparecia regularmente às reuniões do conventículo. Em consequência de sua presença, nosso conhecimento e poder aumentaram. Além de outros atributos, Margo era também uma pintora de alguma distinção e reputação. Compareci a várias exposições suas. Seus quadros, de paisagens rurais, estações, Deuses antigos, imagens e símbolos pagãos, eram místicos, de uma beleza comovente. 


Uma ocasião, quando passou em minha casa para me buscar, a caminho de uma reunião, ela declarou, com uma seriedade excepcional, que desejava conversar comigo em particular. Explicou que pertencia a um conventículo de Bruxas de East Anglia, com uma tradição ininterrupta de mais de duzentos anos. Esse conventículo andava preocupado com a atração de Gerald por publicidade. Achava que tirar a Bruxaria das sombras acarretava o perigo de denúncias, que podiam atingi-lo. Por isso, ela fora persuadida a escrever para Gerald, infiltrar-se no grupo e descobrir que tipo de pessoas éramos, se de fato possuíamos algum poder real. Na ocasião, ela me falou muito pouco sobre seu conventículo. Disse apenas que era a Magistra, tinha um companheiro chamado Bertram, que era o Magister. Mas embora fossem, para todos os efeitos e propósitos, os líderes e organizadores do conventículo, os verdadeiros dirigentes eram um casal conhecido como Senhor e Senhora, que presidiam todas as sessões. O conventículo contava com 36 pessoas. Nem todas compareciam aos conventículos regulares, mas todos deviam ir aos quatro grandes Sabás do ano.


Eu era muito mais jovem e menos sofisticada do que sou agora, mas lembro que tive alguma dificuldade em absorver todas aquelas informações surpreendentes. Perguntei-me por que fora a escolhida para isso. Margo disse que o foco da atenção em seu conventículo era muito diferente do nosso. A orientação era menos matriarcal e mais voltada para o ano agrícola. Seus métodos de mobilização do poder eram diferentes e, na opinião de Margo, melhores do que os nossos. O conventículo era organizado em diversos níveis. As pessoas no primeiro nível tinham mais poder mágico que aquelas em níveis inferiores. Ao final, ela disse que já me contara o suficiente, por enquanto. Acrescentou que gostaria muito de que eu conhecesse o Magister. Seu eu concordasse, ela o levaria para um chá em minha casa, no momento mais conveniente. Poucas semanas depois, Margo e Bertram foram me visitar.


Eu me sentia um tanto atordoada com as revelações, mas o encontro com Bertram foi a realidade. Era um homem alto e corpulento, de pele um tanto trigueira, cabelos pretos, olhos muito escuros. Sempre considerei que os olhos escuros eram fervorosos, mas os dele eram pretos que nem carvão, frios, com uma certa qualidade ameaçadora; senti que ele podia ser um formidável oponente, se irritado. Tinha uma voz profunda, instruída e refinada. Era um executivo por profissão. Descobri mais tarde que era muito rico. Guiava um carro que parecia muito caro. Quando andei em seu carro, concluí que era o terceiro pior motorista que eu já conhecera. (Todos esses julgamentos sobre motoristas de carro parecem-me agora arrogantes, já que na ocasião eu nem sabia guiar. Baseavam-se na confiança que eu sentia como passageira).


A visita foi agradável. A conversa variou de bruxaria e magia para música e livros. Mas senti que ele me avaliava atentamente; por minha vez, eu também o observava. Fiquei com a impressão de que ele mantinha uma forte aliança com o álcool. Não pude deixar de refletir sobre o estado de seu fígado. Não seria verdade dizer que não gostei dele; apenas me senti cautelosa. Bertram parecia ter um relacionamento profundo com Margo. Os dois se davam muito bem.


Depois, Margo convidou-me a passar um fim de semana em sua casa. Esperou-me na estação ferroviária e levou-me para sua casa nos campos. Não gosto muito de East Anglia; acho uma região plana e desinteressante, com um vento frio predominante. No inverno, é um lugar horrível. Mas estávamos na primavera, com os narcisos em flor balançando à brisa. A natureza estava prestes a desabrochar por completo, em toda a sua glória. Meu ânimo era de agradável expectativa. 


Margo morava com o marido num velho solar, com amplo terreno ao redor. Tinha uma cozinheira, uma arrumadeira e um jardineiro que também se encarregava de todos os pequenos consertos necessários. A casa era cheia de sombras e sussurros. Tive certeza de que era assombrada. Pelo canto do olho, vislumbrei uma mulher num vestido cinza comprido. Margo informou que era a proprietária anterior, um espírito bastante cordial. A casa tinha seis quartos, três banheiros, um escritório grande e quatro salas. Meu quarto dava para o jardim amplo e bem cuidado, na frente da casa. No fundo havia um estábulo e um canil, alojando dois cavalos e numerosos cachorros latindo.


