sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

-Magia Sexual na Bruxaria

{Descrições e articulação com autores, realizados pela Nadia Bertolazzi}.

[Tire as crianças e os Pinks da sala. O assunto não é para menores. Só pra lembrar, a Magia Sexual, na Bruxaria, é sempre praticada no maior respeito, e ninguém é coagido a fazer nada. O controle dos próprios pensamentos, durante essa prática, precisa ser tão grande que quase não se tem prazer com isso. Até porque a energia é desviada para a “magic child”. Se quer ter prazer, sugiro que deixe a Magia Sexual de lado e vá direto ao Kama Sutra.

Pra ser Bruxo, é preciso ter profissionalismo. As Bruxas, na Bruxaria Britânica, costumam ver a Magia Sexual como “uma forma de unir o útil ao agradável” - nem mais, nem menos do que isso. A Magia Sexual é encarada, na Bruxaria Britânica, com a mesma naturalidade que comer uma fatia de bolo. E sem preocupação com as calorias. Eu teria várias coisas a acrescentar e vários comentários a fazer, mas não vou falar nada, porque não quero me comprometer...]

Livro: Witchcraft for Tomorrow

Autora: Doreen Valiente.


A Magia Sexual, conhecida no Oriente como Tantra, é a prática ritualística desenvolvida através das energias canalizadas do corpo físico, da mente e do espírito humano. O ato de criar outras vidas através de relações sexuais e instituir uma força, ou um vínculo energético entre as pessoas envolvidas, é visto como místico e sagrado. Como outras modalidades de Magia, a Magia Sexual também é um recurso usado como fonte do poder que fortalece as cerimônias ritualísticas e para obter o auto-conhecimento através da exploração do próprio corpo, psique e alma. A Magia Sexual é uma das faces mais importantes da Magia moderna.
Utilizada tanto nas escolas ocidentais como nas orientais, sua origem nos remete às práticas das crenças pré-cristãs, sendo que os primeiros registros datam de 3000 a.C.. A Antiga Religião da Europa baseava-se em ritos de fertilidade para assegurar a proliferação de animais, plantas e humanos. O conceito pagão da atividade sexual era saudável e natural. Era a mais poderosa energia que os humanos podiam experimentar através dos próprios sentidos, com a manifestação afetiva de um indivíduo ou simplesmente a ação de compartilhar prazer e desejo carnal com outra pessoa. Assim, mulheres consagradas serviam aos deuses em templos, o homossexualismo e o heterossexualismo eram apenas definições das preferências sexuais, etc.
Existem dois canais de energia no corpo humano que estão associados ao sistema nervoso central e à medula espinhal, conhecidos no Ocidente como Lunar e Solar ou Feminina e Masculina(receptiva/negativa e ativa/positiva). Geralmente, entre os não-praticantes da Magia Sexual,apenas uma das correntes de energia está aberta e fluindo. Entre as mulheres, apenas a corrente lunar flui desimpedida. Entre os homens, apenas o canal solar está realmente livre. No caso dos homossexuais, essa situação está invertida. Em todas as situações, este fato causa um desequilíbrio e influencia negativamente várias esferas da vida humana.
Portanto, segundo este raciocínio, o estado sexual natural é a bissexualidade, em que ambas as correntes fluem juntas em harmonia. A alma que habita o corpo físico não é masculina nem feminina. Desse modo, o sexo é meramente uma circunstância física. O fluxo harmonioso das correntes no corpo é simbolizado pelo antigo símbolo do Caduceu. Um dos maiores divulgadores da Magia Sexual contemporânea ocidental é Aleister Crowley, através da doutrina do Thelema. Posteriormente, diversas escolas iniciáticas a adotaram e adaptaram de acordo com a própria filosofia. Porém, os princípios básicos permanecem inalterados. Na Índia, ainda é uma das práticas mais utilizadas no hinduísmo.
Apesar de (teoricamente) compor vários sistemas mágicos, atualmente, a maioria das tradições não incorpora a Magia Sexual em suas atividades. Isto se deve a opção pessoal dos praticantes (inibição e preocupações com as doenças sexualmente transmissíveis) e a pressão social de uma cultura judaico-cristã, onde o sexo é visto como algo pecaminoso e polêmico. Deste modo, nos ritos sexuais modernos, são usadas representações simbólicas dos antigos elementos da fertilidade, sejam objetos que representem os genitais ou apenas uma dança ou encenação erótica.