Na manhã seguinte à minha chegada, Margo anunciou que daríamos um passeio para exercitar um pouco os cavalos. 'Sabe andar a cavalo, não é, Lois?', indagou ela, altiva. O tom e a expressão insinuavam que uma pessoa que não sabia andar a cavalo nunca vivera; recordei as palavras de Oliver Wendell Holmes, de que 'sentar num cavalo torna os homens arrogantes'. Respondi que sabia montar, embora não se pudesse dizer que sou uma competente amazona (secretamente, considero os cavalos, nas palavras de James Stern, 'desconfortáveis no meio e perigosos nas duas extremidades'). 


Há uns dois anos que eu não andava a cavalo, e meu entusiasmo definhara bastante. (Costumava montar regularmente em anos passados com uma amiga, com quem mais tarde perdera o contato). Quando retomamos o contato e começamos a trocar reminiscências, resolvi lhe perguntar: 'Lembra daquele cavalo tordilho, Snowy, que me derrubou?' Ela respondeu, incisiva: 'Ele não a derrubou. Você é que caiu'. Era verdade, mas era uma indignidade admitir que caíra de um cavalo. Esperava que a memória da minha amiga fosse pior do que a minha... e mais gentil). Tudo isso me passou pela cabeça, enquanto procurava desesperadamente pensar numa desculpa para não acompanhar Margo no passeio a cavalo. Mas ela não aceitou nenhuma, e assegurou que minha montaria seria gentil e controlada com facilidade.


Quando conheci a égua Meg, descobri que era castanha, com uma enorme barriga. Acho que a égua não gostou de mim, porque relinchou alto, deixou os brancos dos olhos à mostra, tremeu as narinas e empinou, enquanto eu recuava, apressada. 'Oh, Deus!', pensei, enquanto Margo segurava a rédea e me exortava a montar. Não consigo me lembrar como consegui erguer a perna e pôr os pés nos estribos. Detesto alturas, e foi como montar na Torre Eiffel. Ao mesmo tempo, lembrei-me de um camelo em que andara no deserto, que tinha horríveis dentes amarelos, exalava odores repulsivos das duas extremidades e a todo instante virava a cabeça para trás e me fitava, com uma cara maligna e ameaçadora. Fiquei convencida de que tinha intenções maldosas contra mim e mal podia esperar para desmontar.


Passeamos por cerca de duas horas, através dos campos e estradas, passando por propriedades de amigos de Margo.Depois que peguei o ritmo do movimento, comecei a me sentir mais à vontade. Quando galopamos, até descobri que gostava. Ao final de duas horas, meu traseiro sentia a tensão. Ao desmontar, pensei que as pernas ficariam como parênteses por uma semana. Mas Meg demonstrara ser a égua mansa como fora anunciada. Esfreguei seu focinho para agradecer. Margo era uma magnífica amazona. Enquanto ela saltava pelos obstáculos, eu dava a volta; não podia ter a menor esperança de imitá-la. 


Naquela noite, fomos convidados para um jantar na casa de amigos de Margo e seu marido. Era uma casa enorme, ao final de um caminho longo e sinuoso, com azaleias altas nos lados (tudo o que eu podia ver à luz dos faróis do carro, pois já estava escuro quando deixáramos a casa de Margo). O acesso ao portal — era espetacular demais para ser chamado apenas de porta — era por um lance de degraus e uma varanda, que se estendia ao longo da fachada. A luz saía pelas janelas altas, podia-se ouvir a música interior. Fomos recebidos por um mordomo e conduzidos à presença dos anfitriões. 


O salão estava iluminado por velas altas, em lidos castiçais antigos de prata. A sala ao lado tinha um chão de mármore e quadros a óleo nas paredes, com uma galeria por cima. Fiquei impressionada com o tamanho da casa. Fomos levados para sala de jantar, onde já havia trinta pessoas reunidas. Senti-me inexplicavelmente tímida na presença de tantos estranhos. Embora fosse uma noite agradável, em que fui relaxando pouco a pouco, tinha plena consciência de que era observada. Margo me disse mais tarde que todos os presentes eram membros de seu conventículo. Em ocasiões subsequentes, quando também me hospedei em sua casa, conheci outros membros".