 Sagrado Feminino
 Nas antigas crenças pagãs, os pólos femininos da criação eram reverenciados como sagrados e a mulher era vista como o principal canal gerador de vida. A Deusa era a divindade principal, responsável pela criação de todas as formas viventes. Dessa forma, os ritos que envolviam Magia Sexual, utilizavam-se de mulheres e do sangue menstrual como elementos principais do Altar Cerimonial.
O altar sagrado é formado por uma mulher que se deita de costas, nua, com as pernas dobradas e afastadas (de forma que os calcanhares toquem as nádegas). Um cálice é colocado diretamente sobre seu umbigo, ligando-o ao cordão umbilical etéreo da Deusa, a qual é invocada em seu corpo. Derrama-se o vinho sobre o cálice. O Sumo Sacerdote pinga três gotas de vinho, uma no clitóris e uma em cada mamilo, traçando uma linha imaginária que forma um triângulo no corpo feminino, tendo o útero como centro. Segue-se um beijo em cada ponto, enquanto a invocação é recitada.
  
Fluidos Mágicos
 Os fluidos produzidos no corpo humano de forma natural ou através da estimulação sexual, também são utilizados nas cerimônias herdadas dos povos antigos que envolvem a Magia Sexual, e são empregados para um determinado objetivo. O vinho ritual continha três gotas do sangue menstrual da Suma Sacerdotisa do clã, que unia magicamente os celebrantes nesta vida e nas próximas encarnações. Os caçadores e guerreiros eram ungidos com pinturas ritualísticas que continham sangue menstrual. 
Acreditava-se que ao unir o sangue de duas pessoas, criava-se um vínculo entre ambas. Ungir os mortos com o sangue era uma forma de assegurar o retorno à vida. O sêmen era considerado energia canalizada que vitaliza o praticante que o recebe. Ainda, o estímulo dos mamilos faz com que a glândula pituitária secrete um hormônio que ativa as contrações uterinas. Isso ativa o fluxo de certos fluidos através do canal vaginal.

 Criança Mágica
 A criança mágica é um termo utilizado na Magia Sexual ocidental para designar uma imagem no momento do orgasmo. Neste caso, a energia sexual não é liberada como no ato sexual tradicional, mas inibida por períodos prolongados e canalizada através da mente para que se manifeste numa forma de pensamento mágico, formando uma imagem astral durante o orgasmo.
Para esta atividade, é necessário que o praticante tenha desenvolvido a arte da concentra-ção/visualização e um controle firme sobre a própria força de vontade pessoal, de forma que no momento do orgasmo, não haja nada mais na mente que a imagem que deseja ver criada. Se estiver incompleta ou difusa, é possível que interferências negativas se manifestem e passem a consumir a energia sexual do praticante. Este conceito é uma das bases na crença dos Sucubus.
  
Pancha Makara
 A corrente oriental da Magia Sexual, chamada Tantra, é dividida em cinco categorias de aplicações distintas conhecidas como Cinco M ou Pancha Makara, que em sua maioria, são canalizados no campo físico (Caminho da Mão Esquerda) e outro simbólico (Caminho da Mão Direita). O Pancha Makara recebe interpretações diferenciadas nas cerimônias praticadas nas correntes do Ocidente, ou em algumas situações, são adaptadas ou omitidas.

Madya Sadhana: A palavra Madya significa Licor e este princípio está relacionado à aplicação do Caminho da Mão Direita com uso adequado de estimulantes que ativam o sétimo chakra, Sahastrara, considerado o último nível de evolução da consciência humana e responsável pela integração dos outros chakras.

Mamsa Sadhana: O termo Mamsa pode ser traduzido como carne e significar que este princípio está associado ao uso ritualístico de carne. Também pode ser compreendido como fala (do verbo falar) e ser interpretado como uma invocação ou um mantra. Em quaisquer dos casos, está associado ao Caminho da Mão Esquerda (Físico).

Matsya Sadhana: Matsya significa peixe. Este princípio é usado tanto no aspecto físico como no simbólico. É visto como um fluxo psíquico que corre através dos canais da espinha dorsal, ou minoritariamente, como o consumo ritual de peixe num banquete ou Eucaristia.

Mudra Sadhana: Este é o mais conhecido fora dos círculos tântricos e é utilizado de maneira similar nos Caminhos Esquerdo/Direito. Representa o uso de posições específicas do corpo (especialmente da mão) para simbolizar ou encarnar certas forças, além de efetuar mudanças na consciência.

Maithuna Sadhana: A palavra Maithuna refere-se a união sexual. Este princípio, que atua tanto no aspecto físico como simbólico, está relacionado primitivamente com a atividade sexual. Porém, pode ser interpretado também como a atividade simbólica.


Fonte: “Os Mistérios Wiccans”
Autor: Raven Grimassi


“A Bruxaria não deve desculpas por envolver magia sexual. São as outras religiões que devem desculpas pela miséria da repressão puritana que impingiram à humanidade.” - Doreen Valiente, “Witchcraft for Tomorrow”.


Imagine por um momento um casal sentado à mesa para um íntimo jantar a dois. Sobre a mesa, velas acesas e um pequeno vaso como adorno para a cena. Ouve-se música ao fundo e o vinho é derramado em taças. Esses são elementos familiares que associamos ao amor e à sexualidade. É interessante observar que eles também são associados aos rituais Wiccans.

Vemos aqui que ambas as cenas são, na verdade, atos de reverência ao Feminino. O vinho e as flores são oferendas tradicionais à Deusa. A luz de velas revela que a cena é especial e mágica, não é dia nem noite, claro ou escuro. O momento é sagrado, isolado das preocupações da vida cotidiana. 

Para compreendermos a função da sexualidade na Velha Religião, devemos nos afastar de nossa visão moderna e de nossos preceitos pessoais por alguns momentos. Devemos retornar a um período no qual a comunidade via o sexo como saudável, natural e desejável. Era uma época na qual os homens não eram menosprezados por seus impulsos sexuais e sua orientação visual à sexualidade. As mulheres não eram degradadas por seus desejos sexuais ou por sua sensualidade; o conceito moral judaico-cristão da prostituta ainda não havia se desenvolvido. Prostitutas sagradas serviam aos deuses em templos sagrados, o homossexualismo e o heterossexualismo nada mais eram do que definições de preferência sexual (como na Grécia Antiga).

A Velha Religião da Europa pré-cristã baseava-se em ritos de fertilidade para assegurar a proliferação de animais, plantas e humanos. Um dos aspectos mais controversos da Wicca atualmente gira em torno do tema da utilização de atividades sexuais em rituais ou magia. Algumas Tradições Wiccans não incorporam elementos sexuais em suas práticas (ou crenças) em parte por causa de abordagens pessoais, inibições e diversas preocupações com a saúde.

A pressão social de viver numa cultura judaico-cristã também fez com que algumas tradições omitissem os elementos sexuais para negar as alegações de muitas igrejas cristãs de que as Bruxas participavam de orgias e práticas sexuais pervertidas. Para não ofender a sensibilidade judaico-cristã, muitos Wiccans comprometem o Antigo Caminho [no sentido de debilitar, enfraquecer] ao criar representações simbólicas dos antigos aspectos da fertilidade na Bruxaria.