Capítulo 9, p. 106-117:


"Depois da morte de Gerald — que era, quer as pessoas estejam ou não dispostas a admitir, o esteio do conventículo na BW [abreviação de 'British Witchcraft', isto é, Bruxaria Britânica na língua inglesa] — houve um período de indecisão e sutil incoerência. Além disso, um elemento de materialismo infiltrou-se na estrutura de confiança e coesão que o conventículo tinha antes. Depois de algum tempo, ocorreu-me de repente que a morte de Gerald libertara-me das obrigações. Examinei onde me encontrava e reavaliei o que queria ser.


Margo, nossa bruxa aristocrática, que continuava a comparecer às reuniões do conventículo com tanta frequência quanto podia, mantinha uma volumosa correspondência comigo nos intervalos. Desde que ela ingressara no grupo de BW [Bruxaria Britânica], eu a visitara em sua casa várias vezes, conhecera diversos membros de seu outro conventículo. Nos anos transcorridos, alguns haviam morrido, enquanto outros se tornavam inativos por causa da idade ou doença, e mais outros se mudaram. Mas ainda havia um núcleo de atividade bem grande. Cada vez que eu ia até lá, deixava-me persuadir a montar um horrível cavalo. Meu traseiro parecia estar se expandindo de uma maneira alarmante. Passei a temer e aguardar com ansiedade os passeios a cavalo. Acabei decidindo que gostava desses passeios, qualquer que fosse o tempo... e parei de me lamentar.


Eu guardava o segredo de Margo sobre o motivo para sua infiltração no grupo de BW [Bruxaria Britânica]. Como ela continuava a comparecer às reuniões de nosso conventículo, presumi que obtinha algum proveito. Também desenvolvera uma amizade profunda com Cottie Burland, velho amigo de Gerald, autor prodigioso de livros sobre magia e misticismo, e, até a sua aposentadoria, um integrante conhecido da equipe do Museu Britânico. Fomos hóspedes na casa de Margo ao mesmo tempo com frequência.


Além de conhecer os membros do conventículo que ela e Bertram lideravam, sendo apresentada inclusive ao casal tratado como Senhor e Senhora do grupo, não ouvi quase que nenhuma revelação sobre suas atividades. Margo, é claro, concedera-me o benefício de sua opinião sobre Gerald e o tipo de magia que ele praticava. Apesar de minha profunda afeição por ela, no entanto, eu sabia que uma era uma mulher de posições dogmáticas. Duvidava de que algum dia lhe tivesse ocorrido que podia não ser infalível. Embora não me encorajasse ativamente a abandonar minha ligação com o grupo de BW [Bruxaria Britânica], Margo deixara bem claro que sempre haveria um lugar para mim em seu conventículo. 


Se eu aceitasse, teria de deixar o conventículo de BW [Bruxaria Britânica]. Ela disse que era improvável que eu aprendesse mais alguma coisa ali, que os ensinamentos de Gerald eram a sombra, pois ele não possuía a substância. Criticava o método de trabalhar 'vestido pelo céu', que considerava frio, desconfortável e inútil quando se atuava no Chalé das Bruxas (na verdade, ficava-se obrigado pelo Chalé; ficar 'vestido pelo céu' só era útil quando se trabalhava ao ar livre). Margo achava que Gerald gostava de ver mulheres bonitas, sendo esse o motivo para a regra do 'vestido pelo céu'. Vira a lista de 'palavras de Bruxaria' de Gerald e a descartara como uma invenção espúria. Também não atribuía qualquer importância aos rituais de Gerald, que considerava fantasiosos demais.


Margo gostava de Gerald e achava-o 'uma simpatia'. Também admirava sua engenhosidade e inventividade. Era de opinião de que ele possuía algum conhecimento e um genuíno poder mágico, mas deplorava sua capacidade para o que classificava de impostura e intriga, além da inclinação para a publicidade. Também desdenhava a falta de capacidade de Gerald para julgar a natureza humana e sua fraqueza ao aceitar as pessoas pelo que se pareciam. Estava convencida de que Gerald, à medida que envelhecesse, ficaria pior e se tornaria o seu maior inimigo (ela compreendia as ansiedades de Jack e dizia que eram procedentes). Era uma psíquica [ou 'médium', na língua portuguesa] talentosa. Investigara o futuro imediato do grupo e recebera fortes apreensões sobre a continuação do museu, que considerava uma iniciativa excepcional. Tinha certeza de que não havia como evitar que Gerald se envolvesse com pessoas inadequadas.