Em tempos remotos, a energia sexual era a mais poderosa energia que os humanos podiam experimentar através de seus próprios sentidos físicos. A habilidade aparentemente mágica dessa energia de criar outros humanos deve ter tido um efeito profundo sobre a psique dos antigos. Na Tradição dos Mistérios, esse aspecto da magia envolve o uso de energia sexual como fonte de poder. O conceito pagão da atividade sexual é totalmente diferente do conceito judaico-cristão. O sexo é visto como uma experiência natural e prazerosa. Pode ser parte da expressão amorosa de um indivíduo ou simplesmente o compartilhar de prazer e desejo com outra pessoa. Com fins rituais de magia, ele pode simplesmente ser a fonte de energia que fortalece os ritos. 


A Mulher Como Altar Sagrado:

No texto do Grande Rito, vemos que os antigos empregavam o corpo de uma mulher como altar sagrado de suas cerimônias religiosas:

“Ajude-me a erguer o antigo altar, No qual em tempos antigos todos cultuavam;
O grande altar de todas as coisas. Pois em tempos remotos, a mulher era esse altar.”

É plenamente natural e lógico que uma sociedade matrifocal visse as formas femininas como sagradas, e as empregassem como foco para ritos religiosos e de magia. O próprio altar vivo possuía a habilidade de dar à lua e de alimentar uma nova vida. O sangue menstrual, chamado de sangue da Lua, era utilizado como marcas rituais em cerimônias de iniciação e ritos que visavam atrair as almas de um clã, dos mortos de volta a seu clã. [Isso é feito na Bruxaria Italiana.]

O conceito da mescla de sangue, como no ritual dos índios americanos do irmão de sangue, remonta aos tempos antigos. Unir seu sangue ao de outro para sempre criava um vínculo entre os dois. Assim sendo, a Suma Sacerdotisa do clã podia unir as almas de todos os membros através de seu sangue menstrual. Graças às influências indo-européias, o vinho ritual é visto hoje em dia como o Sangue do Deus.

Em suas mais remotas associações, ele era o Sangue da Deusa, onde o vinho continha três gotas de sangue menstrual que unia magicamente os celebrantes nesta vida e na vida. Os caçadores e guerreiros eram geralmente ungidos com pinturas rituais que continham sangue menstrual caso fossem mortos fora da aldeia. Ungir os mortos com o sangue da Lua era assegurar o seu retorno à vida. Na encarnação seguinte, eles se encontrariam novamente e renovariam o seu amor.

O triângulo ou pirâmide é um símbolo sagrado associado à anatomia feminina. Reflete não apenas a área púbica, mas representa também os mamilos e o clitóris, que estão ligados por trilhas neurais. Há ainda um traço neuropsicológico ligando os mamilos à glândula pituitária. O estímulo dos mamilos pode fazer com que a glândula pituitária secrete um hormônio que ativa as contrações uterinas. Isso, por sua vez, ativa o fluxo de certos fluidos contendo vários elementos de secreções glandulares.

Na Tradição dos Mistérios Wiccans, o Triângulo Mágico da Manifestação é invocado pelo Sumo Sacerdote, que beija os mamilos e o clitóris da Suma Sacerdotisa durante o rito da Atração da Lua. Esse rito do triângulo também é praticado durante o Grande Rito. Algumas tradições se envergonham dessa antiga prática e empregam uma visão moderna da invocação onde os beijos são dados nos pés, joelhos, umbigo, seios e boca. [Todos os pontos a serem beijados que foram citados aqui são chakras. Se você se lembra do que eu disse no tópico “O Básico”, temos pelo menos 21 chakras.]