Às vezes essas conversas ocorriam na presença de Cottie Buland, que parecia concordar com sua avaliação do caráter de Gerald. Apesar de tudo, eu não sentia na ocasião a menor disposição de encerrar meu relacionamento com o grupo de BW [Bruxaria Britânica]. Achava que devia uma certa lealdade a Gerald, que fora fundamental para me proporcionar a oportunidade de realizar aspectos da minha personalidade. Em nenhuma circunstância eu queria magoá-lo, pois sempre fora um amigo gentil e generoso. Estava feliz com minha associação com BW [Bruxaria Britânica]. Prezava as amizades que fizera ali, era muito afeiçoada aos membros do grupo. Gostava dos rituais e trabalhos de magia, o ambiente ao redor. A serena satisfação que o grupo de BW [Bruxaria Britânica] me oferecia na ocasião era mais importante para mim do que ampliar meus conhecimentos. Apesar das críticas de Margo, sabia que aprendera muito com Gerald. Enquanto Gerald vivesse, eu seria leal a ele e ao grupo que formara.


Quando recebi a informação de que Gerald morrera, as palavras de Thomas Wolfe afloraram subitamente em minha mente: 'Aquele rio secreto e escuro, dominado por um tempo estranho, fluindo para sempre além de nós e correndo para o mar'. Mesmo aos oitenta anos de idade, ele ainda transbordava de entusiasmo pela vida, ainda fazia planos para o museu e se interessava pelas vidas e atividades de seu grupo. Rainer Maria Rilke escreveu: 'O fato é que essa é no fundo a única coragem que nos é exigida, a de ter a coragem de encarar o mais estranho, o mais singular e o mais inexplicável que podemos encontrar. O fato é que, neste sentido, a humanidade tem sido covarde, causou um mal interminável à vida. As experiências que são chamadas de 'visões', todo o 'mundo espiritual', morte e tantas coisas que nos são afins, acumulam-se de tal forma em nossa vida que os sentidos, pelos quais poderíamos compreendê-las, estão atrofiados, para não falar de Deus'


Apesar de seus defeitos muito humanos, ocorreu-me que Gerald possuía essa coragem. Não temera o ridículo ou os ataques, tolerara a crítica, o desprezo e a incompreensão. Mantivera sua convicção de que os Deuses antigos ainda viviam, que a Terra é nossa mãe, e que tudo o que acontece com a Terra afeta as pessoas que aqui vivem... que todas as coisas estão relacionadas, como o sangue que nos une, que o homem não tece a teia da vida, sendo apenas um fio nela; tudo o que ele faz com a teia, faz a si mesmo. Ele amava os Deuses mais antigos e mais gentis, era devotado à Grande Deusa, em todas as suas inúmeras formas. Dissera sobre sua esposa, Donna: 'A Deusa vai amá-la'. Eu tinha certeza de que a Deusa também o amaria e que 'na alma de um homem surgiu uma luz que nunca mais vai se apagar'


Depois que deixei o grupo de BW [Bruxaria Britânica], Margo também parou de comparecer às reuniões do conventículo. Permanecemos em contato. Eu sabia, no fundo do meu coração, que acabaria ingressando em seu grupo, mas não sentia o impulso de fazê-lo logo. Periodicamente, eu ia a reuniões de outros grupos como convidada, mas nunca eram satisfatórias. Os participantes eram autênticos e bem-intencionados, mas faltava o clima necessário, nunca se realizava qualquer magia de fato. Certa ou errada, eu pensava que apenas brincavam de ser bruxos. Ao mesmo tempo, sentia alguma apreensão com a perspectiva de me envolver com um grupo que instintivamente julgava ser mais adiantado. Temia não corresponder às expectativas que tinham em relação a mim. As pessoas do grupo que eu conhecera haviam se mostrado cordiais e acolhedoras, mas ainda assim eu me sentia contrafeita. Margo fez o melhor que podia para me tranquilizar, embora confirmasse que eu teria muito para aprender.


Minha iniciação no grupo de BW [Bruxaria Britânica] fora em Candlemas, no mês de fevereiro. Era um marco importante em minha vida. Eu queria que continuasse a ser um evento eminente, sem ser suplantado por uma iniciação diferente na mesma época do ano. Por isso, quando foi sugerido o Festival de Halloween, ou Samhain, como é conhecido em alguns círculos, para a minha iniciação, concordei de imediato. Samhain é, provavelmente, o festival mais sagrado na Bruxaria. No passado, era associado ao calendário agrícola; a colheita fora concluída e guardada, as hastes de trigo preservadas para se fazer os bonecos que representavam o espírito do trigo. A carne que não podia ser salgada e conservada era consumida numa grande celebração do ano que terminava e numa antecipação do ano que começava. Era também um momento para superar inimizades, promover a paz e encerrar o passado. Há um grande significado espiritual no Samhain. O véu entre os mundos material e espiritual era considerado mais tênue nessa época do ano celta. Havia a oportunidade de se comunicar com pessoas amadas que tinham passado além desse véu.


Os rituais do Samhain refletem essa convicção. Há inúmeras tradições. Em regiões do México, por exemplo, especialmente em San Juan Chamula, espalha-se terra recém-revolvida sobre as sepulturas dos mortos queridos, a fim de que pareçam recentes quando os espíritos retornam, no que é conhecido como Dia de Finados. As pessoas também colocam flores e fotos ao redor. Se o espírito outrora gostava bastante de um determinado prato, bebida ou cigarro, isso também é posto na sepultura. A forma da cruz Cristã é um símbolo maia, representando a árvore sagrada que faz a ligação entre o céu e a terra. O chão das igrejas é coberto com relva, para tornar a natureza mais próxima. O simbolismo da cor também é pré-hispânico: as velas brancas são para a saúde e a família, as pretas (por mais estranho que possa parecer) para afastar o mau-olhado, as verdes e azuis representam a riqueza e os bons negócios. Acreditava-se que Samhain tenha esse nome por causa do Deus da morte ariano, Samana o ceifeiro. Também se acreditava que essa fratura de tempo e espaço na mudança das estações permitia o contato entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos. Segundo a tradição, Samhain era considerado um festival do fogo, o início do inverno, quando as efígies representando as doenças e tristezas do ano anterior eram queimadas... um ritual mantido até hoje como a Noite da Fogueira, no dia 5 de novembro.


Os festivais do conventículo de Margo eram celebrados, se o tempo permitia, nos jardins do solar, ou num enorme estábulo na propriedade de outro membro. As atividades normais do conventículo, no entanto, eram realizadas na galeria do solar. Senhor e Senhora presidiam a reunião, sentados em cadeiras numa plataforma, de frente para o círculo em que trabalhávamos. Eu me sentia muito impressionada com eles na ocasião em que escrevo. A Senhora tinha sessenta e poucos anos, era alta e esguia, com olhos azuis luminosos e penetrantes, os cabelos brancos. Usava uma túnica prateada tremeluzente, que farfalhava quando ela andava ou fazia algum movimento; em torno da cintura havia um cinto pregueado do mesmo tecido. As únicas jóias eram um par de brincos de prata. O timbre de sua voz era profundo para uma mulher. Lembro da surpresa que experimentei quando a ouvi falar pela primeira vez. Seu comportamento era autoritário, mas sempre senti que por trás da solenidade havia um riso borbulhando. Os olhos exibiam um brilho malicioso até mesmo nas circunstâncias mais formais.


O Senhor era consideravelmente mais velho do que a Senhora; calculei que devia ter setenta e poucos anos. Era um pouco mais baixo do que a esposa, corpulento, os cabelos grisalhos com enormes entradas, olhos castanhos-claros e pele avermelhada. Parecia ter uma disposição para a melancolia quando as feições se encontravam em repouso, mas quando falava e sorria se processava uma completa transformação, revelando uma vitalidade e energia espantosas num homem de sua idade. 


A cerimonia da minha iniciação foi conduzida por Margo, ajudada por Bertram. (Minha impressão original dele fora alterada por um conhecimento maior. Não mais o considerava um pouco sinistro... embora minhas observações particulares sobre as condições de seu fígado permanecessem inalteradas). Foi uma cerimonia simples, celebrada quase em silêncio, a não ser pelas respostas necessárias. Finalmente fui instruída a me ajoelhar entre o Senhor e a Senhora. Inclinei a cabeça, sobre a qual eles puseram as mãos. Senti um fluxo de poder espalhar-se por meu corpo, começando na base da espinha, subindo pela coluna e explodindo no alto da cabeça, como uma luz ofuscante. Fiquei atordoada, mas exultante. 