O altar sagrado é formado por uma mulher escolhida que se deita de costas [ou seja, de barriga pra cima], nua, com as pernas dobradas e afastadas (os calcanhares tocando, ou quase, as nádegas). Um vaso ou cálice é colocado diretamente sobre seu umbigo, ligando o vaso ao cordão umbilical etéreo da Deusa, a qual é invocada em seu corpo. Derrama-se o vinho sobre o vaso ou cálice, enquanto a mulher-altar segura esse vaso. O Sumo Sacerdote então mergulha os dedos no vaso e unta os mamilos e o clitóris da mulher com três gotas de vinho em cada. A isso segue-se um beijo em cada ponto, enquanto a invocação é recitada. Quando praticado com reverência, esse rito é muito belo. 


Massagem Psíquica:

Na Magia Sexual, a arte de criar cargas bioeletromagnéticas para estimular e ativar vários centros psíquicos do corpo é chamada de massagem psíquica. Recebeu esse nome por fortalecer os chakras onde as habilidades psíquicas são geradas e mantidas. Durante a massagem psíquica, correntes ódicas são transmitidas através de cada chakra, do mesmo modo que isso ocorre na arte da informação (ver capítulo nove). Ao combinar a respiração ódica com passes magnéticos, a massagem psíquica também se torna etérea. Portanto, tanto o corpo astral como o físico são renovados e revigorados.

Na terminologia do oculto, a mão esquerda é magnética e a mão direita é elétrica [em canhotos é o contrário]; quando próximas uma da outra, criam um fluxo de energia entre si. Essa energia pode ser usada para remendar ou fortalecer áreas enfraquecidas na aura do corpo. Pode também ser usada para restaurar os chakras e restaurar o suave fluxo de energia entre cada um deles. Isso é obtido através de massagens ao longo das áreas que ligam os chakras e várias trilhas nervosas. 

A massagem se inicia na testa, movendo-se para baixo em direção aos pés e retornando para cima a seguir. Em cada chakra, a zona é massageada num padrão espiral [só pra lembrar, o chakra da área genital de uma mulher move-se no sentido anti-horário]. Os mamilos e genitais são suavemente massageados quando as mãos passam pela zona dos chakras dessas áreas. As terminações nervosas que ligam o triângulo (mamilos e genitais) levam impulsos à terceira visão, ao coração e ao Chakra Básico, ativando uma poderosíssima corrente oculta que fortalece os chakras e a aura. Em algumas tradições Wiccans, isso pode ser feito como prelúdio à iniciação do segundo grau (quando geralmente o poder é pela primeira vez transmitido ao iniciado).

Magia Sexual e Fluidos Corporais:

Com fins mágicos, a estimulação sexual produz tanto energia e condensadores líquidos carregados, ambos os quais podem ser empregados para um dado objetivo. O sêmen masculino é energia canalizada e sempre se move rumo à manifestação física (seja ao penetrar no útero ou em qualquer outro recipiente). No caso de felação, masturbação ou sodomia, a energia é absorvida por um dos planos e vitaliza as entidades que nele habitam. Essas entidades podem ser formas-pensamento ou seres preexistentes.

Quando a conclusão normal de um ato sexual é evitada, a descarga de energia é absorvida e forma na mente uma imagem astral da imagem mental no momento do orgasmo. Essa imagem ganha vida e é um elo funcional entre a mente subconsciente e o plano astral. A encarnação dessas imagens é um dos objetivos da magia sexual. Outro objetivo é gerar uma forma de poder na base da espinha. Nessa área reside a Kundalini ou Poder da Serpente, oprimido por séculos pela Igreja cristã. O objetivo é levar essa energia à terceira visão, onde consentirá ao indivíduo poder quase ilimitado. Esse sistema de magia sexual é conhecido como Tantra

Existem duas correntes (ou canais) de energia na entidade humana [na verdade, tem uma terceira, que passa pelo meio]. Essas correntes estão associadas ao sistema nervoso central e à medula espinhal. Podemos nos referir a essas correntes como Lunar e Solar, ou Feminina e Masculina (receptiva/ negativa e ativa/ positiva) [ele se refere a “positivo” e “negativo” no mesmo sentido que os pólos de uma bateria, e não no sentido que essas palavras são comunemente usadas]. Essas polaridades indicam energias bioeletromagnéticas e não se referem aos sexos. As correntes Lunar e Solar se manifestam no corpo como os ramos esquerdo e direito das estruturas nervosas dos gânglios.