Havia sem dúvida muito para aprender, como Margo dissera. À medida que me tornava mais eficiente nos rituais e na prática da magia, comecei a compreender com mais clareza por que o conventículo era tão orientado para o ano agrícola. Compreendi também que a Deusa podia ter seu lugar na reverência e no culto, mas o Deus era a fonte do poder sublime. Descobri ainda a verdade do fato de que, entre aqueles que vêem e sabem e aqueles que ignoram, há um abismo profundo, que não pode ser transposto com palavras. Muitos dos rituais eram conduzidos em silêncio, o que achei um tanto enervante no início, já que estava mais acostumada à exuberância do grupo de BW [Bruxaria Britânica]. Os rituais, em sua essência, eram mais sofisticados do que os outros que eu conhecera. Embora houvesse uma ênfase maior na meditação em alguns rituais, pouco a pouco fui percebendo uma sutil manifestação de sons interiores dentro de mim. É óbvio que todos possuem seu próprio som. 


A ideia de que se pode tomar conhecimento dos sons interiores é uma velha doutrina yoga. A antiga literatura védica relata sons interiores, alguns dos quais são conhecidos como 'nadis', os sons que podem ser ouvidos durante a meditação pelo 'ouvido interno'. Quando uma pessoa se torna consciente desses sons, através de várias técnicas de meditação, isso indica que alcançou um determinado estágio no desenvolvimento metafísico. Essa doutrina é mencionada esporadicamente na mais antiga literatura védica, por volta do ano 2000 a.c. Há indicações neurológicas de que esses sons podem de fato existir e que a pessoa é capaz de registrá-los. Em seu livro À Espreita do Pêndulo Cósmico, Itzhak Bentov, um inventor biomédico, opina que as ondas acústicas são sistematicamente postas em movimento dentro do corpo. Em termos mais específicos, essas ondas são refletidas a partir de ventrículos no cérebro, depois de geradas no coração. Como são muitas vezes conduzidas pelo ouvido médio, podem, nas condições certas, ser percebidas como 'sons'. Bentov entrevistou 156 pessoas que faziam meditação sobre suas experiências. Descobriu que em geral descreviam os 'sonos interiores' como sendo de baixa frequência.


Margo foi minha mestra. Quando conversávamos (como acontecia muitas vezes) sobre nossas experiências comuns no grupo de BW [Bruxaria Britânica], no qual a meditação não era comum, ela dizia: 'O silêncio é a iniciação suprema e final. Os Deuses são silenciosos; tudo vem do silêncio. A verdadeira experiência de bem-aventurança não tem palavras'. Tenho um livro de seus ensinamentos, que abrangem a magia, a bruxaria e a sabedoria dos grandes poetas, filósofos e mestres do passado. Como ela disse, 'pode-se encontrar a verdade em tudo, até mesmo nas palavras misteriosas de Robert Frost: 'Dancemos ao redor num círculo e supomos, mas o segredo se encontra no meio e sabe'.' Margo também cita Símaco, o escritor pagão romano: 'Tudo está impregnado dos Deuses. Levantamos os olhos para as mesmas estrelas... que diferença faz por que sistema de conhecimento procuramos a verdade?' Não é por um único caminho que se pode alcançar um segredo tão grande'


Sobre o passado distante, Margo estava convencida de que o nascimento da civilização ocidental ocorrera nos veles dos grande rios, o Nilo, o Tigre, o Eufrates, o Indo e, mais tarde, o Ganges. O nome do rio Ganges, Gangá, é o da Deusa. Esses lugares eram o mundo da Deusa. Por volta de quarto milênio antes de Cristo, ocorreram invasões do norte e do sul. Os invasores semitas eram pastores de cabra e ovelhas, os indo-europeus eram pastores de gado. Os dois grupos eram antes caçadores. Tinham uma cultura orientada para os animais. Sendo nômades, caçadores e pastores, entravam em contato e conflito com outros povos, conquistando as regiões para as quais se deslocavam. Traziam Deuses guerreiros, lançadores de raios, como Zeus ou Iavé. 


Margo era um fonte de conselhos práticos e tinha um abundante repertório de aforismos, que costumava citar para enfatizar um argumento. 'Não apregoe abertamente sua excentricidade. Você já é considerada uma excêntrica porque pratica a Bruxaria. Portanto, seja modesta em sua fala e comportamento. Não converse sobre sua Arte em ocasiões sociais. Sempre haverá pessoas que vão procurar sua ajuda para diversas emergências em suas vidas. Se você concordar em ajudá-las  e lembre-se de que não tem qualquer obrigação de aceitar  não faça promessas jactanciosas ou precipitadas; diga apenas que vai tentar. Seja circunspecta no trabalho que realiza para outras pessoas. Não esqueça as palavras de Santa Tereza de Ávila: 'Mais lágrimas são derramadas sobre preces atendidas do que pelas não atendidas'. Os Cristão pregam que devemos viver no mundo, mas não ser do mundo. Não é o caminho da Bruxaria. A pessoa deve viver no mundo e ser do mundo, porque só assim se tornará de maior utilidade. Os Deuses puseram você no mundo com um propósito; as belezas e prazeres do mundo são para sua satisfação, uma recompensa por seu trabalho'.


'Se você aspira à espiritualidade, não se torne orgulhosa e vaidosa. Evite a síndrome do guru. Ensino apenas às pessoas que estão em seu grupo. Não tente alcançar além de sua capacidade. Seja sempre humana e humilde'. Suas palavras de sabedoria me voltaram muitos anos depois, quando conheci um homem que enfrentava enormes desafios, mas compensava tudo com o tamanho do seu ego. Depois de um estudo solitário da Cabalá (antiga tradição oculta judaica), que resultou numa confusão mental temporária, ele anunciou solene que iniciara um curso que levaria à auto-realização. Logo ficou evidente que esse curso nebuloso excluía o senso de humor. Em vez disso, necessitava de intolerância, superioridade e um certo exagero sobre as supostas deficiências das outras pessoas. 'Mantenha uma cabeça sensata em cima dos ombros e os pés bem plantados no chão' era o ponto crucial da orientação de Margo. Esse exemplo demonstrava a sabedoria de suas palavras.


Os anos de tutela e trabalho com o grupo de Margo foram emocionantes, compensadores e absorventes, mas não seria verdade dizer que eu me encontrava totalmente obcecada pela magia e Bruxaria. Como Pablo Picasso disse uma ocasião: 'Ninguém é um bruxo em todas as horas do dia. Como se poderia viver assim?' Sempre fui também muito interessada por livros e música. À medida que os anos passaram, houve uma tremenda ressurgência do interesse pela Antiga Religião e os Deuses mais antigos e mais generosos. Os fundamentalistas Cristãos apregoam seu horror, como enormes elefantes morais que enlouqueceram. Mas quando a escuridão é vasta, devemos fornecer nossa própria luz. Anthony Storr disse em seu livro Feet of Clay, A Study of Gurus (HarperCollins, Londres, 1996): 'Os sistemas de convicções idiossincráticas que são partilhados por uns poucos adeptos apenas tendem a ser considerados como ilusórios. Os sistemas de convicções que podem ser igualmente irracionais, mais são partilhados por milhões de pessoas, são chamados de religiões mundiais'.


Quando, inevitavelmente, surgiram discussões e conversas sobre Gerald Gardner, no conventículo de Margo, todos se mostravam generosos e compreensivos. Ele nunca foi criticado em minha presença, mas adivinhei intuitivamente que a opinião de sua promoção da Bruxaria podia ser classificada pela frase espanhola 'pasó por aquí'. Haviam especulações frequentes sobre a origem dos conhecimentos de Gerald (além da fonte óbvia, o conventículo de Nova Floresta, no qual ele fora iniciado). Mas em geral se reconhecia que as informações estão sempre disponíveis para as pessoas que as procuram com persistência. Margo tinha algumas ideias sobre o assunto, pois conseguira, com a maior habilidade, identificar as fontes de Gerald, durante longas conversas" (BOURNE, Lois. In: Dançando com as Bruxas).




{Por fim, gostaria de dispôr duas pinturas, de um elemental e de uma paisagem, realizada pela própria Margo. Também, decidi publicar uma fotografia da Margo e outra, do Bertram. Ambas as imagens, verifica-se abaixo}.








{Além de Lois Bourne, outra iniciada de Gerald Brosseau Gardner abandonou a "Tradição Gardneriana" para se juntar às Bruxas Tradicionais. Eleanor Margaret Bone (EMB) cedeu uma entrevista ao Jonathan Tapseel (JT) no verão de 2001, um pequeno período antes de seu falecimento, onde fez algumas declarações das Bruxas da Cúmbria, cujos usos de Colares do Renascimento de âmbar pelas sacerdotisas e de Cíngulos à todos os iniciados, com a cor de acordo com à sua hierarquia, sugere-se outro resquício da velha Bruxaria dos tempos medievais. Vejamos, a seguir}.


"JT: Eleanor, você é 'a Matriarca da Bruxaria Britânica'. Quando você foi iniciada na Bruxaria? 
EMB: Eu fui iniciada em agosto de 1941, enquanto eu estava praticando em Cúmbria, durante a Guerra. Um casal me contou sobre a vida e me disseram que eram Bruxas e eles me falaram que eu também o era a tempos passados. Foi depois que tivemos uma conversa em conjunto sobre a reencarnação. 