O lado esquerdo é feminino/ lunar e o direito é masculino/ solar. Infelizmente, por séculos a sexualidade tem evocado sentimentos de culpa e vergonha, graças em grande parte à moralidade judaico-cristã. Essa mentalidade serviu para negar (na maioria das pessoas) a função natural das correntes lunar e solar. Uma das metas da magia sexual é libertar a expressão da sexualidade dos sentimentos inibitórios e negativos. Uma vez atingida essa meta, pode-se restaurar a harmonia dessas correntes.

Na pessoa comum, atualmente, apenas uma das correntes de energia está aberta e fluindo. A contra-corrente está normalmente inibida e suprimida, gerando desarmonia (des-conforto) no corpo físico. Isso também causa uma influência negativa no equilíbrio endócrino. Na mulher não-treinada, apenas a corrente lunar flui desimpedida, e no homem não-treinado apenas a corrente solar está realmente livre. No caso dos homossexuais, essa situação está invertida. O fluxo harmonioso das correntes no corpo é simbolizado pelo antigo símbolo do Caduceu. Esse estado natural elimina a desermonia (des-conforto) no corpo, e é por isso que o Caduceu representa a saúde em nossa sociedade atual. 

Nos Ensinamentos dos Mistérios, o estado sexual natural é o da bissexualidade, em que ambas as correntes fluem juntas e em harmonia. A alma que habita o corpo físico não é masculina nem feminina, portanto nosso sexo é meramente uma circunstância da dimensão física. A atitude que demonstramos acerca da polaridade dos sexos na qual nossas almas residem é moldada em grande parte pelo nosso meio social. Devemos ter em mente, no entanto, que o sexo também pode ser uma manifestação do Karma da alma individual.


A Criança Mágica:

A criança mágica é um termo utilizado na magia sexual para designar uma forma ou imagem mágica. Esse aspecto da magia sexual envolve a inibição do orgasmo por períodos prolongados, permitindo que imagens mentais/ astrais intensificadas tomem forma. A energia sexual não é TERRADA como no ato sexual corriqueiro, mas sim direcionada pela mente para que se manifeste numa forma-pensamento mágica. A energia canalizada forma uma imagem astral sutil do conceito dominante na mente no momento do orgasmo. 

O sêmen ejaculado do homem é energia não-absorvida, concentrada (uma carga fixa). Ela se move sempre rumo à criação de uma forma manifesta, pois é a essência da energia criativa. Isso se aplica ao sêmen depositado numa vagina ou em qualquer outro recipiente. Quando o sêmen penetra no útero, ele está centrado numa manifestação física. Sua influência mágica no plano astral é anulada. Quando o sêmen não é recebido por um útero (masturbação, sexo oral ou sodomia), sua energia é drenada por entidades que existem nos planos astrais.

As secreções vaginais são fluidos igualmente valiosos para fins de magia sexual. Contêm secreções das glândulas endócrinas que estão carregadas pelas correntes lunar e solar ativadas sexualmente. Essas secreções possuem elementos do fluido cérebro-espinhal e das glândulas endócrinas. As trilhas nervosas associadas ao funcionamento da bexiga através do terceiro ventrículo podem iniciar várias secreções.

Uma vez ativadas, essas correntes fluindo para a área genital estimulam nervos, os quais causam reações em todo o corpo. As glândulas pituitária e pineal são estimuladas, assim como os nervos que afetam a urina. A energia das secreções vaginais carrega (em diversos graus) um pouco de cada um desses aspectos. Os fluidos vaginais podem ser utilizados de modo semelhante ao sêmen, ou a ele misturados com finalidades mágicas.