JT: A Bruxaria era ilegal na época, não é? O que teria acontecido se tivessem o descoberto naquela época você era uma Bruxa? 
EMB: Eu não acho que nós nos preocupamos com isso no momento. 

JT: E a sua família sabia que você era Bruxa? 
EB: Não, minha mãe morreu em 1942. Eu não tinha idéias muito ortodoxas sobre religião desde os 8 anos, quando meu gato morreu. Fiquei chocada e chorei pedindo ao vigário se ele tivesse ido para o céu, mas ele disse que os animais não vão até lá. Isso não combina comigo e eu comecei a ler o Ramo de Ouro e tornei-me interessada em folclore. 

JT: Entre o grupo de pessoas com quem você praticou na década de 1940, não era que ele sabia de perseguição por suas crenças?
EMB: No campo, ele foi aceito. 

JT: Qual foi sua reação quando você soube que uma mulher foi presa sob o Ato de Bruxaria em 1944, apenas três anos após sua iniciação? 
EMB: Eu pessoalmente tenho ouvido falar deste incidente até muito mais tarde e acho que pode ter havido uma série de razões políticas que estão na base destas ações, pois interferiu no esforço da Guerra. 

JT: Você teve um suspiro de alívio quando as leis Contra a Bruxaria foram finalmente revogadas em 1951? Qual foi sua reação? Você celebrou? 
EMB: Eu não estava em um conventículo no momento e eu perdi as reuniões. Fiquei muito feliz que as leis foram finalmente revogadas. 

JT: Você é uma bruxa que continua viva que poderia lembrar a respeito da misteriosa "Dafo" [¹] que fazia parte do Conventículo de Nova Floresta. Por que ela ficou nas sombras depois de as leis terem mudado? 
EMB: Dafo sem dúvida existia e eu tive o prazer de visitá-lo com Gerald Gardner e muitas vezes meu marido. Éramos bons amigos. Dafo falou das tradições de Nova Floresta e parecia pensar que o Conventículo também fora anteriormente de Rufus, o rei normando que morreu em Nova Floresta.Nova Floresta Nova Floresta 

JT: Muitos argumentam que Gerald Gardner inventou o Conventículo de Nova Floresta 
EMB: Eu sei que isso vai perturbar muita gente, mas Gerald - bendito seja ele - disse que muitas coisas em seu Livro das Sombras veio de Crowley, da Maçonaria e de muito mais. Isto porque, como eu disse, ele não recebeu educação apropriada no Conventículo de Nova Floresta Nova Floresta 

JT: Por que você não se junta à Federação Pagã? É certo que, como a bruxa mais experiente, a Federação Pagã devem estar ansiosos para incluí-lo entre os seus membros? 
EMB: Fui abordada recentemente e me pediram se eu fosse um membro honorário da Federação Pagã, mas recusei a oferta. Foi muito gentil da parte deles para pensarem sobre mim mesma. Mas a Federação Pagã não se importa que suporte um grande número de práticas de Magia e Bruxaria de tradições que são apenas invenções e que começaram a partir do zero. Eu sei por que eu assisti o seu nascimento. Eu pertenço a uma tradição, a Tradição Cumbriana [a Linhagem Cumbriana da Bruxaria Medieval Pentárquica de que pertencia o bruxo e filósofo dos tempos carolíngios, Michael Scot, e que opera no círculo megalítico de Long Meg e Suas Filhas, na localidade do Distrito do Lago, na Cúmbria, Inglaterra], e isso é tudo que eu preciso".

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¹ "Dafo" trata-se de um apelido de
 Edith Rose Woodford-Grimes, Magistra do Conventículo de Nova Floresta, em que Gerald Brosseau Gardner foi iniciado, e Rainha das Bruxas juntamente com George Alexander Sullivan, Magister e Magus do Clã (vide o tópico da galeria: "Ordem Rosacruz Irmandade de Crotona e seu Conventículo de Nova Floresta").
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{Eleanor Bone pressentiu que faltava pouco para ser "chamada, de volta, para junto dos antigos Deuses". A dama que recebeu o título de 'Matriarca da Bruxaria Britânica' sucumbiu à saúde debilitada e morreu, na entrada para o outono do hemisfério norte, no dia 21 de Setembro de 2001}.­­ 


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Ao benemérito St. Prior J.'.E.'.C.'.S.'.
Pela divindade do Uno, do Deus e da Deusa,
Ao Filho Divino, Vida, Saúde, Força e União!


Três Vezes Abençoado.