[Sete símbolos aparecem no livro: 
* Um labrys, machado duplo, com a legenda “símbolo de renovação e transformação”
* Uma flor, “símbolo da Donzela”
* Uma maçã, “símbolo da Mãe”
* Duas espirais, posicionadas )( “espirais: morte e renovação”
* Um desenho que parece uma barra de chocolate na diagonal “rede: símbolo do 'tornar-se', surgir”
* Algo que parece um M “símbolo dos fluidos corporais das mulheres: leite, sangue e secreção vaginal”
* Um ziguezague na diagonal “vida e nascimento: o poder de doar”
Sob tudo isso, há a legenda “Símbolos Femininos”
]

O estado mental da consciência estabelecido durante a magia sexual forma um PORTAL para o subconsciente e, portanto, ao plano astral. Imagens ou conceitos visualizados (e/ ou sigilados) são vitalizados e se tornam “vivos” (fortalecidos). É fundamental que o praticante tenha desenvolvido a arte da concentração/ visualização e que tenha um controle firme sobre a sua força de vontade pessoal. Não pode haver nada mais na mente no momento do orgasmo além da imagem (ou sigilo) da “criança” que se deseja ver criada.

Se a imagem mental não estiver completa ou for distorcida por interrupções da imaginação mental, é possível que formas-pensamento muito negativas se manifestem. O perigo inerente nessa situação é que essas formas-pensamento passem a possuir seu criador e aumentem o seu apetite sexual. Em tais eventos, o indivíduo pode ficar obcecado por sexo, pois a entidade exige mais e mais energia sexual para que se alimente. Essa é a base da lenda dos íncubos e súcubos.

Sexualidade e a Wicca Moderna:

Muitos Wiccans que ainda desejam empregar a energia sexual, mas que por qualquer motivo desejam evitar o ato sexual real, incorporaram aspectos não-físicos da sexualidade em seus ritos. Isso pode incluir de tudo, desde danças provocantes e sedutoras a versos eróticos e linguagem e comportamentos sugestivos. Esses elementos, num cenário ritual, podem certamente evocar forte correntes sexuais.

Como vimos no capítulo dez, alguns Wiccans empregam instrumentos rituais para substituir os participantes humanos em atos sexuais. O uso e o manuseio dos instrumentos que representam o falo ou a vagina/ útero visam gerar as energias sexuais através da magia mimética e efetuar as conexões simbólicas com os aspectos da fertilidade que outrora fortaleciam os antigos rituais. Alguns Wiccans acham que isso serve muito bem a seus propósitos, enquanto outros sentem uma evidente falta de força associada a esses atos simbólicos. [Só vejo motivo pra não fazer sexo ritual quando o ritual é público.]

Em tempos longínquos, a união sexual era parte do processo de iniciação, e o poder era transmitido do mestre ao aprendiz através das correntes bioeletromagnéticas geradas pelo estímulo sexual entre os sexos/ polaridades opostos. Iniciações sexuais funcionais e benéficas remontam à Antigüidade, e ainda podem ser encontradas em práticas tribais na África e na América do Sul. Ainda são utilizadas na maioria das Tradições Hereditárias e Familiares.

Especialmente quando o homem é o mestre de uma mulher, muitas mulheres Wiccans vêem a iniciação sexual como abusiva e manipulativa. No entanto, a presença de homens em quaisquer iniciações sexuais que envolvam mulheres pode negar a validade do rito [Heim?]. Essa visão se origina claramente do comportamento sexualmente abusivo contra mulheres perpetrado por alguns homens. Esse pode não ser o caso, pois os homens Wiccans tradiconalmente demonstram grande respeito pelas mulheres.

A sexualidade, como muitas outras coisas na Wicca, é um aspecto que os Wiccans devem examinar individualmente para chegar às suas próprias conclusões. O que é bom para uma pessoa pode não ser necessariamente bom para outra. Assim, permito ao leitor que avalie os ensinamentos desse capítulo como seu espírito desejar.